Livro II: O Eco dos Nossos Passos
8 A Curva do Tempo
A cobertura de James em Manhattan parecia flutuar sobre o mar de luzes de Nova York naquela noite de sábado. As imensas paredes de vidro de cinco metros de altura emolduravam o horizonte iluminado da cidade, enquanto o terraço privativo, decorado com cordões de luzes quentes e arranjos minimalistas de girassóis e rosas brancas, recebia os convidados ao som de um jazz suave. Tudo estava impecável, digno do homem de negócios que James se tornara, mas com o calor e a alma que a família Styles sempre trazia consigo.
Hope Styles Lioncort finalmente completava vinte anos.
A menina que James carregara no colo, a líder de torcida marrenta de West Valley, agora era uma mulher deslumbrante de vinte anos. Ela usava um vestido longo de cetim azul-escuro, com uma fenda discreta na perna e as costas semiabertas. O cabelo loiro caía em ondas impecáveis, e no pescoço, brilhando discretamente sob a luz dos lustres, estava o colar com o símbolo do infinito que James lhe dera dois anos antes.
James aproximou-se dela perto do parapeito do terraço, segurando duas taças de champanhe. Aos trinta e nove anos, com alguns fios brancos bem discretos nas têmporas que só lhe conferiam mais charme, ele exalava a solidez de quem finalmente sabia o que queria. Ele vestia um terno preto sob medida, sem gravata, com os dois primeiros botões da camisa abertos.
— Um brinde à dona da noite — James disse, a voz grave e macia, estendendo uma das taças para ela. — Vinte anos, Styles. O tempo realmente correu.
— Obrigada, Lâfrer — Hope sorriu, cruzando os olhos azuis com os dele. O deboche de sempre estava ali, mas temperado por uma maturidade nova. Ela deu um gole no champanhe, olhando ao redor. — A sua cobertura é quase aceitável para uma festa minha. Parabéns pela organização.
James soltou uma risada baixa, encostando-se no parapeito ao lado dela. Ele olhou para a pista de dança montada no salão interno e, fingindo casualidade, fez a pergunta que vinha guardando a noite inteira.
— E cadê o... como era mesmo o nome? O rapaz da jaqueta? O Ethan. Achei que ele viria com você de Boston.
Hope parou a taça no meio do caminho e olhou para James com uma sobrancelha arqueada, um sorriso divertido surgindo nos lábios.
— Ethan? Sério, James? Nós terminamos faz um ano já — ela soltou, com uma naturalidade desconcertante. — A faculdade em Boston e os treinos dele ficaram pesados, e a gente percebeu que o romance de colégio tinha prazo de validade. Eu achei que a minha mãe já tivesse te contado.
James piscou, sentindo um alívio avassalador e imediato atingir seu peito, como se um peso de toneladas tivesse sido retirado de seus ombros. Ele disfarçou com um gole no champanhe, mas o sorriso de canto foi impossível de esconder.
— É... a Sofia deve ter esquecido de mencionar esse pequeno detalhe — James comentou, a voz subitamente mais leve. Ele estendeu a mão livre na direção dela, fazendo uma reverência dramática. — Bom, já que não há nenhum quarterback de dezoito anos para reivindicar a posse de bola... me daria a honra desta dança, senhorita Styles?
— Só se você prometer não pisar no meu pé, Lâfrer — Hope brincou, deixando a taça na mesa de apoio e colocando a mão pequena na mão dele.
Eles caminharam até o salão interno. No centro da pista, sob a luz âmbar, James envolveu a cintura de Hope com firmeza, puxando-a para perto, enquanto ela apoiava a mão em seu ombro. Eles começaram a se mover no ritmo lento da música, em uma sintonia perfeita que parecia ensaiada há dezoito anos.
Mais ao fundo, no mesmo salão, Garret e Sofia dançavam colados, rindo de alguma coisa que Lucian dizia na mesa ao lado, onde Elise acenava para a neta com lágrimas de orgulho nos olhos. A família estava completa, feliz, e a transição do tempo parecia, finalmente, estar em paz.
A festa havia terminado por volta das duas da manhã. Os avós já tinham ido para o hotel, e Sofia e Garret estavam acomodados na suíte de hóspedes do andar de baixo.
No andar de cima da cobertura, James caminhou pelo corredor silencioso carregando uma pequena caixinha de veludo preto. Ele bateu de leve na porta do quarto que Hope usava quando ficava em Nova York.
— Entra — a voz dela soou suave lá de dentro.
