Linhas Paralelas
3 A evolução de Trinta e cinco (completamente enrascado).
Notas iniciais
3.0 — Área desconhecida.
Ás vezes o título pode enganar, com uma forma para chamar atenção do leitor para que ele possa continuar lendo, alguns diriam que claramente é um titulo spoiler, que seria explicando de maneira simplista um título que estragou o momento chave do capítulo, mas não julgue um capítulo pelo título.
Trintacinco estava enrascada, presa em um calabouço escuro e frio enquanto lamentava a morte de Vinteoito, ela não podia acreditar que alguém não pudesse pensar duas vezes antes de tirar a vida de um homem, arrependimento são necessários para que possamos crescer e evoluir assim sendo a mente dela borbulhava de arrependimentos.
Talvez se não o chamasse de idiota tantas vezes não acabasse com a autoestima fazendo com que ele tivesse melhor desempenho nas missões.
Talvez se não tivesse destruído o gerador de RF e acreditado que por um instante ele poderia quebrar a variação de sinal e enviar um sinal de socorro para a sede e mesmo que fossem capturados alguns agentes poderiam ir ao encontro deles e salvá-los.
Talvez aceitar o conselho de Vinteoito que dizia para sempre tentar ser gentil com as pessoas e abrir seus sentimentos caso tivesse com problemas emocionais.
Tantos talvez que ela perdia a conta, mas ela sabia que lamentar não faria sair dali, e como que já estava na toca do inimigo ela pensava em métodos de não só sair do calabouço, mas também investigar quem são aquelas pessoas, em uma vaga lembrança de preparação param se tornar agentes da associação ela se lembrará de pessoas vestidas com um uniforme vinho causando o terror entre os multiversos, eles eram chamados de terroristas e de que a associação não poderia dialogar com eles, a única resposta que deveria dar era a eliminação deles e nada mais.
Mas ela sabia q era idiota, que mesmo se matasse e matasse e eliminasse os terroristas aquilo nunca iria acabar, precisava de um movimento mais inteligente, acabar com os terroristas na raiz, e não simplesmente cortar cabeças da hidra esperando um resultado diferente.
Trintacinco fez um esforço, provocou o próprio vomito para que uma pequena chave que ela escondia em seu esôfago pudesse sair, na véspera de qualquer missão ela engolia qualquer coisa que pudesse orientá-la a escapar de um calabouço ou de alguma sala fortemente fechada contando que ela pudesse ser capturada a qualquer momento, mesmo realizando um milhão de missões pela associação e nunca sendo capturada ela agradeceu a si mesma por se prevenir de algo que probabilisticamente era improvável.
Entre lágrimas ocasionadas por esforço extremo de forçar vomito em si mesmo e ranhos que não parava de sair de seu nariz ela conseguiu retirar os clipes de seu corpo, em uma velocidade assustadora ela tirou as algemas de seus pulsos e calcanhares e se dirigiu a porta fechada que aparentemente tinha uma tranca eletrônica.
Enquanto ela tentava destravar a tranca uma voz do holofote encontrado em sua sala ecoava, mas por conta de mal contado acabou emitindo um ruído estridente que obrigou Trintacinco em tapar seus ouvidos por algum segundo.
— Desculpa, desculpa primeira vez mexendo nesse aparelho. — Disse uma voz suave.
— Que desculpa o que, você tem que ser maligno, para as pessoas temerem você.
— Tá certo, me desculpe, eu vou tentar de novo.
— Me dá essa merda aqui. — Gritou a voz de fundo, novamente um barulho estridente assolou aquele calabouço ate voltar ao volume normal.
— Então, você deve estar se perguntando por que está sendo aprisionada não é mesmo?
Um silêncio tomou a sala, ele esperava por respostas.
— Senhor, o sistema de áudio não tem retorno, você não vai ouvir ela mesmo que ela respondesse.
— Eu sei seu idiota, estou a deixando pensar um pouco antes de eu responder.
Novamente o silêncio tomou a sala esperando uma resposta que com certeza ele nunca iria receber.
— Pois bem, deve ser porque você é uma agente de uma associação renomada que tem um trabalho nobre de manter a ordem entre os multiversos, um trabalho grandioso, diga-se de passagem, mas isso não importa você por ser uma agente treinada deve conhecer a fundo as tecnologias que vocês usam para auxiliá-los na missão, eu quero que você replique essas tecnologias ou morra de fome e exaustão no calabouço mortal.
Uma explosão interrompeu a comunicação do holofote, Trintacinco utilizando um chiclete explosivo que estava grudado na sola do sapato dela fez com que abrisse um rombo na parede oposto à tranca eletrônica, ela sabia que isso chamaria atenção, mas não importava mais.
— O que aconteceu? — Gritou o senhor que ameaçava a Trintacinco nos holofotes.
— Relatório, a prisioneira do calabouço escapou, aparentemente utilizou um chiclete explosivo para arrombar a parede.
— Mas que droga seus incompetentes, porque vocês não a revistaram.
— Senhor, o microfone está ligado.
— Que se foda, vão atrás dela.
Trintacinco correu em um corredor estreito tomado por encanamentos se perguntando onde ela poderia estar até que foi surpreendida por uma pessoa com uma mascara tristonha no final do corredor, ela se preparou para lutar quando essa pessoa arremessou um disco que logo se expandiu e abriu um portal que ligava diretamente para o setor 1231.
— Mas o que? — Indagou Trintacinco confusa.
— Ainda bem que encontrei você, escape pelo portal rápido.
Ela então pulou pelo portal sem entender porque ela a estava ajudando.
3.1 — Área 1231.
Exausta, deprimida entre outros adjetivos tristes era o que resumia Trintacinco, ela saiu daquela missão com mais dúvida do que respostas, e caminhava sozinha em uma realidade que ela não conhecia muito bem, um mundo comum com casas enfileiradas, calçadas tomadas por gramas e uma rua bem pavimentada que levava até onde seus olhos alcançavam, ate que uma silhueta chamou a sua atenção, ela correu em direção dela ate finalmente reconhecê-lo.
Dezesseis confuso a encarou de longe.
— Trintacinco o que você está fazendo aqui?
Ela o abraçou forte que Dezesseis perdeu o fôlego, seus olhos lacrimejaram e se lembrou do conselho de Vinteoito de que ela poderia extravasar suas emoções se não estivesse bem.
Ela nunca queria demonstrar emoções, ela se sentia fraca toda vez que sorria ou chorava, mas era muito para ela, assim no meio da noite abraçando seu amigo o Dezesseis ela deixou a emoção fluir como uma correnteza, ela nunca sentia tanto medo e frustração como aquela noite.
— O que foi Trintacinco?
— Por favor, só me deixe chorar em seu ombro.
Dezesseis incrédulo passou a mão nos cabelos dela e sorriu.
— Mas é claro, amigos são pra isso.
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