Little Things
1 A raspadinha
Santana acordou menos do que entusiasmada para o primeiro dia de aula. Resmungando e dando um tapa no despertador forte o suficiente para o objeto cair da cabeceira e quase se espatifando no chão, ela se levantou lentamente da nova (e dura) cama.
Hoje é o primeiro dia dela na escola de Lima — Ohio, a cidade esquecida pelo mundo para qual ela foi obrigada a se mudar pelo pai. De acordo com ele, ela tem que se familiarizar mais com a cultura e modos da parte dele família (o que ela obviamente nao fez vivendo 17 anos em Los Angeles vivendo com a mãe).
Ela tomou banho, colocou seus óculos, vestiu sua camiseta favorita de Black Ops 2 preta, calça skinny e sandálias e desceu para a cozinha para preparar o café da manhã, já que ela se recusava a comer as batidas de mamão com aveia e linhaça que seu pai é acostumado a ter de manhã.
"Não vai ser tão ruim quanto parece ok, eu prometo." Marcos Lopez disse sorrindo ao perceber o olhar de "que merda" explicito no rosto da filha enquanto ela olhava pela janela. Ele sentou na pequena mesa da cozinha e começou a tomar sua batida e ler o jornal.
Santana apenas revirou os olhos, cutucando com o garfo um pedaço de bacon.
Marcos riu.
Alguns minutos se passaram com eles comendo e conversando sobre coisas triviais até Marcos se levantar e ir guardar um pedaço restante de mamão na geladeira.
"É melhor você ir, senão vai se atrasar. E pegue um casaco filha, o tempo em Lima é meio imprevisível..." Ele comentou, fechando a porta da geladeira e observando o calendário pendurado na mesma, conferindo com os dedos algo.
"Nah." Santana respondeu, se levantou e foi comendo o ultimo pedaço de bacon enquanto pegava as chaves do porshe 911 que ela ganhou há alguns meses de aniversario e a mochila andou em direção a porta da frente.
"Depois não diga que eu não avisei!" Ele gritou enquanto a garota saia da casa. Ele deu uma risadinha. "Adolescentes."
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Ao chegar na escola e estacionar o 911 preto, foi só Santana sair do carro que todos os olhares de repente estavam nela.
"Com certeza esse não é o tipo de coisa que acontece em Los Angeles." Ela murmurou, tímida e tentando acabar com o momento o mais rápido possível.
A escola secundaria Mckinley High era um prédio claramente antigo e com necessidade extrema de pelo menos uma pintura. O local parecia caber no máximo uns 500 alunos, que aparentemente estavam todos na área da frente observando e cochichando sobre ela, a garota nova.
Santana engoliu em seco, ajustou a mochila nas costas e fez postura de durona, passando pelo mar de adolescentes.
Ao entrar quase que imediatamente
uma garota baixinha, de olhos castanhos e cabelos extremamente lisos se pôs na frente de Santana, com a mão estendida no ar.
"Você deve ser Santana Lopez! Prazer em te conhecer, eu sou Rachel Berry e me propus a lhe mostrar a escola. Sou presidente do clube de Xadrez, coral, álgebrae Jovens Judeus e assim que me foi informada a sua matricula na escola o diretor Figgins me forneceu tempo suficiente para preparar um pequeno tour." A garota falou rápida e entusiasticamente enquanto Santana lhe dava um aperto de mão
meio que sem ação, tentando captar tudo o que ela falou.
"Hum...Prazer."
"Agora vamos, temos que pegar seu horário e lhe mostrar as salas!" Rachel começou a andar pelo corredor com um sorriso cegante, permitindo que Santana olhasse melhor as roupas dela. Uma calça jeans clara boca-de-sino, sapatos fechados e um suéter extremamente grosso cor marrom-barro cheio de cervos bordados.
Ela só fez dar uma risada incrédula, engoliu pelo menos uma centena de piadas maldosas relacionadas a Betty — A feia e com uma sobrancelha arqueada seguiu a garota, afinal ela precisava se enturmar com pelo menos alguém.
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Depois de horas agonizantes com desconhecidos querendo puxar assunto com ela (antes de perceber sua "nerdisse" e se desinteressarem) e aturar Rachel Berry falando sem parar (mas por incrível que pareça a garota era bem legal) finalmente era a hora do intervalo.
Santana pegou um refrigerante e um sanduíche e foi se sentar na mesa onde Rachel (a quem ela já apelidava de hobbit em sua mente) e mais algumas pessoas que provavelmente eram amigos dela.
Apesar de ser nova, Santana já estava melhor do que quando estudava em L.A., sendo que lá ela só tinha um amigo (e o único interesse dele era jogar no X-box dela) e era basicamente ignorada ou xingada pelo resto da escola.
Ela mesmo com vergonha começou a conversar com o pequeno grupo, que depois se revelaram ser Kurt, Mercedes, Mike e Sam. Eles pareciam ser legais e logo Santana percebeu que eram nerds também.
"Ei Streisand!" Uma voz chamou atrás de Rachel. Todo o grupo incluindo Santana olhou para a direção da voz, onde 3 garotas vestidas de lideres de torcida se aproximavam.
"Quinn! Oi." A garota ficou tensa mas respondeu. A jovem loira de olhos verdes no meio sorriu cinicamente, com as mãos na cintura.
"O meu trabalho de espanhol é pra hoje, é melhor ele estar pronto."
"Uh-sim ele-"
"Tá, tá. Vai deixar lá na sala depois pra mim ok Shrek." Quinn interrompeu com cara de tédio.
2 segundos antes de Rachel responder um liquido azul acertou a garota bem no rosto e um pouco espirrou em Santana também.
