Livro 1: A ULTIMA CARTA

5 Diga–me, o que você está disposto a sacrificar?


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— GHUUUAAAAA!!!

Um dragão rugiu e os soldados diante dele encolheram-se. Shyvana estava em sua forma draconiana. Ela abriu suas enormes asas, suas membranas eram vermelhas como vinho. Seus olhos vermelho-alaranjados projetavam fúria insaciável. Sua aparência causava temor nos seus inimigos. Na sua frente, Xin zhao mostrava um olhar rígido para o campo de batalha e Garen tomava a dianteira do pelotão. Na frente deles, dezenas bandidos que durante semanas saquearam e espalharam terror nas fronteiras de Demacia. Estavam alojados em uma antiga fortaleza. Agora, o rei havia mandado um pelotão chefiado por Garen para expulsa-los de sua terra.

– DIGAM COMIGO! — gritou Garen, levantando sua espada acima da cabeça e erguendo-a bem alto no ar, para que todos a vissem. — POR DEMACIA!

Os soldados reunidos responderam em uníssono, gritando com toda força que tinham.

— POR DEMACIA! — trovejaram, brandindo as suas armas subindo pelos blocos de pedra caídas da fortaleza. Garen virou de costas para os seus homens. Do outro lado dezenas de guerreiros estavam reunidos diante de uma ruína da antiga fortaleza.

Shyvana abriu as asas e rugiu o mais alto que pode, o som ecoou no local como um trovão, Os inimigos recuaram atrapalhadamente, embora mantivessem as espadas apontados para o dragão. Um dos bandido correu e tentou golpear Garen com a lança. Ele aparou o golpe com um movimento brusco do pulso. Ao perceber seu erro, o pobre homem empalideceu de pavor e tentou fugir, mas conseguiu apenas mover–se alguns centímetros antes que Garen o partisse ao meio com sua espada.

Shyvana saltou para o pátio, atrás de Garen, o chão tremeu com impacto de seu peso, ela expeliu uma rajada de chamas transformando uns 10 homens em tochas humanas. Xin Zhao acompanhou Shyvana, ele saltou para dentro da formação inimiga, brandindo sua lança ele girou pela lateral e cortou a garganta de um homem, com um movimento rápido de corpo, ele se virou e empalou três homens. De relance, ele viu Shyvana banhar um grupo de soldados encolhidos numa torrente de chamas vivas.

Garen avançava contra um grupo de homens sozinho, liderando o seu esquadrão, sua espada era sacudida de um lado para o outro, promovendo um macabro banho de sangue. Seus golpes eram tão arrasadores que partiam os homens com assombrosa facilidade ao meio, ignorando cotas de malhas e armaduras. Ele não possuía nem uma técnica refinada na espada para desviar e contra-atacar, ele havia criado seu próprio estilo de luta, não era nenhum conjunto de movimentos complexos que levasse anos para dominar, mas tomar a iniciativa e usar de sua força para arrasar seus inimigos com a força bruta.

Alguns mercenários promoviam ataque de flechas em uma parte mais elevada na velha fortaleza, ferindo vários soldados de Demacia e lançando flechas contra o dragão. Elas ricocheteavam nas escamas de Shyvana, mas algumas acertavam em locais mais desprotegidas, gravando em seu couro. Um movimento rápido Xin zhao arremessou uma sua lança nos arqueiros e empalou dois que estavam lado a lado. Os restantes dos arqueiros recuaram ao ver seus companheiros mortos. A peleja prosseguiu durante mais alguns minutos, durante os quais, os soldados que restavam, renderam-se ou tentaram fugir. Todo o forte havia tomado e os bandidos e mercenários expulsos da terra do reino.

OST

De posse da fortaleza, com a missão cumprida de expulsar os bandidos, Xin Zhao se deu ao luxo de descansar contemplando o resultado da luta. Sua visão percorreu o campo de batalha, corpos estavam sendo empilhados para serem incinerados e os sobreviventes eram levados como prisioneiros para responderem por seus crimes. Ele sentou sobre um bloco de pedra, apoiou sua lança no chão e deixou seus ombros se curvarem pelo cansaço. Respirou fundo e permitiu que vento acariciasse seu rosto manchado por gotas secas de sangue. Ali perto, Garen repassava as ordens para alguns soldados, o general se aproximou de Xin.

