Live Forever

1 Aquele com relatos de verão e novos começos


Notas iniciais
Olá! Essa é minha primeira fic marauders era, espero que gostem. Meu nome é Izzy e vocês podem me encontrar também no twitter @deerprongs e no tumblr oh-prongs. Obri ♥

O verão antes do sexto ano foi diferente para todos os estudantes de Hogwarts, principalmente para o nosso pequeno grupo.

James Potter passou o tempo com seu melhor amigo Sirius ao redor de Manchester, onde ele mora, fazendo e planejando coisas para o ano seguinte. As coisas em casa andavam bem e o que, quando era mais novo, costumavam ser verões com a casa vazia, tornaram-se algo mais agradável: James teve seus pais mais presentes no último verão e neste. Seus pais, Euphemia e Fleamont, já não eram tão mais jovens — haviam tido seu amado James numa idade mais avançada — e estavam na idade de se aposentar. Fleamont Potter era dono da empresa Poções de Cabelo Sleekeazy. Era um negócio bastante lucrativo, que o Sr. Potter planejava/lidava desde adolescente. O mais irônico, porém, era que James possuía os cabelos mais rebeldes já vistos em toda Hogwarts. Não era exatamente de propósito, afinal, os primeiros experimentos de Fleamont foram no próprio cabelo rebelde, portanto era uma herança familiar e parte do charme Potter. Fleamont já não ia tanto a empresa, pois possuía os negócios em ordem, mas de vez em quando era convocado à algumas reuniões. A mãe de James, por outro lado, trabalhava como chefe do Departamento de Aurores, portanto se ausentava mais que o marido, mas não tanto para ser considerada ausente. A maior felicidade de James, porém, era a presença dos melhores amigos na Mansão Potter nas tardes mais tediosas.

Sirius Black passou boa parte do seu verão irritando-se com seus pais e seus ideais elitistas. Sempre foram orgulhosos e arrogantes demais quando o assunto era pureza no sangue. Ultimamente, porém, as coisas haviam mudado para pior. Não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas reuniões tomavam lugar na Antiga Mansão dos Black com muita frequência, que contavam com a presença de alguns odiosos parentes e um bando de gente desconhecida. Entravam à tarde e ficavam para o jantar e o rigoroso pai de Sirius, Orion, costumava sair de tais com um sorriso satisfeito. Desde então, a pressão sobre o único grifinório da família era enorme… E os castigos também. As discussões eram mais frequentes, os gritos da mãe mais altos e as provocações do garoto não eram poucas. A principal fonte da sua revolta naquele verão, era que, juntamente com a sua agradável prima Bellatrix — recém casada com Rodolphus Lestrange — seus pais haviam feito uma lavagem cerebral em Regulus, seu irmão mais novo. O garoto era dois anos mais novo e sempre havia seguido Sirius por todo o lado e o levava como um ídolo. O problema é que faltava a Regulus o fator de rebeldia que sobrava em Sirius, pois era tentado à ter a aprovação dos pais. Assim que souberam que haviam falhado com Sirius, Walburga e Orion colocaram todas suas expectativas no filho mais novo, que, por enquanto, havia feito o mínimo esperado: ser selecionado para a Sonserina. Ultimamente, porém, aquilo não parecia ser suficiente. Os pais procuravam manter o mais novo afastado de Sirius e o menino havia feito parte de uma das reuniões. Aquilo fora demais para Black, que agora constantemente escapava para a casa do melhor amigo James.

Remus Lupin ficou o verão todo ajudando sua mãe Hope, tarefa a qual não via problema nenhum em fazer. Era muito novo quando foi mordido por Fenrir Greyback e tinha a total consciência de que havia mudado o estilo de vida dos pais em cem por cento. Desde que conseguiu entender a situação, Remus sente-se culpado. Culpado por ter privado tanto os pais e por ter feito-os abdicar muito apenas para poder criá-lo. Era extremamente grato por tudo que faziam por ele e se via na obrigação de tentar recompensá-los por tal. Nos verões, procurava passar a maior parte do tempo ajudando a mãe na casa e trabalhando um pouco na loja de conveniências trouxa que havia ali por perto. Seu pai trabalhava de dia e retornava para casa à noite, período no qual estava sempre disposto a dedicar seu tempo à família. Remus amava seus pais mais que tudo, mas sabia que quanto mais ele crescia, mais se tornava um peso para eles, pois a força do lobo crescia junto e os reforços no galpão atrás da casa — que agora mais parecia uma prisão — eram cada vez mais frequentes. Era por isso que trabalhava: pretendia mudar-se o quanto antes da casa dos pais. Estes mal sabiam dos planos do garoto, pois Remus tinha certeza de que seriam totalmente contra. A partir do momento que completa-se 17 anos, porém, o garoto sabia que eles não teriam muito o que fazer para impedi-lo.

Petter Pettigrew teve um verão difícil, apesar de ter escrito cartas para os amigos dizendo que estava tudo ótimo. Queria dividir com os amigos o que estava passando, mas não queria incomodá-los, bem como não sentia-se confortável com o fato de alguém sabendo de tal. O menino mora com a mãe numa pequena casa em Salisbury, na Inglaterra, e desde então teve verões calmos. A mãe Helen trabalha no Ministério da Magia, no Departamento de Regulação e Controle de Criaturas Mágicas e estava constantemente em função do trabalho. Não que fosse uma péssima mãe, mas não dava a atenção que Peter sempre quis quando mais novo. Veja bem, o menino não conhecia o pai e tudo o que possuía dele era um nome: George Hall. Sua mãe não gostava de mencioná-lo e tudo o que havia dito era que este era um trouxa e que o menino lhe havia herdado seus olhos aguados e cabelo loiro. Naturalmente que o pequeno Pettigrew tinha suas curiosidades, mas nunca buscou o pai. Em dezesseis anos de existência, George Hall nunca havia os procurado e Peter pensava que se o pai não os queria, então isso era com ele. E estava bem com isso, até que Helen foi machucada durante o trabalho. Helen Pettigrew trabalhava no setor de feras em seu departamento e estava acostumada com isso, mas nesse dia ela havia ido investigar uma possível nova espécime com alguns colegas ao invés de ficar trancada no escritório cuidando das classificações e trabalho rotineiro. E isso acabou dando muito errado. Peter ia visitá-la no St. Mungus todos os dias. Estava há duas semanas de cama, com sérias lesões em todo o corpo com presença de sequelas; não havia previsão de recuperação. O filho praticamente morava no hospital, pois não havia nenhum familiar a quem recorrer. E foi então que George Hall fez falta pela primeira vez.

