Linha Tênue

30 Capitulo 28: Você precisa crescer.


Notas iniciais
Boa noite! Espero que todos estejam bem. Quase 45 do segundo tempo consegui terminar de escrever, embora eu confesse que apaguei parte do capítulo algumas vezes. Espero que gostem!

Sim, eu ainda odiava Peeta Mellark, com toda sua arrogância, prepotência e a convicção de que poderia ter tudo o que quisesse, escondido atrás da fachada de bom moço. Respirei fundo, tentando manter uma expressão amigável, ou pelo menos neutra, enquanto lutava para não revirar os olhos com a situação ao meu redor.

“Não vai comer, amor? Você mal tocou na sua salada.” A voz dele poderia soar descontraída para os outros, mas eu sabia que havia uma boa dose de ironia e sarcasmo em suas palavras.

“Estou satisfeita, comi tarde hoje.” Observei enquanto ele mordia mais uma vez o hambúrguer, antes de voltar a prestar atenção ao que Prim dizia do outro lado da mesa. Como se quisesse me provocar, ele havia me forçado a ir a essa lanchonete, a qual ele dizia vender o melhor hambúrguer de Panem.

Vestindo uma camiseta e jeans, sentado naquela lanchonete em um dos bairros pobres da Capital, Peeta parecia muito à vontade, sem demonstrar em nada o dinheiro que tinha, pelo menos, não para quem não entendia de moda e não percebia que nada do que ele usava era barato, especialmente os tênis, que eram um modelo exclusivo e personalizado.

Minha irmã sorriu para algum comentário feito pelo namorado, e eu tentei me lembrar do motivo que me levara a estar ali, além da minha obrigação contratual de tolerar as vontades do loiro.

Já havia se passado quase dois meses desde aquela tarde desastrosa na casa dos meus pais, e minha mãe ainda se negava a aceitar o namoro da minha irmã. Tentei muito fazer com que ela enxergasse a situação com mais razão, mas ela se recusou a me ouvir, chegando ao ponto de decretar que também deveria mandar minha irmã embora de casa. O que eu neguei fazer, mantendo-me firme em meu papel de mediadora entre os dois lados.

Em parte, eu entendia minha mãe: William e Prim eram polos opostos. Minha irmã era delicada, com uma educação de alta classe, enquanto ele, embora educado, não se expressava com a mesma elegância à qual estávamos acostumados. Uma única peça de roupa da minha irmã custava, no mínimo, metade do guarda-roupa dele. Ela nunca havia trabalhado na vida, enquanto ele já havia comentado que trabalhava desde muito jovem.

Prim tinha a promessa de um futuro próspero: faculdade de medicina, a possibilidade de trabalhar em um hospital ou até abrir sua própria clínica. William, por outro lado, passaria mais um ano estudando e tentando entrar em alguma universidade, enquanto servia mesas seis vezes por semana.

Mas eu não podia ignorar o quanto minha irmã parecia apaixonada. Por mais que eu detestasse admitir, era ao lado dele ou falando sobre ele que ela parecia mais feliz nas últimas semanas. Não que eu fosse uma boa avaliadora de caráter, mas William parecia ser um rapaz "bom" e demonstrava realmente gostar dela.

Por causa dela, eu estava evitando qualquer comentário mais ríspido sobre ele. Fazia o possível para ser educada e controlava minhas expressões sempre que interagia com ele.

“Você falou com o Will sobre o jantar, Prim?” Peeta realmente queria me provocar.

“Falei, mas ele não quer ir.”

“Por que não? Vai ser ótimo! Minha mãe está ansiosa para te conhecer.” A verdade é que sabia que isso era real; Prim quase já fazia parte do grupo Mellark, e eles pareciam estar cada vez mais próximos. “Ouvi dizer que a Annie, assim como a Prim, falaram maravilhas sobre você e ela gostaria de conhecê-lo antes do Dia de Ação de Graças.”

“Talvez eu possa conhecê-la em outra ocasião. Sei que oportunidades não vão faltar, mas não gostaria de atrapalhar o jantar de vocês.”

“Não vai atrapalhar! Vai ser um jantar como aquele na casa da minha irmã, só que desta vez será lá em casa, e meus pais estarão por aqui. Além disso, Katniss e eu fazemos questão da sua presença, não é, amor?” Como eu odiava Peeta Mellark.