— Por Demacia. — Disse Garen batendo no peito em uma forma de saudação

— Demacia hoje e sempre! — Respondeu Xin zhao fazendo o mesmo gesto

— Você está ficando velho meu amigo — Riu ele — Eu irei me retirar para o acampamento, se algo acontecer, estarei em minha tenda. Fique aqui e limpe essa bagunça, eu irei preparar o relatório

— Entendido, por Demacia

— Por Demacia hoje e sempre

Xin Zhao sabia que existem muitos outros guerreiros mais conhecimento na arte da guerra, homens que estiveram no campo mais tempo, que receberam instruções dos melhores guerreiros. Mas Ele também sabia quando espadas são desembainhadas e o chão é tingido de vermelho, quando a batalha está em curso, não é conhecimento que mais importa, mas a capacidade de vencer. Garen já havia provado isso, em inúmeras batalhas, sua liderança e seu instinto de sobrevivência seria fundamental para a guerra, e era por esse motivo que Jarvan confiava tanto nele.

Um soldado aproximou-se de Garen para reportar o ocorrido

— Senhor, a fortaleza foi conquistada. — Disse batendo continência e colocando o seu elmo entre o braço — Um pequeno contingente fugiu. O restante foi capturado. Esperamos ordens, senhor!

Garen assentiu

— Baixas?

— 10 feridos, senhor. Nem uma morte, senhor!

— Isso é tudo?

— Sim senhor!

— Leve os prisioneiros para o meio do acampamento, certifique-se de estarem bem presos e vigiados. Diga aos homens que descanse e esperem o meu comando. Nós iremos retornar para Demacia no final do dia. Dispensado!

O homem prosseguiu seu caminho tratando de cumprir as ordens de seu superior. Shyvana estava em sua forma humana, usava uma armadura rubra que cobria parte de seu corpo. Sua manopla tinha a cabeça de um dragão. Tinha uma pele de tonalidade roxa e um cabelo avermelhado. Seus olhos grandes projetavam uma determinação na expressão e uma ferocidade, como se ainda estivesse em sua figura reptiliana. Ela se aproximou de Garen e o saudou.

— Senhor Garen, eu irei seguir as ordens de Jarvan e prosseguir com a missão. Irei até cidade de Arkandia.

— Entendo. Por Demacia!

— Demacia hoje e sempre! — respondeu Shyvana a saudação tradicional


Shyvana prosseguiu o seu trajeto pelo acampamento, Garen deu uma rápida olhada, os seus homens se amontoavam juntos das suas tendas. Retiravam suas pesadas armaduras e relaxavam seus músculos tensos. Muitos aos quais estavam comendo e bebendo comemorando a vitória. Seus olhos cursaram mais alguns parâmetros do emaranhado de tendas e do constante vai vem das suas tropas. Ele soltou uma baforada e entrou em sua tenda. Era um local, digno de sua bravura. O chão estava coberto por um tapete, no canto havia uma cama, na outra extremidade uma estrutura de madeira feita com dois paus em formato de um "+" que servia de suporte para sua armadura. Retirou a armadura sobre o seu corpo e se permitiu relaxar, com ombros caídos e um andar mais suave. Ele tinha um corpo forte, seus músculos eram bem definidos e volumosos. Havia marcas em seus músculos, cicatrizes denunciavam antigas batalhas. Medalhas de suas conquistas. Olhou para suas mãos nuas, a sua palma era grossa e encaliçada, produto de anos a serviço de Demacia, que foram pagas por sangue, morte e gloria. Ele relaxou o corpo e permitiu-se descansar.

Garen foi acordado de sua imersão de pensamentos quando ouviu o som de passos suaves sobre o tapete vermelho de seu aposento. Silenciosamente as mãos dele buscaram a lâmina de um punhal que carregava consigo. Seus dedos se fecharam sobre o cabo, em um movimento brusco tentou se virar para a estranha figura que se aproximava. Mas uma mão envolveu seu rosto e uma lamina foi colocada sobre sua jugular.


