Lições da vida
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Edward tinha ido à aula apenas por ir, já que não tinha prestado atenção em nada. Passou a maior parte do tempo dormindo ou flertando com alguma garota. O pai havia lhe dado carona, já que estava sem carro e a mãe lhe buscaria, estava se sentindo um garotinho de 5 anos. Quando, Esme parou o carro em frente à escola, entrou rápido para que ninguém visse a humilhação pela qual estava passando.
—Como foi a aula? – Perguntou sorridente. Edward apenas bufou. – Vamos querido, tente se esforçar um pouco.
—Mãe por que está sendo tão cruel comigo? – Choramingou e a mãe afagou os seus cabelos.
—É para o seu próprio bem querido. Nós te amamos.
—Imagina se me odiassem. – Colocou os pés no painel do carro.
—Tente tratar bem a Bella, foi muito rude com ela ontem.
—A garota é uma mala. Tão certinha e se acha uma gênia.
—E ela é. Tem um Q.I de 170 – Olhou abismado para a mãe, mas logo voltou à fachada emburrada.
—Grande coisa. – Resmungou.
—Seja pelo menos educado com ela.
—Vou tentar.
—Boa Tarde. – Bella cumprimento ao entrar no escritório, acompanhada de um garotinho.
—Quem é esse? – Edward perguntou largando o violão. Pelo menos isso os pais não tinham tirado dele.
—Um de meus alunos. Nas terças vocês têm o mesmo horário. E seus pais concordaram que poderia trazê-lo para cá. Paul cumprimente o Edward.
—Oi Edward. – Estendeu a mão e ele ignorou.
—Não repare Paul, ele é meio sem educação. Pegue os seus livros e sente-se ali.
—Não pode desmarcar o horário dele não?
—Não. – Respondeu indo se sentar na grande mesa que tinha no escritório. – Estudou a lição que passei?
—Sim Bella. Acho que vou ir bem amanhã na prova. – Paul respondeu sorrindo, ele era um dos melhores alunos que ela tinha, era muito esforçado, ao contrário de Edward.
— Então vamos a algumas perguntas sobre história, para ver se está realmente afiado. Ah Edward, se souber alguma também pode responder, você tem prova de história na semana que vem. – Folheou o seu caderno de anotações.
—Não, vou deixar o garotinho tentar, não teria graça responder tudo. – Bella riu.
—Qual a graça?
—Nenhuma. Paul quem foi o primeiro presidente dos Estados Unidos? – Era uma pergunta razoável, Edward sabia aquela, queria ver se o garotinho também sabia. Ok, ele tinha que admitir, não fazia à menor ideia de quem tinha sido. E quem liga para isso?
— George Washington, teve seus mandatos de 1789 a 1797. – Respondeu sem titubear.
—Muito bem. – Bella o aplaudiu.
—Quando começou a Primeira Guerra Mundial?
—28 de julho de 1914. – Edward o encarou em choque, o garoto só podia estar olhando isso em algum lugar. Chegou mais perto para conferir.
—E a Segunda?
—1 de setembro de 1939 . – Edward notou que Bella não estava consultando nada para saber se a resposta estava correta ou não.
— Ataque a Pearl Harbor?
—7 de dezembro de 1941.
—Corretíssimo. – Ela depositou um beijo no cabelo de Paul.
—Como sabe que está certo?
—Sabendo. Qualquer um que tenha estudado sabe disso.
—Verdade. – Paul concordou.
—Você também faz parte do clube dos gênios garoto? – Perguntou o cutucando, não teria como ele saber aquelas coisas sem estar consultando o Google. E era exatamente isso que ele faria para saber se os dois estavam falando a verdade.
—Não, eu sou até meio que burro.
—Você não é burro Paul, quantas vezes já falamos sobre isso? – Bella ralhou com ele.
—Desculpe. Eu não sou burro, mas repeti o ano, no ano passado e agora estou tendo aulas de reforço com a Bella e estou aprendendo muito.
—Quer tentar a próxima pergunta Edward?
