Notas iniciais
Pov. Edward

Os meus olhos já a enegrecerem refletidos no espelho não conseguem demonstrar o quanto estou farto desta vida. Não que a minha vida seja desagradável, longe disso, mas após uma centena de anos as coisas começam a tornar-se demasiado melancólicas. Sempre a mesma rotina, os mesmos hábitos, a mesma farsa. Ter de mudar de cidade a cada par de anos já era mais que um hábito, já era tradição.

E cá estamos nós, a chegar de novo a Forks. Á mais de 50 anos que cá não vínhamos, temos de dar tempo para as pessoas se esquecerem de nós.

—Edward?— Chamava Alice por mim

—Que foi anã?— Respondi.

—Para de me chamar isso! Eu não sou baixa, tu é que és alto!— Disse ela com cara de amuo, deixando-me um pouco culpado por a deixar triste.

—Desculpa Alice, diz lá o que ias dizer.

Eu nem sei porque perguntei se podia ler a mente dela, mas enfim.

— Passa-se alguma coisa?— Pergunta ela com cara preocupada

— Não Alice, está tudo bem. Apenas ansioso por voltar aqui.

E a conversa acabou por ali. Pouco mais do que 10 minutos depois dávamos de cara com a nossa antiga casa. Quase que aposto que Alice e a Rosalie vão querer reformar a casa para ficar mais moderna. Para mim nada disso importava, para mim bastava um quarto com uma aparelhagem, uma prateleira com os meus livros e o meu piano. Já a Alice e Rosalie conseguiam encher cada uma um camião de mudanças, não sei como mas conseguem.

Eu no fundo gostava de Forks, era tão verde, tão natural. Adorava o facto de ser uma cidade pequena porque assim as preocupações em disfarçar eram menores deixando-nos mais a vontade para “viver”, ou pelo menos tentar.

Só não queria uma coisa. Voltar para a escola. Se a 50 anos foi mau então nos dias de hoje que os miúdos gozam e humilham como se nada fosse vai ser de fugir. Sempre fomos alvo de gozo. Mas se queremos sair de casa essa é a condição por isso não há muita escolha.

—Filho precisas de ir caçar urgentemente.— Advertiu Esme que de verdade nos tratava como filhos dela.

—Eu sei Esme, só vou arrumar as minhas coisas e vou caçar.— Respondi, sorrindo para ela e dando-lhe um beijo na testa.

Subi, entrando no meu quarto, não era grande nem pequeno, era o ideal para mim e de certo modo quando passei pela porta senti o conforto, algo que não sentia em muitos sítios em que vivemos. Comecei a organizar os meus livros e CD’S. Infelizmente o meu piano não cabia no quarto por isso tinha de ficar na sala. No fim de organizar tudo sentei-me no meu pequeno sofá e apenas contemplei a paisagem, cheia de árvores e flores, pássaros a voar, esquilos a correr, tudo tão humano e inocente.

—Meninos venham cá em baixo.— Pediu Carlile.

Quando já estávamos sentados, Carlile começou com a conversa de sempre. Sejam discretos, não se metam em sarilhos e blá blá blá. Já sabia aquilo de cor e salteado.

Como tinha dito, ao fim de tudo estar organizado decidi ir caçar, e todos vieram já que todos iriamos estar em contacto com humanos e não nos podíamos arriscar. Quando estavam longe o suficiente decidi relaxar um bocado e sentar-me numa pedra que havia perto de um riacho, de certeza que ainda ninguém o tinha descoberto senão já se tinham aproveitado para fazer disto uma fonte de dinheiro.

Conforme pensava, dava-me conta que ao longo destes anos aquela sensação de vazio cada vez aumentava mais e mais, deixando-me desnorteado e abalado. Custa me ver todos da minha família terem uma pessoa com quem partilhar uma vida menos eu. E de certo modo sinto que devia de andar por conta própria durante um tempo. Mas o meu raciocínio foi interrompido pelo irmão mais irritante do mundo.

— Que tanto pensas maninho?— Perguntou Emmett com o seu tom irónico

— Nada.— Respondi de maneira seca.

— Ei mano que agressividade desnecessária, asserio o que se passa contigo? Desde de um tempo para cá andas esquisito.— Perguntou, mas já com um tom sério e sincero.

— Nada apenas, aquele vazio de algo que não sei o que é.

— Sabes Edward, eu sei que tu ainda vais encontrar esse vazio.

— Ai vou?— Perguntei admirado.

— Vais, fica aqui a promessa.— Disse ele estendendo a mão como acto de compromisso ao qual correspondi.

Notas finais
Espero que gostem :)