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2 Capítulo um - Cuidado com seus segredos
Notas iniciais
14 de fevereiro de 2014.
A música toca tão alto que mal é possível conversar. É a festa de aniversário de Emma. Um dia antes de seu aniversário real, mas ela não perderia a oportunidade de fazer sua festa numa sexta-feira.
A garagem da casa de Amy e Colin estava lotada de pessoas, algumas que nem mesmo Emma conhecia. Mas ela não se importava. Era seu aniversário de 16 anos. Nada podia dar errado.
Todos os seus amigos estavam lá. Amy e Colin, que emprestaram a casa para ela, já que a casa de sua avó, onde ela morava, era muito pequena. Lily, que escolheu as músicas e estava dando uma de DJ, junto com Cooky que estava controlando a luz. Louise estava dançando junto com ela e um outro grupo de amigos. Entre eles, Lucas.
Ele não parara de olhar para ela desde que a festa começara, assim como ela olhava para ele. Ela, estava apaixonada por ele, e esperava que ele sentisse o mesmo. Ele, como qualquer outro garoto adolescente, não tinha certeza do que sentia, só sabia que sentia. E os dois sabiam o que queriam.
Louise dançava. Essa noite ela não se preocuparia com nada. Não se preocuparia com Emma, nem com ninguém. Ela prometeu para si mesma que não deixaria nada estragar essa noite, como estragou várias nos ultimos dois anos. Como no aniversário de 15 anos de Emma, onde brigou feio com Lucas, chegando a arranhar seu braço de um jeito que saiu sangue. Ou quando os sete amigos foram no cinema e ela acabou chutando um cara muito alto que estava sentado na cadeira da frente e não estava a deixando ver nada, e todos foram expulsos do filme. Ela não estragaria tudo. Não hoje.
Lily estava conversando com Brad, seu namorado. Eles estavam namorando há apenas dois meses, mas sentia que já se entendiam como ninguém. Todas as pessoas o criticavam por ser mais velho — Brad tinha 22 anos e Lily 16 — mas Lily não se importava. E ela tinha seus motivos.
Cooky fingia estar feliz, mas não estava. Dançava como nunca havia dançado, mas seu coração parecia estar parado. A unica pessoa por quem se interessara estava namorando — namorando firme uma pessoa horrível. Não parecia certo, de várias maneiras. Mas tudo o que ele podia fazer era esperar.
Colin não estava feliz, e nem se esforçava em fingir. Acabara de presenciar a cena que ninguém gostaria de presenciar.
Sua namorada estava beijando outra pessoa.
Ele estava paralisado. Era ela. Era Stefany. Sua Fany. No lugar onde costumavam se encontrar quando ela ia em sua casa, nos fundos do jardim. E ela estava lá, beijando um dos veteranos musculosos do time de futebol da escola. Stefany finalmente o viu e parou.
– Colin! — ela deu um tapa na cara do garoto que estava beijando — O que você fez, seu idiota? Vá embora!
Ele pareceu entender a deixa, pedindo desculpas para Colin e indo embora. Mas ele não ia perdoar dessa vez. Não depois da terceira vez desde que ele e Stefany começaram a namorar.
– Eu posso explicar, Colin! — Fany tentou segurar sua mão, mas ele deu um passo para tras — Não é o que você está pensando.
– Não adianta, Stefany — ele tentava conter as lágrimas — Eu não sou mais idiota. Acabou.
Stefany começou a falar, mas parou. Olhou para Colin e começou a rir, uma risada estridente.
– Você acha mesmo que eu gostava de você? Com essa cara de babaca e seus papais que fazem tudo o que você que...
– Cale a boca.
– Não, me deixe terminar. — ela sorriu — Isso já acabou faz tempo, Colin. Só você não percebeu. E acho melhor você enxugar essas lágrimas. Está parecendo um bebê chorão.
Ela se levantou do banco — o banco onde ela e Colin dividiram seus melhores momentos — e saiu. Simplesmente saiu. Colin enxugou as lágrimas, rapidamente se culpando por ter chorado. Mas elas não paravam de sair.
Ele não queria que ninguém o visse chorando. Não podia ser mais humilhado. O mundo ainda parecia girar mais rápido para ele, mas ao mesmo tempo mais devagar. Tudo parecia rodar, mas o tempo parecia estar parado. Parado nas frases que a unica garota que ele amou dissera, negando tudo o que havia acontecido nos ultimos seis meses. Ela não podia estar falando sério. Ela voltaria. Voltaria e pediria desculpas.
