Notas iniciais
Pessoal, essa é a primeira fic que posto, então perdoem qualquer eventual erro. Se acharem algum erro ortográfico, ou ficarem um pouco confusos com o enredo da história, me desculpem, pois não foi minha intenção!
Prometo tentar melhorar minha escrita e aumentar minha criatividade ao longo das próximas histórias.
Se puderem comentar, a titia aqui ficará infinitamente feliz e agradecida!

Sem mais delongas, boa leitura! :D

– Corra.

Estava numa rua deserta.

– Corra.

Às três da madrugada.

– Apenas corra.

Nenhuma alma viva, ou morta, ousava caminhar por ali àquela hora da noite.

– Por favor, não pare.

Um vento sinistro e gelado batia nas folhas, nas árvores, e as fazia uivar como lobos.

– Continue correndo.

Ou os uivos seriam do lobisomem que perseguia a frágil e inocente garota, que corria tão desesperadamente?

– Sim, continue.

Agora os uivos, rosnados e sons das garras que arranhavam o asfalto ficavam mais distantes.

– Você consegue.

A garota parecia estar despistando a besta feroz.

– Quase lá!

Sim. Apenas parecia.

Quando a jovem, de rosto mais branco que a lua cheia que iluminava seu caminho, pensava em respirar aliviada, percebeu que seu terror estava apenas começando. Agora uma matilha inteira a perseguia.

– Por favor, não desista agora!

Seu destino estava a algumas ruas de distância. O prédio abandonado. O prédio cuja construção fora abandonada no fim do ano passado. O prédio que fora abandonado e ninguém ousava chegar perto graças às insistentes alegações de assombração.

– Vai! Você consegue!

Afinal, existe algo que os homens temem mais do que fantasmas?

– Rápido!

Sim. Mas isso não vem ao caso no momento. O fato puro e simples era que a garota precisava desesperadamente chegar ao seu destino.

– Mais rápido!

Cada vez que ousava olhar para trás, o número de feras ao seu encalço aumentava.

– De onde estão brotando?!

Aquilo era inaceitável. Um problema. Um inconveniente. Eles estavam atrapalhando seus planos. Mais uma vez.

Quando se deu conta, a jovem já estava aos pés do gigantesco e fantasmagórico esqueleto daquele prédio que, caso houvessem concluído, seria o mais bonito e majestoso da cidade. Mas nem tudo é perfeito. Bem, dependendo do ponto de vista de quem avalia. Porque, naquele momento, aquele lugar era o mais perfeito do mundo para aquela garota.

Ela olhou para trás, confiante.

– Ousem me perseguir agora, seus otários!

A frustração nos olhos irados daqueles seres era quase palpável. Eles sabiam que tinham perdido a caçada daquela noite. Sabiam que não podiam ultrapassar aqueles portões. Seria suicídio! Fracassaram mais uma vez. Não conseguiam entender como uma humana com aparência tão frágil podia correr tanto, e tão mais rápido que eles.

– Continuem treinando nas corridas. Quem sabe na próxima vocês conseguem, certo?

Ah, sim. Eles, com toda a certeza do mundo, treinariam. E tentariam. E tentariam novamente. Apenas para dar uma lição naquela humana insolente. Haveria retorno. Haveria revanche.

Lamentavam não poder ser ali, naquele exato momento. Ah, como lamentavam.

Bem lentamente foram se afastando daquele prédio maldito.

A garota, como sempre, fazia questão de assistir até o último cão sarnento, que ousava persegui-la e atrapalhá-la, partir. Adorava aquela expressão de fúria e frustração que provocava neles.

Então, finalmente, começou a subir os degraus da gigantesca escadaria do prédio de trinta andares. Seu destino era justamente o último.

– Calma!

A empolgação era tanta que praticamente corria pelas escadas.

– Cair aqui não ajudará em nada!

Tentava se policiar, mas era praticamente impossível. Não podia mais esperar!

Quando chegou ao último lance, não se segurou mais. Correu.

E abriu a porta que ansiava tanto atravessar.

– Cheguei!

E seus olhos brilharam de alegria e satisfação.

...............

– E foi isso.

Estávamos nas arquibancadas de uma quadra de basquete.

– Ah! Nem ouse parar agora! – disse minha melhor amiga, Anna, de olhos arregalados, com evidente surpresa e curiosidade.

