Vamos Nieta — chamou Emma.

Vamos sim...

Muito obrigado dona Charlotte, voltamos daqui a alguns dias para devolver os livros. — agradeci.

Ficarei esperando. E tomem cuidado na estrada de volta para casa... Essa floresta é muito traiçoeira.

Tudo bem, iremos tomar cuidado — falou Emma fechando a porta de entrada.

Nossa, parece que todos querem nos deixar com medo...

É... Ei! Cadê as nossas bicicletas? — questionei.

Estão ali do lado, relaxa

Ah que susto! achei que tivéssemos sido roubadas.

Claro que não Nieta... Ninguém aqui tem força para carregar bicicletas lembra? Todos são velhos e estão a beira da morte

Vamos embora... Não quero me atrasar para o almoço

[...]

Enquanto fazíamos o mesmo caminho de volta a floresta o tempo parecia que iria ficar pior. Pedalamos rapidamente até chegar na floresta de novo, mas tínhamos que parar, por causa do penhasco, afinal, ninguém queria morrer jovem.

Nossa, o mar está agitado — falei. O vento soprava tão forte que gostas de água começaram a bater em nossos rostos.

Está mesmo... Vamos rápido, acho que vai cair uma tempestade.

Enquanto continuávamos a caminhar, o tempo ia piorando e cada vez mais a ventania ia aumentando. Até que parei de andar e reparei uma coisa estranha naquele penhasco.

Em... O que é aquilo? — falei apontando para o penhasco.

O que foi Nieta?

Ali... O que é... É uma mulher? Ai meu Deus... Aqui ali é uma mulher!

Que mulher? Aonde Nieta? — perguntou Emma desesperada.

ALI EM! ALI! — gritei.

Sim, pode parecer estranho e até loucura, mas realmente tinha uma mulher lá embaixo. Usava um vestido longo e de época, com aquelas saias rodadas e gigantes. Era apenas uma jovem moça, de cabelos longos e encaracolados. E estava parada olhando para nós.

Em... Será que é a...

Não dia Nieta... Não diga!

Em... É a viúva... A viúva que morreu exatamente aqui! — falei arregalando os olhos e com as pernas tremendo.

Não encarem suas bobocas! — falou Nicolas, que apareceu de repente nos assustando.

O que é aquilo? É uma mulher mesmo? — perguntei com a voz quase falha.

Vocês acreditam em fantasmas? — perguntou ele sorrindo.

Claro que não — falou Emma.

Eu não sei... — falei.

Aquela é a Alison, a viúva que se jogou deste penhasco. Mas é apenas um espirito. Ela sempre aparece quando o tempo fica furioso. Na noite em que ela se matou o clima estava exatamente deste jeito, como está hoje. E desde então sempre quando o tempo fica dessa forma ela aparece. — informou ele. — Mas ela não gosta que a encarem, a última pessoa que a encarou, teve o mesmo fim que o dela. — sorriu ele.

Ai por favor, não acreditamos nesse tipo de bobagem... E aproposito, o que você está fazendo aqui mesmo? — pergunta Emma continuando a caminhar.

Minha mãe pediu que eu as vigiassem, e caso dê alguma coisa errada... bom, é para eu ajudar vocês

Coisa errada? O que poderia dar errado?

Vocês não conhecem essa floresta... Não sabe do que ela é capaz — falou ele olhando ao redor

É só uma floresta Nicolas... Nada pode dar errado — falei.

Tudo bem, se não querem acreditar em mim não precisam... Mas vocês já tem uma prova de que ela não é segura

Mas a Alison não pode sair de lá de baixo, certo?

Não sei... vocês que são as espertinhas aqui — desdenhou ele.

[...]

Enquanto caminhávamos ele contava mais histórias para que agente acabasse ficando com medo. Mas ele falhou na missão. A única coisa que me deixou cabreira foi a história da viúva, que parecia ter sido realmente real.

Bom, eu volto daqui. Até breve — se despediu Nicolas ao chegar no inicio da floresta junto conosco.

Tchau seu idiota. — falou Emma.

Tchau Nicolas — falei.

Finalmente chegamos em Stones e até parecia que tínhamos viajado para outro planeta. Stones estava ensolarada e com o ar fresco. Sem sinal de chuva ou dilúvio. Apenas sol, nuvens brancas e ar fresco. Passamos enfrente da lanchonete da Rosalina e estava movimentado como sempre. Pedalamos por uns vinte e cinco minutos até que chegamos ao nosso bairro.

Pegou seu livro Em?

Está aqui na minha bolsa. Você pegou o seu?

Sim, está aqui também...

Tudo bem, vou para casa antes que minha mãe enlouqueça... Tchau Nieta, até mais — se despediu Emma.

Tchau Em,até mais — joguei um beijo e voltei a pedalar.

O dia foi meio maluco hoje, estranho como o clima pode mudar rapidamente. E não posso me esquecer do momento bizarro quando vi aquele suposto ''espírito'' no penhasco. Parecia tão real... Mas acho que era coisa da minha cabeça.