Livrai-me de todo o mal, Amém
1 Capítulo 1 - Você é meu guia e nada me faltará
Notas iniciais
O enredo não está muito estruturado, portanto poderá haver passagens sem sentido ou erros ortográficos.
A escrita ficou simples e dinâmica, pois no momento queria apenas registrar minhas ideias.
Tarde de sol e clima fresco em um bosque numa cidade do interior. Uma criança de 8 anos está deitada em um barranco coberto de grama aparentemente descansando após pular e gritar pelo parque. Era franzino de cabelos castanhos claros, curto e bagunçado. Sua regata cinza e bermuda estavam sujas de terra e estava descalço. Então ele escuta um de seus melhores amigos chamar por seu nome:
—Sun! Eu já acabei meu dever! Agora podemos brincar!
Sun levanta com um sorriso simpático e corre para seu amigo, que se chama Miguel e tem cabelos pretos, curtos estava de camisa e bermuda de cores claras, carregava sua bola desgastada pelo tempo e pelos chutes na lama.
As crianças brincavam felizes, conversavam sobre desenhos da tarde, e quando estavam no ápice da diversão, a mãe de Miguel o chama para ir para uma missa. A família de Miguel é bem religiosa, e consequentemente Miguel tem uma fé muito forte.
Miguel pega a bola, olha nos olhos de Sun, em uma expressão de dor, uma expressão que se espera uma criança fazer apenas quando deixa seu sorvete impecável cair no chão derretido ou após perder uma aposta num videogame que pensava ser muito bom:
—Amanhã... estarei me mudando de cidade.
Sun recebeu isso com um impacto, nunca havia se sentido assim, se sentia meio traído pelo amigo não ter dito isso antes e só avisar no dia anterior que estaria indo embora:
—Qual cidade você vai?
—Certamine.
Certamine é uma cidade grande e movimentada, cheia de arranha-céus, pessoas, mercadorias e luzes. Os pais de Miguel conseguiram um emprego estável na cidade e estavam se mudando. Miguel então parte e deixa Sun remoendo a despedida sozinho.
Dez anos depois, Sun conseguiu uma vaga na tão sonhada universidade em Certamine, incrivelmente sua amizade com Miguel não mudou nem um pouco, continuaram a manter contato e visitaram um ao outro algumas vezes, finalmente será possível conviver com o amigo como antes. Ele entrou na universidade de Direito e sonha ser um bom juiz.
Semanas de muita comemoração, ansiedade e preparação, Sun chega em Certamine com muitas possibilidades e expectativas, se encontra com seu amigo Miguel e colocam assuntos em dia, enquanto comem em um restaurante:
—Serei seu guia nessa cidade enorme de agora em diante, que saco~ — Diz Miguel em tom de brincadeira.
—Então não precisa me guiar, eu me viro sozinho aqui eu sou muito bom em me guiar~
—Ah, sim, que nem a vez que você foi buscar a bola que caiu no meio da floresta e você demorou eras pra voltar com a bendita bola, você tinha se perdido, não é?!
—Obvio que não, e eu voltei rapidamente que eu me lembre, você tá ficando velho já é? Já tá esquecendo tudo?
Caminhando pelas ruas movimentadas à noite, os olhos de Sun brilhavam ao ver tantas pessoas e lugares diferentes. Miguel pausa no meio da calçada e diz:
—Hey, Sun, eu realmente estou feliz que você tenha se mudado para Certamine, mas-
Repentinamente, um feixe de luz tão intenso e forte que quase cegou todos, criou uma cratera no meio da rua movimentada, destruindo alguns carros e possivelmente causando vários feridos. Da cratera levantou um ser reluzente, de asas enormes com um rosto delicado e encantador. Seria chamado de Anjo pela maioria, um ser angelical, divino.
Miguel sendo uma pessoa de muita fé se ajoelhou instantaneamente com suas mãos juntas, assustado e maravilhado ao mesmo tempo, em momentos de manifestação divina ele apenas pensou em demonstrar submissão à Ele.