Para Dorcas Meadowes, esse verão não foi tão diferente quanto todos os outros que já havia tido. A garota morava com sua avó, a quem ela realmente amava e não podia mais suportar a ideia de deixá-la sustentar suas loucuras adolescentes, não mais. Desde que seus pais morreram quando tinha oito anos, Louisa Davis criou-a como sua própria filha e cuidou para que nada nunca tivesse faltado em sua vida. Kenneth Meadowes, seu falecido pai, veio de uma família predominantemente trouxa, apesar de diversos familiares terem comparecido à Hogwarts. Sua mãe, Isabella Davis, era nascida trouxa e a mãe dela, sua avó Louisa, era o mais próximo que possuía dela. Dorcas não era chegada nos parentes de distante grau na família do pai, portanto preferiu muito ficar com a avó materna, mesmo que isso quisesse dizer que ficaria no mundo trouxa. Doe amava sua avó e era grata por tudo que ela havia feito, mas reconhecia que estava na hora de ter um dinheiro independente. Por este motivo, havia arranjado um emprego na loja de vinil da rua de trás. Doe não via problema algum em fazer o trabalho, que consistia basicamente em responder perguntas sobre os discos, reorganizá-los no final do dia e ficar por ali. Além do que, ela ganhava 50% de desconto em qualquer um. Nesse meio tempo, costumava responder as cartas das amigas. Dorcas morava em Londres, a qual costumava ser bastante movimentada o tempo todo, mas sem as amigas não era tão interessante. Mary era a única que morava na cidade, mas havia viajado; Marlene morava em Manchester, mas possuía meios mágicos para chegar até ela, então a visitou algumas vezes; e Lily morava em Cokeworth, um tanto longe da capital, o que dificultava os encontros. Usualmente, as meninas se reuniam na casa de Mary por duas semanas e aprontavam pela Londres trouxa. Com a ausência da garota, porém, elas haviam sossegado em seu canto. Dorcas gostava da tranquilidade das férias, mas sentia falta de Hogwarts, onde ela sabia que realmente pertencia. Amava sua avó, mas ficar confinada no mundo dos trouxas era entediante.

Mary MacDonald não poderia ter tido um verão melhor. Obviamente ela adorava passar os seus verões com as amigas na Londres trouxa, inventando sempre algo novo para fazer e confeccionando identidades trouxas falsas para contrabandear bebidas trouxas; mas aquele ano os pais haviam proposto uma viagem familiar prolongada e ela aceitara. Doía-lhe deixar um verão de aventuras para trás, mas não podia deixar de admitir que a troca era um tanto quanto justa. Já estava no final do verão e a garota já tinha visitado a França, Itália, Bélgica, Suíça, Alemanha e Holanda. O pai de Mary era Magnus MacDonald, era advogado do mundo bruxo e liderava uma campanha, lá nos anos 60, para a volta do Creathoceann (Rachacrânio), um dos esportes mais perigosos do mundo bruxo, banido em 1762 devido à violência. As gerações anteriores ao pai eram fascinados no jogo, o que o motivou e influenciou a começar a campanha. A mãe, Katherine Morgan, é uma bruxa nascida trouxa, que conquista seu espaço como escritora tanto no mundo bruxo como no trouxa. Apesar de ter crescido no meio bruxo, Mary gostava de se ater à alguns hábitos trouxas e o mais forte destes era a fotografia. Adorava fotografar tudo: desde as amigas, até viagens e dias bonitos. Então aquele verão tinha sido uma grande inspiração para a menina nesse sentido e mal podia esperar para mostrar o resultado às meninas.

Marlene McKinnon, por outro lado, nunca passou sequer um verão entediada. Essa era uma das vantagens de se ter uma grande família. Seus irmãos mais velhos estavam sempre por perto e risada e brincadeiras eram sempre garantia na casa dos McKinnon. Além disso, a família possuía um novo membro: Maximilian, sobrinho da garota. No próprio minuto em que o viu, a garota o amou. Quer dizer, Marlene nunca foi do tipo de expressar seus sentimentos e ser toda grudenta e amorzinho. Como poderia ela, tendo crescido numa casa com quatro garotos e sendo, ainda por cima, a mais nova? Não, ela nunca pode sentir-se fraca ou ser delicada. Ela cresceu durona, raramente demonstrando seus sentimentos reais e com seu ótimo sarcasmo e bom-humor sempre presentes em qualquer que fosse a situação. Vendo aquele par de olhos azuis e pequenas mãos, porém, a fez derreter. A loira passou a maior parte de seus dias na casa do irmão Michael ajudando a cunhada Lisa com a pós-maternidade. E ela amou cada segundo, algo que nunca admitiria em voz alta.

Enquanto Marlene não estava ocupada com seu sobrinho, estava na companhia de James, seu melhor amigo. Eles se conheciam desde muito pequenos e costumavam sempre brincar quando crianças. Os McKinnon, bem como os Potter, eram o tipo de família que repudiava a teoria elitista e puro-sangue. Isso, com o fato de terem alguns membros compartilhados — algo comum entre as famílias de sangue puro na Inglaterra — fez com que ambas famílias acabassem criando uma grande amizade. Marlene gostou de James no minuto em que foram colocados para brincar juntos e a amizade continuava desde então: ele a ensinou Quadribol, ensinou-a a voar e a protegia a todo custo.

Não foi surpresa portanto, ver-se esgotada num final de tarde, jogada em um dos diversos sofás da Mansão Potter. Marlene almejava fazer parte do time de Quadribol da Grifinória naquele ano e James estava ajudando-a com isso naquele verão. Effy, mãe de James e praticamente sua segunda mãe, havia a convidado para jantar e James basicamente forçou-a a permanecer lá por aquela noite. Cansada de treinar, a menina dormia profundamente quando ouvira um som. Não era alto suficiente para acordar a casa inteira, mas sim o suficiente para acordá-la, já que tinha sono leve. Sentou-se na cama e esfregou os olhos, aguçando a audição para ver se identificava o barulho. Vinha lá de baixo e Marlene logo pôs-se de pé para investigação. Descartou imediatamente a possibilidade de alguém ter entrado indesejadamente na casa: era altamente protegida com os mais sofisticados feitiços, cortesia da Chefe do Departamento de Aurores, Euphemia Potter. Apesar disso, o barulho havia a perturbado e, portanto, desejava conhecer sua origem. Nunca, em mil anos, Marlene McKinnon achou que encontraria o que estava diante de si. Logo desejou nunca ter pulado da cama.

