Little secret
12 0.1. Pequeno segredo
Kenzie sentia seu estômago embrulhar pela terceira vez só naquela manhã. Respirou fundo para continuar a tentar comer o resto de seu cereal, mas provavelmente não aguentaria mais uma colherada sem ter que vomitar tudo no chão da cozinha.
Estava no apartamento de Babe passando as férias de verão. Poderia ir para a sua casa, mas seriam dias de estresse que ela não queria. Então voltou do quarto semestre de sua faculdade direto para a casa da amiga em Nova York, a dona do grande apartamento não se encontrava já que estava em alguma reunião da Game Shakers. O sucesso ainda era crescente e no auge dos seus 22-23 anos os sócios conseguiam lucrar muito bem. Principalmente depois que começaram a investir em outros ramos da tecnologia, a conselho dela claro.
Tentando mais uma vez engolir seu cereal preferido ela o sentiu voltar rapidamente e tapou a boca com a mão correndo para o banheiro mais próximo. Quase não conseguiu chegar a tempo no vaso, sentiu todo seu corpo a impulsionar para frente enquanto vomitava seu café da manhã e provavelmente até o jantar. Nada mais sairia dela, limpou a boca com as costas da mão e fechou a tampa do vaso com força. Respirou fundo e quase vomitou novamente quando sentou o gosto amargo em sua boca. Levantando ela deu descarga e foi para a pia atrás de um enxaguante bucal, se olhou no espelho e notou como as olheiras que estava tentando esconder se encontravam mais evidentes.
— Agora eu não posso nem tomar meu café em paz. — resmungou irritada colocando o líquido azul na boca e fazendo um gargarejo.
Após terminar de se limpar ela saiu para a sala novamente. Não tinha mais nada para fazer além de esperar, e esperar nunca foi seu forte. Andou ao redor de todo cômodo torcendo para ele chegar logo, ela tinha vindo por outro motivo além das férias, um motivo que talvez nem a permitisse voltar para concluir seu curso. O simples pensamento de não poder mais estudar o que ela tanto amava a assustava de uma maneira sobre humana, mas sabia que não havia mais nada a fazer e o que a consolava, e ela torcia para estar certa, era que não seria a única a ter sua vida mudada.
O toque insistente da campainha a tirou do vórtice de pensamentos. Caminhando determinada em direção à porta ela a abriu rapidamente. A sua frente estava um cara alto, loiro e com um dos sorrisos mais gentis que ela já conheceu.
Será que vai ter seu sorriso?
— Oi, Kenz. — ele era um dos poucos que a chamavam assim.
Ela somente aceitou o abraço que ele lhe dava e deu passagem para ele entrar. Quando fechou a porta percebeu que ele nem havia questionado o motivo dela o querer encontrar sozinha.
— Eu tenho algo pra te contar.
— Acho que já sei o que é. — disse a surpreendendo.
— Sabe? — perguntou insegura o vendo se aproximar alguns passos.
— É sobre a viajem que eu fiz pra te visitar né? E sobre o que aconteceu lá.
— Também. Na verdade é sobre a consequência do que aconteceu lá. — esclareceu congelando assim que ele ficou a centímetros de distância a sua frente e levou uma mão ao seu rosto.
— Eu pensava que era o único que não tinha esquecido nada daquela noite.
— Acho que a gente nunca vai esquecer. — sussurrou incapaz de falar mais alto. A proximidade a estava enlouquecendo.
— Eu não quero esquecer. — afirmou enquanto ela sentia sua mente ficar aos poucos em branco, principalmente quando notou que ele alternava o olhar entre seus olhos e sua boca.
Ela tinha que agir rápido.
— Tô grávida! — gritou em seu rosto, o que o fez se afastar assustado.
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— Então...
— Então...
— A gente vai ser pai.
— Cem por cento.
