Linha do Tempo

1 1 - Um ótimo meio


Acho que devo começar com as apresentações, meu nome é Karen, tenho 15 ano e sou aluna da escola para superdotados da minha cidade. Mas vou poupá-los de conhecer esse terrível lugar.

O fato é que ninguém, repito, ninguém tem o mesmo nível de azar que eu. Acha que estou exagerando? Então espere um pouco para ver.

Tudo começou quando eu nasci. Meus pais resolveram colocar esse nome em mim por causa de uma enfermeira que me ajudou a nascer. Como se precisasse, eles ainda me deram o segundo nome dela: Margarida. Conclusão, meu nome é o mais ridículo Possível: Karen Margarida Pinto de Souza. Eu sei o que vocês pensaram dele, todo mundo pensa, mas isso não é engraçado.

Mas continuamos com a história. No dia do meu nascimento, aconteceu um fenômeno extraordinário nos Cosmos, porém, seres humanos comuns não o puderam sentir. Mas, é claro, aquilo foi considerado muito azar. Esse fenômeno marca a chegada de um viajante. Viajantes são como pessoas que nascem com habilidades especiais. Existem aqueles que podem controlar o tempo e aqueles que podem sair de uma ponta do mundo e ir para outra em questão de segundos.
Nesse caso, a viajante em questão sou eu e a minha habilidade é de controlar o tempo.

Assim que minha mãe saiu do hospital, recebemos uma visita de uns caras esquisitos de cara esnobe. Mamãe sabia o que aconteceria.
Esses caras eram os Conselheiros e sempre que aparecem é sinônimo de problemas.

Ela tentou me esconder na casa de minha vó, mas não teve jeito. Meu azar foi tanto que eu chorei e, pelo choro, eles me encontraram.
Nana, Como chamo minha vó, me segurava em seus braços quando minha tia abriu a porta. Ao me verem, a expressão que fizeram foi realmente sinistra.

— A criança- disse o líder pausadamente.- Vejo os cosmos dentro dela. Deixe-me pegá-la.

Nana não podia fazer nada. Assim Que ela estava chegando para me entregar nos braços daquele homem esquisito, mamãe apareceu. Ela se pôs entre Nana e os Conselheiros.

— Minha filha fica- ela disse arfando.- Ousem tocar nela e eu juro que irão se arrepender.

Vendo minha mãe, eu me contorci nos braços de Nana. Os Conselheiros sorriram. O líder ergueu uma mão.

— Chega de brincadeiras, Cilene- disse.- Só queremos ver o bebê. Se não há nada de errado em seu futuro, eu prometo não fazermos nada.

Mamãe não cedeu. Mais tarde, eu saberia o porquê: ela teve um irmão que também era viajante do tempo, mas, assim que os Conselheiros constataram que ele era um risco para si próprio e para o mundo, eles o mataram.

Eu chorei. Mamãe não era uma viajante, e entrar em uma batalha com os Conselheiros sem nada para ajudar é suicídio, mas ela não queria me perder.

A essa altura vocês devem estar se perguntando onde estava meu pai. Bem, ele é um viajante e viajantes são proibidos de se envolverem em combates de outros viajantes. Adivinha quem criou essa regra.

O conselheiro apenas a olhou e mamãe começou a fazer coisas estranhas. Seu corpo e tremia suas mãos iam devagar em direção à cintura. Eu via seus olhos. Puro medo. Lágrimas rompiam destes. Mamãe pegou uma faca e a levou até o próprio pescoço. Ela andou até mais perto do Conselheiro, que a virou para que todos vissem. Depois, envolveu minha mãe em seus braços, segurando a mão que a minha mãe segurava a faca, e... Bem, acho que todos devem já saber o que aconteceu. Logo em seguida, os Conselheiros se retiraram.

Muitas vezes eu voltei no tempo para simplesmente analisar aquela cena, com o propósito de guardar dois rostos na memória: o de minha mãe, e o de seu assassino.

Ao retornar para casa (ou melhor dizendo, Para meu tempo), Nana estava na cozinha, Preparando o almoço. Eu fui vê-la.

— Oi, Nana- Disse eu.

Eu a surpreendi com um abraço. Ela se virou e o retribuiu.

— Oi, querida- disse ela.- Como foi o seu dia?

Eu peguei uma fruta e dei uma mordida.

— O mesmo de sempre- disse eu.- Indo em busca do assassino de mamãe.

Nana me olhou. Ela já tinha me falado para não fazer mais isso, pois, se me descobrirem, estarei alterando o curso da minha história e poderei deixar de existir.

Eu fui para o meu quarto antes que ela pudesse começar mais uma bronca.

Lá dentro, liguei o celular e começou a tocar um rock chamado Monster, de uma banda chamada Skillet.

Passei pela minha cama e vi um papel dobrado. Abri. Era um recado que dizia simplesmente:

"Olhe pela janela. Vai se surpreender."
Eu o coloquei na cama e fui em direção à janela. Ao abri-la, tive uma surpresa daquelas. Lá embaixo, sorrindo, estava Bruno, meu namorado.

Ele era um viajante dimensional (aqueles que podem ir de um lugar para o outro), então por isso, chegar no meu quarto dali de baixo foi super fácil. Ele me abraçou e me deu um beijo.

— Como está? — Perguntou Bruno.

Seus olhos verdes brilhavam e seus cabelos negros estavam cobrindo seu olho esquerdo. Eu sorri.

— Bem- respondi.- E você?

A surpresa estava no fato de que ele estava em Londres, estudando, eu morava no Brasil. Ele me deu mais um beijo.

— Melhor agora.

Bruno se sentou na minha cama e começou a contar sobre sua vida em Londres.

— Deve ser bem legal.- Disse eu.

Ele riu.

— Até que é divertido- disse ele-, mas fiquei com saudades de uma pessoa.

— Igor?- Perguntei.

Ele me olhou, sorrindo.

— Claro que não- disse ele.- O dia em que eu sentir saudades daquele esquisito, O mundo acaba.

Eu ri com seu comentário. Nesse instante, a música trocou para Hurricane, de Lifehouse. Bruno se levantou e me segurou pela cintura.

— Quer fazer isso ficar ainda melhor? — Perguntou ele.
Eu ri e o abracei.

E, assim, nós fizemos aquele dia ter um ótimo meio.

Bruno só foi embora quando Nana me chamou para comer. E passar aquele instante ao seu lado realmente valeu a pena.