Sirius Black estava lá. Não o Black de sempre, porém, aquele com o qual a garota sempre tinha passageiras brigas e implicâncias. Não, esse Black parecia ter sumido comparado ao que a loira encontrara no hall de entrada dos Potter: um Sirius Black batido, cheio de hematomas, com terríveis cortes e o sorriso brincalhão, bem como o brilho de seus olhos sempre prontos para mais uma confusão, havia sumido. O coração de Marlene apertou-se e seu primeiro instinto foi tentar ajudá-lo. Marcus, um dos irmãos dela e que trabalhava como curandeiro no St. Mungus havia ensinado-lhe primeiros socorros, o que não a ajudou muito no momento. A garota sabia, porém, que Effy guardava um pequeno kit de emergência trouxa caso os que ainda não pudessem conjurar magia fora da escola utilizassem caso precisassem. E, Merlin, como Sirius estava precisando. Marlene retornara até o garoto e agora tentava cobrir seus cortes.

— Outch! Não… — Sirius reclamou, provavelmente de dor. — McKinnon, não. Apenas… Só traga o James. Acorde-o. — ele pediu.

— Pelo amor de Merlin, Black, você está horrivelmente machucado. Eu não vou te deixar sozinho aqui. James não pode consertar muito mais do que eu… — argumentou, mas o outro não deixou-a terminar.

— Marlene, só acorde James. Por favor. — implorou. Ela sentiu no pedido o quanto ele precisava do melhor amigo, portanto subiu os dois lances de escada o mais rápido que pode até o quarto de James para acordá-lo. Tarefa a qual não era nada fácil, pois o garoto dormia igual uma pedra. Quando ele finalmente despertou, parecia um pouco irritado.

— Marley, que porra é essa? O que você tá fazendo acordada? — perguntou irritado. A loira nem fez seu comentário de “e o prêmio de mais mau humorado vai para…”, porque não havia tempo. Balançou a cabeça.

— James, levanta sua bundinha de jogador de Quadribol imediatamente dessa cama! Seu melhor amigo está no andar de baixo. Ele… Não está nada bem. Ele está machucado, James, e eu tentei fazer algo para ajudar, mas ele não quis. Ele só queria que eu viesse aqui chamar você. Por favor, faça alguma coisa… — implorou ela. Nunca fora tão próxima de Sirius. Ele estava sempre por perto, é claro, mas eles nunca foram amigos próximos. Constantemente eles costumavam trocar xingamentos e frases irritantes; ela fazia comentários infames sobre o gosto dele para mulheres e ele irritava os caras com quem ela saía; ambos faziam planos contra James, mas era isso. Marlene não fazia ideia do que acontecia na vida de Sirius, no que ele pensava, o que ele queria. Naquele momento, porém, ela sentiu medo por ele. Que merda havia acontecido com ele para deixá-lo naquele estado? James pulou da cama, desesperado, e correu para fora do quarto. Marlene seguiu-o com alguns segundos de atraso.

No andar de baixo, assim que Marlene alcançou-o, James já estava tomando providências para ajudar o amigo. Ela assistiu-os de perto e ajudou o melhor amigo a carregar Black escada acima até seu quarto, que era próximo do amigo e do dela mesma. James requisitou ajuda de uma dos elfos da casa: Jill, a mais antiga e de grande confiança da família. Ela curou os machucados e Marlene prestou assistência. Enquanto James ajudava o melhor amigo a tomar banho, a garota sentava-se preocupada na cozinha e encarava Jill preparando chá.

— Não se preocupe, Srta. McKinnon, o Sr. Black ficará bem. Ele é um garoto forte. — disse a velha elfa, tentando consolá-la. Ela agradeceu com um sorriso e insistiu em levar a xícara de chá até o quarto de Sirius. A garota sabia que ele talvez nem tocasse a bebida, mas apenas o calor da xícara é capaz de acalmar qualquer um. Costumava funcionar com ela, pelo menos.

Quando chegou no quarto, Sirius estava aparentemente adormecido em sua cama. James observava-o de uma poltrona próxima. Sorriu fraco ao ver Marlene adentrar o cômodo.

