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12 A Guerra D'água


Notas iniciais
Espero que gostem!

—Isso é...

—Lindo!— Kym completou Kyro.

Estavam os quatro parados, admirando a beleza da cachoeira que estava à frente deles.

A água límpida descia com força, formando um pequeno laguinho, cercado por grama. Com a luz do Sol refletindo na água, a paisagem era como uma amostra do Paraíso.

—O que estamos esperando? Vamos entrar logo! —falou Aang, já tirando sua túnica amarela.

Kyro fez o mesmo, seguido pelas meninas.

Aang foi o primeiro a entrar, e assim que caiu ele começou a gritar:

—Aaaaaaah! Ta frio, ta frio!— falou o garoto, mexendo os pés e as mãos sem sair do lugar.

Logo foi a vez de Kyro pular dentro da água, e depois Kym e Rinzen, por último.

A água era tão límpida, que Aang conseguia enxergar o fundo perfeitamente. Ele se esticou e ficou boiando, descansando do esforço de correr e de andar pela mata. Ah, como aquele lugar era calmo! Depois de todos aqueles dias em que ficara com todos os outros aprendizes, poder relaxar sozinho era uma oportunidade única. Ou melhor dizendo: ele achava que podia relaxar sozinho.

Ficou naquela posição por um tempo que nem lembrava. Quando já estava totalmente relaxado, sentindo os olhos pesarem, mal ouvia o barulho da cachoeira ou dos amigos ao seu lado, ele foi atacado.

Ele abriu os olhos, enquanto tentava se firmar na água de pé. Rinzen estava parada na sua frente, olhando-o, com um sorriso no rosto.

Então foi ela! Ela tacou água na cara dele enquanto durmia.

Aang localizou os outros amigos, que estavam sentados na beirada da água, comendo e conversando animadamente.

—Você mexeu com o menino errado!— falou ele, enquanto suas mãos estavam dentro da água, já formando uma bolha de ar.

—Ah, é? E daí?— respondeu, dando de ombros.

Ele lançou a bolha de ar para cima na direção da garota, e quando estava perto da superfície, a bolha de ar explodiu, lançando água em Rinzen, que recuou, ainda com o sorriso no rosto.

—Isso não foi legal! Você me paga!

Ela dobrou o ar, levantando o pé e fazendo um chute giratório, o que fez com que a água fosse bem em cima de Aang. O garoto nem teve tempo de se defender, e caiu pra trás na água.

—Então... Você tem certeza de que quer começar essa guerra?

—Só porque ganhou algumas lutas com os garotos não significa que é forte— debochou, e depois completou— Sim, eu tenho.

Ele concordou com a cabeça. Pegou um impulso com os pés e saltou na direção de Rinzen, mas ela estava preparada e simplesmente mergulhou, desviando do ataque.

Logo em seguida ela subiu puxando uma grande quantidade de água, que direcionou para Aang.

O garoto caiu pra trás, de novo sem conseguir se desviar do golpe.

—Ei, você ta pegando pesado!— Rinzen deu de ombros. Ela estava se divertindo com aquela guerra d'água, principalmente porque Aang estava perdendo.

—Acho que você está sozinho, ‘campeão’!

— Minha vez! — disse ele, respirando fundo.

Ele levantou e voltou pra dentro da água correndo, e depois nadando para cima de Rinzen. Ela começou a dobrar bolhas de ar, que estouravam perto de Aang, mas isso não o impediu. Ele continuou indo pra cima dela, desviando de algumas e ignorando outras.

Na metade do caminho, Aang pegou uma grande impulso com os pés, surpreendendo a garota.

Ela dominou o ar para cima dele, mas este girou os braços, ainda durando o pulo, defendendo do ataque. Ele pousou perto dela, fazendo uma onda enorme ir na direção dela.

A onda a carregou com tanta força, que ela foi parar bem perto do limite do lago. Ela tentou se recuperam, mas o garoto não deu-lhe tempo.

Quando ela percebeu Aang já estava em cima dela de novo. Ele caiu como um gato, prendendo os braços e pernas da garota.

Ela estava presa.

—E agora, quem é que está sozinho, hein? — sussurrou Aang. Seus rostos estavam tão pertos que as gotas de água que caíam do rosto dele paravam na bochecha rosada dela.

Só então ele percebeu o quão perto estavam.

Ele conseguia ver cada detalhe, cada traço no rosto dela. E ela era encantadora. Rinzen era a menina mais bonita que já tinha visto. Seus olhos o petrificava, ao mesmo tempo em que o atraía. Suas bochechas tentavam esconder um sorriso sereno, que a boca insistia em lançar no rosto.

Olho no olho, Aang foi diminuindo a distância entre eles. Estava muito próximo já. Conseguia sentir a hálito da garota, ainda com cheiro de morangos dos pães que haviam comido.

Menos de um centímetro separava a boca dos dois, quando Aang foi atirado para trás com uma força gigantesca, que o fez gritar de tão surpreso.

