Linhagem de Sangue
1 Fui Guiada Pela Culpa
Notas iniciais
Hoje em dia os conceitos estão todo distorcidos, já não se sabe mais o que é certo ou errado. Agora as pessoas têm medo de irem pra rua por causa de outras pessoas, amar agora é tristeza, dor e muitas outras coisas e agora tudo é muito liberal. Todos fazem o que querem, quando querem, sem dar a mínima importância a quem está ao seu redor. Porem.... Comigo é diferente. Eu sou tratada de maneira diferente, pensam que sou apenas uma garota ingênua que não sei o que eles estão fazendo, fui criada para receber ordens e cumpri-las perfeitamente sendo educada e gentil com todos, quase como uma marionete.
Mas isso mudou...
Meu nome é Letícia Armorw e faço parte de uma linhagem nobre com conceitos familiares rigorosos, porém não há nobreza em meu mundo, sou apenas uma garota comum como todas a outras garotas de 15 anos. Meu irmão é o Dr. Jack Armorw um advogado respeitado em minha cidade, apesar de ter apenas 20 anos, pois pulou vários anos na sua época de escola, meus pais morreram a quatro anos atrás e desde então moro com ele. É estranho pensar dessa forma, ele é como um pai pra mim, sempre preocupando-se comigo. Quando meus pais morreram ele estava no começo do seu curso e ele teve que trabalhar e estudar para manter a nossa vida, aquele ano foi o mais difícil para nós. Eu sentia muita falta deles e sabia o que o meu irmão estava passando por causa daquilo, com tudo o que acontecia conosco eu tentava fazer de tudo para achar uma coisa boa no mundo e ainda assim chorava todas as noites. Em uma noite meu irmão me ouviu chorar e mesmo cansado por causa do seu estudo e trabalho constante ele veio me consolar sentando em minha cama dizendo-me:
– Não chore, não é o fim, ao menos ainda estamos juntos, não é? E eu farei de tudo para te ver feliz Letícia – disse ele sorrindo para mim – por isso que estou lutando, para você poder ter uma outra oportunidade de viver uma vida tranquila – suas palavras cortavam-me em pedaços e me fazia desmoronar ainda mais em lágrimas.
Vendo que eu continuava a me culpar e a me questionar ele me abraçou bem forte e disse:
– Eu não vou te deixar, o que vem acontecendo não é culpa sua, não se lamente por isso, eu também sinto falta deles. – ele me disse isso tirando-me um pouco da minha dor, me fez me sentir amada, ele estava com uma expressão triste e a voz roca – Sei que você sempre preferiu ficar sozinha, até mesmo de nossos pais, você também não falava muito com eles e se culpa por isso. Nós sempre brigávamos um com o outro como a maioria dos irmãos fazem. Eu amava te aperrear e você vivia gritando comigo e me batendo, huns! – continuou ele quase chorando e me deixando mais aliviada.
– Obrigada por estar aqui – Me ouvi dizer em voz baixa abraçando-o de volta.
Naquele momento ele sentiu um arrepio, eu imagino que tenha pensado impressionado “Ela tem coração”, apesar de já ter feito muitas coisas por ele eu sempre dizia que o odiava e odiava tudo que ele fazia.
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