— Que fofa, Marls, mas ele já caiu no sono. Não que isso seja um problema. — sussurrou enquanto pegava a xícara de chá da mão da amiga e tomava-a para si. Ele parecia bastante cansado, mas seu tom de brincadeira nunca mudava. Ao sentir o olhar da menina sobre si, retomou a fala. — Eu acho que te devo uma explicação, mas não sei se cabe a mim exatamente falar sobre isso, já que isso é coisa extremamente pessoal do Sirius. Mas como você ajudou e se preocupou com ele hoje, eu sinto como se eu e ele devêssemos isso à você. — ele começou e depois suspirou fundo. — A família de Sirius é o pior tipo de gente que você pode imaginar. Você conhece algumas das peças… Bellatrix e Narcissa, por exemplo. Você lembra da Bellatrix, não? Como não lembrar, é provavelmente a pessoa mais desagradável a existir depois do Snivellus… Bem… Como eu dizia… Ah, sim, Narcissa e Bellatrix são exemplos, mas os pais do Sirius são infinitamente piores. Veja bem, a família Black inteira foi da Sonserina tirando o próprio Sirius, então a pressão já começou desde cedo nele. Ele é absolutamente diferente do resto da família: não concorda com suas visões de mundo, não obedece suas regras e faz o possível para contrariar os pais. Então eles estão sempre lembrando-o à gritos de como ele é uma desgraça para a família e que era preferível que fosse um aborto do que isso. É claro, Sirius não é um anjo, ele adora irritar e praticamente vive para curtir a satisfação dos gritos da mãe. Mas o pai… O pai sempre foi severo, mas vêm piorando com o tempo… — a voz de James vacilou e o garoto agora falava com desprezo e raiva. — Orion, esse é o nome do pai dele, bate nele ocasionalmente. Não é sempre tão forte ou algo que Sirius não consiga lidar e ele nunca quis fazer algo a respeito. É muito orgulhoso para sequer mencionar até pro Remus e pro Peter. Mas dessa vez foi pior que todas as outras, Marls. Ele nunca teve tantos machucados. Eu não sei o que aquele velho idiota fez para que ele sangrasse dessa vez, mas eu sei que foi ruim. Eu não acho que ele vá voltar para casa, porque ele trouxe uma mala com diversas coisas e a maior parte dos pertences dele já estão aqui de qualquer jeito. Ele já passa 80% do tempo dele aqui e meus pais já tratam-no como um filho, então não vai ser problema nenhum ele morar aqui, aliás, eu venho oferecendo isso há algum tempo. — disse e fez uma pausa, na qual olhou diretamente nos olhos azuis da garota. — Marley, eu te imploro, não comente nada disso com ele. Nem pra Lily, nem pra Dorcas e nem para a Mary. Porque eu conheço o Sirius e sei que isso acabou com ele, mas ele vai fingir que nada aconteceu. Vai fingir e agir como se tivesse aparecido aqui no meio da noite porque ficou entediado de casa e isso é tudo. Por favor não mencione isso, até porque ele vai negar até a morte, mas também porque eu não quero que isso se torne pior do que já é. Ele vai conversar comigo quando se sentir pronto. — disse ele e então beijou-a na bochecha. — Muito obrigada pela sua ajuda, Marls, você é um anjo. Agora vá dormir, você merece. — disse e conduziu-a para fora do quarto. James entrou no seu quarto e Marlene imitou-o.

Não conseguia dormir. Naquela noite, algo havia mudado quanto ao jeito que se sentia sobre Sirius. Ela não achava que conseguiria tratá-lo do jeito de sempre, nunca mais. Como é que alguém conseguia passar por tanta coisa pesada como as que James havia relatado e ainda continuar com todo aquele sass e sagacidade como Sirius Black? Era até admirável. Depois daquilo, porém, a durona Marlene chorou até dormir.

* * *

Por fim, a adorável Lily Evans estava de saco cheio do verão. Aquelas eram oficialmente as férias mais chatas que já havia vivido. Naquele ponto, a garota não lembrava-se do que costumava fazer que a deixasse distraída nos outros verões, porque esse era simples e desastrosamente chato. Ela havia visto TV e lido e também re-lido todos os seus livros trouxas e bruxos. Apenas o episódio semanal de Doctor Who a deixava feliz por uma mísera hora. A garota também visitava o parquinho próximo, sentando no balanço, admirando o dia e desejando com todas as suas forças que o tempo passasse rápido.

O parquinho, porém, foi logo deixado de lado após a primeira aparição de Severus. Não esperava encontrá-lo ali, pois ele nunca saía da casa, apenas quando Lily chamava-o, mas já não eram amigos. Era certo dizer que Severus era o pior tópico a ser pensado, falado e mencionado de qualquer jeito possível. O incidente do ano passado ainda ecoava na sua mente e a cutucava dolorosamente. Ela havia perdoado ele e havia dito ao garoto, mas não agia como se o tivesse. Isso porque ainda doía em Lily. Isso e o fato de que ele andava com o pior tipo de gente e começava a fazer parte de brincadeiras cruéis e de péssimo gosto. E o pior de tudo: envolvendo-se com as Artes das Trevas. A garota sempre soube que ele era chegado no lado escuro da magia, mas sempre gostou de pensar que a bondade nele era maior. O que parecia, porém, era que ele agia como o Severus que ela costumava amar apenas perto de Lily. Ele havia se desculpado inúmeras vezes, é claro, mas suas palavras ainda a incomodavam.

Sangue-ruim. Se tivesse o poder de apagar algo do vocabulário inglês, era isso que apagaria, sem pensar duas vezes. Como alguém conseguia chamar outra pessoa assim? Como uma pessoa poderia ser julgada pelo seu sangue? Ela não conseguia entender porque isso era algo tão importante para algumas famílias bruxas, pois se não fossem pelos trouxas, os bruxos estariam praticamente extintos. O fato de Severus ter chamado-a disso, somado ao fato de ser uma péssima pessoa longe dela e associar-se com tipos ainda piores, fizeram-na tomar uma dura decisão: cortar o garoto de sua vida. Não foi tarefa agradável, mas ela sabia que nem a amizade deles eram tão forte para suportar essas coisas.

O verão não era tão ruim quando a ruiva era mais nova. Não, o verão costumava ser sua época preferida no ano. Era quando ela tinha a pausa da escola e iria apenas passar seu tempo brincando com Petúnia no quintal, perto do lago ou no parquinho. Ambas as garotas ficariam juntas desde manhã cedo até não conseguirem aguentar-se mais acordadas. Lily adorava estar perto da irmã mais velha: naquela época, Tuney era a pessoa que ela mais admirava. A mais nova deitava-se na cama da irmã e ouvia-a contar sobre a pessoa que desejava ser, sobre os seus planos para o futuro e tudo que desejava fazer. Lily brincaria de qualquer coisa que Petunia propusesse, porque a amava tanto que nem ligava para a brincadeira em si.

Aqueles dias haviam acabado. Assim que a ruiva recebeu a carta de Hogwarts, Petunia parecia estar determinada a cortá-la de sua vida e tudo o que havia sobrado era um estranho ressentimento entre elas. E agora… Tinha aquele Válter. No Natal passado, Petunia havia apresentado Válter Dursley à família como seu namorado. A menina não costumava não gostar das pessoas, mas esse era particularmente desagradável e conquistou o desgosto da Evans mais nova. Não apenas ele a lembrava de um porco de peruca com aquela aparência rechonchuda e cabelos loiros, mas também ele era extremamente chato. Válter passava horas e horas falando sobre seu dinheiro, seu trabalho, seu carro, seus futuros planos e… Bem, qualquer coisa que o envolvesse. Sem interesses musicais, sem interesses esportivos e nem mesmo um mísero elogio sobre qualquer coisa ou pergunta sobre o que quer que fosse. Ele era extremamente superficial e monótono. Lily nunca foi do tipo de desejar o pior para as pessoas, mas Merlin, como ela rezou para que eles tivessem terminado durante o início do ano, com esperanças de que quando ela voltasse ele houvesse sumido. Mas não, ele estava lá. Em King’s Cross, ainda, para levá-la para casa. Petunia havia inventado que Lily estudava num internato na Escócia, o que fez a família toda entrar nas suas mentiras.

