Capítulo 3

Certos momentos e situações nos pegam desprevinidos, meu coração estava palpitando e meu corpo estava gélido, eu estava sem reação alguma, por algum motivo,estava impondo a culpa inteiramente sobre mim.

–Explica direito, não brinque com uma coisa séria! — Isa interrompeu meus pensamentos com uma voz baixa e severa.

–Eu vim vê-la e ela já nao estava aqui, desculpa ...

–Hey, não há pelo que se desculpar, vou atrás dela, ela não foi longe e ninguém conseguiria entrar aqui. — Eu conhecia Isa e sabia que a cada lágrima que descia de seu rosto, era um sentimento espremido que ela não queria colocar para fora.

Caminhei para dentro da casa laranja e ouvi os barulhos de alguém mexendo em gavetas. Tentei ver se Isa precisava de ajuda e me deparei com algo preto em suas pequenas mãos, era totalmente bizarro vê-la segurar uma arma de fogo e a colocar dentro de sua calça.

– O que é isso? Desde quando você tem arma? — Exaltei minha voz assustando-a com a minha presença.

– Foi John que me deu ... — Fiz uma cara de confuso e logo ela completou — Meu ex marido.

Ao passar seu corpo perto do meu, o cheiro de perfume veio ao encontro do meu nariz e senti o doce aroma emanando do corpo simplesmente perfeito que ela tinha. Nao sabia o porque ela estava levando uma arma, mas naquele momento, eu só queria encontrar Alice e a trazer de volta para casa.

Assim que a porta foi aberta, sai em direção a rua e nos dividimos à procura. Isa estava apreensiva e o céu escurecendo, mostrava que em breve, haveria uma tempestade. Peguei um celular e quando ela o entregou, nossas mãos se tocaram por um breve segundo, fazendo ondas correr pelos nossos corpos, ainda tinhamos uma ligação e eu tinha convicção disso.

Meus passos eram apressados e meus olhos pareciam mais focados, parecia que eu não precisaria mais usar óculos, parecia que tinha plena confiança no que eu estava fazendo. O que estava acontecendo comigo era a pergunta que me fiz durante todo o percurso.

Acabei parando em uma rua deserta, não havia mais ninguém devido as gotas que já estavam caindo sobre a cidade. Cidade que sequer sabia o nome, era São Paulo, mas estava diferente, não era a cidade que sempre dava voltas e saia para passear. Estava sempre um clima estranho de chuva, mas sequer era inverno ou verão.

Ouvi algumas vozes e um grito de uma menina, corri involuntariamente e ao chegar na origem dos berros escandalosos, dei o soco no primeiro humano que vi pela frente. Era uma força que não era minha, uma força que nem quando brigava na rua conseguia ter.

Fitei o cara que estava ali deitado no chão e depois a pequena menina que estava chorando, não era Alice. Abaixei ate aquela menina loira de olhos extremamente claros e quando menos esperava, senti algo queimar em minha mao. Olhei para os meus dedos e eles estavam intactos, olhei a palma da mao e me surpreendi, era uma marca estranha, parecia de um tiro que havia recebido a decadas antes, porém, eu vi a pequena bala caida no chão, bem em direção a minha mao que estava proximo a garota.

Virei mais furioso e olhei atentamente a cara de espanto do homem encapuzado a minha frente.

–Suma daqui! — Berrei enquanto o seguia com a pequena menina no meu colo. Ouvi a policia se aproximar e uma mãe, com lágrimas de alegria por ter finalmente reencontrado sua filha. Entreguei a criança para a mae e sai ouvindo ao longe o muito obrigado dos policiais. Eu nao queria um obrigado, eu queria Alice, e não sei porque, eu tinha um amor por aquele criança desde o primeiro dia que a vi, eu queria cuidar dela, queria proteger contra tudo e todos.

A chuva foi aumentando e os raios foram ficando cada vez mais perto. Já eram quase 22h e nada de Alice, nada de pessoas nas ruas, apenas alguns adolescentes baderneiros. Eu queria ver Isa feliz e torcia para que ela tivesse encontrado Alice primeiro que eu.

Voltei para casa de Isa, abri a porta com cuidado e ouvi um som de choro.Andei silenciosamente até o quarto onde havia dormido e ela estava lá, de bruços quase gritando de desespero, eu não aguentei ver ela daquele jeito, meu coraçao fez uma rasgo que parecia que não iria se curar.

–Isa ... — Sussurrei em seu ouvido acariciando seus cabelos, me sentando ao lado dela. Após longos minutos de choro, Isa finalmente se virou para mim com os olhos extremamente inchados e se colocando de frente no meu colo, me abraçou como nunca antes. Ela pedia consolo, ela pedia amor, atençao e carinho ao mesmo tempo, ela queria ser amada, e eu estava disposto a ama-la pra sempre.

Separei ela do meu corpo e encostei nossas testas, dei um beijo rapido em sua bochecha mas Isa ficou a apenas alguns centimetros de distancia da minha boca, suspirei e fechei os olhos, um frio na barriga veio a tona, era como se eu tivesse voltado a 12 anos atrás, no nosso primeiro beijo, ela era tão linda e tão jovem, era a epoca em que eu nao tinha a abandonado e ela era ainda a minha pequena. Entao, nossos lábios se tocaram e lentamente, senti ela pressionar os meus e em seguida se aproximar do meu ouvido.

–Eu senti sua falta!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.