Linhas

1 Capítulo único


As linhas serviam para matar. Enlaçavam inimigos, apertavam seus pescoços, cortavam a pele, enforcavam. Os olhos de Machi permaneciam frios enquanto os dedos e os braços dançavam. E fria também era a kunoichi, concentrada na arte do silêncio. Nunca se exaltava. Uma caçadora como ela era feita de disciplina e paciência. Observava tudo sem tecer comentários. Esperava. Vigiava. Por trás da frieza, uma mente incansável que imaginava os mais audazes planos e as mais temíveis consequências. Se Machi era silêncio, seus pensamentos eram mistério.

Os inimigos morriam. Linhas enlaçavam seus corpos e moviam-nos ao bel prazer na kunoichi. Marionetes. Ela valsava os dedos, criando os passos, o rito. E desenhava sua teia, uma conexão por vez, até que todos houvessem caído, e o mundo não tivesse mais som.

As linhas serviam para matar. Mas, naquela noite de estrelas ausentes, teciam a vida em vez da morte. E ele observava com fascínio enquanto Machi girava o pulso, costurando, os olhos frios como sempre foram. E ele admirava o conserto, movendo os dedos lentamente, sentindo a aura fluir como os mistérios na mente da kunoichi. E ela sorria em segredo, guardando o maior mistério de todos.

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