Naquela tarde, enquanto deitava-se sobre a cama de colcha florida e encarava o teto branco, a garota decidiu finalmente escrever para Marlene. Ela era de família bruxa e provavelmente tinha algumas histórias para contar e distraí-la de alguma forma. Lily desejou que suas melhores amigas estivessem presentes, pois nunca falhavam em animá-la. Como isso não era possível, Lily pegou um pedaço de pergaminho e sua pena parda de dentro da gaveta de sua escrivaninha de mogno branco e começou a escrever para sua melhor amiga.

Querida Marlene,

Como vai o verão? Espero que melhor que o meu ou ficarei extremamente triste por você. É uma pena que não posso permanecer em Hogwarts por um ano inteiro (nah, estou sendo dramática aqui, provavelmente não conseguiria ficar tanto tempo sem visitar papai e mamãe).

Eu sei que a Doe está muito ocupada na loja de vinil e explorando a magnífica (e saudosa) Londres e a Mary está visitando basicamente todos os países da Europa com a família (não sei se amo ou odeio todos os cartões que ela me manda desses lugares)… Mas como vai minha garota? O que você anda aprontando aí? Espero que não esteja se metendo em muitas encrencas, você sabe que eu não vou estar aí pra te salvar, meu amor.

Meu verão — mesmo você não tendo perguntado, mas sei que iria, porque você me ama e se interessa (e porque é um pouco educada) — é como o… Válter. E com isso eu quero dizer super, super chato! Eu achei que ele teria ido embora à essa altura, mas parece que ele está aqui para ficar. Você me conhece, Marls, eu nunca desejaria desgraça na vida da minha única irmã, mesmo com ela sendo odiosa 24/7… Mas, em nome de Merlin, eu queria muito que eles terminassem!

Mas chega de sofrimento, me conta da sua família! Eu sinto muito a falta deles, de passar um tempo aí com vocês. Como está o pequeno Max? Quero conhecê-lo logo! Manda um beijo pro Matty por mim (eu sei que você vai acabar batendo nele ao invés disso, mas tudo bem, também pode ser).

Sinto sua falta,

Lily.

Lily observou Misty, sua coruja, até esta desaparecer no céu azul de Cokeworth. Ela apenas desejava que Marlene respondesse breve e extensamente, como sempre. Levantando da cadeira de frente à janela, Lily encaminha-se até a porta. Abre a porta e coloca a cabeça para fora do quarto. Sem vozes, sem conversas. “Talvez elas tenham saído”, pensou Lily, esperançosa. Quieta e devagar, a garota desceu as escadas e dirigiu-se à cozinha. E, surpresa, ali estava sua mãe e Petunia, aparentemente lendo alguns livros.

— Lily! — sua mãe a chama. Ela sorri.

— Oi, mãe. Eu só estava checando o que vocês estavam fazendo… Sabe, estava tudo muito quieto. — respondeu, sorrindo fraco. A irmã não era sua presença favorita e naquele momento a outra fazia tudo menos notar sua presença ali.

— Ah, sim! Eu e sua irmã estamos procurando algumas receitas para hoje à noite. — informou a Sra. Evans.

— Hm… O que vai acontecer hoje à noite? — perguntou Lily.

— Você sabe, Vernon virá aqui para o jantar. — ela respondeu, observando a filha mais nova. — Não acredito que você esqueceu!

— O que? Ninguém me disse nada! — retrucou, indignada. Dahlia Evans agora olhou para Petunia, que não tirou seus olhos do seu livro de receita.

— Petunia? Não te disse para avisar sua irmã sobre isso? — a Sra. Evans perguntou com raiva. Tuney fechou o livro, colocou uma mecha de seu cabelo loiro para trás da orelha e então respondeu:

— O que, por acaso eu deveria? Não é como se ela se importasse. Não é como se ela importasse com qualquer coisa que é normal. Ela só se importa com a escola idiota dela e o com os amigos esquisitos. Ela tá sempre jogada por aí, lendo esses livros ridículos, ocupada demais com a sua mágica para realmente se importar com qualquer outra coisa… — disse amargamente.

Lily estava sem fala. Ela sabia que Petunia não gostava muito dela, mas não esperava que ele dissesse coisas tão odiosas. Ela havia ficado magoada, mas principalmente furiosa. Como é que ela ousava em dizer coisas assim? Petunia foi quem quebrou o forte laço que elas tinham! Lily sempre tentou de tudo para manter a amizade e fraternidade entre elas.

— Você não tem direito nenhum de falar assim comigo! Isso não é justo! Nossos mundos são diferentes, não há comparação… Você não conhece meus amigos e nem meu mundo, então você não tem direito nenhum de falar deles também! E eu me importo sim com você, você quem sempre ignora minhas tentativas de reaproximação e insiste em manter as atitudes de criança, como se tivéssemos sete anos novamente e eu tivesse pegado sua boneca preferida. E, espera aí, isso nunca aconteceu também, porque eu fazia tudo pra ter ver feliz! Meu Merlin, Petunia, é como se você fosse a mais nova aqui! — Lily retrucou e Petunia só teve tempo de abrir a boca, aparentemente furiosa, porque antes que pudesse dizer qualquer coisa, Dahlia interveio, erguendo sua voz e olhando a filha mais velha desapontada.

— Isso não é jeito de se falar com a sua irmã, Petunia. Não julgue o que você não conhece e não entende. Peça desculpas agora pra sua irmã. — disse e virou-se para a mais nova. — E Lily, apesar de ter se defendido, não levante sua voz desse jeito. Eu não vou tolerar vocês duas trocando gritos. Vocês são irmãs, por Deus!

— Tudo bem, mãe, me desculpe. E Petunia não precisa se desculpar, porque quer saber? Ela até que tem razão: eu não me importo. — acrescentou, tentando soar como se não fosse nada de mais o fato de sua irmã a rejeitar e dizer coisas horríveis sobre ela. — Cadê o papai? — perguntou, mais para mudar o foco.

