Logan
1 I
Me deixe sair!
Logan abriu os olhos. Ainda estava deitado na cama, com os pés descalços encolhidos. O pijama listrado já estava um pouco desabotoado com o calor que fazia, mas ele ainda estava coberto com o lençol.
Ele piscou algumas vezes, antes de notar o quarto completamente escuro, tinha a sensação de que haviam se passado várias horas, mas ainda continuava escuro. Levantou da cama, procurando o relógio que se encontrava em cima da mesa de estudos, precisava saber o horário. 00:07.
Lembrava de ter dormido pouco depois de 00h, então quer dizer que tinha dormido pouquíssimo tempo. Uns 6, 7 minutos, no máximo. E ainda se sentia pesado, como se tivesse dormido umas 12 horas.
Mas aquele pesado era apenas de cansaço, o sono tinha passado totalmente, não sentia a mínima vontade de voltar para a cama, mesmo que não estivesse se aguentando em pé muito bem. Tornou a atenção para a janela semiaberta do quarto, a vizinhança já tinha ido dormir, todas as luzes estavam desligadas, com excessão das da rua.
Como não tinha nada para fazer, resolveu, por impulso, descer para beber um copo de água. Não estava com sede, mas também não queria ficar parado.
Saiu do quarto, com passos silenciosos no corredor, não podia acordar ninguém da casa. Pisar no chão dava uma sensação gostosa e gelada nos pés, e ele continuava em frente, dando sempre um passo na frente do outro, com cuidado.
Desceu as escadas com mais cuidado ainda, como eram de madeira e tinham o costume de estalar de noite. A cozinha não ficava muito longe da sala de estar.
Mas o que ele não esperava era que a cozinha não estivesse vazia.
Havia uma pessoa, mais como uma silhueta, parada no meio da cozinha. Não estava fazendo nada, só encarava a parede. Não conseguia reconhecer quem era, só o que conseguia ver era a nuca, os cabelos negros e as roupas tão escuras que chegavam a assustar.
Logan não se moveu, não tinha coragem. Tinha um estranho na sua cozinha. Começou a pensar no que deveria fazer em uma situação dessas, chamar a polícia, acordar os pais, encarar de frente.
Chamar a polícia parecia menos idiota, mas assim que ele colocou o primeiro pé na escada para voltar para o quarto e ligar para a polícia, o estranho se moveu.
Me deixe sair!
Logan estremeceu, aquela frase tinha repercutido só na sua cabeça. Nenhuma palavra tinha sido dita ali ao vivo. Aquilo estava lhe dando calafrios.
O estranho começou a virar, deixando Logan com a maior vontade de sair correndo para o seu quarto e se trancar lá, mas não queria tomar uma decisão errada por não manter a calma.
Subitamente, o estranho parou de frente para ele. Não tinha rosto. Tudo no rosto do estranho era pele, não havia nada ali, nem olhos, nem boca, nem nariz.
Logan recuou, aterrorizado, nunca tinha visto nada parecido. E tudo escureceu.
Me deixe sair!
Quando um flash de luz permitiu que Logan visse o que tinha ali ao seu redor, conseguiu ver que o estranho sem rosto continuava no mesmo lugar, de frente para ele. Mas não havia mais cozinha, mais sala, mais escada, mais nada. Estavam os dois num quarto, sozinhos.
Logan procurou uma porta, desesperadamente, assim que outro flash de luz foi emitido. Tinha uma logo atrás do estranho, em cima escrito "saída". O mais bizarro era que o estranho não se movia, continuava ali, sem fazer nada se não permanecer cara-a-cara com Logan.
Outro flash de luz. Eles iam e vinham.
Ele tinha que sair dali, e pelo visto, o estranho continuaria na mesma posição. Que Logan se movesse, então.
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