Notas iniciais
VOCÊS VÃO ME ODIAR >

Dezenove

Meus lobos estavam perdendo e eu não podia fazer nada. Estávamos em desvantagem e os adversários se fortaleciam cada vez mais. Se eu não agisse logo, todos nós morreríamos. Aí tive um plano.

“Mase, eu... Tenho uma idéia! Podemos vencer.”

“O quê é?”

“Fique aqui! Eu já volto!”
“Não demore.”

Fiquei sob a forma humana e corri para as cabanas. Paul usara uma estaca para cortar meu cabelo, então ele devia ter mais por aí. Entrei em sua cabana e procurei por seu criado-mudo. Tirei as gavetas e vasculhei-as. Nada. Olhei embaixo da cama e as vi. Umas dez estacas.

Peguei-as e corri de volta para o campo de batalha. Estava tudo do mesmo jeito. Subi em uma árvore e gritei:

– Ei! Mason!
Ele olhou para mim e eu mostrei uma estaca. Todos entenderam a idéia e pularam, girando no ar, voltando à forma humana. Lancei as estacas e eles a pegaram no ar, habilidosamente.

Saltei da árvore e corri para ajudar meus lobos e isso reduziu o número à vinte e oito. Os outros orientais se revoltaram e ficaram sob a forma humana. Avançamos na direção deles e lutamos.

“Nunca deixe um oponente atrás de você!” a voz de Paul ecoou em minha mente e eu senti o espírito de Sara voltar. Mas dessa vez eu tinha controle sobre meu corpo. Saltei num oriental, derrubando-o no chão e, quando ia cravar a estava nele, fui pega pelas costas.

Rosnei, mordendo a mão do meu agressor, mas ele não afrouxou o abraço. Com a estaca na mão direita, fiz um corte no braço dele e fui solta. Corri para ajudar Anne (que, Deus, era pequena, mas habilidosa) a derrubar um dos inimigos.

– Muito bom. – elogiei, sorrindo.

– Obrigada, alfa. Kyla, atrás de você!
Fui pega de novo e dessa vez fui mais ágil. Saltei dois metros acima da cabeça de meu oponente, mas ele segurou minha perna. Gritei, distraindo meus lobos e dando vantagem aos inimigos. Caí no chão e o oriental riu.

– Até quando continuará lutando? Vai perder. – disse o oriental, em inglês.

E ele estava certo. Só elimináramos cinco oponentes e estávamos perdendo. Quanto mais lutávamos, mais cansados ficávamos e eles nos derrubavam. Isso não podia continuar. Eu precisava agir. Levantei-me do chão e chutei a barriga de meu adversário, soquei seu maxilar, soquei seu nariz e derrubei-o no chão. Com a estaca, cortei sua cabeça fora e o sangue jorrou. Dois dos orientais pararam e cheiraram o ar, lambendo os lábios. Franzi o nariz e lembrei-me do que Mason dissera. “Eles são totalmente carnívoros. Matam humanos e os comem” era tão nojento. Eles estavam agindo pelo sentido animal.

Foi aí que me ocorreu o modo de vencer. “Carnívoros” a palavra ecoou por minha mente. “Sangue. Matar. Comer” com a estaca, fiz um corte em meu braço e o sangue escorreu. Todos pararam a luta e olharam para mim. Nossos inimigos lamberam os lábios, famintos. Mason viu o quê eu planejava fazer.

– Kyla! Não!

– Desculpe, Mase. É o único jeito de ganharmos! – respondi.

– Nãããããão!

Ergui a estaca em direção a meu peito e fechei os olhos. Meus batimentos cardíacos aumentavam e a adrenalina jorrou em meu corpo. Se fosse para morrer, que seja por honra.

Ouvi os passos dos inimigos e aproximei a estaca de meu peito. Abri os olhos e lancei um último olhar à Mason. Essa seria a última vez que eu o veria. Pelo menos, nessa vida.

– Mase! – gritei – Eu te amo!
– Não faça isso! Por favor!
– Tarde demais. Desculpe.

Olhei para os inimigos se aproximando. Todos pararam por minha causa. Um sorriso escapa por meus lábios.

– Venham me pegar! – gritei.

E cravei a estaca em meu peito.