— Trabalhando, Lil. — respondeu sua mãe, ainda parecendo desgostosa com a briga das filhas.

— Ah, verdade, eu esqueci. — respondeu avoada e esperando que sua mãe esquecesse logo da conversa anterior. Também, não deixou de ficar triste, porque ela realmente ficaria mais alegre se conversasse com o pai. Era sempre bom conversar com ele, pois ele era o ser humano mais compreensivo da face da Terra e isso sempre a fazia sentir-se melhor. — Ok, vou subir. Me avisa se precisar de ajuda na cozinha ou na casa, mãe. — e assim que sua mãe assentiu, ela correu para o quarto.

Estirada novamente na cama, a ruiva sentiu um nó na garganta. Não era a primeira vez que a irmã havia sido desagradável e ela estava acostumada, apesar de que isso não significava que não a machucava. Ela faria qualquer coisa para ter o velho relacionamento com a irmã de volta, mesmo que soubesse que era tarde demais para tal.

Lily tirou uma soneca acidental até a noite, quando a luz da lua iluminava as paredes vermelho salmão do quarto. Abriu os olhos lentamente e identificou Misty aguardando-a. Pulou da cama com uma nova onda de alegria: Marlene havia respondido. Decidiu lê-la antes de encarar um jantar com Válter Dursley.

Querida Lily,

Sinto muito mesmo em saber que Válter continua aí. Você sabe, quando alguém como Lily Evans descreve um cara de modo tão desagradável e insuportável, você deve prestar atenção. Estou ansiosa pra conhecer o carinha, assim dá pra eu confirmar a teoria do porco de peruca (juro, venho imaginando muito a cena)!

Ah, querida Lily-flower, meu verão não foi exatamente a aventura que você deve estar desesperadamente esperando enquanto lê essa simples carta. Eu não fiz nada de mais além de cuidar do pequeno Max e treinar bastante Quadribol com o James.

Ah, sim, você me lembrou que mais importante que tudo, preciso te atualizar na vida dos McKinnon. Marcus está super ocupado com o St. Mungus. Ele diz que tem muita gente seriamente machucada nesse verão, mais que o normal. Ele tá sempre saindo de casa no meio da noite pra atender emergências. Marion por outro lado, está trabalhando no Departamento de Execução de Leis e mamãe não para de falar disso.

E também temos nosso amado Matty (que aliás, sim, cumprimentei com um chute ao invés de um beijo. Não me leve a mal, sei que ele é gato e tal, já disse que até apoio se vocês quiserem namorar — não deixe James ler isso — mas não me sinto tão feliz expressando amor ao meu irmão quanto chutando-o, entende)! Fomos até o Beco Diagonal algumas semanas atrás e ele me comprou firewhiskey no Caldeirão Furado pra adicionar no nosso estoque. Dá pra acreditar no Matty fazendo isso? Espero que isso seja um sinal de que ele tá largando dessa coisa de “ta louco, você é minha irmãzinha indefesa e frágil” e finalmente me vendo como uma garota de dezesseis anos. Mas, cá entre nós, até parece que isso vai acontecer, né? Ele é pior que o James às vezes. Você imagina que quatro irmãos já é o suficiente, mas eu ainda tenho Potter, o quinto irmão. It’s killing me, Evans! Enfim… Ele me conta as histórias mais loucas sobre ser Auror em treinamento. Disse que esbarrou na Effy (mãe do James) algumas vezes, mas seu chefe mesmo é o tal do Olho-Tonto, o cara mais sinistro que ele já conheceu. Ele tem um olho falso e mágico que consegue ver absolutamente tudo.

Ah, e sim! Mamãe está super ocupada agora no Michael ajudando a Lisa com o Max. Claro que ajudo do jeito que posso e sempre que possível, porque Maxie é a coisa mais fofinha e preciosa que já vi na vida (depois de você, é claro, Lily-flower) e não é problema nenhum cuidar desse pedaço de gente. Quem diria que Marlene McKinnon gosta de crianças, né não? Pois é, sei que é cedo, mas já planejo que a primeira palavra que ele vai dizer é “Marley” ou “titi”. Legal pra caralho, sim ou sim?

Pra resumir, eu estou aqui para te dizer que SIM, você vai conhecer meu Maxie loguinho. O que me diz de se juntar aos McKinnon & guests para uma reunião familiar? Alice, Frank, os Prewett, Peter, Remus e James vão estar lá também e eu não gostaria que você faltasse à parte legal do verão. Eu prometo, porém, que no próximo ano we go big: eu, você e as meninas vamos ter o verão mais incrível das nossas vidas. Mark my words. Enquanto isso, prepara-se para nossa festa de família, vou te buscar amanhã lá pelas 9:00. Fique de olho na lareira!

Agora sério, espero que a Petunia não tenha te incomodado tanto, Lil. Eu sei que é difícil para você e eu juro que vou fazer meu melhor pra recompensar o tempo que você ficou trancada tendo que ver a cara azeda da sua irmã horrorosa (traz seus discos dos Beatles, porque você é uma desgraçada e me viciou neles)!

Espero que esteja bem,

Marley.

Lily sorriu para o pergaminho. Era muito bom ler sobre a vida da garota. Ela estava surpresa e orgulhosa sobre a parte dos Beatles. Eles eram um dos favoritos de Lily e ela passara a maior parte do tempo livre convencendo Marlene a dar uma chance.

Também adorava ler sobre a família de Marlene, pois ela tinha uma tanto quanto grande: Michael era o mais velho dos filhos McKinnon e tinha agora vinte e quatro anos. Ele sempre foi do tipo mais reservado e amigo dos livros, dentro do seu próprio mundo. Apesar disso, ele tratava Marls e os irmãos de um jeito amoroso e preocupado. Ele casou com Lisa Boot dois anos após completar Hogwarts e conseguiu um emprego no Ministério. Ele agora havia tido o primeiro filho, Maximilian. Lily poderia identificar pelas palavras da amiga que ela estava completamente fascinada pelo sobrinho e não tinha dúvidas de que cuidava dele como se fosse dela.