— Pode mandar. – Bella pegou um de seus cartões e leu.
— Um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos, ele foi o autor da Declaração de Independência e o terceiro presidente da nação.
—Está de brincadeira? – Edward não fazia à menor ideia de quem era. Cadê as opções, ajuda dos universitários, uma dica?
—Eu sei. – Paul levantou as mãos.
—Me fez a pergunta mais difícil?
—Não. Essa é do grupo das fáceis. Vai ou não vai responder? – Ele cruzou os braços. – Paul?
— Thomas Jefferson. – Respondeu em triunfo. Edward foi até o computador do pai e pesquisou se estava correto. E estava.
—Podem confessar, vocês combinaram isso?
—Não. – Os dois negaram.
—Isso é algum tipo de joguinho para me fazer estudar? — Perguntou alterando o tom de voz.
—Eu não faço joguinhos. E só trouxe o Paul porque esse era o horário dele. Tive que alterar todos os horários para poder te encaixar e você simplesmente ignora tudo o que tenho falado. — Gritou com ele.
—Eu não te pedi para estar aqui garota gênia. — Rebateu.
—Só estou aqui porque os seus pais me contrataram. Todos me avisaram para não aceitar, que era um garoto problemático. Mas eu quis te ajudar.
—Eu não quero ser ajudado. Só quero que me deixem em paz.
—Que seja. Paul vamos. — Bella começou a juntar as suas coisas no momento em que Esme apareceu na porta.
—O que está acontecendo?
—Eu desisto Esme. Vou devolver o dinheiro de vocês.
—Não, por favor. Não desista. Você é a única chance do Edward se formar.
—Ele não quer. Até um garoto de 9 anos tem mais comprometimento do que ele. Sinto muito
—Nós vamos conversar com ele, só não desista dele. — Esme praticamente implorou. Bella respirou fundo.
—Faço a devolução ainda hoje. Tenha uma boa tarde. — Saiu puxando Paul pela mão.
—Edward Cullen, você está em sérios apuros. Espere o seu pai chegar.
—Isso é tudo muito injusto, vocês que me obrigaram a ter essa bendita aula particular. EU não preciso disso, eu não preciso de nada. E para piorar, arrumaram a pior professora que poderia existir.
—Não fale assim dela.
—Por que se preocupa tanto com ela? — Explodiu com a mãe.
—Bella é uma grota que já sofreu muito, só estávamos tentando ajudar.
—Me prejudicando?
—Ela precisa do dinheiro das aulas e você precisa de aulas. Não vejo como isso poderia estar te prejudicando. — Geralmente Esme era uma pessoa muito tranquila e calma, mas estava perdendo a paciência com o filho.
—Vocês estão me tratando como se fosse um garotinho.
—Se não é, não aja como um. — Carlisle apareceu no escritório. — O que aconteceu?
—Nada. — Edward resmungou.
—Querida, nos deixe a sós, por favor. — Esme se retirou deixando os dois. — Quando pensa em se tornar um homem de verdade?
—Eu já sou. — Estufou o peito.
—Não, não é. Não faz nada, só me dar dor de cabeça. Não vai à escola, não trabalha, não ajuda em casa. Escuta Edward, enquanto viver sobre o meu teto vai fazer o que eu disser. E você vai ligar para Bella e vai se desculpar. Amanhã vai para a escola e vai prestar atenção em cada palavra que os professores disserem e no verão vai trabalhar comigo.
—E se eu não quiser? — Desafiou.
—Você não tem carro, dinheiro, celular e agora não vai ter mais violão. — Pegou o instrumento que estava no sofá
—Espera. O que vai fazer com o meu violão?
