Little secret
8 Domingo - II
— Eu não acredito que estou às duas da tarde em um domingo quente procurando a merda de um rato no meio de uma estrada praticamente abandonada. — Babe resmungou para si mesma ao reduzir a velocidade do carro para que Trip e Hudson olhassem pelas janelas à procura de Bimbo.
Eles já estavam quase no fim daquela estrada, ou seja, quase chegando na casa da tia de Kenzie que era a primeira a ser vista quando se chegava na cidade. Ainda não sabiam como a doninha sabia exatamente para onde ir até chegar a sua dona, mas resolveram que isso era algo que realmente não queriam saber. Agora, o que restava a eles era andar o mais lento possível para não correr o risco de atropelar Bimbo por acidente, e torcer para que Kenzie não o encontrasse antes deles.
Um silêncio tomou conta do carro. Babe dirigia concentrada, Trip olhava pela janela do passageiro atento e Hudson olhava da janela atrás do motorista, chacoalhando um brinquedinho estranho de Bimbo. Estavam tão envoltos em suas tarefas que o toque estridente do celular de Trip os assustou.
— Oi. — atendeu já o colocando no viva voz e voltando a olhar pela janela.
— Oi?! É só isso que você tem pra me dizer Triple G? Some sem dar sinal, sem avisar! Eu chego na Game Shakers atrás do meu filho e encontro tudo vazio sem um mínimo pedaço de papel me falando pra onde ele foi!
— Já acabou? — perguntou entediado quando escutou seu pai recuperar o fôlego. — Agora que o show terminou me fala realmente o que você quer.
— Quer dizer que um pai não pode se preocupar com o próprio filho? — perguntou indignado e Babe já estava impaciente com toda a situação.
— Um pai sim, você não. Larga de enrolação e fala logo que eu tô ocupado. — pediu, para encerrar a ligação.
— Tá legal, preciso de você pra ir comigo em um encontro duplo.
— O quê?
— Tem essa nova aspirante a cantora que eu conheci na festa, ela é super gata, tipo, muito gata. Mas ela só vai sair se você sair com a filha dela.
— E por acaso a filha dela me conhece? — indagou confuso.
— Ela disse que sim. Falou que estuda na mesma sala que a Babe e vê você direto lá. É uma tal de Suzanie.
Babe logo parou o carro só para se virar de lado para encarar o rosto do amigo que estava em choque. Hudson começou a rir.
— De jeito nenhum! — tratou logo de negar. — Essa garota é estranha e vive me cheirando!
— Larga de coisa Trip. É só um encontro.
— Ele tá certo, garoto. Não vai te matar ir em um encontro com a Suzanie. — Babe incentivou com um sorriso enorme no rosto. Trip somente a olhou irritado e bufando continuou a conversa com seu pai.
— Olha aqui, eu não vou sair em um encontro duplo com você só pelo fato de você querer pegar a mãe gata dessa estranha.
— Trip, Trip. Se você não for eu vou.
— Adeus! — ele gritou para o pai e logo desligou a chamada.
— Ele vai te matar por isso.
— E você pensa que eu não sei? — se dirigiu a amiga que ria descaradamente.
Babe ligou o carro novamente e retomaram a procura por Bimbo. Depois de mais alguns quilômetros.
— Gente, eu acho que vi um rato correndo. — Trip avisou apontando para o outro lado da estrada.
Babe parou logo o carro e todos os três desceram a tempo de ver Bimbo, que estava com uma coleira roxa, correr para o lado deles da estrada.
— Ninguém se mexe. — Ela pediu em um sussurro firme ao puxar o braço de Hudson para ele se aproximar lentamente dela.
— Hei, carinha. Sou eu, o Hudson. — falou dando alguns passos na direção dele, que parou e o olhou com cautela. — Sei que você tá sentindo falta dela, todos nós estamos, mas fugir não vai adiantar nada.
— Eu não acredito que ele tá realmente falando com a doninha. — Babe sussurrou para o amigo que estava ao seu lado, Trip só concordou com um aceno de cabeça, estava muito hipnotizado pela cena a sua frente para falar algo.
— Só vou te pegar um pouquinho e a gente pode ir atrás. — Mas assim que ele se aproximou um pouco mais, a doninha deu um pequeno pulo e correu para a casa que estava ao lado.
— Argh! Agora vamos ter que entrar na casa de um estranho pra procurar esse rato!
— Bimbo! — Hudson a corrigiu recebendo um olhar irritado em resposta, o que o fez se calar e dar um passo para cima da calçada.
— Olha, Babe, só o que precisamos fazer é bater na porta e pedir para procurar no quintal.
— Trip, não sei se você não percebeu, mas aquela doninha irritante acabou de entrar por um buraco na tela da porta. Ela tá lá dentro!
— Então a gente só precisa entrar na casa e pegar ela.
— Não é tão simples assim! Vocês nem fazem ideia de quem mora aí dentro! E se a gente acabar em um cativeiro ou mortos em pedacinhos?
— Você é muito dramática. — Trip afirmou impaciente, mas antes que qualquer um deles pensasse em falar mais alguma coisa, um grito nervoso veio da janela do segundo andar da casa.
— Eu quero os meus alhos! Me dá agora!
— Já falei que não! Larga de ser louca!
O segundo grito, que veio em resposta, fez os três se entreolharem assustados.
— A gente tá tão ferrado.
— A gente não, o Hudson que tá! — Babe afirmou enquanto sentava no meio fio cansada. — Você vai entrar lá, e só você vai inventar mais alguma desculpa esfarrapada pra Kenzie. Eu desisto.
— Mas. Mas. O que eu falo? — perguntou pedindo se aproximando para sentar ao lado dela.
— A gente já tá aqui, certo? — indagou o vendo assentir. — É só falar que veio visitar ela porque o Dimbo.
— Bimbo!
— Que seja. Porque esse bicho ficou com saudade dela, aí diz que ele correu dos seus braços pra dentro da casa e a responsabilidade vai pra ela. — explicou torcendo para que ele tenha entendido.
— Aí merda, eu vou matar meu pai! — Trip gritou chamando a atenção dos dois para si. — Acredita que ele acabou de me mandar mensagem dizendo que se eu não for agora pro encontro duplo ele vai tirar minha mesada e me fazer passar o verão com a tia Gertrudes?
— O que tem de errado com ela?
— Acredite cara, tem muita coisa de errado. — afirmou se arrepiando em desgosto só em pensar nela.
— Pois pronto. Vamos embora. — chamou animada e aliviada.
Os três se levantaram e seguiram em direção ao carro. Mas Babe parou no meio do caminho e se virou para Hudson que também parou e a encarou confuso.
— O que foi?
— Você não. Você fica. — mandou séria enquanto ele fazia uma cara desolada.
— Mas eu não quero, me deixa ir com vocês e eu ligo pra Kenzie do carro.
— De jeito nenhum! — dessa vez foi Trip quem se opôs. — Nós perdemos um domingo por sua causa, tá na hora de você perder o resto dele como pagamento. Então, tchau!
Os dois correram para o carro antes que Hudson conseguisse entrar. Trancaram as portas e deram ré até se afastar dele para dar a volta.
— Boa sorte! — Babe gritou ao dar a volta e acelerar para longe dali.
— Era o meu carro. — falou desconsolado ao ver o carro preto sumir no horizonte.
Virando-se para ficar de frente para a casa de dois andares, com um jardim não muito bem cuidado, ele respirou fundo caminhando em direção à porta. Só torcia para que Bimbo não tivesse sumido de novo.
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