“Claro, vai ser ótimo, e você já conhece quase todo mundo.” Sorri, torcendo para que parecesse sincero.

“Ah...” Ele parecia procurar uma desculpa melhor, mas foi interrompido pelo loiro.

“Está certo então. O Darius vai te buscar na sexta. Prim, combina com você os detalhes.” Prim sorriu animada; ela adorava a oportunidade de estar com o namorado.

Ficamos na lanchonete por mais um tempo antes de seguirmos de volta para casa, deixando William no caminho. A casa parecia vazia quando chegamos; os empregados já deviam ter se recolhido. Prim desejou boa noite e seguiu direto para o quarto, nos deixando na sala.

“Você está quase ficando boa em esconder sua insatisfação.”

“Você gosta de me irritar.” Ele não negou e se jogou no sofá com tranquilidade. “Havia realmente essa necessidade de insistir para ele vir jantar?”

“Você não percebe? Sua irmã está feliz. Mesmo sem os pais por perto, ela está feliz ao lado do Will, e isso deveria te dizer algo.”

“Não estou disposta a discutir a felicidade da minha irmã com você.” Sem dar a ele qualquer chance de resposta, subi as escadas em direção ao quarto. Não precisava dele para notar o óbvio.

Segui com minha rotina antes de dormir e, como na maioria dos dias, ele não subiu para o quarto enquanto me preparava. Havíamos entrado em uma rotina nas últimas semanas: eu sempre era a primeira a subir e me preparar para dormir, enquanto ele se ocupava no escritório. Quando finalmente subia, eu já estava acomodada, fingindo estar dormindo.

Acordar naquela manhã no Distrito 3 foi menos constrangedor do que o momento que tivemos após o sexo na casa dos pais dele. Como dois adultos que entendem que se trata apenas de sexo, desfrutamos da noite no sofá e, em seguida, na cama. No dia seguinte, nos preparamos para um retorno silencioso em seu avião particular, sem a necessidade de conversas ou comentários sobre a noite anterior.

Embora eu nunca fosse dizer isso a ele, toda a experiência me deixou relaxada e me proporcionou uma noite de sono maravilhosa. De fato, a experiência foi novamente incrível. Por mais arrogante que ele fosse na vida, na hora do sexo, ele se mostrou um amante generoso, garantindo que cada momento fosse prazeroso, me estimulava com maestria, parecendo saber exatamente o que fazer com meu corpo para que eu desejasse mais.

Odiava admitir, mas o sexo com ele foi, sem dúvida, um dos melhores — senão o melhor — que eu já tive até aquele momento da minha vida. Entretanto era somente isso, somente sexo bom, mas só sexo

Pela manhã, o loiro saiu mais cedo do que de costume. Eu adorava essas manhãs, quando podia tomar meu café tranquilamente, apenas com Prim. Era uma oportunidade de conversar com minha irmã sem me preocupar com a presença dele, observando cada interação.

“Sra. Mellark, seu pai está ao telefone.” Demétria anunciou, segurando um aparelho nas mãos, com o botão de mudo aceso, indicando que ele estava em espera. Não fazia ideia de como meu pai havia conseguido o telefone da casa, mas neguei com a cabeça.

“Avisa que não posso falar agora.” Não estava disposta a ouvir meu pai reclamar sobre minha mãe e o quanto ela estava infeliz com as escolhas da minha irmã. Era cedo demais para isso. Voltei a conversar com Prim sobre o trabalho que ela estava fazendo, quando vi a empregada retornar ainda com o aparelho nas mãos.

“Ele disse que é importante.” Suspirei antes de estender a mão para pegar o aparelho.

“Alô?”

“Katniss, finalmente consegui falar com você. Liguei várias vezes no seu celular.”

“Estou bem, obrigada por perguntar.” Prim ergueu uma das sobrancelhas antes de tomar um último gole de suco e acenar com a mão, saindo da cozinha. “Ainda é muito cedo, pai, não olhei meu celular.”

“Preciso falar com você. Estou no escritório. Pode me encontrar aqui?” Parte de mim queria dizer não, mas o fato de ele pedir para nos encontrarmos no escritório significava que seria longe dos ouvidos da minha mãe.