Depois, vinham Marcus e Marion, os gêmeos, ambos com vinte e dois anos. Marion trabalha no Ministério no mesmo departamento do pai (Execução de Lei) e Marcus era curandeiro no St. Mungus. Eram as duas pessoas mais engraçadas do mundo juntos.

Finalmente, havia Matthew, aka Matty. Ele era apenas dois anos mais velho e havia acabo de se formar em Hogwarts. Talvez fosse por isso que sempre se deu melhor com Marlene. Marls é sua protegèe, a que ele mais cuida. A melhor coisa neles era que eram todos muito próximos. Eles nunca brigaram por tanto tempo e nunca machucaram um ao outro a ponto de não haver mais volta, como Lily e Petunia, que não conseguiam trocar uma palavra civilizada. Sacudindo os pensamentos tristes, Lily respondeu a amiga: pelo menos havia algo pelo qual esperar.

* * *

Às 9:25 da manhã seguinte, Lily ouviu um barulho vindo da sala de estar. Sabendo exatamente do que se tratava, a garota pegou sua já pronta mochila e desceu as escadas. Loira, olhos azuis, magra e alta, lá estava ela: Marlene McKinnon. Correu de encontro com a melhor amiga e abraçou-a forte. Marlene não gostava de muita demonstração de afeto, portanto abraçou-a brevemente.

— Hey, olha só quem está aí. Quanto tempo, criança! — Lily ouviu a voz do pai, enquanto ele adentrava o cômodo.

— Oi Sr. H! De fato, Lily nunca mais me convidou para vir aqui, o que é, na verdade, uma afronta já que somos super amigas e tudo… — acusou ela, com um sorriso.

— Mentira! Eu realmente não a convidei, mas o que é que a gente ia fazer por aqui? Ela ia só ficar estirada por aí, lendo livros e vendo Doctor Who, igualzinha a mim. Não, senhorita, prefiro sua casa bruxa com seus irmãos engraçados, enérgicos e legais, muito obrigada. — Lily defendeu-se. Seu pai riu.

— Sabe, às vezes eu sinto que você só é minha amiga porque eu tenho uma casa grande e irmãos bonitos… — fingiu um tom ofensivo.

— E você está cem por cento certa, querida McKinnon! — brincou.

— Não ouse em voltar aqui no próximo verão sem a nossa Marlene aqui, entendeu, Lily? — mandou o pai, enquanto dava a amiga uma high-five.

— Vejo que estão de conluio contra mim. Isso é injusto, sabem. Mas ok, vou arrastar a Marlene pelos loiros e sedosos cabelos que ela tem e deixar ela aqui com a Tuney e com vocês, aposto que ela vai correr pra casa no próximo segundo — disse ela e o Sr. Evans visivelmente segurou a risada. Como seu pai, ele deveria chamar a atenção da mais nova e dizer que não era certo ela falar esse tipo de coisa da irmã. Acontece que Harold Evans nunca foi o tipo normal de pai. Ele riria junto com Lily e ela adorava isso. Ele a entendia e a protegia de Petunia em algumas situações. A Sra. Evans era sempre imparcial, mas Harold sempre defenderia sua garotinha.

Marlene despediu-se de seu pai e foi até ao pé da lareira.

— Venha logo, Lily. Tchau, Sr. H! — disse ela. Lily assentiu e Harold acenou. A ruiva abraçou o pai e recebeu um beijo na testa em troca. Após a despedida silenciosa, dirigiu-se até a lareira na qual, segundos atrás, encontrava-se Marlene. Pegou um pouco de pó de Flu nas mãos, gritou “Casa dos McKinnon” e soltou o pó.

Menos de um minuto depois, ela estava no chão da lareira dos McKinnon. Sacudiu um pouco do pó em si e perguntou a amiga:

— Então… Quem já está aqui?

— Ok, Lil, James está aqui. Eu peço, em nome de Merlin, que você não discuta com ele hoje. Eu juro que vocês me deixam louca… — começou ela, mas foi interrompida.

— Te deixa louca? Você só pode estar falando de mim… — disse uma voz conhecida. Sirius Black. — Olá, Lily-flower, sempre uma benção divina vê-la. O mesmo à você, McKinnon, mas não sinta tanto ciúmes, é que ela acabou de chegar. — disse, sorrindo pretensiosamente. Marlene olhou rapidamente para Black e desviou o olhar, sem falar um “A”.

Lily notou que algo estava diferente entre eles; Sirius estava sempre por perto, principalmente porque ele era basicamente irmão de Potter e Marlene era, do mesmo jeito, como família. O comportamento de ambos na presença um do outro era quase similiar a Lily e James. Eles se provocariam, brigariam um pouco e agiriam como crianças. Eles não tinham, é claro, a intensidade das brigas dela com Potter, eram mais amigáveis. Mas aquele momento foi estranho. Normalmente, quando Black vem com toda essa marra e fala esse tipo de merda, Marlene retrucava de forma mil vezes pior. Ela nem havia rolado os olhos, apenas desviado. Até o próprio Black parecia ter notado que algo estava errado, apesar de ter feito um ótimo trabalho escondendo que não se importava. Pena que Lily era boa demais no jogo da observação do comportamento humano. Lily fez uma nota mental para perguntar a amiga depois.

— James Potter, galera! — disse outra voz irritantemente reconhecível, entrando no cômodo. Lily apenas balançou a cabeça em reconhecimento e disse:

— Potter. — apesar do tom ter sido um tanto quanto indiferente, o garoto não parecia nada abalado. Nada nunca abalava James Sou Um dos Melhores Alunos da Classe, Estrela do Quadribol e Sexiest Man Alive Potter.

— Sempre bom ver o quanto minha presença te ilumina, Evans — disse ele, sempre com aquele sorriso pretensioso de lado.

— Ah, por favor, vão pra um quarto! — disse Sirius e, finalmente, Marlene reagiu com um exclusivo rolamento de olhos.

— Vem Lily, vamos ver o resto do pessoal antes que você e James estraguem o clima agradável. — propôs a loira e depois virou-se para o amigo: — Jay, não demore muito pra vir.

— Ok, Marls, estaremos logo atrás de vocês. Te vejo depois, Evans! — exclamou Potter. Enquanto ela caminhava pelos corredores da casa de Marlene cheio de retratos que se moviam nas paredes, a garota soube que não se livraria dele tão cedo.