Os dois estavam sentados lado a lado no sofá da sala. Olhavam para a enorme TV desligada sem conseguirem se encarar. Kenzie havia contado tudo para ele, que estava de quase três meses e que não sabia o que fazer. O loiro somente a tranquilizou dizendo que não sairia do seu lado.
— Babe vai surtar.
— Minha mãe vai surtar.
— Meu pai vai me matar.
— Oh, Huds. Ele vai te deserdar. — falou o encarando culpada por lembrar de todas as vezes que escutou o pai dele falar que a única coisa que ele não queria era um neto ilegítimo, concebido fora de um casamento.
Hudson passou a mão pelo rosto de forma cansada e Kenzie só queria abraça-lo. Se movendo no sofá ela se aproximou e deitou a cabeça em seu ombro, o loiro se mexeu e rodeou sua cintura com o braço esquerdo a puxando para mais perto.
— Será que ele vai ser tão inteligente quanto você? — perguntou após alguns minutos em silêncio.
— Eu não sei, mas espero. — admitiu o escutando rir enquanto ela brincava com os dedos da mão livre dele. — Mas quero que seja tão gentil quanto você.
— Você também é gentil, só que se da mal muitas vezes. — lembrou recebendo um tapa no peito.
Kenzie se afastou um pouco tentando fingir estar brava enquanto ele soltava uma risada de forma descarada.
— Mas sério, eu não quero contar agora. — confessou, passando as perna por cima das dele de forma que estava quase sentada em seu colo.
Hudson descansou uma mao sobre a coxa dela e comecou a fazer pequenoa circukos com o dedao que a fizeram relaxar.
— Você é pequena Kenz, sua barriga vai começar a aparecer logo. Isso se não forem gêmeos.
— Eu amaria se você nunca mais repetisse isso. — pediu desesperada se encolhendo ao pensamento.
— Imagine dois mini Hudson correndo por todo lugar!
— Isso não é nem um pouco reconfortante. Para de me assustar! — exclamou indignada o fazendo gargalhar alto. — Bom saber que meu medo te diverte. — resmungou o fazendo rir ainda mais.
Depois de mais algumas horas de conversa eles resolveram sair para encontrar seus amigos que combinaram de almoçarem todos juntos na Game Shakers. Kenzie torcia internamente e também em voz alta para Hudson não dar com a língua nos dentes, eles ja estavam em uma situação muito complicada para ainda ter que lidar com os loucos que eles chamam de amigos.
Ao chegarem no local perceberam que só estavam faltando os dois. Huttles e Bunny já separavam seus almoços das sacolas e Double contava algo para Babe que ria alto enquanto Trip digitava frenético no celular.
— Finalmente a realeza resolveu chegar! — Double gritou assim que os dois atravessaram a porta.
Kenzie revirou os olhos para seu drama enquanto Hudson somente soltava uma risadinha e fazia uma pequena reverência. Ela se afastou do loiro, mesmo sem querer, e foi sentar ao lado de sua amiga. Hudson foi para onde Trip estava e começou a conversar com ele.
— Como está a faculdade? — Bunny perguntou interessado a fazendo abrir um sorriso forçado e falar com o máximo de entusiasmo que conseguiu reunir.
— Está maravilhosa.
— Você vai voltar depois do verão né?
Era uma pergunta normal, ela sabia que era, mas não conseguiu responder de imediato, o que fez toda a atenção se voltar para ela e para o fato de que ela estava ficando de uma cor muito estranha.
— Kenzie, amiga. O que houve? — Babe perguntou preocupada quando a garota mais nova respirou fundo para evitar que a sala continuasse rodando. — Kenzie.
Ela escutava a voz de sua amiga ficar cada vez mais longe. Parecia que estava embaixo d'água e todo seu corpo começou a ficar mais leve, começava a ver tudo turvo e sabia que estava prestes a desmaiar.
— Kenzie! — o grito de Hudson foi a última coisa que escutou antes da escuridão se fazer presente.
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