Little Surprise
1 A little surprise awaits me
Notas iniciais
Rose’s POV
Entrei no quarto com o copo de café em mãos, colocando-o em cima da mesinha de centro do quarto. Antes de fazer qualquer coisa, parei e olhei ao redor.
Minha cama, do meu lado esquerdo, estava desarrumada. Do lado dela, meu criado mudo estava do jeito que sempre está, com meu relógio digital, alguns cadernos, e meu celular. Do meu lado direito, a cama da minha colega de quarto, Alice, estava completamente bagunçada, com várias roupas espalhadas por toda ela – ela tinha passado a tarde inteira escolhendo uma roupa para a festa que ia rolar hoje no dormitório masculino. Seu criado mudo estava cheio de tralhas, como papéis de bala, pirulito e chocolate, alguns cadernos, lápis, borrachas, apontadores e canetas, dois carregadores de celular, um pacote de absorventes aberto, e seu computador embaixo de tudo. Atrás de mim, nosso guarda-roupa estava aberto, com sapatos espalhados dentro dele, e camisetas, calças e vestidos fora do lugar. Do lado do nosso guarda-roupa, nossa gigante cômoda estava mais ou menos arrumada. A televisão estava no lugar de sempre, meus livros em baixo dela também estavam organizados, mas ao redor de nossa TV estavam espalhados copos de café e papéis amassados. O local à minha frente era o único limpo e organizado do quarto: duas poltronas — a verde, minha, e a laranja, de Alice — residiam sem nada em cima, e a única coisa presente na mesinha de centro era meu recém-comprado copo de café.
O quarto estava vazio e silencioso, e a única coisa a ser dita era:
— ISSO!
Joguei-me em minha poltrona com um sorriso enorme na cara, feliz da vida por finalmente ter um tempo sozinha. Não que eu seja antissocial ou não goste da minha colega de quarto, não. Alice é minha melhor amiga — junto de Lily, claro — e eu a amo, mas às vezes preciso de um pouco de paz e tranquilidade para ler e tomar um café, coisas que estou prestes a fazer agora. Isso me relaxa, e com as provas finais chegando, não há nada mais que eu precise.
Depois de algum tempo lendo, chequei meu celular e vi que já eram cinco horas da manhã. Espera. CINCO HORAS DA MANHÃ?! COMO ASSIM?!
Pulei da poltrona e meio andei, meio corri para o banheiro no fim do corredor. Tudo bem que amanhã — hoje, tanto faz — era sábado e não tinha aula, mas o meu plano não era ir dormir seis da manhã.
Depois de terminar o banho, me enrolei em minha toalha, me sentindo muito bem. Nada como um banho quentinho para te relaxar e deixar feliz! Fui cantarolando para meu armário, com o intuito de pegar uma roupa, quando, ao abri-lo, meu mundo para. Não havia nada além de cremes, shampoo e condicionador lá.
MERDA! O que eu faço agora?!
Então me lembrei: a festa! Não, eu não vou para aquela festa, muito menos pelada, pelo amor de Deus! Mas todo mundo estava lá, e quem não estava já devia estar dormindo, o que significa que não teria ninguém no corredor.
Saí então do banheiro e fui andando até meu quarto. Sentia-me um pouco desconfortável por estar andando de toalha por aí, mas pelo menos ninguém apareceu. Entrei rapidamente no meu quarto e no de Alice, percebendo que ela não tinha chegado ainda. A festa devia estar boa então...
Troquei de roupa pensando no que Alice me diria no dia seguinte, se não estivesse de ressaca. Provavelmente me contaria dos gatinhos que estavam lá, se ela pegou alguém, se rolou barraco... Ela iria fofocar. Rolei os olhos só com o pensamento, rindo em seguida.
Cansada, apaguei as luzes e deitei em minha cama. Dormi assim que minha cabeça tocou o travesseiro.
Acordei algum tempo depois sentindo um peso afundar o meu lado na cama. Provavelmente Alice. E devia estar bêbada...
Mas então a pessoa ao meu lado começou a beijar meu pescoço, e eu gritei, porque me assustei. A pessoa ao meu lado também gritou; eu comecei a me mexer para tentar ver quem estava atrás de mim, a pessoa começou a se mexer para se afastar de mim, e no meio da bagunça nós dois caímos no chão.
Olhei para o ser em baixo de mim, e primeira coisa que percebi foi que era um garoto. Levantei, acendi as luzes, e olhei para o loiro na minha frente.
— QUEM É VOCÊ?! – gritei exasperada, ao mesmo tempo em que ele gritava exasperado:
— VOCÊ NÃO É A SAM!
— O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI?! – perguntei em seguida.
— A Sam me disse para encontrar com ela no quarto!
— É, bom, AQUI NÃO É O QUARTO DA SAM!
— EU PERCEBI!
— E POR QUE DIABOS VOCÊ ESTAVA ME BEIJANDO?! – eu continuei gritando, ainda um pouco traumatizada.
— PORQUE EU ACHEI QUE VOCÊ FOSSE A SAM!
— MAS EU NÃO SOU A SAM!
— EU ESTOU VENDO!
Depois da nossa “sessão gritos”, fiquei quieta para recuperar o fôlego e me acalmar um pouco. Não é todo dia que eu sou quase estuprada por um estranho.
