Locais desconhecidos
1 LOCAIS DESCONHECIDOS
Num mundo de tantos impulsos, gestos e chuvas torrenciais, há uma vida esperando ser vivida, dentre tantos caminhos, atmosferas, qual pessoa desejamos ser? Desarmaremos bombas mesmo que lanças rasguem por cima de nossas cabeças e os pés cheios de bolhas urrem para pararmos? Sucumbiremos aos nossos mais vis desejos, voaremos para longe com nossas asas em desenvolvimento, ou enfrentaremos as raízes profundas e espessas da nossa própria existência?
Somos animais que matam por instinto? Beijam por instinto? Somos dotados de capacidades extraordinárias, somos capazes de realizar o mais belo voo, e de aprender com a mais sórdida queda.
Há tantos seres que se perdem nos próprios devaneios, em influências atrozes. Há aqueles que guardam bordéis na cabeça, outros jardins floridos, alguns apresentam a mente um estándar escuro, em pleno repouso, amedrontado, com medo do conhecimento. Qual é o nosso conformismo? O conformismo intelectual? O moral? Qual é realmente o nosso combustível? Somos movidos à dor? Cicatrizes internas? Ou talvez, esses sorrisos que trajamos seja tal dia um símbolo de veracidade, de pura verdade.
Não precisa negar, agora, é apenas você e seus pensamentos, reconheça por um momento as suas debilidades e potencialidades.
Se imagine numa floresta escura, a Lua estampada no céu, o vento sopra alto, você está agora dentro da sua mente, vê muitos buracos? Pelas árvores, uma linha tênue separa o seu paraíso das chamas infernais que apenas queimam, mas não aquecem. Diga-se, por quais caminhos ousa ir? Você olha para o horizonte, ouve o som de água corrente. Com passos curtos percorre a trilha que criou, e lá está no fundo, um lago. Uma pequena cascata de água faz o universo trabalhar em prol de sanar suas mágoas e reatar laços que unem as fendas que pouco a pouco se fecham, aquelas que apenas você conhece ou infelizmente ainda desconhece.
Mentalize alguém que eventualmente você nutriu uma inimizade, este alguém aparece entre as árvores, aproxima-se de você, estenda a mão, por um momento. Se ela negou ou não, não importa, abrace-a, um coração frio sempre precisa de algo quente para aquecer.
A silhueta se esvai pelo campo, como se estivesse liberta, finalmente. Pelo outro lado do lago, imagine alguém que você nutre um sentimento forte, intenso, positivo, talvez amor, uma afeição incomparável... Encarnada ou desencarnada, lá está ela, ahh, que felicidade! As constelações veem dois sorrisos se abrir, o passo apertar, a garganta encher, um abraço apertado, um beijo prensado no rosto.
Aos poucos a floresta vai se tornando minúscula, você começa a planar, indo para longe, as árvores se tornam minúsculas: formigas esverdeadas.
Longe, surge a questão, se dentre anjos e demônios, você tivesse sacado a espada? Momentos gloriosos seriam apenas poeira de sarjeta, confins sentimentais.
Bebemos coquetéis de emoções, dizem que a racionalidade está longe do sentimentalismo, será? E se por ventura, a razão seja o amor?
Não existem auréolas, pomos dourados, asas brancas. Existem seres humanos, sujeitos aos outros, a incêndios, a gestos calorosos. As pessoas veem extremos, só que diria o sábio tempo que somos poeira de um mesmo pote, criados iguais, sujeitos a voar ou ficar presos entre as agarras do tempo, somos o vento e a tempestade. Somos nossos anjos e demônios.
Abram os olhos devagar, retornem ao plano, você está vivo.
FIM
18/07/15
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