Lições de Amor
12 Convite
Notas iniciais
P.O.V Da Jade
Assistimos o filme, gostei muito da história do quarteto amoroso, apesar do trama que envolvia uma mulher com três homens ser divertida, era um tanto dramática, como na vida real com altos e baixos. Eu não queria estar na pele da personagem principal, ainda mais cercada por três homens, um triângulo amoroso já é complicado, imagina um quarteto, então?
A bacia de pipoca se encontrava vazia entre nós. Os copos também, repousados sobre a mesinha de centro junto ao potinho com o resto de chocolate. Ao longo do filme fizemos alguns comentários, coisas bobas como a forma que aquela mulher levava a vida, e sobre a canalhice do ex-marido dela.
— Vou lavar a louça. Onde fica a cozinha? — Levantei recolhendo a bacia, o potinho e os copos que sujamos.
— Não precisa, farei isto antes de dormir. — Ele já tinha desligado a TV, guardou os DVD's cuidadosamente na caixa e tentou me fazer mudar de ideia.
Acontece que eu estava decidida, não iria sair dali sem lavar aquela louça. Era o mínimo já que ele tinha feito a pipoca.
— Onde fica a cozinha? — Tornei a perguntar.
E por fim, ele cedeu me levando até o cômodo. Então, aquela era a típica cozinha de um homem que morava sozinho?
Uma geladeira pequena, apenas uma porta. Fogão grill acoplado num balcão. E dois simples armários embutidos, piso lajotado, parede com ladrilhos e uma mesinha redonda com quatro lugares.
Sua pia também era simples, ele se encostou no balcão de granito e eu comecei lavar a louça.
Sua casa era limpinha e toda organizada. Bonita.
— Não precisa, Jade... Eu devia estar te levando para a casa agora. — Falou daquela maneira calma.
Ele era um homem tranquilo.
Após esfregar tudo com a esponja contendo detergente, enxaguei a louça e a coloquei sobre o escorredor que tinha ali na pia.
Beck me entregou um guardanapo bem branquinho e bordado.
— Prontinho. — Sorri terminando de enxugar as mãos.
— Vamos indo? Sua mãe pode ficar preocupada se demorar. — Checou as horas.
Meu celular estava dentro da bolsinha que havia ficado na sala.
— Ainda parece cedo... Que horas são? — Perguntei.
— Já vai dar 19h:30min. — Respondeu.
— Ainda é cedo. Ou você já quer se livrar de mim? — Fiquei triste com a ideia.
— Não, de jeito nenhum! — Negou apressado. — Quer dizer, já que assistimos o filme, eu pensei que... Tudo bem, você pode ficar para o jantar se quiser. — Ele sorriu com certa timidez.
— Eu adoraria. — Falei.
— Então ligue para sua mãe e avise que vou te levar depois do jantar. — Aquela era sua condição.
Concordei e fui pegar o celular na sala.
[...]
P.O.V. Do Beck
Arregacei as mangas e coloquei as mãos na massa, literalmente. Resolvi preparar uma pizza seguindo uma receita simples que aprendi com minha mãe. Deixei a massa descansando, preparei o molho de tomate caseiro com tomates frescos e acrescentei meu toque especial, colocando um pouco salsinha no molho.
Fatiei a calabresa mista defumada, refoguei com pimentão, cebola e coentro. Após esperar a massa descansar, abri a mesma e ajeitei na assadeira, Jadelyn me olhava atenta, estava curiosa me observando dar uma de Chef de cozinha.
Minha intenção não era impressioná-la, mesmo que eu já tenha feito uma lasanha ao molho bolanhesa para agradar uma mulher com quem saí tempos atrás.
Tudo com a minha aluna estava sendo diferente, nunca foi meu objetivo convidá-la até a minha casa com segundas intenções.
— Quer ajuda? — Quebrou o silêncio que até aquele momento estava reconfortante.
Eu me encontrava concentrado no que fazia.
— Não. Obrigado. — Recusei abrindo o forno.
Coloquei a massa para pré-assar antes de rechear.
— Posso ligar o aparelho de som? — Perguntou olhando para o aparelho que ficava sobre o tampão debaixo do armário.
— Pode. — Respondi remexendo meu refogado. — Gosta de molho inglês ou pimenta? — Perguntei com vontade de caprichar no tempero.
— Gosto de ambos. — Confirmou.
Fui até a geladeira, peguei o molho de pimenta e acrescentei na calabresa que já era muito saborosa.
Jade ligou o meu som antigo, sintonizou na rádio e colocou no programa das 19h:40min, onde só tocava músicas do passado.
— Adoro essa música! — Exclamou após ouvir a voz de uma cantora da década de 70, era um Pop-eletrônico contagiante.