“OK, encontro você em breve.” Sem qualquer despedida, ele finalizou a chamada. Sem qualquer despedida ou demonstração de carinho. Terminei meu café com calma antes de subir para me arrumar sem pressa. Como Peeta saiu mais cedo, Prim não havia pegado carona com ele até o centro, o que significava que Darius a levou até a escola. E como eu era condicionada a sair com o motorista, não tinha muitas opções a não ser esperar.

Quando olhei o celular, vi que havia pelo menos dez chamadas perdidas do meu pai naquela manhã. Cerca de uma hora e meia depois, entrei no escritório dele.

“Você demorou.”

“Pai, ainda não tenho um teletransporte para aparecer na sua frente em segundos, sabia?”

“Não estou com humor para isso, Katniss. Só quero saber o que aconteceu. O que que você fez?” Olhei para ele, confusa.

“O que eu fiz? Não tenho ideia do que você está falando.”

“No seu casamento, o que aconteceu? Vocês brigaram?”

“Pai, não há nada no meu casamento que queira discutir com você.”

“Não estou brincando, Katniss. Estou falando sério.”

“Meu casamento está como deveria estar.”

“Então me explique: por que seu marido quer fechar a Mockingjay?”

“Como assim?”

“Tivemos uma reunião logo cedo com um dos advogados dele, e ele disse que vai fechar a empresa. Que não vai investir mais dinheiro nela. Você contou a ele? Ele sabe? O que está acontecendo, Katniss?”

“Eu não sei, pai. Não sei se percebeu, mas não trabalho na Mockingjay, tampouco com Peeta.”

“Sei disso. Você se tornou uma inútil como sua mãe e só sabe gastar.” Aquilo doeu mais do que eu gostaria de admitir, até porque estava naquele casamento forçado , por causa das escolhas dele.

“Não sou eu que estou implorando por informações aqui.” mantive um olhar sério e a voz o mais firme possível.

“Você não está extrapolando, está? Compras inúteis, restaurantes desnecessários? Talvez seja Prim. Sua mãe tem razão em um ponto: sua irmã não deve ficar na sua casa, são gastos a mais.” Era como se ele estivesse somando tudo o que poderia ter poupado para que Peeta investisse na empresa.

“Escuta o que você está dizendo. Você quer que eu coloque minha irmã para fora, sua filha mais nova!”

“Ela vai voltar para casa. Se Peeta fechar a empresa, sua mãe e eu vamos acabar na rua. É isso que você quer?”

“Não dramatize, pai. Não é como se você não tivesse nada. Talvez tenha chegado a hora de se aposentar.”

“Não estou fazendo drama, não tenho nada. Será que dá pra entender isso? Nada.” Não era possível; pelos documentos que vi, ele tinha desviado muito dinheiro. Ele tinha que ter alguma coisa, talvez não para salvar a empresa, mas para se manter.

“E seu plano de aposentadoria? Você sempre ressaltou a importância de planejar para a aposentadoria, pai.”

“Também passei toda a sua infância dizendo que você deveria comer brócolis, sendo que nunca comi! EU NÃO FIZ UM PLANO DE APOSENTADORIA!” Ele gritou, e eu fiquei paralisada. A situação não podia ser tão ruim. “Quer dar uma olhada na minha conta?” Neguei com a cabeça. “Estou quebrado, não tenho mais nada. Neste momento, o que está mantendo os cartões da sua mãe são as joias que ela acha que estão guardadas no banco, mas que estão em posse do banco.”

“ Vou falar com Peeta e ver o que posso fazer.”

“Ótimo, seja convincente. Demonstre que gosta da empresa, diga que quer participar, venha trabalhar comigo. Posso te preparar para assumir a presidência.”

“Tchau, pai.” não aguentava mais um minuto daquela conversa.

Saí do escritório extremamente chateada; as palavras dele doeram. A situação toda era dolorosa. Tentei falar com Peeta, mas ele não atendeu. Estava ficando nervosa com tudo aquilo, então avisei ao motorista para seguir em direção à M.Company. Ele não fez qualquer questionamento e seguiu para o prédio no centro da cidade.

Apresentei-me na recepção e percebi uma certa insegurança nas recepcionistas. Desde o dia em que assinei o contrato antes do casamento, não estive lá. Não tinha ideia se elas sabiam que o chefe era casado. Mesmo assim, elas me forneceram um crachá de visitante, e logo me vi no elevador central, subindo até o último andar.

