Living

28 Capítulo 22


Notas iniciais
Demorei, mas estou de volta com pouquinho mais de suspense! Boa leitura!!

Capítulo 22

– Isso é indiscutivelmente mentira. – falei, a voz saindo sem emoção alguma devido ao choque. – Lembro-me da minha mãe. Katie Bennet Young. Ela morreu no mesmo acidente de carro que fez meus poderes se revelarem, ela... Está morta. – balbuciei.

– Sarah, querida. – disse meu tio tentando tranquilizar-me. – Katie realmente está morta. Mas ela não é sua mãe biológica.

– Quem me garante? Tínhamos o mesmo tipo sanguíneo... – argumentei, recordando-me da aula de tipagem sanguínea no ensino médio.

– Ela era sua tia. – tio Jerry esclareceu.

– Eu não acredito. – respondi, a voz baixa e dissimulada.

– Por que acha que seu nome é Sarah Bennet somente, e não Sarah Bennet Young? – interveio Dorothea com a expressão debochada característica dela.

– Eu não sei. – respondi. – Todavia, tenho absoluta certeza de que não é por comprovação dessa história absurda que estão tentando me fazer acreditar.

– Eu não teria tanta certeza em seu lugar, filha. – provocou-me. – Quando engravidei de você, eu estava presa em um reformatório. Um dez vezes pior do que o que eu dirijo agora; uma criança jamais sobreviveria à um lugar como aquele. Então decidi te colocar para a adoção...

– Como se eu fosse acreditar em uma bobagem desta! – gritei. – Saiam daqui.

– Não até você saber a história toda, garota. – disse Dorothea, parecendo realmente irritada. – Eu sou sua mãe biológica. Aceite. Katie apenas a adotou, pois jamais permitiria que a sobrinha fosse levada a uma casa de desconhecidos, principalmente quando imaginava que a mesma poderia nascer com os mesmos dons da mãe.

Permaneci calada, com a mandíbula trincada enquanto esperava para ver até onde eles chegariam com aquilo, pois não fazia sentido algum. Senti uma mão se aproximar da minha e dedos entrelaçarem-se aos meus. Era Elliot; ele me fitava com uma preocupação explícita no olhar. Fitei seus olhos por tempo o suficiente para mostrar que eu estava devidamente controlada e logo em seguida voltei meu olhar genérico para a loura em minha frente, incitando-a a prosseguir com a leva de mentiras.

– Ela diz a verdade, Sarah. – intercedeu tio Jerry. – Katie e eu sabíamos por experiência própria que parentes podem ou não nascer com dons similares, ou até idênticos. Raros são os casos em que esses têm poderes completamente opostos. O caso de vocês é raro. Mãe e filha, ambas com dons peculiares e completamente distintos, antônimos. Enquanto Dorothea destrói, você preserva. Fascinante!

– Eu não quero saber a relação científica entre o meu dom e o dessa psicopata! – gritei. – Tio, como posso acreditar nisso?

– É simples Sarah, Dorothea é sua mãe e minha irmã caçula. Katie e eu sempre a protegemos de tudo por ser mais nova, talvez isso tenha feito-a tronar-se esse monstro que é hoje.

– Com licença! – interrompeu-o. – Não é só por que é meu irmão que eu desisti de te matar. Deveria ter mais respeito.

– Quem é você para falar de respeito? – meu tio arqueou uma sobrancelha antes de voltar a ignorá-la. – Katie decidiu deixar seu nome desta forma, pois sentia que estaria traindo a irmã caso te tomasse como filha. Mas ela não pode deixa-la nas mãos de estranhos.

– Isso não faz sentido! Nada disso faz! – revoltei-me. – Meus. Pais. Estão. Mortos. E ela – falei, tomando o cuidado de expor toda a repulsa que eu sentia por Dorothea na voz, enquanto gesticulava em sua direção com o queixo. – jamais seria...

– Mas ela é. – interrompeu-me tio Jerry. – Queira sentar-se e ouvir a história toda.

– Eu não... – tentei contestar.

– Sente-se. – disse.

