Notas iniciais
Olá, queridos!

Estou de volta com mais uma história de P&P. A ideia é um tanto quanto nova - por isso, necessito da ajuda de vocês para torná-la cada vez mais interessante, ok?

Espero que gostem da leitura!

Annie F.

Elizabeth suspirou enquanto ajeitava a camisa do uniforme. Havia tanto a se fazer em tão pouco tempo! Dormir era um luxo completamente desnecessário.

- Que dia! – Suspirou ela, coçando os olhos cansados com a ponta dos dedos. Elizabeth dormira mal e ainda era de manhã.

- Lizzie! – Ralhou Jane, empurrando-a suavemente com o quadril para conseguir se olhar no espelho. – Anda virando noite outra vez?

Elizabeth revirou os olhos.

- Dormir é um luxo de que não posso desfrutar, Jane. Quero ter uma carreira astronômica e, para tal, alguns sacrifícios são importantes.

Jane puxou seus braços e suspirou ao ver os pulsos limpos.

- Já tem quase 17 anos, Lizzie, e nenhuma marca! Isso não a deixa chateda? Não ter amado ninguém?

A outra deu uma sonora gargalhada.

- E esta que me fala tem uma única linha! Além disso, Jane, eu não amei nenhum idiota, mas amo você, papai, mamãe, Lydia, Char...

A irmã revirou os olhos.

- Não é a mesma coisa. Sabe, um dia você morderá a sua língua, Lizzie. Escreva o que lhe digo!

Jane deu-lhe um beijo na bochecha e saiu do quarto, trombando com Lydia no corredor.

- Lydia, não fique correndo deste jeito! Pode machucar alguém! – Quando já estava perto da cozinha, Jane gritou: — Não se esqueça de tomar café da manhã, mocinha!

- Jane, pare de gritar! Não vê que isto faz mal aos meus pobres nervos?

Elizabeth não pôde deixar de rir. As queixas de sua mãe acerca dos nervos eram frequentes e completamente exageradas.

- Ah, minha querida, estes seus nervos! Meus fiéis companheiros por mais de 20 anos!

Agora a menina soltou uma generosa gargalhada. De todas as pessoas de sua família, a que mais admirava era seu pai. O Sr. Bennet era um homem culto e reservado, mas que compartilhava o senso de humor ácido de Elizabeth.

Olhando-se no espelho, o sorriso da moça sumiu. Apesar de ser tão sábio, o pulso de seu pai estava coberto por uma linha vermelha fina, assim como o pulso de sua mãe. O incomum casamento entre uma pessoa tão insossa como a mãe e um sábio como o pai era a prova viva de que o amor é uma fraqueza.

“A maior fraqueza de todas”, pensou Elizabeth. “Jamais me deixarei enrolar nesta teia traiçoeira.”

- Hei, sua nerd! Chega pra lá!

Lydia deu-lhe um golpe com o quadril que lançou Lizzie diretamente na parede.

- Eu estava usando o espelho, você tem de esperar a sua vez!

A garota revirou os olhos.

- Vê se desencana, Lizzie, e arranja um amor. Você é muito amarga pra tão pouca idade.

Elizabeth deu de ombros.

- O amor é uma fraqueza, Lydia, e eu tenho muito mais a perder com isso do que imagina. Uma carreira brilhante me espera!

- Nerd!

Elizabeth deu um suspiro exasperado e foi para a cozinha, desejando somente tomar sua refeição em paz.

É claro que estava totalmente enganada.

- Elizabeth Bennet, por que o seu braço está branco deste jeito? Quando eu tinha a sua idade, era mais difícil para nós nos apaixonarmos, é verdade, mas com tantos homens interessantes por aí... A sociedade tem a mente aberta hoje em dia. Por que, meu amor, você não permite um amor inofensivo ao seu pobre coração?

O Sr. Bennet empertigou-se.

- Elizabeth tem um futuro brilhante e sabe disso. Se depender dela, aposto que não perderá tempo com essas bobagens.

A mulher colocou as mãos na cintura.

- O que está querendo dizer? Sou uma bobagem também?

Ele levantou-se sorrindo e beijou-lhe uma das mãos.

- A maior e melhor bobagem que já fiz em toda minha vida.

Jane derreteu-se toda, mas Lizzie ficou extremamente incomodada. Sua família não estava ajudando muito naquele dia.

- Vou comendo no caminho!

Pegou uma torrada e um iogurte e rumou para a porta.

Lá fora, encontrou sua vizinha e melhor amiga, Charlotte, saindo de casa.

- Hei, Char! O que me conta de novidade?

A garota sorriu e levantou a manga da camisa, revelando um pulso limpo.

- Muito bom! – Aprovou Lizzie. Charlotte revirou os olhos. – Você está um dia mais próxima do sucesso, minha amiga!

Enquanto as duas caminhavam em direção à escola, a moça replicou:

- Sabe, Lizzie, eu não me importaria de ganhar a marca um dia. Isto é, se eu realmente gostar da pessoa...

- Pare com estas besteiras! Você é uma das pessoas mais inteligentes que conheço, Charlotte Lucas! Não vá estragar sua vida com uma bobagem sem sentido!

A moça revirou os olhos, mas nada respondeu.

Quando chegaram ao colégio, Charlotte avistou um pequeno grupo e acenou:

- Venha, Lizzie! Deixe-me apresentá-la a alguns conhecidos.

Um garoto e uma garota formavam a dupla.

- Olá! Esta é minha amiga Elizabeth. Lizzie, estes são Caroline – apontou para a moça – e Fitzwilliam. – E apontou para o rapaz. – O irmão de Caroline, Charles, veio fazer uma ênfase de um semestre na universidade local.

- Prazer em conhecê-la. – Sorriu Caroline, mas seu olhar era gelado.

Fitzwilliam cumprimentou-a com um meneio de cabeça.

- Outra garota tola com a marca?

Elizabeth sentiu o sangue ferver.

- Desculpe-me, mas o que isto é de sua conta?

O rapaz sorriu e levantou as mangas da camisa, deixando os pulsos à mostra.

- Vê? Sou uma exceção. Esta coisa de amor... – Balançou a cabeça com desdém. – Que fraqueza desnecessária!

Elizabeth sorriu com o mesmo desdém e levantou as mangas de sua camisa.

- Não é o único sem fraquezas aqui.

- Que tal uma aposta?

Ambos viraram-se para Caroline, que, apesar do sorriso, possuía um brilho ameaçador no olhar.

- Há muitas pessoas interessantes a se encontrar. Assim, se um de vocês adquirir a marca antes do fim do ano, saberemos quem é, de fato, o mais forte deste colégio. Para deixar as coisas mais interessantes, o ganhador pode pedir o que quiser.

Charlotte estava desconfiada, mas concordou.

- Acho que é um bom exercício para dois cabeças-dura como vocês.

Elizabeth sorriu e estendeu a mão.

- Aceito. Não há chance de eu não ganhar!

Fitzwilliam apertou a mão que lhe era oferecida, mas não se importou em sorrir desta vez, seus olhos firmes e ameaçadores fixados no rosto de Elizabeth.

- Prepare-se para a maior decepção de sua vida, minha cara.