— Tudo bem, acho que começamos isso do jeito errado – o loiro disse, com um tom de voz que indicava trégua.
Olhei para ele como se dissesse “você acha?”.
— Eu sou Scorpius Malfoy.
Apertei a mão que ele me estendeu.
— Rose Weasley.
— Bom, Rose, me desculpe por invadir seu quarto e te beijar.
Cruzei os braços.
— Como você entrou aqui?
— A porta estava destrancada.
Droga. Esqueci de trancar a porta. Eu com certeza vou lembrar de fazer isso da próxima vez.
— Você não pode sair por aí abusando de garotas indefesas enquanto elas dormem, sabia? – continuei com uma pontinha de irritação na voz. Ele riu.
— Sim, eu sei. Mas é que a Sam me deu esse papel com o número do quarto dela e disse pra eu passar lá depois da festa...
Ele me estendeu um papel quadrado com o número 101 escrito em batom nele.
— Seu mané, aqui diz 101, não 107!
— Ah! – ele olhou para o papel de novo e percebeu o erro que tinha cometido. – Ops. Confundi os números.
— Pois é.
— Mas até que valeu a pena... – ele disse me olhando de cima a baixo.
Acontece que eu estava vestindo um shorts de pijama que quase não cobria minha bunda, e uma camiseta do meu irmão, meio larga mas que ainda sim mostrava meus seios.
Em minha defesa, eu sou uma garota muito calorenta, tá?
Corei levemente e joguei meu travesseiro nele.
— Seu idiota! Para de olhar pra mim desse jeito!
— Só se você trocar de roupa... Você tá muito sexy desse jeito, Weasley. Com essa roupa curtinha, as curvas e pernas aparecendo, os cabelos bagunçados...
Eu corava mais e mais a cada palavra dele.
Foi quando ele deu um sorriso malicioso que não aguentei mais.
— Seu pervertido! Sai daqui! – e comecei a empurrá-lo para fora do quarto.
O problema? Eu sou menor e mais fraca que ele.
Ele é mesmo muito forte, constatei enquanto tentava tirá-lo do cômodo, deve fazer algum esporte para ter músculos definidos como esses...
Rose Weasley, cala a boca! Você acabou de conhecê-lo!
É, bom, isso não muda o fato de ele ser incrivelmente musculoso...
Quando finalmente consegui jogá-lo para fora do quarto, uma pontinha de esperança se instalou em mim ao pensar que me veria livre dele. Infelizmente, eu estava enganada.
Estava fechando a porta quando ele colocou o pé entre a mesma e o batente, me impedindo de terminar o que comecei.
— Dá o fora daqui Malfoy!
— Calma ruiva! Não vai se despedir?
— Não!
— Poxa, eu queria tanto um abraço de despedida...
Olhei-o mortalmente pelo vão da porta.
— Vai. Embora. Malfoy.
— Ah, ruiva. Me desculpa, vai. Eu não devia ter falado isso quando a gente acabou de se conhecer. Só quero terminar bem o que começou mal. Você não pode abrir a porta pra gente se despedir adequadamente? Só um aperto de mãos, juro que não faço nada mais do que isso.
Analisei-o pelo vão da porta. Ele não parecia estar mentindo. E, eu sou uma pessoa bondosa, podia dar a ele uma segunda chance.
Abri a porta e fiquei cara a cara com ele. Ele me estendeu a mão. Apertei-a. Quando ia soltar, ele me puxou para si, me dando um abraço.
— Você jurou que não ia fazer nada além de apertar mãos!
— Estou tentando começar uma amizade aqui, Rose. Amigos se abraçam.
Acabei desistindo de tentar me soltar dele e abracei-o de volta. Um abraço não poderia fazer mal, certo?
Quando nos afastamos, ele sorriu malicioso pela segunda vez na noite – madrugada, tanto faz – e disse:
— Você continua muito sexy nessa roupa...
Bati com toda a minha força em seu ombro.
— Seu idiota!
Ele se distanciou de mim e disse:
— Amizade Rose!
Bati nele de novo, e ia continuar a bater se ele não tivesse começado a correr.
— Ah, eu moro no quarto 124, não esquece hein! – ele gritou antes de sumir de vista.
Entrei bufando em meu quarto, trancando a porta e desligando a luz, e me joguei em minha cama pronta para dormir de novo, quando o som de uma chave na fechadura atrai minha atenção.
Um segundo depois a porta é aberta e Alice passa por ela, acendendo a luz.
— Rose! – ela diz surpresa, percebendo que eu a olhava. – O que você tá fazendo acordada?
— Longa história. Te conto amanhã.
— Okay. Acho que conto a minha história amanhã também.
— Faça isso.
Vendo que eu estava cansada, Alice colocou o pijama rapidamente e apagou a luz, deitando logo em seguida.
Pensei então nos recentes acontecimentos, decidindo que iria amanhã ao quarto 124 do dormitório masculino da faculdade para tirar satisfações – ou brigar, tanto faz – com um certo loiro pervertido.
Quem sabe ele abre a porta sem camisa, e aí eu vejo o quão definidos os músculos dele são.
Cala a boca Rose!
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