* * *

Depois do almoço, todos os filhos reuniram-se perto do lago para que pudessem fugir da conversa dos adultos. A tarde da garota foi fantástica, de longe sua preferida do verão inteiro. Todos conversaram e riram, e enquanto a maioria deles estavam jogando Quadribol nos jardins, Lily teve tempo para finalmente conversar com Remus, Alice e até mesmo Molly Prewett, bem como Marcus e Marion. Ela finalmente conhecera Max e definitivamente se apaixonou pelo garoto. Ele dormira em seus braços e Lisa disse-a que ela daria uma ótima mãe (a ruiva não sabia se era verdade, porém, porque não fazia a mínima ideia de como Maxie havia dormido, o crédito era todo do garoto).

Agora sentada na beira do lago, Lily mal notou quando alguém sentou-se a sua direita. Quando virou-se para reconhecer quem a acompanhava, lá estava James Potter, sorrindo para ela.

— Tudo bem, Evans? — perguntou. Essa era a sua frase de sempre. Potter olhava-a, sorria e perguntava sempre a mesma coisa, no mesmo tom. Era irritante, mas engraçado.

— O que foi, Potter? — perguntou. Sabia que a repentina aparição do garoto significava que ele iria, no mínimo, perguntá-la sobre algo. Seu tom foi um pouco como “vamos acabar logo com isso”.

— Só quero conversar… — ele disse, mas dessa vez o tom não era irônico ou babaca. Era calmo, como se ele estivesse sendo cuidadoso. Essa era nova. Ela virou-se para encará-lo, com uma das sobrancelhas erguidas e uma expressão desconfiada.

— Conversar sobre… ? — perguntou.

— Ah, você sabe… A vida… — ele disse de modo distraído. A ruiva segurou a risada. Falar sobre a vida? Pior desculpa do universo.

— Não vou sair com você, Potter. — disse, de modo automático. Desde o terceiro ano, no qual as visitas para Hogsmeade foram permitidas para eles, Potter tentava fazer com que ela o acompanhasse em alguma. Lily não entendia direito essa insistência toda, mas suspeitava que fosse pelo fato de Potter conseguir qualquer garota que quisesse… Menos ela. Ele não podia aguentar o fato de que havia um ser humano no castelo inteiro que era imune aos seus charmes. Não que a garota não o achasse gato e sexy — ela não era cega. Mas Lily sabia muito bem como funcionavam as coisas com caras como James Potter e era mais esperta que cair aos seus pés.

— Justo — ele respondeu rindo — Mas não é exatamente isso que eu ia te perguntar… — acrescentou sorrindo.

— Bom… Então pergunte logo — disse, suspeitando de algo.

Para Lily Evans, James Potter era uma das pessoas mais irritantes do planeta. Ele era bonito, sim, mas o problema era que sabia disso. Ele era excepcional em praticamente tudo que fazia e isso o deixava convencido. Potter achava que suas habilidades o tornavam melhor que todo o resto. Odiava o jeito que ele utilizava da sua habilidade nos feitiços para azarar os primeiranistas. Odiava como ele colocava todo o esforço em brincadeiras de mau gosto, só pra provocar quem quer que fosse que ele não gostava. Odiava o jeito que ele não era nada modesto quanto às suas perfomances no Quadribol e como ele andava por aí com um pomo de ouro, só para mostrar como era excepcional — e o mais irritante sobre isso, é que ele nem era apanhador e sim o artilheiro! Sem contar que ele provavelmente fazia algum tipo de magia especial para o cabelo ficar bagunçado sempre, como se tivesse acabado de sair de um jogo de Quadribol. As garotas de Hogwarts piravam nele, mas Lily o achava bem estúpido. E tudo isso estaria no campo da indiferença para a garota, se ele não fizesse o possível para irritá-la. Era como se ele soubesse o que dizer para acender aquela raiva que Lily, a garota mais adorável do planeta, escondia dentro de si.

— Vamos ser amigos? — perguntou. Lily ficou levemente chocada com o pedido. — Ou então, menos “inimigos”? Quero poder viver sob o mesmo teto que você sem esse seu olhar desaprovador e de desgosto que você sempre me lança, Evans.

— Isso vai ser meio difícil considerando suas ações no passado, Potter. — disse.

— Eu sei… Mas não estou pedindo pra ser minha melhor amiga nem nada do tipo, só peço pra que a gente possa se dar melhor. Merlin sabe que nós brigamos bastante, seria bom até para as pessoas ao nosso redor.

Lily suspirou. Potter era uma pessoa difícil de lidar. Ele era o melhor amigo de Marlene e a garota sempre dizia que ele não era como ela pensava: ele era leal, corajoso e um dos melhores amigos que alguém poderia ter, além de ser impossível de ficar triste ao lado dele. Talvez realmente fosse melhor se eles se entendessem, mas não era tão fácil assim. Não depois de tudo o que ela vira o garoto fazer ao longo dos anos. Severus Snape não era mais seu amigo, mas isso não queria dizer que ela havia esquecido tudo que Potter e Black haviam feito com ele. Claro, Severus não era exatamente uma flor que se cheirasse e sabia que a implicância era mútua, mas Potter sempre provoca o garoto quando ele estava quieto em seu canto e o humilhava de uma maneira que Lily não acreditava ser humana. Era horrível de se assistir e o pior era que Potter não tinha o menor remorso.

— Você quer que eu pare de te lançar olhares odiosos? Então, Potter, isso vai totalmente de você. Vai totalmente da sua iniciativa de deixar de ser tão convencido e tão arrogante. Não é legal agir como se você fosse a pessoa mais especial do mundo, porque pessoalmente, isso te faz parecer um idiota. Eu vou mudar com você quando você mudar. — disse, levantando-se. Virou-se na direção da casa, pois gostaria de deixar as palavras no ar, uma saída meio dramática. Quando Lily já esboçava o sorriso vencedor e achava que finalmente tinha sido ouvida James Potter, o garoto gritou:

— Até depois, Evans!

— Cai fora, Potter! — gritou com raiva.

Bom, ótimo. O ano letivo não havia nem começado e ela já tinha tido sua primeira afronta com James Potter. Aquele seria um longo, longo ano.

Notas finais
E aí, o que acharam? Comentem ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.