— Vejamos o que temos aqui — Disse a voz — Um general pego de surpresa em seu território.

O intruso se aproximou de seu ouvido, Garen podia ouvir e sentir sua quente respiração.

— Seria medo o que estou sentido? Agora, um pouco de sangue para Noxus.

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Ezreal e Lux haviam passado a noite anterior, recolhendo galhos e pinhas secas para fazer a fogueira, logo tinham o reconfortante crepitar do fogo. Eles se sentaram ao lado do pinheiro, longe um do outro, em silêncio, esperaram calmamente a chegada do sono. A manhã chegou pálida e fria. Ezreal acordou primeiro e descobriu que a raiz da árvore tinha feito um buraco em suas costas e seu pescoço estava duro. Lux acordou logo em seguida despreguiçou-se e ao ver Ezreal, fez um bico de desaprovação inchando as bochechas com ar. Ezreal respondeu a reação dela de maneira madura, mostrando a sua língua. Os dois prosseguiram viagem às vezes discutindo e às vezes se xingando.

Ao chegar a um pequeno riacho eles encheram os cantis, ao qual Ezreal havia feito com bambu que encontraram no caminho, a água caia de uma altura de meio metro sobre a saliência rochosa cinzenta. Estava gelada, eles bufaram e resfolegaram ao lavar o rosto e as mãos. O sol já havia alcançado o ponto máximo no céu, os dois haviam atravessado a parte mais densa da floresta e caminhavam entre colinas verdejantes. Atravessaram planícies, subiram e desceram morros e cruzaram pequenos riachos.
O céu se abria alto e azul, a luz do sol reluzia sobre o topo da floresta a que estavam. Eles fitaram o caminho que deviam seguir: uma trilha sinuosa e acidentada que sumia na imensidão da floresta. Contaram-se 2 horas perseguindo em um passo firme até um gigantesco lago. Uma massa de água se estendia diante deles. O reflexo do sol batia na superfície do lago e essa refletia a sua luz como um espelho, Lux observou a outra margem, grandes árvores lançando suas raízes retorcidas para dentro da água. As árvores estavam dispostas lado a lado como uma muralha natural e verde. Seus olhos cursaram pela lateral da outra margem até acharem uma trilha.

— Um caminho do outro lado — Disse Lux apontando para a outra margem

— Temos que atravessar, não tem outro caminho. — Disse Ezreal que pegava uma pedra, ele lançou contra a superfície azulada do lago. A pedra se chocou contra a água produzindo pequenas ondas — Precisamos de um barco.

— E como vamos conseguir um agora?

— Simples, vamos fazer um.


Ezreal instruiu Lux, eles deveriam encontrar madeira e cipó e se encontrar no local marcado. Eles saíram pelas margens notaram pequenas aves assobiando e piando nas arvores. No meio do lago ouviam o agito alvoroçado de asas de cisnes, e olhando para cima viram um grande bando deles cruzando o céu. Seguiram com a procura dos materiais. Ezreal recolheu alguns metros de cipó que pendiam das árvores quando escutou Lux gritar por ele. Ezreal correu até ela. A maga retirava algumas plantas que estavam sobre uma espécie de estrutura de madeira perto da margem do lago. Com dificuldade os dois retiraram a maioria das trepadeiras que estavam presas. Aos poucos a estrutura foi se revelando.

— Um barco? — disse Ezreal se afastando para ter uma visão mais ampla — Parece que a sorte está do nosso lado.

Lux esfregou as mãos ansiosamente

— Podemos usá-lo para atravessar o lago

— Primeiro, vamos ver se essa coisa flutua

A embarcação era de uma estrutura longa com proa chanfrada, não era tão pequena como uma canoa ou tão grande como uma caravela. Tinha um tamanho médio, comprimento de até 10 metros por 5 metros de largura, no meio do convés havia uma ripa com suporte para pequena armação para a vela. Com esforço os dois empurraram para dentro da água, o barco percorreu alguns metros pela água e parecia flutuar bem. Relutantes, os dois subiram a bordo da embarcação. Analisaram a estrutura de madeira dando ponta pés ao longo do convés, satisfeito e crentes que ela não afundaria em um mine naufrágio digno de uma historia de Titanic, eles prosseguiram viagem. Ezreal sentou na traseira e içou a vela triangular, o tecido tinha pequenos rasgões, mas nada que comprometesse muito. A vela no mastro se dilatou quando sentiu o vento ir contra ela. Os dois prosseguiam viagem pelo lago. A viagem seria tranqüila, mas como de costume, os dois discutiam.