O lugar estava calmo, com poucas pessoas sentadas, dispersas pelo recinto. Aqueles degraus eram perfeitos para se descansar nos intervalos entre as aulas da faculdade.

– O que posso fazer? Não controlo meus sonhos. – disse eu, dando de ombros. Olhei para a quadra, tentando disfarçar um sorriso de triunfo que brincava em meus lábios. Havia conseguido despertar a curiosidade de Anna.

– Ah, qual é, Lara?! – disse minha amiga, quase aos berros, batendo os pés com força no chão. — Me conta! A garota. Quem era ela? Por que estava sendo perseguida por lobisomens? Por que eles desistiram quando ela chegou no prédio? Do que estavam com medo? Por que ela queria tanto ir àquele lugar horroroso?! Quem em sã consciência ficaria eufórica pra ir num lugar daqueles?! Quem...?

– Calma! – interrompi seu questionário. Tive a impressão de que não terminaria tão cedo se alguém não a parasse. – Respire. – a minha satisfação era evidente. Anna estava em minhas mãos.

– Ah. Meu. Deus! Preciso saber quem ela queria encontrar!

O desespero na voz dela também era mais que evidente. Senti-me um pouco culpada. Mas não ao ponto de estragar meus planos.

– Tudo bem. Eu conto,... – mas também fui interrompida.

– Viva! – Anna gritou tão alto que assustou quem estava perto. Mas sua alegria durou pouco.

– Mas... – Minha amiga fechou a cara. – Não da forma que espera. – bufou, irritada. — Te darei apenas pistas. E, pra eu dizer se seu palpite está certo, terá que pagar meu almoço durante toda essa semana. – ela arregalou os olhos, incrédula.

– Espere! Você contou toda essa história, fez todo esse suspense, e me deixou com toda essa curiosidade, apenas pra me fazer pagar seu almoço?! – Anna parecia estar brava, mas eu sabia que era apenas teatro. Era sempre assim. E, como sempre, eu sabia que a vitória estava certa. Nunca conhecera alguém tão curiosa quanto ela. Alice pouco se lixava para o País das Maravilhas, perto de Anna com qualquer misteriozinho.

– Você sabe que não gosto de ganhar sem merecer. – disse mostrando a língua, brincando com minha amiga, que suspirou, finalmente se dando por vencida. – Além do mais, uma vez universitária, sempre desesperada pra mexer o mínimo possível no próprio bolso! – lancei a ela meu olhar mais inocente.

– Tudo bem, que seja! Apenas me conte logo, pois essa curiosidade está me matando! – disse fingindo irritação. Sorri diante de minha vitória oficial.

– Na verdade, é uma coisa tão óbvia que você poderia ter economizado seu bolso. Não que eu esteja reclamando... Tudo bem! – levantei meus braços, em sinal de rendição, decidindo que seria mais prudente continuar, diante do olhar colérico que Anna me lançava. – Enfim. Pense comigo. A garota pode ser quem você quiser que seja. Mas todas as outras perguntas podem ser respondidas com apenas uma palavra. Qual é a única coisa que lobisomens temem? O que você acha que iria gostar de ficar empoleirado no último andar de um prédio sinistramente abandonado? E pelo que você acha que uma garota ficaria tão eufórica?

Enquanto minha amiga tentava juntar as peças do complexo quebra-cabeça, eu, disfarçadamente, me levantei, pegando minha mochila e caminhando lentamente em direção às salas de aula. Quando estava já a uma distância segura, o que havia previsto finalmente aconteceu, e escutei o berro furioso de Anna.

– Lara! Sua malandra! Isso terá retorno! – disse minha amiga, já correndo e tentando me alcançar, pronta para aplicar uma surra merecida; devo admitir.

Só que eu, apenas sendo eu — marota como sempre -, apenas continuei andando. Sorrindo, simplesmente levantei um dos braços, com o punho fechado para o alto, em visível gesto de vitória.

– Eu disse! – cantarolei, me lembrando do resto da história que estrategicamente me permiti guardar apenas para mim.

Vislumbrei a criatura de uma beleza e perfeição sobrenaturais, que esperava a garota em seu mais singelo e aconchegante covil. Os cabelos negros e lisos na altura dos ombros, e os olhos do mais profundo e penetrante azul eram, definitivamente, de matar.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Por favor, comentem, pra eu poder saber o que acharam!
Comentar é bom e faz bem à alma da titia aqui! XD
Beijokas ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!