Mas não voltou. E sua ficha caiu — ela não voltaria. Ela nunca esteve de fato ali. Ainda não podia ser visto chorando, e queria sair dali. Então, foi para o lugar onde costumava se esconder na escola, quando os valentões o ameaçavam. O mesmo lugar onde aquela capsula idiota havia sido enterrada. Não sabia porque havia se lembrado daquela capsula do tempo justo agora, mas se lembrou. E se lembrou dos segredos que estavam escondidos naquele buraco, agora seguros. E pensou que se sentiria seguro com eles.
Começou a caminhar para o pátio da escola.
Amy estava sentada com os pés na piscina, tentando relaxar. Festas grandes como essa não eram muito sua praia. Ela preferiria estar sozinha lendo um livro. Várias vezes pensou em ir para casa e teve de lembrar a si mesma que estava em sua casa. Para sua felicidade, estava frio e ninguém havia pensado em nadar. Ela estava sozinha.
Pelo menos por enquanto.
– Olá. — um garoto de cabelos castanhos levemente avermelhados se sentou ao lado dela — O que você está fazendo aqui, com essa festa?
– Desculpe, mas quem é você? — Amy logo se arrependeu de ter feito a pergunta — Esquece, deve ser mais um dos infinitos amigos de Emma.
– Na verdade eu fiz uma aula experimental de tênis na turma dela uma vez, mas fui pra outra escola — ele riu — Nem sei porque ela me convidou. Meu nome é Peter.
– Emma queria ver a festa cheia, eu acho. — Amy deu uma risada também — Sou Amy.
– Nome legal. Você não me respondeu. Por que está sozinha ai?
– Não gosto muito de festas — ela tirou os cabelos castanhos do rosto, que eram diferentes dos fios loiros de seu irmão. Várias vezes ela sonhou em ser loira, como Colin. Agora, não se importava mais — Eu vim mais por causa de Emma. Ela é uma de umas melhores amigas.
– Só falei com ela uma vez, mas ela é legal. Na verdade, eu também não.
– Também não o que?
– Não gosto muito de festas. — ele olha para baixo — Digamos que eu prefiro a compania de video games e livros à de pessoas, dança e bebidas.
– Então acho que você me entende. — Amy ri um pouco, depois para e olha para os próprios pés, na água — Às vezes eu prefiro ficar sozinha mesmo.
– Antes só do que mal acompanhado — ele dá uma risada abafada — Eu gosto muito de ficar sozinho, mas não gosto de me sentir sozinho. Consegue entender?
– Acho que sim. — ela murmura — Na verdade, entendo completamente.
– Essa casa é bem grande. — ele muda de assunto — Os donos devem ser bem ricos.
– É a minha casa. — Amy se reprimiu mentalmente. Não precisava ter dito isso. — Mas na verdade não somos muito ricos. Não que eu ache.
– Uau, é uma casa bem bonita. — Peter murmurou, também um pouco envergonhado. Amy se sentiu feliz por ele não ficar muito impressionado ou desconfiado de sua riqueza. Seu celular apita e ele olha rapidamente — Desculpe, tenho que ir. É minha mãe, ela veio me buscar. Coisas de família. Foi muito bom conversar com você, Amy.
– Tudo bem — ela disse, entristecida por perder sua compania — Espere!
– O que foi?
– Ahn, eu sei que é meio estranho, mas é muito dificil achar pessoas legais como você e tal... Desculpe, estou sendo ridícula.
– Não, diga — ele abre um sorriso divertido — Também gostei de conversar com você.
– Sim, exato, bem... — agora ela não iria voltar atrás — Pode me dar seu número?
– Nossa, que cabeça a minha — ele riu — Eu meio que esqueci de pedir o seu.
– Acho que somos dois então. — ela olha para ele — Quero dizer, dois desastrados. Quero dizer... Ah, esqueça.
– Tudo bem. Passe seu número. Eu ligo amanhã.
Ela passou o número e Peter foi embora. Amy se sentia uma idiota, mas ao mesmo tempo estava feliz. Para falar a verdade, há muito tempo ela não se sentia assim por causa de um garoto que acabou de conhecer.