– Você sabe realmente o que está fazendo? Eu não quero morrer afogada! — Questionou Lux

— Eu estou fazendo o meu melhor aqui, agora fique calada! — Retrucou Ezreal

— Tem certeza de que...

— Sim, eu já fiz isso antes

— Olha...

— E não, não tem outro caminho

— Mas...

— Sim, você tem minha permissão para ficar quieta e aprender com um profissional. Além disso, essa tarefa não é para garotas.

Lux inchou as bochechas em sinal de protesto e se manteve calada. A embarcação continuou o seu caminho até o outro lado. Mas o barco adernou e rangeu como se tivesse batido em algum banco de areia. Ezreal se inclinou e percebeu algo estranho na água. A água do lago fervilhava como se alguma coisa estivesse prestes a emergir. Foi então que uma cabeça reptiliana e um esguio e longo pescoço emergiu do lago. Chifres se estendem para trás sobre a sua cabeça e uma série de espinhos menores nos lados da face e no queixo, com linhas de chifres na parte de trás do pescoço. A criatura deu uma baforada, uma fumaça negra sai de suas narinas e suas escamas brilham em tons azulados.

Enquanto se erguia perto da proa, ela fixou os olhos hediondos em Ezreal com maldade inconfundível, abriu uma boca tão grande quanto o barco. Os pontudos dentes eram maiores que os antebraços de Lux e Ezreal. O explorador olhou a garganta da criatura e sentiu como se estivesse vendo um túnel direto para o mundo inferior. O monstro poderia ter comido a dupla ali mesmo com a proa. Em vez disso, a criatura urrou. Na traseira do barco Lux berrou, um pouco atrasada, "DRAGÃO!".
Ela cambaleou pelo convés agitado na direção de Ezreal, com a extremidade do seu cajado iluminado com uma forte luz.

— O que é isso? Um dragão? — Disse apavorada com a visão da criatura

— Deu pra perceber que é um dragão! — Respondeu Ezreal

Lux agitou o cajado

— Calado! Como vamos deter essa coisa?

— CRUUUUUUUNNNN!!! — Rugiu o Dragão


O Dragão empurrou a embarcação, com o solavanco Ezreal caiu para trás e bateu a cabeça no convés. Lux se concentrou e lançou uma coluna de luz que explodiu na cara da criatura. Ele se enfureceu e bateu no barco com mais força, jogando ela para o rio.

— Não! — Gritou Ezreal

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Ezreal se levantou aos tropeços, tentou pensar em um plano mais a sua cabeça latejava. O monstro encarou-o. Enquanto isso, Lux tossia e se debatia na água o que demonstrava que ela ainda estava viva. Ezreal correu pelo convés e pulou direto para cima da cabeça do monstro. Ele precisava manter ele longe de Lux e conseguir algum tempo até pensar em algo.

Ao chegar à cabeça do dragão, Ezreal aprendeu uma lição básica, dragões tem escamas lisas, ele se lembrará na próxima vez que enfrentar um. Tentou se segurar nas escamas e quase caiu deslizando pelo outro lado da cabeça antes de prender o braço na orelha do monstro. O Dragão rugiu e sacudiu Ezreal como se fosse um brinco. Dalí de cima, por um breve momento, viu Lux se debatendo na água. Depois ela afundou. Ezreal se concentrou e deu um tiro certeiro no olho do monstro. O Dragão rugiu de dor e balançou com mais força a cabeça fazendo com que Ezreal fosse jogado no lago. Ele nadou até Lux e a puxou até o barco, juntos subiram no convés e tentaram recuperar do fôlego. O monstro ainda se debatia com o tiro que levou no rosto, sua cauda açoitava a água violentamente.

— Eu sempre sonhei com um herói vindo em cavalo branco, ele me pegaria nos braços e me levaria em sua linda montaria. — Lux fez uma pausa para pegar ar — Um momento de romance e felicidade como nos livros. Mas tudo o que eu tenho é alguém como você!