—Se o quiser de volta, trate de ir bem nas próximas semanas
Edward subiu bufando as escadas. Odiava que dissessem o que ele deveria fazer. E agora não tinha nem mais a companhia de seu violão, não tinha nada. E além de terem tomado tudo dele, estavam o obrigando a pedir desculpas para a garota mais irritante e certinha que ele já tinha conhecido. Ela não era como as outras meninas, além de ser mega inteligente, não tinha ficado babando por ele e muito menos tinha caído em seu charme. E ela o tinha ofendido com aquele papo de que "todos me avisaram para não aceitar, que era um garoto problemático", quem era esse todos e desde quando ele era um garoto problemático? Ok, já tinha sido preso duas vezes, quase tinha engravidado algumas garotas, já tinha participado de várias brigas, batido o carro três vezes, mas isso não fazia dele um garoto problemático. Ou fazia?
Jogou-se na cama e tentou estudar, mas não tinha nenhuma anotação e não entendeu nada do que tinha nos livros. Talvez se chutasse algumas questões na prova de amanhã poderia conseguir uma nota boa, afinal de contas inglês não é tão difícil assim. Poderia tirar de letra, ele era inteligente, só porque não sabia quem foi o primeiro presidente dos EUA, não significava que era burro. Ele poderia fazer aquilo sozinho sem ajuda de uma garota com o Q.I acima da média. E quem liga para Q.I? Ele nem sabia qual era o dele, isso era coisa de nerd.
Já era quase 10 horas da noite quando se rendeu e resolveu ligar para Bella. O telefone foi atendido no terceiro toque por um homem.
—Boa noite. Gostaria de falar com a Bella.
—Sabe que horas são? — O homem perguntou com rispidez.
—Sim eu sei. Só queria me desculpar. — Será que era o pai ou o namorado dela? A ligação ficou muda por alguns segundos e depois ouviu a voz dela.
—Quem é?
—Edward.
—O que quer? – Perguntou de má vontade.
—Quem é Shakespeare?
— É um poeta...
—Chega só estava brincando, eu sei quem ele é. – Nossa, será que ela levava tudo tão ao pé da letra?
—Se a piada já acabou pode me dizer o que quer?
—Pedir desculpas. Fui um pouco estúpido hoje.
—O que seus pais pegaram dessa vez? — Perguntou rindo.
—Meu violão. — Choramingou. — Não posso viver sem ele.
—Dramático. — Cantarolou.
—Vai aceitar meu pedido de desculpas ou não?
—Vai se esforçar e prestar atenção nas aulas ou não?
—Vai ser uma chata ou não? — Bella riu e Charlie a olhou enquanto mexia no bigode.
—Quem é? — Perguntou chegando mais perto do telefone.
—Pai. — Reclamou. — É o Edward Cullen, meu aluno. — Afastou o telefone para que ele não ouvisse do outro lado.
—Achei que não fosse mais dar aulas para ele.
—Ele se desculpou e precisa muito de mim. Até o Paul sabe mais do que ele.
—Boa sorte então. – Charlie depositou um beijo na testa da filha e subiu as escadas.
—Oi. — Edward gritou do outro lado.
—Desculpe, meu pai estava me fazendo um interrogatório.
—Foi ele quem atendeu?
—Sim. Então?
—Ok. Prometo prestar atenção em tudo e em troca, vai dizer aos meus pais que mereço ao menos o violão de volta.
—Tire uma nota boa amanhã e penso no seu caso.
—Por falar na prova de amanhã. Não sei o que vai cair.
—Advinha quem sabe? — Bella passou horas ao telefone com Edward, fez um resumo da matéria que iria cair e ele por incrível que pareça até fez anotações e uma cola básica.
—Caramba, confessa que está na frente do computador olhando tudo no Google.
—Já disse que não estou. Agora vá dormir, precisa descansar e tirar uma nota boa.
—Acho que dá para tirar um 6.
—Eu disse nota boa Edward.
—6 é uma boa nota. – Ele reclamou bocejando.
—Não é não. No mínimo eu aceito que tire um 8. – Estremeceu ao falar, tirar 8 e tirar 1 para ela era a mesma coisa, mas tinha que pegar leve com ele.
—Ok, Senhora Mandona. Obrigado pela ajuda.
—Isso vai contar como hora extra. – Desligou o telefone e Edward ficou olhando para o aparelho sem acreditar.
Fale com o autor