“Senhora Mellark, é um prazer vê-la.” Havíamos nos falado várias vezes antes do casamento e, até mesmo depois, pelo telefone, para discutir detalhes da cerimônia ou para avisar que Peeta chegaria tarde. Mesmo assim, a secretária dele mantinha um tom formal comigo.

“Gostaria de falar com meu marido, por favor.”

“O senhor Mellark está em uma reunião agora e pediu para não ser incomodado.”

“É urgente, preciso falar com ele agora.” Usei um tom mais ríspido e percebi uma outra secretária observando a interação entre nós. Como ela estava na mesa em frente à porta da minha cunhada, deduzi que era a secretária dela

“Entendo a urgência, mas acredito que não vai demorar muito. A senhora pode esperar; posso pedir um café ou um suco.”

“Não, você pode avisar que a esposa dele está aqui.” Ela não parecia intimidada pela minha forma de falar. A porta da sala de reuniões se abriu, e pude ver o que parecia ser uma copeira saindo da sala com um carrinho de café. “Não precisa, eu mesma aviso.”

“Senhora, é melhor esperar.” Eu podia ver que ela me seguia, mas não se atreveu a me impedir; afinal, eu era a esposa do chefe. Entrei na sala e vi o loiro sentado na ponta da mesa, onde havia assinado o contrato meses atrás. Minhas cunhadas estavam sentadas uma de cada lado dele; ao lado de Delly estava Lavinia e ao lado de Annie, Finn. Havia pelo menos mais cinco pessoas na sala, além deles, e uma delas estava de pé em frente ao projetor, provavelmente apresentando algo. O loiro me olhou surpreso, enquanto os demais, exceto Delly, que me fuzilou com os olhos, pareciam apenas curiosos. “Desculpe, senhor Mellark...” Ele acenou com a cabeça para a secretária, como se estivesse tudo bem.

“Katniss...”

“Boa tarde a todos, não queria atrapalhar.”

“Imagina se quisesse.” Delly comentou em um tom de voz baixo, mas alto o suficiente para eu ouvir, recebendo um olhar sério da irmã mais velha.

“Preciso falar com você, querido. É urgente.” Observei ele ponderar por um momento antes de se voltar para as pessoas da sala com um sorriso.

“Desculpem, eu volto em alguns minutos para continuarmos.” Ele se levantou, fechou o laptop e abotoou o botão do terno de forma profissional, indo em minha direção. Saímos da sala, e ele me conduziu para seu escritório, fechando a porta atrás de nós.

“O que você está fazendo aqui?” seu tom era ríspido e irritado.

“Preciso falar com você e você não me atendeu.”

“O que, obviamente, significa que não poderia falar com você. Quer saber? Só espera aqui e não atrapalha mais ninguém.”

“Mas eu preciso falar com você.”

“A menos que alguém esteja morrendo, Katniss, fica aqui e espera.” A irritação na voz dele era evidente, e ele se esforçou para não bater a porta ao sair, me deixando sozinha no escritório. Sentei e respirei fundo, tentando controlar a raiva que crescia dentro de mim. Sabia que, no fundo, minha frustração era direcionada ao meu pai, mas a situação também envolvia o Peeta, então minha indignação não era totalmente sem fundamento.

A secretária entrou oferecendo um café, mas recusei. Olhei para o celular e vi que minha mãe havia mandado uma mensagem sugerindo que fôssemos ao shopping. Respondi que não poderia ir e tentei me distrair com algumas notícias online. Quarenta minutos depois, já estava quase retornando à sala de reuniões, mas me contive, não seria uma boa ideia. Comecei a observar melhor o ambiente. Ele não havia mudado nada, exceto por uma foto minha, que estava em meio aos outros porta-retratos com imagens da família dele. Alguns meses atrás, poderia achar que isso tinha algum significado; hoje, no entanto, percebia que era apenas uma maneira de evitar suspeitas.

Na verdade, havíamos feito o mesmo em casa. Além de um belo porta-retrato do nosso casamento, havia outras fotos de momentos importantes, como jantares com a família dele, e até algumas imagens tiradas em um estúdio para decorar o ambiente. Assim como no escritório que ficava na casa, a minha foto ali era uma da sessão de estúdio, porém em casa eu sabia que ele sempre mantinha o porta-retrato virado para baixo. Levantei-me e fui até a janela, observando a vista, que realmente era deslumbrante.