— Você é muito ingrata! — Respondeu aos gritos Ezreal — Agora se apresse e pense em algo para nós salvar!

— Está na minha lista de afazeres!

A criatura avançou, ele estava a menos de cinquenta metros de distância e se aproximando rapidamente. Se ele batesse no barco naquela velocidade, se desfaria em pedaços. Para surpresa de ambos, o dragão afundou para dentro do lago até que sua enorme silhueta tivesse sumido na água. Apreensivos, os dois procuraram algum sinal dele, mas o lago estava estranhamente calmo. No raio de 10 metros, a água explodiu e a enorme criatura se jogou para fora da água, ela socava o ar com as suas gigantescas asas produzindo um som abafado.

Logo que dragão alcançou a altitude desejada, ele fez meia-volta e deu um rasante na direção dos dois, projetando jatos de chamas pela boca aberta. O fogo lambia a superfície da água. O jato ardente passou pela lateral do barco, queimando e transformando em cinzas a madeira quase que instantaneamente. O mastro cedeu e caiu para dentro da água em uma bola de fogo. As chamas se dissiparam com rapidez, o dragão deu um rugindo de frustração, deu meia volta passando a asa sobre a água, se preparando para o segundo ataque. Ezreal tinha um senso de alto preservação muito bem desenvolvido. Um sentido daquele que encontramos em pequenos roedores. Por isso, a o cérebro de Ezreal mandou uma mensagem aos nervos que por sua vez se espalharam por todo o corpo e os músculos responderam instantaneamente só a menção do perigo. Então, em um movimento rápido, o explorador atirou-se para um lado, mas Lux não teve o mesmo reflexo, o dragão esticou a enorme pata dianteira, grossa e dura como uma pedra, fechando a enorme pata em torno dela. Depois, com um rugido triunfante e um bater de asas arqueou o corpo e começou a subir.


—AAAAHHHH — Lux gritou de desespero. Ela batia contra a garra do dragão, mas era tão dura quanto ferro

Ezreal gritou o nome dela, ele se colocou de pé resoluto em resgatá-la. Jogou-se contra a cauda do dragão. A seguir, esticou o braço, agarrou-se no rabo. Com a mão direita, ele agarrou-se aos espinhos ao longo das costas e com esse apoio, foi subindo como uma escada. O dragão já estava alto no céu, e o lago estava distante, a criatura girava de um lado para o outro e balançava a cauda para tentar se livrar do intruso. O dragão se aproximou de uma formação rochosa, ao qual tinha um ninho, uma torre de pedra que se destacava no meio do oceano de arvores da floresta logo abaixo. Com fortes movimentos nas asas ele golpeava o ar ganhando altitude. Quando estava bem alto, quase ao ponto de chegar nas nuvens, ele fechou as asas e se jogou em direção ao solo rodopiando sem parar. Os dedos de Ezreal soltaram-se e ele escorregou para baixo em direção a floresta. Lux grita impotente ao ver Ezreal caindo.

O dragão descreveu vários círculos no céu e desceu sobre seu ninho, a rocha tremeu com o seu peso. A criatura abriu as garras e Lux cai no chão. A garota desviou-se para o lado, torcendo o corpo para se esquivar das garras do Dragão que passaram a poucos centímetros de sua cintura. Ela recuou e observou o local, o vento chiava, ela estava no topo de um morro testemunho, o chão era plano, mas havia marcas de garras por todos os lados, deixando sucos de até 30 centímetros gravadas na rocha. O lugar estava repleto de esqueletos e carcaças de animas que foram caçados.

Não muito longe dali, no meio do paredão, uma mão brotou segurando a borda de uma saliência rochosa. Ezreal juntou às forças escalando o rochoso corredor e claro, resmungando.

OST

— Se eu não tivesse me deslocado para frente eu teria me espatifado agora no chão. Francamente, como ela não viu um dragão? Todo mundo iria ver um dragão! Mas não... Ela tinha que ser capturada!

