Living

5 Capítulo 4


Notas iniciais
Eu sei que eu demorei demais, mil desculpas!!! Mesmo agora com as féria escolares, não tenho muito tempo; depois que você começa a trabalhar a correria nunca mais acaba! Mas enfim, consegui arrumar um tempinho pra terminar capítulo que eu já tinha começado; mas antes, quero agradecer muito a todas as leitoras que ainda tem paciência comigo e continuam lendo Living: Muito Obrigada Mesmo! E, mesmo sem merecer, espero o comentário de vocês... ok? Boa Leitura!

CAPÍTULO 4

Ajudei Elliot a ir até a sala de jantar, escoltando-o enquanto ele seguia mancando com as muletas na minha frente.

A mesa já estava posta quando chegamos, várias caçarolas fumegantes dispostas em sua superfície plana. Sentamo-nos – eu ao lado dele, enquanto os outros pensionistas e a Sra. Croollyn ocupavam os outros assentos. O início do jantar foi extremamente silencioso – todos nos servimos dos diversos tipos de comida que havia; eu enchi meu prato com carne assada e salada e, enquanto devorava tudo, percebi o quanto estava com fome.

Por fim, a Sra. Croollyn resolveu quebrar o silêncio reconfortante.

– Então Srta. Bennet, como vão as coisas no se emprego? – perguntou ela, fazendo todos me olharem.

– Vão muito bem, obrigada. – tentei escapar.

– E a Senhorita é professora de luta, não é?

– Sim. Dou aulas de Muay Thai. – falei e abaixei a cabeça, dando a entender que estava concentrada em minha comida.

– Hmm. – murmurou e então se virou para Elliot. – E você Sr. Jones? Quando volta ao trabalho?

Pelo canto do olho, vi que Elliot apertou os lábios reprimindo uma risada debochada e respirou fundo para se recompor antes de responder.

– Provavelmente na semana que vem. Meu pé já está bem melhor agora e... Acho que já posso trabalhar. Além disso, estou pensando em começar a fazer aulas com a Srta. Bennet. Depois daquele assalto, acho que é o melhor a se fazer. – ele acrescentou essa última parte em um tom sutilmente sarcástico.

Eu tossi para disfarçar uma risada.

A Sra. Croollyn nos fitou, ambos, por alguns segundos – analisando-nos minuciosamente – e depois de um momento, voltou-se para seu jantar com um sorriso satisfeito nos lábios. Não entendi sua expressão, mas não fiz nenhum comentário.

***

– Eu realmente não sei o que ela está pensando... – comentei com Elliot, enquanto o ajudava a chegar ao seu quarto.

Eu certamente havia quebrado a minha promessa aqui – eu tinha dito que apenas os acompanharia no jantar e iria para o meu quarto dormir; mas então veio a sobremesa, um jogo de cartas que Camilla inventou... E por fim a Sra. Crollyn insistiu para que eu acompanhasse Elliot até o quarto dele.

– Eu sei. – disse ele e eu parei de andar para olhá-lo com curiosidade. – Casamento! – esclareceu. Eu revirei os olhos, mas acabei rindo.

Chegamos enfim à porta do seu quarto, a qual ele abriu, com dificuldade e ajudei-o a entrar e sentar na cama.

– Pronto, está entregue. – falei. – Eu já vou indo. – virei-me no intuito de ir embora.

– Espera! Sarah! – ele chamou e eu me virei de má vontade.

– O que foi Elliot? Eu já fiz mais do que havia prometido! – falei exasperada.- O que quer agora? Quer que eu lhe dê um banho? – arqueei uma sobrancelha.

– Até que não seria uma má ideia... – falou ele, pensativo.

– Ah, por favor!

Ele riu.

– Brincadeira, é que... eu queria te fazer uma pergunta.

– Que pergunta? – perguntei brincando.

– Eu... – ele suspirou e ficou sério de repente. – e só acho que teve alguma coisa estranha aquele dia.

– Como assim? Do que está falando?

– O dia em que aqueles caras me atacaram. – ele pareceu hesitar por alguns segundos — Mesmo você sendo boa em luta, é difícil imaginar como conseguiu acabar com eles sozinha.– ele me olhou, como se para checar se tinha me ofendido. – Bom, sem querer ofender, você é uma garota e lutou sozinha e eles eram três... E você parece frágil para tal coisa.

Arqueei uma sobrancelha de descrença. É claro que eu sabia que ele tinha razão; não era possível uma garota normal, por mais treinamento que tivesse, acabar com três caras, daquele tamanho sozinha. Mas ele não podia saber sobre a “ajudinha extra” que eu tive; do meu dom como o Tio Jerry chama. Então decidi demonstrar irritação para tentar mascarar a verdade: eu fingiria que estava ofendida com a sua incredulidade para comigo; pois querendo ou não, ele estava subestimando minha força.