Com um suspiro pesado, caminhei relutante até a beirada da cama, rebocando Elliot comigo, uma vez que estávamos de mãos dadas e sentei-me.

– Pronto, tio, já estou sentada. – provoquei. – Você e a psicopata já podem continuar com as mentiras.

– Obrigado, Sarah. – disse ele, ignorando meu comentário anterior. – Queira fazer as honras Dorothea.

– E como iremos acreditar nela? – questionou Nathan que até agora havia se mantido em silêncio, apenas lançando olhares homicidas à Dorothea, enquanto mantinha Lorena ligeiramente atrás de si. O ferimento da bala em sua clavícula ainda estava aberto, mas ele parecia não estar ligando muito para isso, como se a dor não estivesse incomodando-o. Mas, conhecendo Nathan como eu conhecia, ele poderia muito bem estar fingindo, ele odiava parecer fraco.

– Sugiro que todos permaneçam em silêncio. – recomendou tio Jerry. – E você, Nate, é melhor cuidar desse ferimento em seu braço. Lorena, leve-o até o porão.

– Ninguém sai. – interferiu Dorothea. – Não, até que eu diga.

– Dorothea, ele está ferido. – gritou meu tio em resposta. – Pare com isso, e deixe-o tratar o ferimento.

– Está em desvantagem aqui, Jerry, não pode exigir coisa alguma. – disse, aproximando-se ligeiramente do meu tio e encarando-o com um olhar ameaçador. Meu tio fixou seu olhar, até notar que ela não cederia. – Enfim, querida – começou a psicopata, dirigindo-se à mim. – tudo teve inicio em um reformatório, um pouquinho pior do que o que você conheceu aqui em Oregon. Eu havia cometido um crime aos dezesseis anos e fora mandada para lá, onde conheci Thomas. – ela sorriu brevemente. – Seu pai, querida. – eu a fitava com a repulsa explícita em minhas feições. – Enfim, não demorou muito para que eu engravidasse e, quando os superiores do reformatório descobriram, ele foi transferido. Mas tarde soube que ele havia sido assassinado no reformatório para onde foi levado, no Maine. – ela riu, amarga. – Recebi a notícia poucas semanas antes de dar a luz á você, e foi aí que soube que jamais poderia ficar com você. No mesmo dia, comuniquei os donos do reformatório que gostaria de coloca-la para a adoção.

“Eles não contestaram, mas seus tios, Jerry e Katie, odiaram a ideia; diziam que a pior coisa que eu poderia fazer era deixá-la longe de mim, principalmente pelo fato de que você tinha grandes chances de ser como eu. Porém eu não desisti, não poderia amá-la, principalmente com Thomas morto. Só havia espaço para o ódio em mim, naquela época. Ainda é assim. Os seres humanos são sádicos e eu me tornei tal como todos.”

– Há exceções, Dorothea. – assinalou Josh.

– Não, não há. – discordou veemente. – E após dar a luz a você Sarah, entreguei-a para a assistente social, jamais imaginaria que Katie a adotaria. Apesar que deveria ter imaginado, ele sempre foi a melhor de nós três. – Dorothea lançou um olhar de esguelha para tio Jerry, o qual baixou o olhar envergonhado, parecendo consentir.

– Sempre foi, Dorothea.

– Então, quer dizer que, vocês estão tentando me convencer que eu sou filha da psicopata, nasci em um reformatório, fui mandada para a adoção e adotada pela minha tia e... Não. Devem saber que só acredito se provarem.

– Não temos como provar. – falou Dorothea.

– Sim, nós temos. – discordou meu tio, estendendo um envelope branco e me entregando.

– O que é isto?

– Assim que Katie conseguiu sua guarda, ela mandou fazer esse exame de DNA. Ela pretendia contar à você um dia. – estreitei os olhos diante desse fato. – Abra. – incentivou-me.

Suspirei e olhei para Elliot, pedindo ajuda. Diante dos relatos, porém sem provas concretas, eu poderia permanecer irredutível o quanto quisesse. Mas se neste exame, ainda lacrado, estivesse escrito algo que comprovasse a história, eu teria que encarar a verdade. Quer ela fosse favorável, quer não.

Notas finais
E aí, o que acharam?