Listen To Your Heart
2 Capítulo 2 - The Ride
Notas iniciais
A porta do subsolo do amplo lar dos Berry fora aberta com um chute. Uma das mãos de Blaine Anderson carregava a pizza de mussarela e a outra segurava sua pasta preta de couro. Jogou a pasta com tanta força enquanto descia os degraus da escadaria que os papéis voaram sobre o chão. Agora com uma das mãos livres,afrouxou a gravata que apertava o pescoço e logo depois gritou, interrompendo o dueto do namorado e sua amiga:
- Cheguei!
Se há uma coisa que você NUNCA, mas nunca deve fazer é interromper um dueto HummelBerry. É quase um crime, um atentado ao talento alheio.
-Não é difícil notar Blaine, você chama mais atenção que a Katy Perry soltando chantilly pelos mamilos.
-Oh, amor, não seja tão duro.
Falou dando um selinho em Kurt, que fez Rachel, como sempre, se sentir mal por estar sozinha.
-Então garotos... É a vez de vocês, escolham a música que quiserem.
- Blaine, adoro essa! Temos que cantar.
E rapidamente a melodia começou a ecoar pelo ambiente, era um dueto de “Don’t Go Breaking My Heart”, que ficara adorável interpretada pelos jovens. Rachel estava sentada no sofá, olhando para as duas silhuetas á sua frente, os olhares apaixonados.
Depois que a música finalmente chegou ao fim, Rachel levantou-se em um pulo do sofá de veludo roxo, e mandou os meninos sentarem, para serem sua plateia.
-Agora, um solo de Rachel Berry de cortesia.
O pé de Rachel bateu no chão. A música chegou aos ouvidos de Klaine. Os dois se olharam. Qual era? Somebody to Love. É claro. O que melhor descreveria Rachel naquele momento. Ela fazia todos os movimentos que lembravam a música. Com direito a descer até o chão e rodar o dedo indicador perto do ouvido, tudo, claro sem deixar as caras e bocas á lá Berry de lado. Blaine e Kurt aplaudiram de pé. E finalmente, os três sentaram-se á mesa para jantarem.
-Dia cansativo, Engomadinho?
Rachel indagou depois do enorme suspiro vindo do amigo que fora carinhosamente apelidado assim ainda nos tempos de escola. Esticando o olhar, visualizou melhor o porão da casa da amiga. Havia um palco digno de apresentações feitas por profissionais, um grande sofá, poltronas, um bar equipado com frigobar e... Sheila, a gata, urinando nos papéis que caíram de sua pasta. Apenas coçou a cabeça, deu outro suspiro profundo e respondeu:
-Muito trabalho no estágio. E o dia de vocês?
Antes que as palavras pudessem sair da boca de Rachel, o celular de Kurt começou a tocar.
-Alô?
-Kurt?
-Pai?
-Kurt, preciso de você.
-O que houve?
-Passei mal, mas já está tudo bem.
-Estou indo te encontrar agora!
-Não, está tudo bem mesmo, já estou em casa com Carole. Mas preciso que vá para a oficina buscar Finn, ele ficou até tarde hoje cobrindo Jesse novamente.
-Okay, buscar Finn. Já estou indo.
Ele desligou o telefone.
-BUSCAR FINN?
Rachel perguntou animada. Kurt estranhou, e Blaine ainda mais.
-Acredito que seja outra oportunidade de conhecê-lo melhor.
-Huuuuuuuuuuuuuuuum.
Blaine e Kurt falaram ao mesmo tempo. Rachel estirou língua para os dois como uma criança e o grupo cruzou a porta, esquecendo pizza, pasta, papéis molhados por xixi felino e karaokê.
O trio botou os pés na empresa e encontraram um Finn Hudson deitado embaixo de um carro, segurando um alicate e usando um macacão cheio de graxa. Qualquer um teria, no mínimo, repulsa de um homem naquele estado, mas não Rachel. Tinha vontade de aproximar-se, mas se conteve, até porque não iria ficar embaixo do carro com ele. Kurt bateu no vidro do automóvel que estava sendo consertado para chamar sua atenção. O barulho não iria afetar sua concentração, mas seu reflexo o fez perceber que havia gente ali. Usando a linguagem dos sinais, falou:
- Olá!
Finn expressou-se na mesma linguagem:
- Olá!
O filho de Burt aprendera a língua dos surdo-mudos fazendo um curso com o pai assim que contrataram Finn. Há uma política enorme na família deles de não existir preconceito algum, e seria hipocrisia recusar o pedido de emprego de Hudson. Quando o moço começou a trabalhar lá, foi cativado por Burt, que o adotou como um segundo filho. Kurt, por tabela, o adotou como irmão mais velho. Continuou:
- Obrigada.
Finn tirou um lenço do bolso e limpou o suor da testa, balançando os ombros e sorrindo. Blaine checou um SMS que havia recebido. A pequena Barbra estava imóvel, praticamente babando. Não conseguiu perceber que estava se fazendo de boba, e ignorando a presença daquele que a deixava naquele estado, disse:
- Ele é mais gato do que eu imaginava.
A pessoa a quem ela se referia soltou um sorriso debochado de orelha a orelha. Tentando ser discreto, a versão masculina de Rachel cochichou, cobrindo a boca com a mão:
- Rachel... Er, ele entendeu o que você falou.
Então a menina caiu em si. Além de estar apaixonada platonicamente, o amor podia não ser correspondido. Tanta coisa invadiu a sua mente que só depois ela se tocou:
- Kurt. Ele é surdo.
- Pessoas que não escutam conseguem ler lábios.
- Mas eu fui tão discreta. Só você viu.
- Não foi tão discreta assim, querida.
Rach corou. Para quebrar o gelo, Kurt tirou as chaves do bolso e apontou para o carro. A organização do carro ficou ideal. Blaine no banco da frente, ao lado do seu namorado que era o motorista do dia, e Rachel e Finn atrás. E, do nada, uma lâmpada surge em cima da cabeça de Ms. Berry, para provar que quando ela tem uma ideia, nada irá impedi-la de transformar em realidade. Segurou no banco de Kurt, apoiou a cabeça no seu ombro e comentou:
- Vamos sair amanhã! É sexta-feira. Tem um restaurante novo aqui na esquina, Breadsticks. Podemos ir nós quatro. Finn, você fica comigo para eu não segurar vela.
- Rachel, ele não está te escutando.
- Você disse que ele podia ler meus lábios.
- Acontece que seus lábios estão bem distantes do campo de visão dele agora. Desse ângulo ele só pode estar olhando para a sua bunda.
Realmente, existem vantagens nele ser surdo. Esses comentários nada discretos poderiam ser feitos sem que ele notasse. Rach virou-se para ele e repetiu a frase que disse a Kurt. Com uma voz rouca, quase sem som, Finn aceitou o convite. Rachel Berry tinha um encontro com o mecânico mais gato das redondezas.
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