James empurrou a porta. O quarto estava iluminado apenas pelas luzes da cidade que entravam pela vidraça. Hope estava sentada na beira da cama, descalça, soltando os grampos do cabelo. Ela olhou para ele, os olhos azuis brilhando na penumbra.
— Pensei que você já tivesse ido dormir, dono da bola — ela disse, o tom de voz mais baixo, intimista.
— Eu não podia ir deitar sem te dar o presente definitivo de vinte anos — James caminhou até ela, parando a poucos centímetros. Ele abriu a caixinha, revelando uma pulseira de ouro branco com pequenos diamantes lapidados que combinava perfeitamente com o colar do infinito.
Hope sorriu, estendendo o pulso delicado.
— Você está ficando perigosamente bom em escolher joias, James.
James agachou-se em frente a ela, segurando o pulso macio dela com uma das mãos enquanto fechava a pulseira com a outra. O calor da pele de Hope fez os dedos dele tensionarem. Ele não se levantou imediatamente após fechar o fecho; continuou ali, de joelhos na frente dela, erguendo o olhar escuro para encarar as pupilas azuis da jovem.
— Vinte anos... — James sussurrou, a voz rouca, a armadura de tio caindo por completo. — Você não tem ideia do quanto foi difícil te ver crescer e ter que manter a distância, Hope. O quanto eu lutei contra o que eu sentia cada vez que você me provocava.
Hope engoliu em seco, o coração batendo forte contra as costelas. Ela inclinou o corpo para a frente, diminuindo a distância entre os rostos. Suas mãos subiram devagar, espalhando-se pelos ombros largos de James, subindo até a nuca dele, sentindo os cabelos curtos.
— E por que você lutou? — ela sussurrou de volta, a voz trêmula de desejo e audácia. — Eu não sou a tia Elara, James. E eu não sou mais uma menininha. Eu passei os últimos dois anos pensando naquele quase beijo no Natal. Eu não quero mais o "quase".
O impacto das palavras de Hope quebrou a última barreira de autocontrole que James possuía. Ele levantou-se, puxando-a pela cintura de uma vez só, fazendo-a ficar de pé colada ao seu corpo.
Seus lábios finalmente se encontraram.
Foi um beijo faminto, intenso, carregado por anos de sentimentos represados e uma eletricidade que quase fez o quarto girar. James a pressionou contra o próprio corpo com uma posse avassaladora, a língua dele explorando a dela com uma urgência selvagem, enquanto Hope soltava um gemido abafado contra a boca dele, enterrando as unhas nas costas do paletó de James.
James caminhou para a frente sem quebrar o beijo, levando-a em direção à cama. Eles caíram juntos sobre os lençóis macios. O paletó de James foi jogado no chão em um movimento rápido. Suas mãos grandes desceram pelas curvas maduras do corpo de Hope, subindo pelo cetim do vestido azul, acariciando a pele nua de suas costas com um desejo que o queimava por dentro.
Hope puxou os botões da camisa dele, abrindo-os com uma pressa divertida e desesperada, arranhando o peito definido de James, fazendo-o arfar. O beijo desceu pelo maxilar dela, trilhando um caminho de mordidas leves e sussurros quentes pelo pescoço de Hope, fazendo-a arquear o corpo na cama.
— James... por favor — ela pediu, a voz falhando, os olhos azuis completamente dilatados de luxúria na penumbra do quarto.
Ele subiu o corpo de volta, ficando por cima dela, os braços firmes sustentando o peso enquanto olhava bem no fundo dos olhos de Hope. A respiração de ambos estava descontrolada, a pele quente e suada. James desceu a mão até a lateral do vestido dela, prestes a puxar o zíper para entregar-se por completo àquela noite de paixão pura—
Lá embaixo, o som abafado de uma porta de armário batendo na cozinha e a voz de Garret rindo alto ecoaram pelo duto de ventilação, lembrando-os da realidade a apenas um andar de distância.
James paralisou com a mão no zíper, a testa colada na de Hope. Ambos riram, arfantes, percebendo o perigo absurdo e divertido da situação.
— O seu pai tem o pior tempo de reação do mundo. Até fora do campo — James sussurrou, rindo contra os lábios dela, tentando recuperar o fôlego.
— Ele é um estraga-prazeres profissional — Hope brincou, puxando o rosto de James para mais um selinho demorado, os olhos brilhando de felicidade. — Mas a noite é longa, Lâfrer. E agora a posse de bola é oficialmente nossa.
James sorriu, deitando-se ao lado dela e puxando-a para o seu peito, com a certeza de que a curva do tempo havia, finalmente, colocado os dois no lugar exato onde deveriam estar.
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