– Está dizendo que não tenho capacidade para tal coisa?

– Não é isso, Sarah, é que... – ele sacudiu a cabeça. – eu estava um pouco inconsciente quando tudo aconteceu, eu só... queria saber.

Não consegui manter a fingimento por muito tempo, eu não era muito boa em atuar.

– Não tenho que lhe dar explicações, Elliot! – eu me virei e quase corri para segurar a maçaneta da porta.

– Espera! – ele gritou.

– O que? – respondi, a invés de ignorá-lo e ir embora como deveria fazer.

– Só quero agradecer pela companhia hoje no jantar.

– Espero que tenha aproveitado muito, pois essa foi a primeira e ultima vez. – e então escancarei a porta e corri para o meu quarto, me jogando na cama e soltando um longo suspiro.

Não, eu não podia ser amiga dele, ou ele poderia acabar descobrindo algo. É mais do que óbvio que não podemos ficar espalhando para os outros nossas habilidades extras – o caso de Dorothea com Lorena foi a prova viva disso; e depois da pergunta de Elliot, percebi que ele é mais observador do que eu tinha me dado conta. E ele não podia saber, não quando eu pretendia ir embora logo, isso me exporia a um risco desnecessário. É por isso que eu me concentro quase sempre em afastar as pessoas normais: precaução.

Depois de um longo momento de devaneio, levantei-me da cama e rumei para o banheiro, tomando um banho quente e demorado. Assim que terminei sequei-me com minha toalha branca e macia – a qual eu havia trazido da Academia de Não-Humanos e que tinha cheiro de casa para mim — e coloquei um moletom azul marinho confortável e uma camiseta branca. Peguei meu laptop e me sentei na cama enquanto olhava minha caixa de entrada no e-mail. Havia vários e-mails que eu nãohavia lido e nem respondido – outros que eu nem mesmo responderia; porém me surpreendi com um em especial. Nele estava escrito:

Sarah,

Sei que não gosta muito de mim, sei que tem um pouco de mágoa até; mas peço que leia esse e-mail até o final, pois não veio tratar dos nossos sentimentos não tão agradáveis uma pela outra, venho tratar de outra coisa.

Primeiramente eu queria lhe falar sobre os fatos que ocorreram aqui na Academia de Não-Humanos desde a sua ausência. Bom, basicamente, seu tio, Jerry, ficou chateado e frustrado. Ele ainda não entende o que a fez tomar tal decisão e ninguém quis contar realmente, talvez seja algo que você não queira que ele saiba? Enfim, Kiara agora virou treinadora de luta. Quem diria, não? Ela está realmente satisfeita com isso. Josh, apesar de estar extremamente chateado com você, – mas acho que isso você já sabe, ele ligou para você, não foi? – está... gostando da Taylor, acho até que ele já superou a Chloe. E Nathan... Bom, ele sente sua falta apesar de tudo, você era a melhor amiga dele afinal e, essa é uma das razões pela qual estou entrando em contato com você. Nathan está preocupado e Josh se recusa a dar qualquer informação sobre o telefonema de vocês. Sei que eu seria a última pessoa para a qual você passaria informações sobre como você está ultimamente, mas peço-lhe que leve em conta os últimos dias em que nos vimos: sei que não nos odiávamos lá. E quero também que leve em conta seu melhor amigo que está preocupado com você.

E antes de me despedir, gostaria de dizer-lhe que estou cumprindo minha promessa: Continuo amando-o e fazendo-o feliz, porém a felicidade dele só será completa se você conseguir tirar essa preocupação e culpa das costas dele.

Ass. Lorena

S. Ficaria muito grata se me respondesse.

Pronto! E em menos de três minutos de leitura, ela conseguira trazer todos os fantasmas que eu queria deixar para trás, de volta. Era muito egoísmo da parte dela me mandar um e-mail assim, praticamente tirando a culpa de todos e as colocando em minhas costas. Sim, eu os estava fazendo sofrer e sim, eu me sentia culpada por isso, mas eu tentava esquecer na maior parte do tempo. Mas ela trouxera tudo a tona novamente. E confesso que saber que Nathan não esquecera da minha existência me deixava feliz, embora não fosse como eu queria.

– Ah, Sarah... Você tem que tirar esse garoto da sua cabeça! – falei e então fechei o laptop e peguei minha bolsa e a chave do carro. Eu precisava treinar para esquecer.

Notas finais
E então...?