Sun apenas ficou paralisado de medo, puro terror, muitas pessoas ficaram paralisadas, ou rezavam, ou ficavam aliviadas em saber que Deus enviou um sinal finalmente dos céus. O ser de luz observou ao redor com um olhar tranquilo e calmo, levantou uma lança em forma de cruz voou próxima a uma mãe com seu filho no colo.
Naquele momento a mãe e a criança não pensaram em nada, todos ao redor criaram muitas expectativas diferentes, mas o anjo apenas enfincou a mulher e a criança com sua lança atravessando os dois juntos, sem mudar nada em sua expressão e nem olhar.
Todos ficaram em completo choque "mas não é um anjo? Um ser divino? Um ser puro dos céus?", ficaram em tão choque que não conseguiram sair do lugar, quando o anjo voou e matou mais três pessoas, um padre, um mendigo e uma idosa, todos começaram a correr desesperados. Esse ser, o que for que seja, está matando todos sem exceção e sem hesitar a sangue frio.
Sun saiu do estado de choque e começou a entrar em pânico, ele agarrou Miguel nos ombros e sacudiu para que ele saísse da posição de reza para correr, fugir dali. Correram desesperados e entraram num estacionamento de um shopping. Ofegando bastante, os dois encostam-se a uma parede e sentam no chão gelado, eles conseguem ouvir ainda os gritos desesperados das pessoas.
Sun começa a pensar "se é um ser enviado por Deus quer dizer que não temos escapatória, todos nós iremos ser mortos, não tem como ultrapassarmos o poder de um Deus!" Ele olha para Miguel, imaginando como estaria seu amigo que é muito crente. Miguel está apenas rezando freneticamente, isso é de se esperar, um meio de se salvar, seria pedindo sua salvação.
Sun liga freneticamente para seus pais, querendo saber se o que está ocorrendo seria apenas ali, sua mãe atende normal:
—Oi filho, como está? Está gostando da cidade?
—Mãe! Você está bem? Não tem nenhum anjo massacrando a cidade?!
—Anjo? Massacre? Do que voc-
O telefone fica mudo e depois fica chiando e tendo cortes de gritos de socorro e explosões, ele ouve tudo em puro terror e tensão e percebe que seus pais já não estavam nesse plano.
Miguel vendo seu amigo desamparado tenta confortá-lo e também liga para seus pais, mesmo sabendo que o ataque de agora foi perto de sua casa, ele ainda tinha esperanças de que o anjo tenha poupado seus pais, pois eram muito devotados.
—Pai?! Vocês estão bem?!
—Filho... ainda bem que você ligou, já estávamos pensando que você foi peg-
A mesma coisa ocorre, Miguel grita em agonia e decepção, acreditava profundamente que sua família seria poupada por serem tão puros e fiéis à Ele. Sun observa seu amigo que também teve seus parentes assassinados, e ambos se abraçam em prantos silenciosos.
Depois de um tempo os dois saem para as ruas e encontram o lugar totalmente destruído e com coisas pegando fogo, muitas pessoas mortas no chão até animais, todos empoçados em sangue. Os dois se perguntam se o massacre acabou e se eles conseguiram escapar com vida.
Até que o ser angelical aparece atrás dos dois, os dois sentem a vibração poderosa atrás deles, se voltam rapidamente para o anjo assustados.
Miguel se joga no chão pedindo misericórdia, Sun apenas observa seu amigo fazer o ato desesperado e começa a temer pela sua vida, ele sabe muito bem que ele não adianta nem pedir, pois ele sempre negou a existência Dele a vida toda, agora seria um dos primeiros a ser morto.
O anjo aponta a lança para Miguel e pergunta com uma voz que ecoa e traz sensações familiares.
—Você ainda é fiel à Ele?
Miguel levanta a cabeça lentamente, seu rosto é de puro terror, com sua fala tremida e fraca ele responde:
—S-sim!
