Living With The Death - O Começo
2 Tudo vem de algum lugar
Quando acordei fiquei sentada na cama, tudo estava escuro.
Ouvi passos no corredor.
Fiquei tensa.
Estiquei-me procurando algo que pudesse iluminar e fiquei contente quando meus dedos tocaram uma lanterna.
Eu a acendi e apontei para fora.
Um garoto que aparentava a minha idade estava parado em frente a porta da minha cela.
— Oi. – ele disse.
— Oi. – respondi.
— Você é nova aqui?
— Sim.
O garoto acendeu uma lanterna em meu rosto.
— Estamos indo jantar agora. Você vem conosco?
— Sim. – respondi.
Estava faminta.
Levantei-me e abri a porta da cela.
— Eu sou Carl.
— Oi, Carl. Eu sou Ally. – estendi a mão e ele a apertou.
Segui Carl até um grande pavilhão a céu aberto.
Era mal iluminado, mas muito mais iluminado do que o bloco de celas.
Várias pessoas comiam à mesa.
— Vem cá. – Carl disse, me levando até uma segunda mesa.
Maggie acenou e sorriu quando me viu.
— Hey, Ally. Como você está? – ela perguntou.
— Bem melhor. – respondi. – E faminta. – completei.
— Temos um prato pra você aqui, sweet. Obrigada por chama-la, Carl.
Sentei-me ao lado de Maggie e jantei junto com ela, Glenn, a garota loira chamada Beth, Carl, Rick, um senhor de idade que eu descobri se chamar Hershel, um cara de pele escura que parecia um muro, mas era super legal, chamado Tyreese, sua namorada Karen e sua irmã Sasha, um cara que não falava, ele tinha cabelos um pouco grandes e seu rosto estava todo sujo, ele usava um colete surrado e jeans rasgados e uma moça de olhos azuis e cabelo curto, chamada Carol.
As outras pessoas comiam em outras mesas.
— Ally, você tem alguma arma com você? – Rick perguntou.
— Não senhor. Eu não tenho nenhuma arma.
Ele olhou para Maggie.
— A mochila dela só tem roupas e umas barrinhas de cereal.
Ele assentiu.
— Sabe atirar, Ally? – Carol perguntou.
— Não. – gaguejei.
Eu sabia?
Bem, achava que não.
Depois de algum tempo conversando, Beth e eu saímos para que ela me apresentasse toda a prisão.
Tanto o lugar quanto as pessoas.
O cara estranho que não falava era Daryl. Ele era um dos membros do conselho.
Beth e eu caminhamos por toda a prisão naquela noite e eu vi os mordedores agarrados às cercas.
— Eles estão sempre aí? Os mordedores?
— Você os chama assim?
Eu assenti.
— Nós os chamamos de walkers .E sim, estão sempre aqui.
— Como todos aqui conseguem dormir?
— Há sempre turnos para tira-los daí quando começam a apresentar ameaças. Maggie, Tyreese, todos ajudam a tira-los. Todo mundo tem uma função.
— Qual é a sua?
— Estar sempre pronta pra ajudar todo mundo. Eu cuido da Judith.
— Quem é Judith?
— É a irmãzinha de Carl. Ela tem alguns meses, eu não sei. Ainda não fala e não anda, mas não temos nenhuma noção do tempo, então... Eu não sei qual é sua idade.
— E o que eu farei aqui?
— Não sei. Vamos, está tarde, venha conhecer a Judith.
Segui Beth até sua cela, onde encontramos Judith dormindo em um pequeno berço.
Ela acordou assim que chegamos e começou a chorar.
— Estou tão cansada, Judi. Como você está? O que foi?
Ela não parava de chorar.
— Beth, tudo bem, eu posso cuidar dela.
— Mesmo?
— Sim, tudo bem.
— Obrigada, eu vou preparar uma mamadeira para ela.
Acalmei Judith e ela ficou em meu colo puxando meus cabelos até que Beth me entregasse a mamadeira.
— Eu posso cuidar dela essa noite. Não estou cansada, vá dormir.
Beth assentiu e dormiu logo em seguida.
Alimentei Judith (isso quer dizer: fui um pouco babada e molhada de leite) e depois fomos para a minha cela, que ficava ao lado.
Ela chorou durante algum tempo, mas depois consegui fazer com que ela dormisse em meu colo, e adormeci em seguida, sentada.
***
Acordei na manhã seguinte com passos no corredor em frente à cela.
— Bom dia. – Carl disse, abrindo o portão. – Ei, Judi, vim te buscar.
— Ela está dormindo.
— Você cuidou dela?
— Sim.
— O que houve com a Beth?
— Estava cansada.
Carl assentiu.
— Bem... Venha tomar café com todos, traga a Judi.
— Okay.
Eu assenti e Carl saiu da cela.
Acordei Judith, que chorou um pouco, mas ficou animada depois que eu troquei de roupa e peguei uma roupa limpa pra ela na cela da Beth.
Fui até o pavilhão com Judith no colo e algumas pessoas já estavam tomando café.
— Hey, Ally! – Rick balançou a mão para mim.
Eu me aproximei e ele pegou Judith do meu colo, que ficou feliz por estar com ele.
— Obrigado por cuidar dela essa noite.
— Sim, tudo bem.
Sentei-me junto aos outros para tomarmos café, o que foi muito rápido.
— Ei, Ally, gostaria de nos ajudar com a plantação? – Rick disse.
— Sim.
— Ok, venha conosco.
Rick, Carl e eu fomos até a área de plantação.
— Carl colocará essas sementes no solo, tudo que precisa fazer é rega-las um pouco, tudo bem? Vou estar colhendo as outras coisas.
Eu assenti e Rick entregou-me o regador.
— De onde você é, Ally?
— Eu não sou daqui.
— Seja lá de onde veio... Você acha que essas coisas aconteceram por lá?
— Sim. Em todo o mundo. Ou estariam nos ajudando.
Carl assentiu.
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