Rinzen também olhava perplexa o garoto que há um segundo atrás estava do seu lado indo parar do outro lado do lago, fazendo água espalhar pra todo lado.

Demorou um tempo pra Aang se recuperar e emergir na superfície, já que tinha caído bem fundo, e mais um tempo para entender o que tinha acontecido.

Um pouco além de Rinzen, à direita, estava Kym parada, ainda em posição de ataque. Então foi ela que lhe lançou pra trás!

—Ela não está sozinha, Aang— disse ela, se aproximando de Rinzen, ajudando-a a se levantar— Ela tem a mim!

Aquela menina esperta. Aang nem lembrava que os dois outros ainda estavam ali. Provavelmente vendo que a guerra d'água estava esquentando, os dois resolveram entrar também.

Ao lado de Aang, Kyro já estava pronto para aquilo também.

—Dois contra dois, então?— perguntou retóricamente Aang.

—É, acho que sim. Sinto muito... por vocês— debochou Kym.

Aang olhou para Kyro, e os dois concordaram. Isso seria interessante.

Kym fez o primeiro movimento, ela ergueu os braços e puxou o ar para baixo, fazendo uma onda enorme vir na direção dos meninos.

Os dois foram rápidos, e com um simples impulso com os pés, saltaram a onda. Mas as garotas estavam conscientes, e assim que saltaram, foram acertados por turbilhões de água e bolhas.

Os garotos, acertados várias vezes, caíram mais longe.

—Ei, meninos, falem quando quiserem desistir, ok?— gritou Kym.

Aang não ía deixá-las ganharem assim. Precisava fazer alguma coisa.

Depois de se recuperam, junto com Kyro, eles atacaram segurando uma grande bolsa d'água, sendo que Aang atacou Rinzen e Kyro atacou Kym.

As garotas, acertadas pelos grandes bolsões, não se abalaram. Os jovens aprendizes partiram para uma luta corpo a corpo, dominando o ar em cada ataque, fazendo grandes movimentos.

Aang lutava com Kyro às suas costas, e ficavam girando, o que era uma tática ótima que estava confundindo as garotas.

As duas, percebendo que perderiam se continuassem daquele jeito, pegaram um grande impulso e se distanciaram, e em seguida dominaram uma bolha de ar para levantar uma grande parede de ar.

As duas paredes se encontraram nos garotos, fazendo-os afundar. Aqueles ataques estavam tão rápidos que eles nem conseguiam desviar.

Elas eram muito boas, mas... Aang tinha uma estratégia.

Ele olhou pra Kyro, e o garoto entendeu. Usariam a técnica que se faziam em duelos. Túnel Duplo.

Aang puxou o ar com toda sua força, e depois jogou-o de volta, criando uma onda gigantesca naquele pequeno laguinho, e direcionou às garotas.

Enquanto elas pegavam impulso para desviar da onda, os dois garotos tiraram o ar ao seu redor, afundando nas águas e impulsionando-se para a direção delas.

Quando tocaram a água de novo, eles já estavam preparados. Atingiram-as cada um com uma bolha de água.

As garotas gritaram pelo ataque surpresa, e acabaram caindo fora do lago.

Aang sorriu. Venceram. Sabia que daria certo, aliás, sempre dava!

—Acho que vocês perderam.

—É— falou Rinzen, levantando-se do chão— Acho que sim.

Kym só bufou e virou-se de lado, ignorando os outros ao seu redor.

—Mas bem, vocês lutaram muito bem!— falou Aang, desconcertado.

—Vocês também...

—Hum... que tal entrarmos debaixo da cachoeira? Sabe, pra relaxar um pouco.

—Boa ideia— respondeu Rinzen, sorrindo de novo e cruzando o rio até a queda da água.

Aang foi logo atrás dela, pronto para sentir a sensação incrível de ser massageado por milhões de gotículas de água.

—Ei, Aang, olha isso!— falou ela. Aang procurou pela garota, e viu que ela estava olhando por detrás da cachoeira— Isso...isso não é um colar da Nação do Fogo?

La na água, bem no fundo, os dois observavam um pequeno colar, com um pingente com o símbolo da Nação do Fogo. Era bem bonito, provavelmente feito de ouro e de pequenas rubis encrustadas em volta do símbolo.

—Sim... mas não estou entendendo como isso veio parar aqui, já que a ilha não é povoada— respondeu Aang, pegando o colar, e olhando-a mais de perto. Realmente era uma relíquia única, muito brilhante e reluzente— Quer saber? Acho que devia levar com você!

Ele pegou o colar e passou-o em volta do pescoço da garota.

—Ficou muito bonito!

—Obrigado, mas... não acha meio estranho ele estar tão novo mesmo dentro da água?

—Sim, mas, não sei, talvez nunca saberemos o porquê— falou o garoto, com um sorriso no rosto— Vamos, precisamos voltar!

Rinzen concordou e seguiu-o para fora do lago. Mas algo ainda estava estranho. Algo... parecia estar os vigiando.

Notas finais
Comentem o que achou!