Emma continuava dançando, sem parar. O coração de Lucas também dançava, esperando por alguma oportunidade.
A garota saiu da pista de dança (que na verdade era a garagem) e foi para dentro tomar água. O garoto, a seguiu, sem ainda nem ter pensado qual seria o próximo passo.
– Oi. — ele observou enquanto ela quase engasgava com a água quando o notou — Foi mal, eu te assustei?
– Não, imagina. — ela limpou a baba do queixo — Então, veio tomar água também.
– Eu estava pensando em tomar um ar no jardim. — ele se parabenizou mentalmente pelo pretexto rápido que arrumou para ficar sozinho com ela — Quer ir comigo?
– Ah — ela tentava esconder a felicidade — Pode ser, eu também já estou ficando suada de tanto dançar.
Ela se reprimiu mentalmente pelo deslize. Ficando suada? Que coisa nojenta.
– Tudo bem, então vamos lá.
Caminharam por alguns minutos e ele se arriscou a segurar sua mão. Ambos olharam para as mãos e depois um para o outro. Emma sorriu. Ele amava quando fazia ela sorrir, seja com suas piadas (às vezes meio maldosas) ou com pequenos gestos, como esse.
– Acho que o jardim da Amy e do Colin é do tamanho do apartamento da minha avó — Emma murmurou quando chegaram.
– E ela ainda fala que os pais não são ricos. — Lucas olha para Emma, que revira os olhos — Tem até uma fonte aqui.
– Pois é. — Emma se abraça — Está meio frio aqui fora.
Lucas olhou para os lados pensando no que fazer. Ele não era muito bom com essas coisas de ajudar as pessoas.
– Aqui — ele tirou o casaco e colocou em volta dela — Pode ficar, eu não estou com frio.
Ele tentava disfarçar que estava tremendo, tanto de frio quanto de nervosismo.
– Não precisa. — ela mumurou, mas depois vestiu o casaco — Obrigada.
– Não tem de que. — ele olhou para o chão e depois olhou para ela. Era agora ou nunca — Emma, eu queria falar com você.
– Eu também. — ela tenta disfarçar o nervosismo e a ansiedade — Mas pode falar primeiro.
– Tá legal... — ele não sabe por onde começar. É como se tivesse dado um branco — Pode falar primeiro.
– Acho melhor você falar primeiro.
– Não, você...
– Vamos falar juntos. — ele concorda — Um, dois, três.
– Eu acho que to gostando mesmo de você — Lucas diz.
– Eu acho você o melhor cara que eu já conheci — Emma diz ao mesmo tempo.
Eles se olham por alguns segundos e começam a rir. Depois param e se encaram com um sorriso.
– Então... — Emma começa, sem saber o que dizer ou fazer — Acho que é melhor a gente voltar.
Ela começa a ir, mas ele segura o braço dela, e ela se vira. Ele não ia perder essa oportunidade. Eles estavam parecendo duas crianças de 12 anos. Era quase como há dois anos atrás.
– Na verdade eu ainda não disse tudo o que eu queri...
E então, Emma já estava o beijando. Os olhos de Lucas se arregalam, mas logo ele os fecha e coloca as mãos em sua cintura, correspondendo. Nenhum dos dois nunca havia se sentido mais feliz. O mundo parecia ter parado de girar, e o barulho da música abafado não existia mais.
Era quase como se pudessem ficar ali para sempre. E mesmo que soubessem que não podiam, mantiveram esse pensamento em sua cabeça até o momento em que não teriam outra escolha.
Colin se sentou no balanço do patio da escola. A um ou dois metros, ao lado do gira-gira, estava enterrada a capsula. Ele tentou não pensar nela, nem nos segredos que ela escondia, nem em Stefany. Tentou não pensar em nada.
Colocou seus fones de ouvido. O rangido metálico que as correntes do balanço faziam parecia combinar com as fortes batidas da música que ouvia. Por alguns instantes, era apenas Colin. Não Colin, o "corno". Nem Colin, o mimadinho. Era apenas Colin. Como ele, durante muito tempo, sonhou em ser.
Ouviu um barulho. Achou que devia ser apenas sua imaginação ou a música que ouvia. Mas não era. Ele avistou um vulto ao longe. Havia alguém ali.
