Lobos.
9 Nove
Nove
Paul nos recebeu com um largo sorriso no rosto quando chegamos. Anne e Paul ficaram na barraca dele, suponho eu que conversando, e eu fui em minha barraca descansar. Mase foi para a dele descansar também enquanto os outros não chegavam.
– Te vejo de tarde, princesa. – prometeu ele, me dando um beijo na testa.
– Paul disse que os outros só chegarão ao anoitecer. Então... – puxei-o para mim, agarrando-me à sua camiseta e beijando-o calorosamente – Temos um bom tempo, não acha?
– UGH! Johnson, você me surpreende a cada dia! – ele uivou para o céu, rindo.
– Shhhh... Paul vai brigar com você!
– Que se dane! Paul não sabe o que é ter uma namorada?
– Pelo visto não.
Nós rimos e nos separamos, indo cada um para sua cabana. Suspirei e entrei na minha, jogando minha mochila em cima da cama – está bem, uma cama meio “florestal” – e bufando. Meu livro de história caiu no chão e entendi isso como um sinal. Eu tinha um trabalho sobre Roma para fazer, não é? Bufei e abri o livro, mas, é claro, antes liguei o celular e chequei minhas mensagens. Vi todas e adormeci em cima do livro de história.
Ouço um barulho e acordo. Espio por uma fresta e vejo que já anoiteceu. Respiro fundo e volto para o livro. Faço algumas anotações do lado de fotos e uns curtos parágrafos. Bocejei, mas continuei estudando.
– Não acredito que adormeci. – sussurro para mim mesma.
Me distraiu facilmente imaginando Júlio César e Marco Antônio. Será que eles seriam tão bonitos como Mason ou Paul? Será que eles eram tão fortes e guerreiros? Imaginei depois Cleópatra se matando com a víbora no coração. Balanço a cabeça e volto a ler.
Meu celular começou a vibrar e quase tive um ataque cardíaco. Atendo desesperadamente.
– Oi Kyla. Sou eu.
– Ah, oi vó! Que susto!
– Desculpe. E a guerra?
– Vamos planejar os movimentos ainda, vó. E como vão Josh e tia Linda?
– Bem. Eu fingi não saber onde você está, mas disse que deve estar bem.
– Obrigada, vó.
Pude ouvir um choro leve e sem soluços em sua voz, mas não disse nada. Vovó devia estar muuuito preocupada comigo.
– Bem, vó... Eu preciso desligar. – menti. Odeio despedidas, então é melhor mentir – Paul... Quer dizer, o alfa, logo vai precisar de mim.
– Certo, querida. – ela fungou – Que o espírito de Sara e de sua mãe te ajudem e te guiem. Boa sorte.
– Obrigada, vó. Amo vocês.
– Também te amo, Kyla.
Desliguei antes que começasse a chorar e voltei a me concentrar em Marco Antônio e Júlio César.
– Ei, posso entrar?
Mason sorria, me deixando meio abobada. Ele entrou na cabana e se abaixou para beijar minha cabeça. Sentou-se ao meu lado e envolveu meu corpo com seus braços.
– E aí, está estudando o quê?
– Roma Antiga. É um trabalho de escola. – dei de ombros.
– Hum... Eu sou bom nisso, sabe?
– Ah, é?
– É. Sabia que os romanos são parecidos com os lobos?
– É? Por quê? – questionei, beijando seu rosto.
– Eles adoravam guerras!
Mason sorriu, me beijando calorosamente. Derrubei o livro e a caneta no chão e agarrei-me à ele. Era muito bom ficar perto dele. Principalmente quando ele me beijava assim.
– Derrubamos meu livro. – choraminguei.
– Não importa. Quem precisa dele?
– Nós não.
– Isso mesmo.
Ondas de prazer jorraram em meu corpo quando Mason me beijou de novo e de novo e de novo... AAH! Não acredito que tive dúvidas sobre o quê sinto por ele. Parecia que estávamos juntos há anos e não há dias – bem, não namorando, mas juntos.
– Ei! Sabe o quê mais os romanos adoravam? Hein? – ele mordeu minha orelha quando eu neguei com a cabeça e sussurrou – Sexo.
A palavra me fez estremecer e ele riu. Mason passou a mão por meus quadris e eu gemi de prazer. Eu o desejava também. Muito. Mas não estava preparada para perder minha virgindade naquele momento.
– Mase, eu... Não estou pronta. Desculpe.
– Princesa, – ele pegou meu queixo com a mão e o ergueu para seu rosto – eu esperarei o tempo que for.
– Posso tirar uma dúvida?
– Claro.
– Você não... Não gosta de mim só porque... Seu ancestral era o alfa e a minha era... A favorita?
– Princesa, eu já lhe disse. – ele sorriu – Eu te amo pelo quê você é! E não pelo quê nossos ancestrais foram. E isso só prova que temos que ficar juntos.
– Como sabe?
– Porque... Se você não sabe, Sara Johnson e Samuel Stanley tiveram um caso.
– Um caso?
– É. – ele beijou de leve meus lábios – Um caso. Ninguém, além de nós, sabe.
– Como soube?
