Little Secrets

2 II - O incendiário


Notas iniciais
Yo,
Mais um capítulo. Não foi muito bem revisado, então me avisem se encontrarem qualquer erro.
Espero que gostem.
Boa leitura (:

O incendiário

"Tic."

O barulho do isqueiro quebrava o silêncio.

"Tic."

A mistura entre o amarelo, vermelho, laranja e azul cintilante queimavam e rasgavam o escuro.

"Tic."

A labareda iluminava seu rosto pálido. Seus olhos castanhos refletiam o flamejar das chamas; brilhavam.

"Tic."

Um pequeno pedaço do quarto iluminava-se. O carpete verde escuro estava sujo e empoeirado, assim como os móveis de mogno maciço.

"Tic."

A visão alaranjada permitia notar sua camisa colada ao corpo devido o suor. Estava sentado sobre suas pernas. Era-se possível ver pequenas queimaduras em sua pele alva.

"Tic."

A rua se encontrava em estado de inércia. O vento soprava forte e o resplandecer do pôr do sol entre o céu nublado mesclava com a luz piscante naquele quarto.

"Tic."

Seu apartamento parecia inabitado.

"Tic."

Aproximou o objeto e posicionou-o rente aos olhos.

"Tic."

A imagem de uma bela mulher lhe surgia à mente.

"Tic."

Ela sorria-lhe gentilmente, de uma maneira amável. "Pode ir meu bem." ela dizia afavelmente "Ficarei bem." lhe afagou o rosto e depositou-lhe um carinhoso e terno beijo.

"Tic."

O fogo tomava conta de suas memórias. A visão de sua casa sendo devastada pelo fogo atormentava-o sempre.

"Tic."

Agonizou. Soluçava freneticamente, engasgando em suas próprias lágrimas. Era doloroso. Era cruel.

"Tic."

O quarto parecia pequeno de mais.

"Tic."

Pequeninas lágrimas acomodaram-se unicamente ao canto de seu olho, sem cair. Segurava os lábios trêmulos que insistiam em formar um triste sorriso.

"Tic."

Estava fascinado quanto ao fato de uma tão pequena e bonita chama ter o imenso poder de fazer tantas coisas – de grande preciosidade – dissipar em apenas um piscar de olhos. Uma mera chama havia sido capaz de impedir um coração de bater para sempre.

"Tic."

As lágrimas cederam e rolaram pela face, aumentando a constância. Sua respiração descompassou. Deixou o isqueiro correr por sua mão e encurvou-se, juntando-se as pernas e afagando o rosto aos joelhos, formando assim um casulo.

A imagem da vela branca pouco derretida e acesa voltava à sua mente. Esta posta sobre um pires que, por sua vez, estava posto sobre a cômoda.

Naquele maldito dia estava chovendo. Naquele maldito dia, a janela havia emperrado. E naquele maldito dia, a cortina revelou ser maior do que pensavam.

Engasgou com os soluços. Havia sido sua culpa. De seu maldito hábito desde que saíra da clínica. No fundo de si, ele era o incendiário.

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