Little Lion Man
8 Capítulo 8
Notas iniciais
A revista da semana já estava em produção. Scorpius havia adorado o design novo e já queria que fosse publicada. Estava orgulhoso de si. Finalmente, estava trabalhando. Como um adulto responsável.
Rose Weasley se esgueirara por bares e eventos – que Scorpius nomeara, juntamente de um rapazinho que “escrevia bem” e sempre trazia críticas positivas à revista com seus artigos – e tirava fotos maravilhosas. Passava a maior parte do tempo indo levar as fotos para que o chefe aprovasse ou negasse.
Ele, que não entendia NADA de fotografia, principalmente de famosos, apenas aceitava e negava algumas poucas para demonstrar o mínimo de senso crítico que – fingia – ter.
_Quando ela vai ás bancas? – perguntou Rose, orgulhosa, folheando a nova revista.
_Amanhã mesmo.
Scorpius sorria pomposo, sentindo o cheiro da nova revista. Pensou mil vezes se deveria enquadrar ou não, a obra de arte que realizara. Rose Weasley, passava página por página, rindo ou comentando sobre a vida de alguém, como se fosse uma daquelas velhas adictas à vida das celebridades.
_Scorpius – chamou Rose, pousando a revista no colo – acha mesmo que isso vai dar certo?
_É a minha última cartada.
_Na verdade, é a primeira – Mía estava parada à porta, brincando com o trinco – e eu espero que dê certo.
_Eu também – concordou Scorpius, sorrindo.
Impressionou-se ao ver a moça caminhando devagar, e sentando-se ao lado de Rose, que sorriu. Não sabia que eram amigas. Scorpius fingiu não perceber, e voltou o olhar para o computador, que trazia um longo gráfico das vendas passadas. Estava ansioso para atualizar aquele gráfico.
_A gente deveria dar uma festa – sugeriu Scorpius, voltando-se às garotas.
_Não acho que seja uma boa ideia – recuou Rose, torcendo o nariz.
_Pensa no que a mídia vai dizer — alertou Mía, balançando a cabeça.
Scorpius, mais uma vez, olhou a tela do computador. Lembrara de tantas outras festas que seu pai dava, e queria dar uma igual. Ou melhor. A mídia sempre pensa tanta coisa, afinal.
_Preciso de um calendário – concluiu, e nenhuma das duas pensou em retrucar.
***
Marcel Zabini tinha aparecido na revista para visitar o amigo. Ainda estava em Londres, e ao ser avisado da festa, se empolgou em ajuda-lo.
Estavam olhando o salão, no terraço do prédio. Marcel avaliava cada pedaço, observando cada ponto onde poderia instalar luzes, DJ, mesas e um palanque. Não foi uma ideia que Scorpius aceitou de cara, mas tinha de fazer. Seu pai sempre o fazia.
_Dar as boas vindas, meu caro, é o mais importante. Mostrar esse seu rostinho lindo – e, apertando as bochechas do loiro, Marcel riu.
_Tudo bem, eu... Vamos contratar uma empresa que entenda do assunto – desvencilhou-se Scorpius, caminhando até as duas mulheres, que conversavam na ponta, olhando toda a cidade pela sacada – Mía, quero alguém competente para organizar essa festa.
_Só se for da empresa – Rose riu, balançando a cabeça.
Scorpius estreitou os olhos, confuso. Mía olhava de um pra outro, meio insegura. Até que decidiu abrir a boca.
_Você sabe, nós não temos dinheiro... – falou, mordendo os lábios ao final. Scorpius assentiu, lembrando-se.
_Achei que o presidente soubesse. Vamos ter de fazer por nossa conta.
Rose virara-se para ele, cruzando os braços sobre o peito. Tinha um ar de rainha, enquanto o vento levava seu cabelo para passear em volta de seu rosto. Scorpius lembrou-se mais uma vez de milhares de detalhes, que precisou afastar instantaneamente da cabeça.
_OK... Mas, precisamos fazer. Quem pode nos ajudar, daqui?
***
O rapaz atarracado estava todo encolhido na cadeira. O óculos escorregava até a ponta do nariz diversas vezes, e Scorpius sugeriu que ele enxugasse o suor algumas vezes. Sempre que abria a boca para dizer algo, seus dentes escapavam da boca. Scorpius estava com o nariz torcido há tanto tempo, que nem se dera conta da careta que fazia.
_Bom... as luzes é o de menos. Seu pai guardava algumas, das festas anteriores, lá embaixo...
_Ok... – começava Scorpius, tentando se distrair com qualquer papel que pegasse – Você consegue encontrar um bom DJ?
_Consigo.
_E os drinks?
_Também.
Scorpius fitou o rapaz, de esguelha. Depois observou Rose, que estava rindo pelo nariz no canto da sala, esperando a “reunião” acabar.
_Tudo bem. Qualquer coisa, estarei aqui na minha sala. Traga nomes, preços, tudo. Tente economizar, por favor. – falou Scorpius, sentindo-se infantil depois.
_Esse cara vai fazer a melhor festa de todos! – brincou Rose, fechando a porta, assim que o jovem Steve saiu. – Você tem certeza disso né?
