Olá, meu nome é Peter. Eu vou contar minha história para você. Eu não sei por que você teria interesse em saber da minha vida, mas bem, você está aqui lendo não é? Vamos começar do início.

Eu sempre fui uma criança inteligente, sempre um dos melhores da escola. Isso se deve um pouco a falta de atenção dos meus pais, eu cresci com um irmão caçula, bastardo. E como meu pai se sentia culpado por aquele filho fora do casamento, ele dava uma atenção especial para ele. Não vou mentir, eu tinha bastante ciúmes daquele moleque. Enfim, meu pai e mãe dedicaram toda sua vida para meu irmão, eu acabava ficando sozinho a maior parte do tempo, mas eu odiava isso e a única solução cabível para uma criança educada chamar atenção, era ser bom em tudo.

É sério, eu era o melhor da escola, em shows de talento, nas competições da igreja. Tudo que se tratava de ganhar, eu ganhava, eu precisava mostrar para meus pais o quanto eu merecia a atenção deles, bem, infelizmente nunca funcionou. Com 6 anos eu já ia a igreja sozinho, pois como disse não podia contar com meus pais nem para isso, eles nem sequer são religiosos. Enfim, eu tentava encontrar na igreja o que eu não encontrava em casa, atenção e interesse em mim. Eu me sentia muito bem lá, era onde eu podia simplesmente relaxar e ser eu mesmo, com 8 anos eu já tinha minha parcela de independência e individualismo, sempre tive personalidade forte. Eu sempre me senti diferente dos outros, mas com aquela idade não sabia muito bem em que sentido, simplesmente achava que era diferente, mas afinal somos todos diferentes certo? Na 1ª série essa diferença começou a se mostrar incomoda, eu era relativamente bem popular para uma criança de 6 anos, e de repente meus colegas começaram a me chamar de gay, viadinho, bicha... Eu não entendia o que eles queriam dizer com aquilo, nunca dei muita bola.

Mas em um certo ponto, aquilo se tornou frequente demais, eu não suportava aqueles xingamentos todos. Então perguntei a alguém, não lembro muito bem quem foi, mas perguntei o que era um gay. A pessoa me contou, hoje entendo que ela disse todas aquelas coisas ruins para me assustar e implantar o preconceito em minha cabeça. Ma se você diz para uma criança que ser gay é algo horrível, bem, se espera que ela se assuste.

A partir desse dia, ir a igreja tinha um outro objetivo. Eu sabia que meus colegas tinham razão, eu era gay, mas eu não podia ser, era errado. Então comecei a tentar mudar a mim mesmo, eu ia para igreja tentar achar uma maneira de deixar de ser gay, vocês já devem imaginar que não deu certo, ninguém deixa de ser gay. Um pouco mais pra frente eu me aceitei, entendi que a melhor maneira de lidar com isso era compreender que isso não era nada errado, é tudo natural. Óbvio que não contei para meus pais. Afinal, naquele tempo eu mesmo me reprimia por ser desse jeito, e pensei que não seria orgulho para meus pais, já que eu era xingado na escola. Resolvi guardar isso pra mim, claro que meus amigos e colegas sabem, é perceptível. Na verdade acho que meus pais devem saber, mas ouvir da minha boca deve ser difícil. Por isso não penso em contar tão cedo.

Meu pai é um homem muito bom, sempre foi carinhoso comigo, menos que eu gostaria, mas ele não é uma pessoa ruim. Minha família já teve sua cota de decepção pelo resto desse século. Foi um choque muito grande para todos, quando todos descobriram, nossa, aquilo abalou as estruturas da família. Bem, eu vou resumir pra você.

Desde que eu me conheço por gente, minha mãe trai meu pai. Na verdade o relacionamento deles é um inferno, eles estão junto por que minha mãe não tem como sustentar os filhos, e meu pai é tão bom que ajuda ela mesmo ela o fazendo sofrer tanto. Mas tenho que ser mais específico pra você entender, minha mãe traiu meu pai no começo do relacionamento. Então um dia eles se separaram, ela ficou 3 anos longe e nesse tempo teve um filho, então ela voltou pra casa, pois precisava do meu pai para criar a criança. E nesse meio tempo, ela teve outro filho, em outra traição, você consegue entender o absurdo disso!? Meu pai sempre a tratou com carinho, afeto, e ela simplesmente resolveu que ele merecia bancar uma vadia dentro de casa! Ah meu Deus, preciso me acalmar. Então, depois de dois filhos, eles se resolveram por um bom tempo, tudo estava normal. Então, um dia eu estava trocando bilhetinhos com outro garoto,e ela me pegou.

Ela literalmente me botou no chão, disse que eu não devia contar com ela pra mais nada, que ela não aceitaria isso, que ela ia me tolerar dentro de casa pelo meu pai. Eu fiquei extremamente furioso, como uma mulher que tem 2 filhos bastardos pode me julgar por ser homossexual? Foi um absurdo hediondo, mas nós concordávamos em algo, meu pai não merecia isso, então fiquei quieto. Até que um dia ela voltou a traí-lo, e por alguma razão idiota ela decidiu me contar, como se eu já não tivesse problemas o suficiente. Mas isso amenizou as coisas um pouco, pois eu disse a ela que cada um tem seus pecados, ela me aceitou e eu a aceitei. Atualmente estamos normal, ela é como qualquer outra pessoa, aquele típico amor de mãe? Não existe pra mim, ela é como se fosse uma madrasta indesejada. E meus irmãos bastardos? Eu realmente os odeio, não estou dizendo isso de cabeça quente, eles realmente atrapalham muito minha vida, sabe eu gostaria que eles nunca tivessem nascido, não queria que nada disso tivesse acontecido. Teve até uma vez em que um dos homens com qual minha mãe traiu meu pai, tentou matar meu pai. Achei super engraçado, pois meu pai é um homem forte, não é qualquer pessoa. Então ele fez o homem voltar com o rabo entre as pernas, e o outro homem que pegava, ele morreu. Meu irmão caçula bastardo também é parcialmente órfão, é a vida. As vezes eu acho que Deus realmente puni as pessoas más, um exemplo disso é que minha mãe estava voltando da casa do amante dela, e sofreu um acidente. Meu pai disse: "Você vai continuar nessa casa por que está precisando dos seus filhos, depois disso arrume outro lugar!"

Sinceramente, eu não sei qual o problema dela, ela já fez isso milhares de vezes e ela sempre se da mal. Meu Deus, será possível que ela não enxerga o sofrimento que ela causa para meu pai? E pra mim também, odeio ver meu pai chorar, mas também não entendo ele, pois ele sempre aceita ela de volta. Relações são complicadas, as minhas são muito mais, mas com tudo isso eu aprendi. Ser gay é a melhor coisa que me aconteceu até agora.