– Stefany? — ele quase deu um tapa na própria cara para espantar esse pensamento. Ela não voltaria.
Mas ele não conseguia impedir seu coração de ter esperança.
– Stefany? É você?
O vulto se aproximava. Colin tirou os fones.
Era uma pessoa com uma blusa de moletom preto com capuz, que impedia a visão de seu rosto. Provavelmente, a pessoa ainda não havia visto Colin.
Ela também usava uma calça de moletom. Não era Stefany, a menos que ela tivesse troucado o vestido vermelho colado por um modelito que ela consideraria totalmente cafona. Não podia ser.
Colin decidiu se esconder atrás de um arbusto e ver o que o estranho faria. Podia ser um ladrão. Podia estar armado. Ele se reprimiu por ter deixado o celular em sua casa. Não tinha como ligar para a polícia.
O estranho caminhou até o gira-gira, e parou ali, como se estivesse analisando o local. Ele foi até o escorregador e pegou uma pá, que estava ao lado dele. Colin conteu um grito quando percebeu o que ele iria fazer.
Aquela pessoa, seja lá quem fosse, iria desenterrar a capsula.
Colin não podia deixar aquilo acontecer. Não podia deixar que descobrissem seus segredos. Se perguntou, mentalmente, como uma brincadeira poderia ter se tornado uma coisa tão séria pra ele. Como ele podia ter contado todos os seus segredos para uma câmera seu não sabia com certeza onde a gravação ia parar?
A verdade era que tanto ele como os outros precisavam desabafar com alguém, e aquele fora um ponto de fuga.
O estranho começou a cavar. Colin engoliu o medo e colocou na cabeça que coisas horríveis iriam acontecer se alguém visse aquela fita. Coisas desastrosas.
– Ei! — ele gritou — O que você está fazendo?
O estranho se virou, e Colin viu que ele usava uma máscara preta que cobria todo o seu rosto, como aquelas dos bandidos de filmes. Colin engoliu em seco.
– Você não pode fazer isso — ele começou a caminhar na direção do estranho, preparando um golpe qualquer. Colin realmente não era bom de briga, mas precisava tentar — Você. Não. Pode. Fazer. Isso.
O estranho correu até Colin e o empurrou, derrubando-o no chão. Colin deu uma rasteira, que fez o "bandido" cair, mas logo se levantou. Colin se levantou também, um pouco zonzo da queda. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, o estranho pegou a pá e acertou em cheio sua cabeça.
Colin caiu desprevinido, e tudo começou a escurecer. Ele colocou a mão na testa, que doia, e sentiu sangue escorrendo. Olhou para o estranho, que desenterrava a capsula.
– Não... — ele murmurou.
E a ultima coisa que viu foi o ser mascarado pegar a caixa de madeira onde a gravação estava e ir embora, dando um forte pisão no rosto de Colin que fez o mundo todo se apagar.
Louise prometeu.
Prometeu para si mesma.
Ela não ia estragar a noite de ninguém, mas estava estragando a sua.
Ela viu Emma indo até o jardim com alguém e foi ver se havia algo errado. O que ela não esperava era ver a amiga beijando o garoto que Louise mais odiava. Como Emma podia ter feito isso?
Agora ela estava trancada no banheiro, chorando. Gritando.
Várias pessoas bateram na porta perguntando se está tudo bem ou se podem usar o banheiro. Mas ela gritava para irem embora e todos iam. Ninguém se importava, afinal. Só queriam saber de dançar.
Louise arranhava a própria perna com as grandes unhas postiças numa tentativa de impedir que seus punhos dessem um murro no espelho.
Ela pensou em interromper o beijo. Em gritar. Em fazer alguma loucura. Mas se segurou. Não queria que Emma a achasse mais estranha do que já achava.
Ela não sabia o que fazer com isso, não mais.
Saiu do banheiro, quando não parecia mais tanto assim que estava chorando. Ainda dava para ver, apesar de todos os retoques de maquiagem. Mas não havia nada que ela pudesse fazer.
Saiu e se deparou com Amy e Cooky, desesperados, procurando Colin.