Sun fica surpreso, acabam de ouvir a voz de seus parentes morrendo em agonia sem dó nenhuma, testemunharam mortes de várias pessoas que não mereciam morrer e ainda confia no que Deus tem a oferecer?!
Então o Anjo aponta agora para Sun:
—E você, ainda tem fé Nele?
O rosto de Sun é de indignação, estranhamente ele não sente mais medo de merda nenhuma, ele estava é mais puto com tudo e todos que acabaram nessa situação de bosta, estava apto a mandar o anjo pra casa do caralho agora mesmo:
—Vá se fuder. Eu nunca irei me submeter a um Ser tirano e cruel que leva as pessoas a fazerem o que elas fazem para no fim acabar com a vida delas e trazer dor e remorso a tantas pessoas que as perderam sem dó nem piedade, quebrando as estruturas psicológicas e físicas de muitas pessoas puras e inocentes apenas para conseguir provas de fidelidade! Isso para mim é apenas uma desculpa para matar pessoas e se divertir! Brincar com a vida delas, e chegar com essa justificativa escrota. ENTÃO VÁ PARA A CASA DO CARALHO SEU MONSTRO, SEU DEMÔNIO!
Observando tudo com um olhar sereno e tranquilo o Anjo se volta para Miguel, e o levanta delicadamente:
—Se quiser se unir a nós no Reino dos Céus e ser um mensageiro alado, mate-o. — Entrega a lança dourada para Miguel.
Sun se assusta com esse pedido inaceitável, e se sente culpado por levar seu amigo a essa situação, ele vira para Miguel para tentar ajudá-lo a saírem juntos dessa situação, mas quando ele observa direito seu amigo, ele não é mais o seu amigo, aquele olhar não era de um rapaz que tinha acabado de emprestar videogames e filmes de herói hoje de manhã, era de um cavaleiro indo para as Cruzadas em Jerusalém,
E então lentamente ao redor de Sun começava a envermelhar, o anjo apenas observa com um olhar tranquilo toda essa conjuntura, Sun começa a não entender o que estava acontecendo, ele começa a se sentir mais leve, mas com o interior ardendo.
Um ser negro e flamejante ascende do solo, tinha aparência humana, com um terno negro, cabelos compridos penteados para trás. Seus olhos penetrantes lançaram para Sun, se aproximousuavemente e sussurrou:
—Se quiser viver, eu posso ajudá-lo.
Sun sente um frio na espinha, seu coração batia rapidamente, tudo isso acontecia rapidamente, ele não conseguia pensar direito, sentia mais ódio e ódio por toda essa situação e sabia no fundo quem era esse ser, e não sabia o que poderia acontecer se ele aceitasse ajuda dele. Miguel treme em hesitação por testemunhar essa criatura que aparece diante de seus olhos, mas mesmo assim avança em Sun e atravessa seu corpo com a lança divina, Sun sentindo que irá morrer logo, sussurra:
—Me.. ajude..
Rapidamente Sun sente seu corpo mais forte, não sente mais dor, nem desconforto, nem medo. Ele apenas agarra a lança atravessada em seu corpo e retira a arma que não é mais segurada pelo Miguel, que agora apenas emite luz e paz.
O anjo vendo esse acontecimento com Sun, diz à Miguel:
—Terá mais uma chance, pois Ele é misericordioso, se conseguir matá-lo até ano que vem no mesmo dia neste mesmo horário, poderá enfim se unir a nós e não ocorrerá o massacre de hoje.
Então o ser celestial lança um olhar para o ser das trevas e diz:
—De acordo?
Sun apenas pensa: “como assim ‘de acordo? ’, isso é algum tipo de jogo?!” O ser das trevas apenas dá um leve sorriso maléfico e descende ao solo novamente, assim que o vermelho do chão começa a diminuir e a intensidade da luz nos céus começa a enfraquecer ao mesmo tempo, as construções ao redor e as pessoas caminhando naquele momento voltam ao normal, como se nada tivesse ocorrido. A única diferença é de que Miguel não é mais seu guia pela cidade enorme.
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