Living a Dream
4 Stop Pretending to Others and Begin to Pretend to Myself
Notas iniciais
Eu podia sentir aquela sensação de liberdade perfeitamente passando por mim. Tudo era tão novo. Eu nunca havia voado de avião na vida, e sim, eu estava com medo, mas sempre pensava: Ah, foda-se.
— Está tudo bem? — Percy perguntou e eu sorri.
— Sim — virei meu rosto em direção a ele. — Isso dá um pouco de medo, é claro. Mas eu agüento.
Ele riu e segurou minha mão. Estávamos lado a lado nos assentos da primeira classe de um avião. Percy insistiu em pagar todas as viagens, e pior (ou melhor) ainda, todas na primeira classe. Eu me sentia culpada por fazê-lo gastar tanto dinheiro, mas ele tinha condição e seus pais meio que “super” concordaram em deixá-lo fazer isso quando descobriram minha situação.
— Annabeth Chase com medo de avião — ele disse levantando a cabeça e sorrindo. — Quem diria.
— Cale a boca — mostrei-lhe a língua.
O avião decolou tranquilamente e meu medo foi se acabando aos poucos. A viagem era longa, de Nova Iorque à Londres, que era nossa primeira parada. Percy me deu a lista de países que ele e meu pai organizaram durante os dois últimos dias e apenas alguns lugares que não conseguimos vagas. Enquanto o moreno tirava um cochilo, decidi ler um livro que havia trago.
...
— Acorda, ô preguiçosa — senti algo empurrando minha perna.
Abri os olhos e vi Percy mexendo em sua carteira, com sua perna empurrando a minha. Meu livro estava em cima de meu colo, fechado. Provavelmente meu amigo já estava acordado a um tempinho.
— Vou pedir algo para comer — disse finalmente me olhando. — Vai querer algo?
— Vou — falei me virando para olhar pela janela, que agora tinha uma vista confusa, já que era noite. — Algo que engorde, por favor.
— O que?
— O que o que?
— Você quer engordar? — perguntou espantado. — Quem é você o que fez com a Annie?
Eu ri.
— Você não vai querer pintar o cabelo de preto, colocar piercings e virar lésbica, né? — brincou.
— O quem tem contra morenas de farmácia, garotas com piercings e lésbicas? — me virei e também brinquei.
— Nada uai, é só que...
— Peça logo o lanche, Percy — o cortei, algo que ele odiava. — Vou ao banheiro, já volto.
Ele sorriu irônico e eu me levantei, passando por ele e saindo dos assentos. Caminhei até o final dos bancos lotados e logo cheguei ao banheiro, que por sorte não tinha ninguém.
Entrei e, assim que tirei o casaco, senti uma pequena dor no pescoço. Vi-me em frente ao espelho e vi uma mancha vermelha. Será que eu bati em algum lugar? Ou era só... Bem, algo normal para pessoas na mesma situação como eu? Não sabia que seria tão rápido...
Vesti o casaco novamente e puxei as mangas. Depois liguei a torneira e lavei o rosto, me encarando no espelho.
— Vai ficar tudo bem garota — falei comigo mesma. Porém, eu não conseguia acreditar em minhas próprias palavras. Quem eu estava tentando enganar? Não sou boba desse jeito. Nada ia ficar bem.
Soltei um longo suspiro e enxuguei meu rosto. Eu tentava parecer normal, mas eu não estava conseguindo. Então, eu estava apenas fingindo esse tempo todo? O que eu queria com isso? Eu vou morrer, não as pessoas em minha volta. Tinha que parar de fingir para os outros e começar a fingir para mim mesma.
Percebi que eu já estava há muito tempo no banheiro, precisava sair. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo mal feito e abri a porta, já começando a andar de volta em direção ao assento meu e de Percy.
— Você está bem? — perguntou, dando espaço para eu passar e me sentar.
— Estou sim — tentei sorrir. — O lanche vai demorar?
— Eu acabei de pedir, acho que não.
E então eu voltei com meu livro até um bolinho e um suco de caixinha chegar para mim. O resto da viagem foi bem tranqüilo. Percy sabia que eu ainda não estava muito acostumada com o avião, estava sempre com a mão esquerda junta a minha direita, e quando eu cismei que queria passar as páginas do livro de uma forma “normal”, ele desceu a mão para minha coxa, o que me fez segurar cada fez mais o sorriso, pois sabia que ele fazia de propósito.
— Onde você arranjou esse livro mesmo? — perguntou de repente.
— Nem lembro. Deve ser desconhecido, mas é bem interessante — menti. Eu não estava prestando atenção numa palavra sequer que eu lia.
O vôo não demorou, e finalmente chegamos a Londres. Passamos por todos os procedimentos relacionados ao pouso do avião e do meu pânico no momento.
— É melhor colocar um casaco — murmurou Percy. — Ou dois.
Acabei por obedecê-lo e resolvi colocar um casaco que eu havia trago na bolsa. Realmente, se aqui dentro já estava frio, lá fora deve estar pior.
— Vamos? — ergueu a mão em minha direção.
— Vamos.
Saímos do avião e Percy logo resolveu de organizar tudo em relação as malas no aeroporto. Enquanto isso, achei melhor ligar para minha mãe e lhe falar que estava tudo bem, já que ela estava praticamente desesperada na minha despedida.
— Mãe?
— Annie? Meu Deus! Está tudo bem? Como foi a viagem? Oh, Céus, a conta do celular virá caríssima! — exclamou, sem fazer uma pausa sequer.
— Calma mãe — eu ri. — Se for o caso eu pagarei a conta. Só quis ligar para avisar chegamos bem.
— Graças à Deus!
— Acho melhor eu desligar — falei. — Daqui a alguns dias eu ligo de novo.
— Okay, eu amo você — ela disse.
— Eu também te amo, mãe — desliguei.
Guardei o celular e olhei em volta, vendo Percy se aproximar com nossas malas. Assim que nos encontramos, saímos do aeroporto e pedimos um táxi. O tempo estava realmente frio, mas a emoção de estar em Londres não iria se abalar por isso.
Após alguns minutos, chegamos ao hotel. Percy pagou o taxista e saímos do carro. Porém, ao sairmos, não demos um passo para adentrar o hotel. Eu estava tão feliz por estar em Londres, que eu não conseguia parar de encarar o moreno.
— O que foi? — riu.
— Estamos em Londres — sussurrei, porém eu sabia que ele ouviu.
— Sim, estamos — falou, sem entender aonde eu queria chegar.
— Você me trouxe em Londres.
— Annie — ele disse se aproximando. — Eu já disse que não precisa pensar desse jeito, você merece.
Não aguentei e o abracei. A um mês atrás, eu nunca pensaria que estaria em Londres, também nunca pensaria que estaria morrendo, mas bem, Londres era um dos meus sonhos; e mesmo morrendo, eu estava feliz.
— Hey, eu acho melhor entrarmos — Percy se afastou e encarou o hotel, que, por acaso, era o mais chamativo daquela avenida. — Temos que descansar; amanhã vamos conhecer o máximo possível de Londres.
Fale com o autor