Brad havia ido embora, deixando Lily sozinha. Acho que ele cansou de uma festa de adolescentes. Ela não sabia como ela mesma aguentava. Ficou apenas parada por alguns instantes, observando o movimento. Viu pessoas dançando felizes com seus amigos e namorados, ninguém criticando ninguém. Brad era muito criticado por todos pela sua idade. Todos achavam que se tratava de um pedófilo, ou algo assim. Mas ninguém sabia da verdade. Nem mesmo Brad sabia. Ninguém nem mesmo parecia desconfiar.
E ela desejava todos os dias que permanecesse assim.
De repente, viu uma cena que chamou sua atenção: Cooky, Amy e Louise pareciam preocupados, procurando alguém. Lily caminhou até eles.
–O que aconteceu? — ela perguntou.
Olhou para Louise, que olhava para o chão. Sua maquiagem estava borrada, como se ela tivesse chorado. Lily resistiu ao impuso de perguntar o que estava acontecendo.
–Olá, ruiva. — Cooky deu um sorriso forçado, sem conseguir conter sua preocupação — O Colin sumiu.
–Sim — Amy continuou — Ele estava com Stefany no jardim. Algumas pessoas ouviram gritos. Jackson, um veterano, confessou que ele e Stefany estavam ficando e Colin viu tudo, e depois que ele foi embora, viu os dois discutindo.
–E o pior — Cooky completou — é que não encontramos Stefany também. Os dois parecem ter evaporado.
–Aquela vaca deve ter ido embora depois de acabar com a noite do meu irmão, mais uma vez — Amy concluiu.
–Puxa — Lily tentou pensar — Espere, acho que sei onde ele está!
–Onde? — Cooky e Amy perguntaram em uníssono.
–Um lugar que vocês conhecem muito bem. — Lily murmurou, querendo fazer certo suspense — Eu levo vocês lá. Mas onde estão Emma e Lucas?
–Oi, o que houve? — Emma chegou com Lucas.
Lily não pode deixar de reparar que os dois estavam de mãos dadas. E que a carranca de Louise ficou ainda pior ao ver os dois. Será que ela tinha brigado com Lucas de novo?
–Explicamos no caminho — Amy disse, ansiosa — Vamos, vamos.
Chegaram no pátio da escola. Lily sabia que ele devia estar lá.
Eles eram melhores amigos quando eram menores, e sempre que ele se chateava com alguma coisa ia pra lá, mais especificamente para os balanços. Ela normalmente se sentava ao lado dele, tentando melhorar seu astral. Mas nos ultimos anos, eles haviam se distanciado, sabe-se lá porquê. Talvez por causa de Stefany e Brad e de todos os conflitos que aconteceram nos ultimos anos.
–COLIN! — Amy gritou e só então Lily viu o amigo caído no chão — Colin, acorda!
–Meu Deus! — Cooky deu um grito agudo quando foi até lá — A cabeça dele está sangrando! ALGUÉM CHAME UMA AMBULÂNCIA, POR FAVOR! Ai meu Deus!
Me agachei junto deles. Cooky balançava Colin histéricamente. Amy chorava. Lucas e Emma tentavam ligar para ambulância. Louise estava parada, sem saber o que fazer. Lily tentou não culpar a amiga por sua inutilidade.
–Colin! — eu dei um tapa leve na cara dele — COLIN!
Colin abriu os olhos.
–Lily, a capsula. — ele murmurou -Alguém abriu... A capsula do tempo...
Olhei para o lugar ao lado do gira-gira onde a capsula estava enterrada, mas não havia mais capsula. Um buraco grande estava em seu lugar.
Corri até lá. Emma e Louise foram atrás, Louise com a mesma cara de choro de antes, mas parecendo desesperada. Lily se perguntou que segredos ela esconderia. Não poderiam ser mais terríveis que o dela própria.
Havia uma pá, suja de sangue, provavelmente o objeto com que seja lá quem for acertou Colin e desenterrou a capsula. No lugar da grama habitual onde sabiam que a capsula estava, havia um grande buraco.
–Tem um papel dentro dele — Emma apontou — Vou pegar.
Emma desceu com cuidado e abriu o papel, que estava amassado. Seus olhos se arregalaram. Sem tirar os olhos do lugar, ela entregou o papel da Louise, cuja reação foi quase a mesma. Lily arrancou o papel de suas mãos. O papel continha uma única frase, que foi capaz de fazer seu coração parar de bater.
"A capsula foi aberta. Vocês serão desmascarados.
Cuidado com seus segredos."
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