_Não mais. Eu quero saber quem organizava as festas do meu pai...
Rose deu um sorrisinho, concordando. Depois batucou nos braços da cadeira e se levantou.
_Vamos almoçar, to morrendo de fome! – e, dando volta na mesa, puxou Scorpius por um braço.
Passaram por Mía, que concentrada na tela do computador, pareceu não ter visto os dois passarem.
***
_Eu amo isso aqui! – a boca cheia, um pouco de ketchup escorrendo pelo lado da boca, e um imenso hambúrguer na mão. Scorpius riu, observando-a atrapalhada procurando um guardanapo na mesa.
_Achei que você só comesse salada. Fosse aquelas vegetarianas chatas. Fico feliz por não ser.
_Eu até queria ser. Mas, carne... – disse, mastigando outro pedaço do lanche. – Nada contra vegetarianos, minha prima é. Eu como salada! Mas não recuso um McDonald’s.
Scorpius, ainda rindo, abocanhou também seu lanche. Estavam sentados, na praça de alimentação do Westfield Shopping. O lugar que Rose mais frequentava, segundo ela. Scorpius já havia tirado o paletó, a gravata e a manga da camisa estava na metade dos braços.
_Rose – começou Scorpius, um desejo intenso de agradecê-la por tudo o que estava fazendo para ajuda-lo contemplando seu interior – Você é incrível!
A ruiva parou de mastigar o lanche, e a mão ficou parada no ar, a caminho de pegar o copo de refrigerante. Seus olhos azuis o fitaram desconfiada.
_O que quer dizer com isso?
_Você tem me ajudado muito com a revista. E isso é realmente muito bom.
_Não está pensando que estou com dó de você, está? – questionou, os olhos se fechando em fendas.
_Não! Claro que não, eu confio totalmente em você, Rose. Obrigado mesmo. – agradeceu, buscando a mão que ela acabara de pousar sobre a mesa. Rose permitiu que ele a tocasse, abrindo um sorriso, que foi retribuído em seguida.
***
Rose caminhava até o escritório de Scorpius, passando por Mía, que lhe lançara um sorriso despreocupado. Segurando o trinco, abriu devagar. Lá estava ele, sentado, a gravata frouxa, o paletó jogado no chão. Com um pigarro, chamou a atenção do moço.
_Ah, oi. – ele sorriu.
Devagar, ela foi até a mesa, sentando-se na cadeira em frente. O loiro teclava rapidamente o computador, enquanto a moça o olhava, pousando a mão no queixo.
_Aconteceu alguma coisa? – perguntou, quando percebeu a atenção que a ruiva estava lhe depositando.
_Não, nada – disse, mantendo a voz firme – Não tinha nada pra fazer, vim olhar seu trabalho.
Scorpius deu uma risadinha, e voltou-se ao seu teclado. Rose começou a ficar impaciente, e batucou de leve a mesa, enquanto coçava o queixo com a outra mão. Scorpius não conseguiu ignorar, e abandonando o teclado, virou-se para Rose.
_Tudo bem. O que foi?
_Não foi nada! Vim observar o seu trabalho.
_Suas funções como diretora e fotógrafa não te mantêm ocupada o suficiente?
Rose revirou os olhos, apoiando as costas no encosto da cadeira. Começou a observar o teto, enquanto girava a cadeira.
_Weasley? – pressionou Scorpius, após 10 torturantes segundos.
_OK! – ela se aproximou, apoiando-se na mesa – aquele garoto. Stevie. Hoje ele passou carregando um manequim enorme! Eu não to confiando muito nessa ideia.
_E o que eu posso fazer? Não tenho saída, Rose. Estou esperando o maldito feedback das vendas desse mês e nada de me darem resposta. Eu estou ficando louco.
Rose mordeu o lábio, e tirou os óculos. Pousando-os na mesa, demonstrou a preocupação que jazia dentro dela. Isso incomodou Scorpius.
_Na verdade, tá tudo sobre controle. A gente tá indo bem! E a festa já é esse sábado, Stevie me passou um relatório completamente desnecessário sobre a festa. Eu nem li! – isso fez Rose rir, balançando a cabeça. – Eu deveria estar nervoso, já que perdi meus pais e ganhei uma responsabilidade enorme. Mas eu to dando conta. – e finalizou com um sorriso.
_Se você diz... – Rose deu de braços, e colocou os óculos novamente. Levantando, direcionou-se até a porta. – Ah! Ia me esquecendo. O que aquela maluca veio fazer aqui?
Scorpius cobriu o rosto com as mãos. Alice, só podia ser.
_Procurar sarna pra se coçar. Ela tá aí?
_Não. Não mais. – respondeu, desconfiada. – Mas achei estranho. Vocês namoraram há, o quê?5 anos atrás?
_Não namoramos. Obrigado. – respondeu, virando-se pro laptop.
_Ah. Isso é interessante porque... – Rose parou. Mexia no trinco com a mão, de leve. Até que a mão se fechou e ela resolveu puxar. – Até, Malfoy.
Scorpius tentou desviar os olhos para a porta e pedir para que ela ficasse. Seu pescoço congelou. Os dedos não se mexiam. Droga, pensou. Foi inevitável lembrar.
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