Lobisomem Trouxa
1 Um incidente no beco
Notas iniciais
Jacob estava cansado. Já eram onze horas e ele ainda não tinha terminado de fechar a cafeteria. Era seu primeiro trabalho. Ele saía tarde e ganhava mal, mas pagava as contas do pequeno apartamento perto da faculdade. Ainda tinha que tirar todo o lixo e passar pano no chão. Mais cedo uma criança tinha despejado o latte da mãe no chão e feito birra para comprar doces na loja do lado. Ele suspirou mais uma vez enquanto lembrava do incidente. Os prós e contras de ter um salário.
Ele juntou as enormes sacolas de lixo e se encaminhou para a porta dos fundos. Ela dava para um beco escuro e sujo onde ficavam as lixeiras das várias lojas e lanchonetes. Eram caçambas enormes e não era estranho encontrar um ou outro cachorro fuçando nelas e nos lixos que caiam pelo chão. Era isso que Jacob achou que havia encontrado, um enorme e magro cachorro fuçando dentro da caçamba.
Metade do lixo da caçamba já estava para fora e pequenos grunhidos podiam ser ouvidos. Jacob ficou com medo do cachorro estar com raiva, ou estar ferido. Seja lá como for, parecia faminto e pronto para devorar qualquer coisa. Resolveu então só colocar o lixo do lado da caçamba e sair dali. Andou pé ante pé, tentando não fazer barulho. Falhou miseravelmente.
O que aconteceu depois durou um segundo.
Ele pisou num copo descartável e o barulho ecoou no silêncio da noite. No mesmo momento a criatura dentro da caçamba de lixo se levantou. A cada centímetro que subia Jacob percebia que não poderia ser um cachorro. A criatura continuava a crescer, parando de pé entre o lixo. Jacob tentou correr, mas antes que desse impulso suas pernas já estavam presas em garras afiadas. Em segundos estava embaixo da criatura. A mão comprida segurou seu pescoço enquanto ele tentava se livrar. Os dentes afiados afundaram em seu pescoço.
Jacob tinha aceitado seu bizarro fim. Comido por uma criatura das trevas.
—Petrificus Totalus!
Jacob apenas viu a iluminação por entre os olhos fechados. Alguém puxava suas roupas. Ele abriu os olhos devagar e viu de novo a criatura. A boca da mesma parada, escancarada ao lado de seu ombro. Saliva caía em suas roupas. Outro puxão na roupa.
—Venha! Não vai durar muito tempo, é melhor sairmos daqui logo. Consegue se levantar?
A voz masculina era de alguém não tão mais velho que ele. Mas na confusão Jacob não conseguir distinguir quem era, só tentou correr o máximo que pode. Via o capuz correndo na sua frente cada vez mais difuso. Seus olhos ficando pesados.
— Você mora perto?
— Eu? O que? — Jacob tentou fazer sentido nas palavras, queria avisar que sua casa era há muitas estações de metrô dali, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa. Apagou.
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