– Não é só você que conversa com seus ancestrais quando se transforma.
– Então... Quer dizer que nós somos... Parentes, sei lá?
A idéia me deu desespero. Separei-me dele depressa, com o coação doendo. Ele riu e me puxou para si de novo.
– Não, princesa. Sara era a favorita por ser amante de Samuel.
– Hum... Então, nós dois...
– Podemos ficar juntos. E vamos!
Seus dedos percorreram por minhas costas, me dando arrepios de desejo. Mason beijou-me dos lábios ao pescoço; suas mãos escorregaram para debaixo de minha blusa, chegando ao sutiã. Pensei que ele ia desabotoá-lo, mas ele não fez isso. Ele desceu para minha calça jeans, subiu de novo e tirou minha blusa de meu corpo. Antes que eu protestasse, ele cobriu minha boca com a sua e me levou para seu peito.
– Mase...
– Shh... Calada, princesa.
– Mase, eu...
– Shh...
– Mase, eu te amo. – consegui dizer, sufocada.
Ele voltou a me beijar de novo. Sufoquei-me de paixão enquanto rasguei sua camiseta e a tirei de seu corpo quente. Mason pareceu se empolgar, colando nossos corpos e me deixando mais preparada.
– Iremos imitar os romanos, princesa? Será um bom jeito de aprender mais sobre eles.
– Mase, nós...
– Não vê que nascemos um para o outro? Não tenha medo.
– Só quero que...
Ele cobriu minha boca outra vez, me impedindo de falar. Já que não se pode vencer o inimigo, una-se à ele! Envolvi seu pescoço com meus braços e caímos no chão, nos beijando e rolando na grama.
– Vamos mesmo desperdiçar a cama?
– Mase, ela é...
– Pequena, eu sei.
Ele parou em cima de mim e me olhou nos olhos. Começou a rir, do nada. Aí eu comecei a rir, sem saber o porquê.
– O quê foi?
– Johnson, você está me deixando louco! Se pudesse ver como está atraente agora... E esses olhos são tão...
– Diferentes?
– Excitantes!
– Ah, Mase! Você é com certeza o meu mau caminho!
– Obrigado!
Alguém surge do lado de fora da cabana e nós nos separamos. Uma mulher de cabelos brancos abre a cortina e diz que o alfa nos chama. Pergunto se é em sua cabana e ela diz que não. é perto do rio. Agradeço e ela sai, sussurrando:
– Oh, Deus! São apenas crianças!
– Vamos, Mase! – visto minha blusa e saio dali, corando nervosamente.
– Ela estragou tudo! – ele bufa e eu rio, alto. Envolvo-o com o braço e ele beija meu rosto.
– Acha que eles chegaram?
– Quem? Dean e sua gangue? Provavelmente.
Paul estava de costas para nós, cercado de outros lobos, os mesmos da última reunião. À uns cinqüenta metros, vejo uns quarenta lobos ou mais, todos sem camisas e com colares iguais ao meu. Paul sorriu para o líder e apertou a mão dele quando se aproximaram.
– Howe.
– Stryder. – disse o alfa francês, de voz do Batman – Bom te ver.
– O mesmo, Howe.
Paul disse quem éramos e Dean nos olhou, um a um, parando seu olhar em Mason e em mim. Perguntou à Paul se podia se aproximar e ele assentiu. Dean deu passadas largas até nós e me olhou nos olhos. Vi sua marca do alfa.
– Ora, ora! Vejam só quem temos aqui! A herdeira da grande Sara Johnson!
– É Kyla! – rosnei. Por que ninguém sabia o meu nome?
– Kyla Johnson. E, vejamos, o herdeiro de Samuel Stanley. Dois grandes lobos, dois grandes alfas. Mas você... Paul! Reunindo velhos amigos?
Paul ficou cabisbaixo e Dean prosseguiu.
– Dois poderosos adolescentes de duas poderosas linhagens... Porém, o quê eles sabem? São apenas crianças! Essa aqui – ele ergueu meu rosto para o dele com seu indicador – será a nova alfa, eu sinto.
Quis morder o dedo dele até sangrar, mas Paul precisava dele, então fiquei quieta.
– Howe, está aqui para nos ajudar e não para provocar. – Paul pareceu severo – Eu lhes mostrarei onde ficarão.
– Só espero que Samantha tenha pena de você! – rosnou ele, indo para sua cabana.
– Não ligue para ele, princesa, ele é um idiota! – Mase beijou minha cabeça, me abraçando.
– Tudo bem, Mase. Ele não fez nada.
– Mas ofendeu você. E ofendeu a mim te ofendendo, princesa.
– Mas... Como ele sabe quem eu sou? – as lágrimas de raiva escaparam por meus olhos.
– Seus olhos. E seu colar. Sara Johnson foi a primeira a usá-lo.
– Como você sabe, Mason?
– Como você não sabe? Todos conheciam a lendária Sara Johnson!
Então... Minha ancestral tem um passado que eu desconheço? “Isso é muito estranho...” pensei, enxugando as lágrimas. Me afasto de Mason e corro para minha cabana. Ele não me segue; imagino que sabe o quê se passa em minha cabeça.
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