Little secret

16 Merry Christmas


Kenzie ficou na ponta dos pés, apoiada no antepenúltimo degrau da escada enquanto tentava alcançar a enorme árvore de Natal que se encontrava no meio da área social da Game shakers. Inclinou o corpo para frente, a mão apoiada na barra de metal impedindo sua queda; estava tão concentrada em sua tarefa que o som alto de vozes a assustou. Se desequilibrou, sentindo a escada balançar, porém conseguiu se segurar antes que caísse e uma boa alma estabilizasse a escada. Com a respiração ofegante e o coração a um ponto de sair pela boca, olhou para baixo encontrando a expressão preocupada de Hudson.

— Obrigada. — agradeceu, arranhando a garganta quando sua voz saiu falhada.

Ela então finalmente colocou a estrela dourada no topo da árvore e com um sorriso orgulho desceu as escadas. Hudson a ajudou nos últimos degraus e quando Kenzie sentiu seus pés tocarem o chão, levantou a cabeça notando o quão próxima estava do garoto. Sua respiração se tornou escassa, um arrepio percorreu seu corpo e escondeu suas mãos para que ele não notasse que ela tremia levemente. Hudson abriu um sorriso tão brilhante que Kenzie teve a certeza de que poderia passar o resto da noite somente olhando para ele.

— A árvore ficou linda.

Piscou lentamente, como se estivesse saindo de um transe, então girou o rosto para observar o resultado de sua tarde. A árvore estava realmente linda, cheia de detalhes e tão brilhante quanto as estrelas. Escutou Hudson rir baixinho e o encarou com um ar de indagação, ele somente deu um passo para trás e Kenzie se impediu de soltar um resmungo insatisfeito pela distância entre os dois. Ela mordeu o lábio inferior e deu às costas ao amigo, deveria estar agindo como uma boba apaixonada e se detestava por isso. Soltou um suspiro melancólico e passou por seus amigos alheios ao seu sofrimento.

Era impressionante nenhum deles ter percebido ainda, ela mesma admitia que era extremamente transparente e sempre fora péssima em mentir. Tinha uma teoria de que talvez o fato dela gostar de Hudson fosse tão absurdo que todos ao seu redor somente nem pensavam na possibilidade disso acontecer, e como não pensavam, consequentemente, isso não seria plausível o suficiente e digno de atenção. Empurrou as portas de vidro e sentou no banco da sala ao lado, de lá podia observar seus amigos gritarem e rirem, eles haviam acabado de chegar das compras de Natal e estavam preparando tudo para o amigo secreto daquele ano. O presente de Double já estava embaixo da árvore, Kenzie resolveu que naquele ano ele ganharia uma cesta com todos os doces que sua tia preferida fazia para ele quando criança, fora difícil conseguir recriar as receitas, porém se sentia muito orgulhosa por ter feito um trabalho aceitável.

Riu quando Ruthless jogou Babe sob os ombros, a Carano tentando se manter séria em meio às gargalhadas que soltava era uma cena maravilhosa de se ver. Porém seus olhos capturaram logo os movimentos de Hudson, ele acabara de colocar algo embaixo da árvore e se levantava, andando em direção à ela. Kenzie prendeu a respiração, mas logo se lembrou que respirar era algo essencial para a sua sobrevivência e soltou o ar em uma longa lufada. Hudson abriu as portas de vidro e caminhou lentamente até sentar ao seu lado, em suas mãos uma caixinha pequena embrulhada em um papel colorido a chamou a atenção.

— Por que está aqui sozinha? — indagou, olhando para a cena que se desenrolava a sua frente assim como ela.

Kenzie expirou pela boca, se recostando melhor no banco, cruzando as pernas e os braços, era uma atitude defensiva, porém só assim manteria suas mãos longe do garoto ao seu lado.

— Existem momentos em que só precisamos, não sei, observar.

— Entendo.

Olhou de soslaio para ele, um sorriso divertido estampava o rosto de Hudson. Virou o rosto totalmente para o garoto, estreitando os olhos ao perguntar desconfiada:

— Como assim "entendo"?

Hudson soltou uma leve risada e virou o corpo para que ficasse totalmente de frente para ela, Kenzie recuou um pouco, se sentindo intimidada pela aproximação.

— Notamos muitas coisas quando observamos, você não acha?

— Hum, sim?

Sua mente aos poucos começava a dar um curto circuito, a forma como ele falava, os centímetros que se aproximava e o sorriso atrevido no rosto a davam sinais que faziam seu coração disparar.

— Kenz. — Hudson ergueu uma mão, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, o toque dos dedos dele contra sua pele a provocou arrepios. — Também gosto de você.

Abriu a boca supresa e um tanto indignada, então soltou uma risada descrente em automático e disse:

— Nunca falei que gostava de você.

— Não precisou, suas ações claramente dizem isso.

— Você não presta atenção em nada e logo agora resolveu prestar atenção em mim?

— Minha atenção sempre foi sua. — declarou, com um sorriso que a fez querer beijá-lo no mesmo instante.

Kenzie não sabia o que falar, analisou cada detalhe do rosto dele em busca de algo que mostrasse o contrário. Mas logo seu corpo relaxou quando notou os olhos brilhantes, a leve vermelhidão nas bochechas, os lábio minimamente trêmulos onde um sorriso carinhoso os desenhava. O braço esquerdo de Hudson descansava sobre o encosto do banco, passando por trás dela e logo os dedos dele brincavam com os fios de seu cabelo. A Bell inclinou-se para frente, sua mão indo em automático para o rosto do loiro, Hudson riu a fazendo sorrir antes de colar seus lábios ao dele. Suspirou satisfeita quando o sentiu retribuir o beijo com a mesma intensidade; o mundo pareceu parar ao redor, o redemoinho de sentimentos que sentiam os prendia no outro.

— Seu presente. — Hudson quebrou o beijo com a voz levemente ofegante, os lábios ainda próximos.

— Tudo bem, daqui a pouco. — declarou rindo quando ele começou a distribuir leves beijos por seu rosto.

— Você não sabe a quanto tempo eu queria fazer isso. — confessou, beijando uma última vez a ponta de seu nariz antes de afastar seus rostos.

Kenzie se sentia flutuar, seu rosto já estava dolorido de tanto sorrir, mas ela não conseguia parar e nem queria. Então sentiu o peso de olhares e ao virar a cabeça encontrou seus amigos os encarando em completo choque. Babe abria e fechava a boca sem que nenhum som saísse, Trip estava com o rosto colado na porta de vidro como se estivesse vendo algo impensável assim como os outros.

— Vem, vamos ver os pinguins no parque antes da troca de presentes. — Hudson a puxou pela mão ao se levantar.

Kenzie foi sem pestanejar enquanto os dois saíam por outra porta. Porém ela parou de repente, o encarando de maneira confusa.

— Tem pinguins no parque?

— Sempre teve. — respondeu como se fosse um conhecimento geral e soltou sua risada característica quando percebeu que ela não iria aceitar aquela explicação.

Os dois saíram então em meio à neve de Nova York, de braços dados e com enormes sorrisos nos rostos enquanto conversavam sobre pinguins e trocavam palpites sobre os presentes que seriam trocados mais tarde.

Notas finais
E fim.
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