"Ouch! Acertou em cheio Brittany!" Um garoto alto, musculoso com cabelo moicano e vestido que nem um gangster gargalhou, junto com todos presentes na cafeteria, que agora estavam olhando.
"Oops! Foi sem querer Berry." A garota loira que surgiu atrás de Quinn falou. Ela abraçou a líder de torcida por trás e sussurrou algo em seu ouvido, fazendo ela rir.
Santana, que estava sentindo o Hulk dentro de si acordar (ou Snix, como ela costuma chamar) se levantou bruscamente da mesa e antes que pudesse pensar duas vezes no que estava se metendo gritou:
"Por que diabos você fez isso?" A cafeteria ficou em completo silencio e o pequeno grupo de cheerios e gangsters que havia se formado ali parecia chocado por ela se impor.
"Calma tigresa minha mão escorregou..." Brittany riu. Seus olhos azuis encararam os castanhos de Santana por longos segundo, a desafiando a responder mas a intensidade deles fez Santana fraquejar.
Os olhos azuis cristalinos e maliciosos, o cabelo loiro levemente ondulado, o sorriso de canto de boca e a pose de rebelde com aquela jaqueta de couro que ela podia ver um pouco por trás de Quinn fez o coração da latina bater inesperadamente mais forte e ela sentir uma pontada lá embaixo apesar da raiva que ela estava da garota.
Mas ao invés de continuar o argumento ela apenas suspirou alto e se sentou, analisando a situação em que estava e percebendo que assim como os bullys de L.A., os dali fariam a vida dela um inferno se ela fosse contra o fluxo deles. Do de Brittany.
"Foi o que pensei, boa decisão novata." Ela continou, virando para a direção de Rachel com uma expressão desconhecida por um piscar de olhos e depois a garota e o resto da gangue saíram da cafeteria zombando os nerds da mesa.
"Eu aprecio a sua consideração, mas não faça mais isso. É ainda pior." Rachel comentou logo após com a voz tremida, se levantou da mesa e se retirou do local limpando seus olhos que estavam com uma mistura de raspadinha e lágrimas.
"Ela tem razão sabe." Mercedes se pronunciou com um tom triste. "Aquele povo, as lideres de torcida e os gangsters mandam nessa escola."
"Quinn Fabray é a capitã das líderes, a vadia líder do bando. A reencarnação do mal vestida de vermelho." Foi a vez de Kurt falar.
"Brittany Pierce é a rebelde, galinha e burra como uma porta atrás dela." Ele concluiu, revirando os olhos.
"Ei. Se a Rachel te ouvir falando isso vai dar briga Kurt então para." Mercedes avisou olhando feio para Kurt, que levantou os braços, se rendendo.
Santana arqueou uma sobrancelha.
"Por que?" Ela perguntou, confusa. Os garotos olharam entre si.
"Só a Rachel pode te contar, desculpa." Sam falou, desviando o olhar.
Ok. Tem treta grande nessa história. Santana pensou.
“Eu entendo.” A latina concordou com a cabeça, curiosa mas compreensiva. Ela suspirou uma ultima vez antes da campa bater e todos levantarem para ir pra próxima aula.
Santana tentou pela milésima vez colocar a combinação do seu armário, irritada por novamente ele insistir em não abrir. O cadeado era velho e enferrujado, e a latina ficou resmungando palavrões e como ia se atrasar pra aula de química no seu primeiro dia.
“Ei geek.” Uma voz disse atrás dela. Ela gelou, automaticamente reconhecendo a voz. A garota permaneceu parada na frente do armário fingindo que não ouviu, rezando pra pessoa de algum modo evaporar.
Eu sabia, estava muito bom pra ser verdade. Droga, problemas já no primeiro dia. Que ótimo.
Uma mão forte e pálida pegou no seu braço e a girou, fazendo-a ficar de frente com Brittany e seu sorriso de canto de boca. Na outra mão a loira tinha um como com raspadinha de uva.
“Muita audácia sua me desafiar hoje na frente da escola.” Ela continuou, soltando o braço da latina e tomando um gole da raspadinha. Santana respirou fundo, arrumou o óculos no rosto e com toda a (pouca) coragem que tinha respondeu:
“Rachel é minha amiga agora. E eu defendo meus amigos, até de pessoas como você se necessário.”
A frase pareceu despertar algo em Brittany, que ficou estática olhando para Santana. Seus olhos ficaram um tom mais escuro de azul enquanto ela abaixava lentamente a mão com a raspadinha.
“Você não sabe nada de mim, você não me conhece.” Brittany falou séria. Santana arqueou uma sobrancelha, incrédula.
“O que há mais a saber? Você é a típica bully, aquela que não tem nada pra fazer na sua vida medíocre e acha que tornar a vida das pessoas um inferno vai te tornar melhor!” Ela gritou, internamente tremendo de medo mas a adrenalina correndo no seu corpo lhe dando forças.
“Eu não sou assim!”
“Sim, você é!”
A loira a sua frente ficou com uma expressão indecifrável por alguns segundos e por um segundo Santana achou que Brittany iria lhe dar um soco e se encolheu, fechando os olhos e se protegendo do futuro baque.
Mas ele nunca veio.
Ao invés disso ao abrir os olhos novamente, só o que estava ali era um corredor vazio e um armário aberto.
Tentando entender o que diabos aconteceu, a latina tentou se lembrar do acontecido várias vezes até o momento em que a garota desapareceu.
E do momento em que ela pode ouvir um sussurro um momento depois de ela ter fechado seus olhos com medo.
Eu vou provar pra você.
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