O dragão rugiu e lançou uma torrente de chamas em direção de Lux, a cortina de chamas incandescentes banhou quase toda a superfície do local. Lux pulou sobre um enorme esqueleto, que julgou ser de outro dragão, para fugir da torrente de chamas. Ela ergueu a mão para proteger o rosto, Lux se concentrou e disse: "Barreira Prismática", duas esferas de luzes arquearam-se e rodopiaram em sua volta. A magia produziu uma armadura brilhante, e seu encantamento a protegeu de ferimentos graves, mas aquele calor era desconfortável. Era difícil respirar o ar estava quente e fedia a carne queimada. Ela Tossiu e os seus olhos começaram a lacrimejar. Ela se virou e encarando o dragão, lançou-lhe uma coluna de luz que explodiu no rosto dele. A criatura urrou sem poder enxergar. Se aproveitando da distração, a jovem correu até a borda do rochedo, e por detrais de uma pedra se agachou se escondendo da visão do dragão.

A criatura se recompôs e iniciou sua procura pela presa. O dragão fustigou o ar, mas não conseguia sentir o cheiro. Toda a fumaça e forte odor de carne queimada despistavam qualquer outro cheiro. Lux estava protegida, mas essa amparo era temporário, logo o vento levaria os demais odores para longe e seu cheiro ficaria distinguível para o dragão. Ela se permitiu relaxar, se encostou na pedra e esperou. Seu pé estava inchado e mal conseguia pisar no chão. Quando se preparava para analisar a situação de seu membro inferior, uma mão envolveu seu rosto e boca e a puxou para trás, ela se virou e viu Ezreal fazendo um gesto com o dedo indicador sobre os lábios pedindo silêncio.

Lux abriu um grande sorriso

— Você veio me salvar

Ezreal olhou por cima da pedra, através da densa fumaça ele viu a silhueta do dragão. Ele se abaixou e se virou para Lux

— Eu vim. Mas isso não fazia parte do acordo. Resgate não estava no pacote.

Lux franziu as sobrancelhas, os dois sussurravam

— Mas porque demorou?

— Eu estava imaginando como as coisas seriam quietas no mundo sem você

— Ah, que encantador. — Satirizou ela

Ezreal olhou fixo para ela

— Então que tal parar de reclamar e me ajudar?

— Porque não posso fazer os dois?

— Adoraria que você se concentrasse em um

Lux suspirou

— Então, como vamos sair daqui?

Ezreal levantou o dedo indicador e franziu as sobrancelhas

—Eu...eu não sei

Lux piscou incrédula

— O quê?

— Eu ainda não pensei nisso. Mas estou pensando, ok?

—Você escala uma torre de pedra e não sabe como descer?

— Isso é muita ingratidão! — Disse Ezreal apontando para o seu rosto

— Olha só quem esta falando! — Lux apontou de volta

— Se prefere ficar sozinha aqui, posso providenciar isso. Sem problemas algum.

—Shiiiiuuu! Ok, ok, ok. Então o que temos, cordas?

Ezreal abanou a cabeça

— Algum gancho?

— Não

— Alguma arma, espada, poções? — Lux falou como se estivesse contando com os dedos

— Não, não e...não

— Brilhante, tem alguma boa idéia?

— Mas eu tenho isso...

Ezreal deu um sorriso de confiança como se fosse pegar sua arma secreta, ele colocou a mão dentro de sua jaqueta, depois de procurar no buraco negro de seu bolso, puxou uma faca de sua jaqueta. Era uma faca de sobrevivência. Com uma dobragem útil para guardar no bolso, a lâmina e o cabo são duas peças separadas, unidas por uma dobradiça, ela tinha uma lâmina mais curtas e finas que facas habituais. Provavelmente Ezreal deveria ter ficado dias sem comer e trabalhado como condenado para comprá-la. Sem sombra de dúvidas, aquela faca era cara, ele costumava apelidá-la de Indiana Jones, pois dizia ele, que lembrava o nome de algum arqueólogo famoso.

Lux piscou três vezes, olhou para faca depois para Ezreal com uma expressão indiferente

— Uma faca? Serio isso? Contra um dragão, uma simples faca? Agora ele vai palitar os dentes depois que comer a gente

Ezreal fez um sorriso no canto da boca e começou a jogar a faca de uma mão para outra, fazendo marabalismos com ela.

