Notas iniciais
Well, como vocês devem perceber, sou uma figura um tanto nova por essas bandas. Como minha primeira obra elegi um pequeno conto-fanfic sobre dois dos meus personagens mais amados: Lilian Evans e Severo Snape.

Boa leitura :3

Os corredores do castelo permaneciam imersos na escuridão noturna. Amedrontado, o garoto caminhava a passos lentos, atento para qualquer possível sinal do maldito zelador. Da ponta de sua varinha uma pequena luz era emanada, furtando um pouco do breu que parecia engoli-lo.

Percorreu incontáveis galerias até chegar ao local combinado. Sabia que estava mais pálido do que o costumeiro, e isto provavelmente significava que poderia ser facilmente confundido com algum dos fantasmas que habitavam o lugar. Entretanto, muito embora tentasse se controlar, a ideia de vê-la fazia seu corpo estremecer.

Lilian.

Seria paixão? Amor? Os inúmeros livros que lera falavam de sentimentos do tipo, mas nenhum parecia abranger completamente o que sentia. Era certo que ela estava namorando com aquele maldito garoto da Grifinória, mas uma esperança ainda o movia a querer recuperá-la...

De repente, um pensamento tão obscuro quanto a noite rompeu as portas de sua mente. E se ele fracassasse? Certamente, se isso ocorresse, fingiria para todos que não se importava com aquela mestiça, como já fizera tantas vezes antes. Mentir e encenar era sua especialidade, e fazia isso com uma perspicácia que seria capaz de enganar o próprio professor Dumbledore.

Em meio à turba de pensamentos negativos, as lembranças das aulas de adivinhação voltaram à sua cabeça. Maldita matéria! Ele ainda podia se lembrar daquele professor gorducho fingindo espanto diante do mapa astral.

Oh, Severo... pobre Severo. Você é um bom garoto, mas vejo coisas horríveis. Perderá para sempre a menina que ama e jamais alcançará a felicidade nessa vida.

Quem se importava com o que as estrelas diziam? Ergueu os olhos para o céu, enxergando nada mais que a escuridão ocasionada por grossas nuvens sob as quais os luzeiros celestes se ocultavam. Ao que tudo indicava, o sentimento de aversão era recíproco. Que se danem.

Mas... E se ela não viesse? As dúvidas voltaram a inquieta-lo. E se trouxesse ele junto? O que seus amigos diriam quando descobrissem que ele estava flertando com Lilian? O que os conhecidos dela falariam?

Estava começando a se desesperar quando viu, ao longe, um rosto ruivo se aproximando. Mesmo com a pouca luminosidade, a face dela era a coisa mais bela que ele poderia enxergar. Era como um raio de sol rompendo as sombras, como o dia dissipando as trevas. Era não menos importante que o próprio ar que respirava.

— Lilian. Você veio. – Tentou não soar desesperado, o que foi em vão.

— Severo.

— Olha, eu gostaria de pedir desculpa por aquilo que fiz...

— Hey. – Ela colocou suavemente a mão no rosto dele – Não precisa pedir desculpas. Realmente, não precisa.

— Então... Tudo está bem entre nós? Você vai largar aquele cretino do Potter e voltar a namorar comigo?

— Escute. – Um pequeno silêncio se formou enquanto ela reunia as palavras – Os seus amigos, os meus, o James... você está seguindo por um rumo completamente diferente do esperado.

O sobrolho dele franziu.

— Onde você está querendo chegar?

— Quero dizer que somos pessoas opostas, com sonhos que se afastam e vidas sem qualquer semelhança, entende? – Indagou com um sorriso melancólico. Ele queria dizer que não, que não entendia, mas os sons apenas se entalavam em sua garganta, de forma que um longo e incômodo silêncio se formou até que ela prosseguisse – Olhando hoje vejo que o nosso namoro é simplesmente loucura, não faz sentido.

— É claro que faz, sempre fez! – Apertou a mão dela com mais força que desejava. – Lilian, eu te suplico.

— Por favor, Severo. – O sorriso evanesceu do pequeno rosto redondo – Não posso compactuar com o que você faz. Além disso, eu prometi dar uma chance ao James. Eu realmente estou dando uma chance para ele, e acho que podemos ser mais felizes que eu e você fomos. Sabe, ambos merecemos mais que discussões diárias.

As palavras soaram como um soco no estômago.

— Escute, — Respirou, tentando agarrar as ideias que escapavam – Eu juro que mudarei, eu prometo que mudarei.

— Você já prometeu tantas vezes!

— Mas dessa vez é diferente!

— Sempre foi, não é?

Ele ficou aturdido. Não poderia perde-la assim, não podia ser verdade. Lágrimas quentes teimaram em escorrer por sua face pálida, mas ele lutou para controla-las.

— Há algo que eu possa fazer para mudar essa decisão?

— Nada. – O silêncio voltou a reinar durante longos instantes — Será melhor para mim e para você também.

O que ocorreu depois foi de uma rapidez incrível, mas ficaria impregnado na mente do rapaz por muito tempo. Ela já se afastava quando sua voz a chamou pela última vez.

— Lilian!

Um par de olhos verdes lhe encarou.

— Me faz um favor?

— Diga. – Soou meio trêmula.

— Me dá um beijo de despedida?

Ele pensou que a sua amada negaria. Por instantes notou a hesitação nos olhos dela, oscilando como uma folha ao vento. Mas depois, surpreso, viu-a se aproximar e sussurra-lhe ao pé do ouvido.

— Só se você me prometer que me esquecerá depois disso.

No desespero do momento ele só conseguiu concordar. E então o mundo a sua volta se apagou, e só restou o doce carinho dos lábios dela.

◘◘◘

Ali, na escuridão do cemitério, contemplava o túmulo em silêncio. A noite de outono se assemelhava muito com aquela que tinha vivido tanto tempo atrás, e que continuava impregnada em sua memória.

Abaixou-se e limpou as folhas secas que cobriam a sepultura, desvelando o nome de sua amada, escrito com caligrafia cursiva.

— Lilian... – Sua voz não foi mais que um sussurro. Uma lágrima há muito guardada escorreu e precipitou-se sobre o mármore frio. – Desculpe-me, por favor. Desculpe-me por nunca ter cumprido minha promessa. Desculpe-me por nunca ter conseguido te esquecer.

Notas finais
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!