Linn
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Capitulo 3
Até onde uma pessoa vai por amor?
O que realmente fazemos que é baseado em amor?
Afinal, o primordial, o que é amor?
Eu só descobri realmente quando conheci Lufe, uma criatura perfeitamente encantadora, devo ressaltar. E hoje tenho certeza que os sentimentos que tenho por ele são verdadeiramente de amor, o verdadeiro infortúnio é que não foi longo o suficiente, não posso dizer que este pequeno tempo juntos não foi prazeroso, mas sempre queremos mais.
Logo depois que que o conheci, exatamente no mesmo dia para ser mais exata, quando retornei ao castelo, meu digníssimo pai fazia estremecer os quatro cantos daquele lugar, vociferando contra os Magos. E aquilo era só o começo, porque todo aquele discurso e termos ofensivos ainda não eram direcionados a mim.
Alguns dias se passaram, viraram semanas, voltamos a nos encontrar, namorar, sonhar. Sonhar com o impossível. Algo grande e lindo começou a se formar, nos encontrávamos escondido, cada vez mais os dias começavam a encurtar quando estávamos separados. O desejo aumentava, na mesma proporção que o medo, o medo de sermos pegos e todo o encanto acabar. Cada vez que eu sentia a magnitude disso tudo o receio me trazia a tona de nossa realidade.
– Vamos my lady, sorria!
O lago Samihr parecia se moldar a Lufe, eu sabia, desde a primeira vez que o vi me apaixonei pelo verde de seus olhos que eram parte desse lugar maravilhoso, lugar este que era meu refúgio particular, assim como ele.
– Já disse para não me chamar assim. É muito formal. – Respondi.
– As outras pessoas te chamam assim?
– Não, mas ...
Ele me silenciou do jeito que só ele sabia e poderia fazer, o problema era que seus lábios eram convincentes demais e eu acreditei, acreditei que nada poderia atrapalhar.
E podia.
Também poderia melhorar antes de tudo.
E aconteceu.
– Agora sorria! – Ele continuou por insistir.
– Por quê? Me dê um bom motivo. – Brinquei com ele, já sorrindo.
– Eu te amo. – Ele respondeu com tanta sinceridade, que meu coração não aguentou. Comecei a chorar.
– Meu amor, o que eu fiz?
– Eu também te amo... – Respondi em meio a soluços.
Estávamos deitados no jardim em volta do lago, que era tão lindo quanto o próprio. Ele levantou desesperado, se sentou, me tomou em seus braços e me aninhou em seu peito. Eu agarrei sua camisa como se ele pudesse escapar por entre meus dedos a qualquer momento, me apertei a ele e chorei mais ainda como uma criança que se desespera por medo. E eu realmente estava com medo.
– Meeryd, por favor ...
Mas, eu não conseguia responder, ainda não. Coloquei toda minha angustia para fora, em forma de choro. Ele ficou passando as mãos pelos meus cabelos, e por vezes murmurando coisas sem nexo algum ou algumas das músicas que tinha feito para mim. Com muito esforço consegui levantar a cabeça e falar.
– Desculpe. – Minha voz estava quase inaudível.
– Shhhhhh, você não tem que se desculpar.
– Eu te amo.
– O que aconteceu? – Ele perguntou.
Ele estava extremamente sério, sua expressão demonstrava muito esforço e concentração para não mostrar fraqueza diante de mim, mais foi um esforço falho, eu o conhecia muito bem.
Então, eu que tive de me esforçar muito para falar...
Eu o abracei, e pronto, enquanto eu estivesse assim, exatamente assim, não existiria mais nada. Seus braços rodearam minha cintura e tomaram posse, ele me abraçou com tanta força, mas era uma força de quem se responsabiliza pelo o que segura e teme alguma separação ou distância. Envolvi seu pescoço com meus braços e podia sentir sua respiração em mim, sentir seu coração bater junto ao meu, e era assim que deveríamos ficar, com a pessoa que amamos, para sempre.
Afastei-me e olhei em seus olhos.
– Estou grávida.
Prendi minha respiração. Esperei palavras duras, que ele me sacudisse e dissesse ser mentira, que eu fosse louca, mas me esqueci que se tratava de Lufe. Ele não me soltou por nenhum segundo, deixou seu corpo cair para trás e me levou com ele, segurou meu rosto em suas mãos, mas eu já chorava de novo e novamente ele me interrompeu, mas dessa vez ele me beijou como se nossas vidas dependessem disso, como se fosse apagar qualquer problema que pudesse existir, e resolveu, pelo menos por enquanto.
Ele sorria, sorria muito, de verdade.
Ele puxou meu rosto para perto do seu novamente e dessa vez falou em meu ouvido:
– Eu vou ser pai.
Ele falou de um jeito que eu poderia sentir o sorriso em seus lábios, ele disse devagar como quem aprecia algo e não quer que acabe.
– Você está feliz?
– E porque não ? – Conforme absorvia a ideia ele ficava mais eufórico.
– Aaah, que alivio! Eu ... eu... achei que...
– Eu vou ser pai! – Disse mais alto.
Se alguém me perguntasse o melhor momento que tive com ele, eu responderia sem sombras de dúvida que foi aquele abraço. Esse abraço passaria por todos os beijos, todas as juras de amor, todas as loucuras e até mesmo os outros abraços. Porque nesse, promessas foram feitas, confidencias foram trocadas, sonetos foram declamados e destinos foram traçados. Ele se pôs de pé me levando consigo.
– Agora está bem melhor! Você tem esse dom de melhorar minha vida, sabia?
E ele simplesmente respondeu:
– E quando esteve ruim my lady ?
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