— Olha uma faca nas mãos de um especialista vale mais que qualquer coisa.

Em um movimento mal calculado a faca escapa de sua mão e caiu no chão e quicou em direção a borda e caindo precipício abaixo. Ezreal levou as mãos a cabeça.

— NÃO! Minha faca, eu fiquei semanas sem almoço para comprá-la, eu tive que trabalhar de garçom por um mês.

Os gritos de Ezreal alertam o dragão que fitou os dois mais ou menos como um cachorro olha para um pedaço de osso. Lux fuzilou Ezreal com os olhos e gritou tão alto quanto ele.

—Você é detestável! — Ela ficou de pé —Tinha que fazer escândalos e alertar o dragão!

Ezreal se levantou

— Você não está ajudando!

O dragão deu um rugido gutural e avançou em direção aos dois, as suas passadas causavam pequenos tremores na rocha. Os dois encararam o dragão.

— Agora eu tenho uma boa ideia— Disse Ezreal sem despregar os olhos do dragão — CORRREEEEE!

Lux assentiu

— pela primeira vez eu concordo com você!

Os dois se preparam para correr, Ezreal partiu em disparada, Lux se levanta mais ao dá alguns passos sua perna fraquejou e ela foi ao chão. O explorador se virou quando ela gritou de dor:

— O que aconteceu?

Ela estava em posição fetal, segurava sua perna esquerda com uma expressão de dor. Ela levantou o olhar e mostrou a sua perna.

— Meu pé... Acho que eu torci

Ezreal levantou o olhar e viu o dragão encurtando a distância entre eles. Ele não tinha escolhas, sem cerimônias pegou-a no braço e correu em direção à borda do precipício.

— Ei o que você esta fazendo? Ponha-me no chão – Reclamou Lux ao ser carregada.

Ezreal bufou como se estivesse levantando um saco de cimento

— Meu deus, você é pesada!

— Que grosso! Você está me chamando de gorda?

— Será que você não pode se calar por um momento?

Imagine aquela corrida que duas pessoas tem quem correr com os pés amarrados. Agora imagine que Ezreal estivesse com diarréia e que tinha acabado de sair de uma sessão de "descarrego" do banheiro e não tivesse tido tempo de se limpar, isso tudo somado como se estivesse com assaduras nas coxas. Assim ele foi correndo desengonçadamente até a borda precipício com o rosto vermelho pelo esforço de carregar Lux. Ao chegar ao limiar, os dois olharam por cima da borda vendo centenas de metros até o chão.

— Não temos escolhas! —Falou Ezreal sem tirar o olho da queda

Lux olhou para ele sem acreditar

— Espera ai, você não está pensando em pular, está?

— Estou...— Respondeu Ezreal ainda olhando para o abismo — Tem alguma idéia melhor?

Lux assentiu

— tenho uma ótima...não pular!

— Então porque não faz companhia para o jantar, ou melhor... Seja o jantar!

Lux olhou sobre o ombro de Ezreal vendo o dragão encurtar a distância, ela se virou para ele indiferente

— Pensando bem, vamos pular. Você ainda vai matar a gente! — Lux olhou sobre a borda da pedra — Tenho medo de chão!

— É de altura — corrigiu Ezreal. — E deixe de ser boba.

— Sei do que estou falando, é o chão que mata! — Ela voltou a olhar por sobre a borda — Eu ainda...estou me recuperando daquele tronco

Um arrepio correu pela espinha de Ezreal

— Não fale daquele tronco. — Ezreal suspirou — Se eu morrer, diga que foi pela ciência.

Lux piscou sem entender

— o que?

— Ignore, vi essa frase em um filme

Os dois pularam e caíram precipício abaixo, o dragão se deteve na borda e com um rugido estrondoso de frustração e observou os dois sumirem entre as arvores. No processo de queda, vale salientar, como é intrigante esse fato, por alguma razão todas as pessoas que caem de um local alto costumam ter a mesma reação. Como não poderia deixar de ser, os dois expressaram o que normalmente todas as pessoas gritam quando caem de um local alto.

— AAAAHHHHHHHH!!!!

OST

— Um pouco de sangue para Noxus.