— Não sabia que curtia esse estilo musical. — Apaguei o fogo.
Virei para ela que estava sentada na banqueta, movendo o corpo devagar, a cabeça seguindo o ritmo frenético da música animada.
— Curto de tudo um pouco. — Sorriu.
— Sou fã de Rock Alternativo. — Falei me aproximando, sentei na outra banqueta. — Já foi curtir algum show? — Perguntei.
— Nunca. É o meu sonho. — Seus olhos ganharam brilho quando ela contou.
— Que banda ou cantor gostaria de ir ver tocar? — Indaguei, encarando-a.
— Só tinha uma banda que eu gostaria de ver, mas já não existe mais, embora as músicas tenham sido eternizadas. — Explicou.
— E qual seria? — Fiquei ainda mais curioso.
— Roxette! — Respondeu para a minha surpresa.
— Sério mesmo? Olha, se eu te disser você não vai acreditar. — Eu ri.
— O quê? — Ela ficou mais curiosa.
— Conheço um grupo que faz cover dessa banda. Eles se apresentam todos os sábados no Night's Cover. — Contei.
— Eu preciso ver, mas... Mas não conheço o lugar. — Desanimou.
Eu sabia que poderia estar ferrado futuramente, mas quando abri a boca, não havia mais volta...
— Podemos ir nesse sábado. — O convite já estava feito.
— Uau! Isso vai ser tão legal! — Ela girou na banqueta mal contendo a felicidade.
Jantamos a pizza que ela elogiou e comeu três fatias, e levou uma para a mãe provar, após o jantar a deixei em casa em segurança.
Nunca pensei que teria um encontro envolvendo sessão de filme e pizza com uma aluna.
Jade só tinha 17 anos. Eu sabia que aquilo poderia significar chave de cadeia.
Por quê eu simplesmente não conseguia me manter longe?
[...]
No dia seguinte, Terça-feira, às 10h:46min...
— Quêm era? — Kristie perguntou.
— Era a minha mãe. — Estávamos no corredor. — Ela acabou de me dar uma boa notícia. Consegui o emprego. — Contei para a minha amiga.
— Na Sweet's Holly? Oh, meu Deus! O lugar é uma gracinha, adoro a temática retrô. Vou poder comer com descontos especiais, né? — Me cutucou enquanto ria.
— Kris, eu ainda nem comecei. Minha mãe vai lá hoje acertar as coisas e pegar meu uniforme, como eu ainda sou de menor, eles querem falar com ela. — Expliquei.
— Isso é ótimo, quanto eles vão te pagar? Ainda tem as gorjetas, não é? — Ela estava mais animada que eu.
— 12 dólares por hora. O expediente começa às 13:45 e termina às 18:45. Maiores de idade pegam o turno da noite e o estabelecimento fecha meia-noite. — Falei o que haviam me explicado no dia da entrevista.
— Oh, entendo... Espero que ganhe muitas gorjetas. — Sorriu.
— Vamos indo. Hoje temos teste de Inglês. Eu nem estudei ainda, passei a noite trocando mensagens com o MM. — Contei a ela que me olhou curiosa.
— Ainda com o segredo de identidade? Por quê não marca logo um encontro para acabar logo com esse mistério todo? Não é possível que vão ficar o resto do ano conversando só por mensagens sem se conhecerem. — Ela tinha razão.
— Você acha que eu devia mandar uma mensagem agora? Tipo, convidar ele para sair ainda hoje? — Indaguei indecisa.
— Claro que devia. Se não tiver coragem, passa esse celular pra cá que eu...
— Calma, aí. Vou mandar. Só me dê um minuto! — Pedi e respirei fundo.
Abri o Aplicativo de mensagens, entrei no chat de conversa com o MM e digitei:
"Preciso te ver. Conhecer você pessoalmente. Como posso confiar em você, se a gente nunca se viu? Hoje saio mais cedo... Que tal tomarmos um sorvete?"
Mensagem enviada.
— Ele está digitando. — Falei para ela.
Meu coração disparou.
"Como quiser, Jayz. Posso te pegar no colégio? Conheço uma sorveteria italiana que vende os melhores Gelattos e raspadinhas da cidade."
Sua resposta chegou nos surpreendendo. Pensei que ele inventaria uma desculpa para não me encontrar ou até mesmo que fosse me bloquear.
Minha amiga gritou e deu pulinhos.
"Claro. Estudo na Steven F. School. Vou te esperar no estacionamento. Como faço para identificar você?"
"Serei o cara de jaqueta jeans numa Lambreta vermelha."
"Certo, nos encontramos às 15h:30min."
Pronto... Nosso encontro estava marcado. Comecei a sentir meu estômago revirar de nervosismo.
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