Meninas? — falou vovô tocando o meu braço. — Já são 9h00 está na hora de acordar...

Abri meus olhos bem devagar, meu avô estava na minha frente com uma expressão de preocupado. Mas minha visão estava meio embaçada e minha cabeça latejava freneticamente. Emma estava encolhida debaixo do edredom, para se proteger do frio que fazia naquela manhã. Ainda estava chovendo muito e o tempo estava completamente fechado.

Bom dia vovô...

Bom dia princesa... Dormiu bem?

Eu tenho a sensação de que eu dormi por cem anos. Parece que um caminhão me atropelou, meu corpo todo dói... E minha cabeça está fervendo... Preciso de um remédio — falei colocando a mão na cabeça.

Tudo bem... Olha sua avó preparou a banheira para você tomar um banho quente... Os remédios estão no armário do banheiro. — falou meu avô se levantando e apagando a luz do abajur. — Vá indo na frente... Vou acordar a Emma.

Tá... Tudo bem — falei me levantando da cama.

O meu quarto está muito frio, o piso de madeira parece que foi descongelado a poucos minutos. Meus nervos do meu corpo estão paralisados, mal consigo andar e minhas mãos estão dormentes, devido o frio.

Bom dia Nieta — falou Emma entrando no banheiro.

Bom dia Em.. — falei tirando a minha blusa.

Você também está com dor de cabeça? Porque eu estou quase morrendo...

É, muita dor... Tem alguns remédios ai no armário... Toma dois e se quiser esperar lá na cama... Eu sairei da banheira daqui a pouco, e deixo tudo arrumado para você tomar banho...

Tudo bem... Eu não queria levantar agora mesmo...

Quando coloquei meu pé na água, foi como se eu estivesse puro gelo por dentro, e minha pele em contato com a água quente fez com que todo o gelo derretesse na hora. E me fez ter calafrios também. A água estava ótima, e minha avó reservou um moletom para mim, para que eu pudesse ficar bem aquecida depois do banho. Aqui em Stones quando faz calor, faz muito calor! E quando faz frio, faz muito frio! Estou surpresa que ainda não esteja nevando. Porque geralmente quando está muito frio desse jeito, sempre neva.

Em! — gritei. — Em! você está ai? — gritei novamente. Demorou um pouco e a Emma apareceu na porta do banheiro.

Fala... — disse ela coçando um dos olhos.

Você pode pegar o meu livro na escrivaninha? — falei olhando para ela. — Esta debaixo do livro ''A marca de uma Lágrima'' ...

Tá, vou pegar — falou ela quase sem voz.

Demorou um pouquinho e ela me chamou. Me chamou pelo menos três vezes.

O que foi Emma?

Antonieta vem aqui! Rápido!

Me levantei da banheira, me enrolei com a toalha de banho, sequei meus pés no paninho que estava no chão e fui. Quando cheguei lá Emma estava com uma parte da madeira da minha escrivaninha nas mãos. A parte lateral da mesa estava aberta, e dentro tinha alguma coisa, porque Emma nem olhava para mim.

Ai meu Deus! Você quebrou minha mesa Emma! — falei colocando uma das mãos na cabeça.

Não... Não, foi sem querer! Eu bati meu joelho e ela caiu no chão! Mas... Você tem que ver isso... Olha isso — falou ela pegando uma caixa branca e um papel na mão.

O que é isso? — perguntei.

Não sei... Vou abrir...

NÃO!

O QUE? PORQUE?

Estou com medo — falou me ajoelhando ao lado da Emma.

Não vai acontecer nada Nieta... É só uma caixa e um papel...

Tá... Pode abrir...

Emma desdobrou primeiro o papel, que estava dobrado em quatro partes. Nele havia uma espécie de mapa, ou coisa do tipo. Tinha setas indo de um canto para outro, umas eram vermelhas e outras azuis. Depois ela abriu com cuidado a caixa. Dentro tinha mais um pedaço de papel, uma luneta dourada e um colar, que tinha uma pedra preta pendurada.

O que será que é tudo isso? — perguntou Emma olhando para mim.

Não sei... Mas acho que coisa boa não é...

Será que é coisa ruim Nieta? Essa luneta dourada, Esse colar e... O que tem escrito nesse pedaço de papel? — perguntou ela estendendo o papel para que eu lesse. Estendi minha mão e peguei ele. Meu coração não parava de bater rapidamente.

Abri Nieta

Não Emma

Abre

Não

Abre logo Nieta!

Não Emma

Abre

Tá...

O papel estava dobrado em duas partes. Abri lentamente, com um certo medo de que alguma coisa ruim pudesse acontecer.

O que tem escrito ai?

Não... Não estou entendendo bem o que é isso... Será que... Quem será que foi que escreveu isso?

O que tem escrito ai Antonieta?!

Antes que eu pudesse dizer, meu avô entrou no quarto, fazendo com que meu coração batesse mais rápido ainda. Mas por sorte, eu acho que ele não viu o que estava acontecendo. Ou... Pelo menos fingiu que não estava vendo nada.