Depois de realizar com sucesso a missão de expulsar bandidos das fronteiras de Demacia, Garen sossegava agora em sua tenda no acampamento Demaciano. Ele foi acordado de sua imersão de pensamentos quando ouviu o som de passos suaves sobre o tapete vermelho de seus aposentos. Silenciosamente as mãos dele buscaram a lâmina de um punhal que carregava consigo. Seus dedos se fecharam sobre o cabo, em um movimento brusco tentou se virar para a estranha figura que se aproximava. Mas uma mão envolveu seu rosto e uma lâmina foi colocada sobre sua jugular.

— Vejamos o que temos aqui — Disse a voz — Um capitão pego de surpresa em seu território.

O intruso se aproximou de seu ouvido, Garen podia ouvir e sentir sua quente respiração

— Seria medo o que estou sentido? Agora, um pouco de sangue para Noxus.

Garen sentia a lâmina o espetando. Ele tentou olhar sobre canto do olho mas tudo que podia ver era a lâmina reluzindo

— O que você quer? — Disse ele rispidamente

— Diversão, sangue, ou um favor — a voz se tornou mais sedutora, ela mastigou cada palavra em seu ouvido — Ou talvez...prazer

Garen arqueou as sobrancelhas, e fez um pequeno sorriso no canto da boca. Ele reconheceu a voz.

— Katarina — Ele tentou olhar de soslaio — Como me encontrou?

– Uma certa caçadora de recompensas tem muitas conexões bem informadas. — respondeu Katarina ainda pressionando a lâmina contra seu pescoço

— Miss Fortune, eu deveria ter imaginado.

Os lábios de Garen se esticaram em um sorriso.

— Não foi difícil passar pelos seus soldados, são amadores quando se trata de rastrear assassinos com minhas habilidades.

— O que você quer?

Ela recua soltando-o e guardando a arma em seu bolso

— Eu estou precisando de sua ajuda

O capitão demaciano passa mão por sobre o pescoço para aliviar a sensação. Guardando o seu punhal seus olhos se encontraram com os dela.

— Ajuda? Por que eu ajudaria.

A noxiana mordeu os lábios

— A pergunta seria...Porque você não me ajudaria.

Katarina se dirigiu até o demaciano, suas mãos deslizam sobre o seu peito volumoso, ela olha fixamente em seus olhos. Garen percorreu cada detalhe de seu corpo. O corpo esguio embora curvilíneo, quadris estreitos embora largos e seios pequenos mais perfeitos. Ele deslizou seu rosto sobre seu pescoço, os cabelos ruivos e finos tinham um perfume afrodisíaco que sempre o enlouquecia. Os dois já haviam vividos inúmeras noites de prazer, ele um general de confiança do rei e ela a umas das armas mais fortes de Noxus, o amor proibido entre duas nações, isso sempre os excitava.

Garen a puxou para si, a envolveu em um abraço forte, suas mãos percorreram cada detalhe do seu corpo, que fez com que ela desse um suspiro de prazer. O pesado tecido da cabana era grosso o suficiente para ocultar a quem estava dentro, eles estavam a sós na penumbra e nem um soldado iria incomodá-los.

Por fim, Katarina recuou se desvencilhando dos braços e das caricias de seu amante.

— Preciso de sua ajuda, mas não deve contar a ninguém. Não por hora. Isso envolve a guerra e Luxuanna pode está em perigo.

Garen assumiu uma feição dura e seus músculos se tencionam quando ouviu o nome de sua irmã.

—Lux?

— Não se preocupe, ela está bem. Mas o que eu vou te contar pode ser o inicio do fim para tudo o que conhecemos. Que até mesmo a guerra entre Noxus e Demacia não seria nada se comparada a isso. Talvez você tenha que deixar seu orgulho, está disposto a trair Demacia?

A palavra trair percorreram cada nervo de seu corpo. Trair Demacia, era algo impensável. Seu orgulho e seu amor a nação eram absolutos, um ferrenho devoto a sua terra. Katarina faz uma pausa em sua fala, sentou-se sobre a cama, cruzando as suas pernas e devolvendo o olhar de Garen com uma expressão seria e fria.

— O que você esta disposto a sacrificar?