Virei assim que ouvi o som da porta se abrindo. Ele entrou sério, laptop na mão, fechou a porta atrás de si e, sem dizer nada, sentou-se em sua cadeira. Eu me dirigi à cadeira em frente à dele e me sentei.

“Então, qual assunto urgente te traz aqui?” ele perguntou, acomodando-se na cadeira, como se quisesse mostrar que estava confortável.

“Como se você não soubesse.” Ele se manteve em silêncio, olhando na minha direção, mas pelo seu olhar eu sabia que ele estava ciente do motivo da minha visita. “Que história é essa de fechar a Mockingjay?”

“Ele foi rápido mesmo. Não esperou nem 12 horas antes de te procurar. Aliás, considerando o horário da sua primeira ligação, acredito que ele deve ter te contatado pouco depois que saí de lá. Espero que você não venha com essa historinha de que a empresa é importante pra você, de querer assumir o lugar do seu pai. Sabemos que nosso casamento não tem espaço para essas mentiras.”

“Temos um contrato, Peeta. Não é o que você vive falando?”

“Sim, temos. E estou cumprindo a minha parte. Não sei se você se lembra, mas sei que tem uma cópia. Pode conferir que, em nenhum momento, disse ou coloquei no contrato que iria investir na Mockingjay. O contrato diz que não vou processar seu pai enquanto for válido.”

“Então você comprou a parte do Plutarch para fechar a empresa?” Até onde eu sabia, ele não havia pago tão barato, principalmente considerando que a empresa não estava valendo muito. Aquilo não fazia sentido.

“Você achou que eu iria investir dinheiro, enquanto seu pai continua desviando? Por mais que eu tenha proposto esse acordo e agora esteja casado com você, o que não é barato aliás, eu ainda não estou jogando dinheiro fora. Investir qualquer centavo naquela empresa seria o equivalente a rasgar dinheiro.”

“Isso é ridículo.” Levantei, já nervosa demais para ficar sentada ali olhando para ele. “Não é só pelo dinheiro. Você encontrou uma forma de continuar se vingando de mim, mesmo eu tendo aceitado esse contrato, mesmo tendo passado os últimos meses sendo o seu ‘quadro’, fazendo suas vontades. Você só quer se vingar.” Ele sorriu, balançando a cabeça, negando e isso me irritou ainda mais. “Você deveria crescer, Peeta. Tínhamos 17 anos, lembra? Agora essa birra adolescente vai prejudicar outras pessoas.”

“Esta falando dos luxos e extravagâncias dos seus pais? Ou seria preocupação com você? Com como será sua vida depois que o contrato acabar?”

“Não é só a minha família. Você sabe quantas famílias dependem da empresa? Quantas pessoas trabalham lá?” Ele riu alto dessa vez.

“Eu sei exatamente quantas pessoas trabalham na Mockingjay, mas e você, Katniss? Você sabe?” Não respondi, porque não sabia. “Como imaginei.” Ele se inclinou na mesa, os dois cotovelos apoiados, as mãos juntas próximo ao queixo. “Você trabalhou lá, assinou um monte de coisas sem saber, sem nunca se importar com nada, e agora vem com esse joguinho de que pessoas dependem da empresa.” Ele parecia se deleitar com cada palavra. “Não sou eu quem precisa crescer, Katniss. Afinal, quem foi que entrou neste prédio sem a menor postura e respeito por todos os profissionais? Quem usou um título —ele fez questão de colocar aspas com as mãos — para entrar aqui e falar com as pessoas como se fosse superior, agindo como se tivesse algum poder na empresa?”

“Eu precisava falar com você. E você não me atendia.”

“Você ainda não entendeu que o mundo não gira ao seu redor? Deixa eu te contar: não atender o telefone não é necessariamente pra te irritar. E se eu não atender, você não tem o direito de vir aqui fazendo o seu showzinho.”

“Não fiz um showzinho. Sou sua esposa, não sou? É normal vir aqui.”

“Você não é minha esposa de verdade para fazer visitas. E mesmo que fosse, sua arrogância e prepotência não é uma postura aceita nessa empresa.” O tom de voz dele subiu um pouco, mas ele respirou fundo antes de continuar com um tom mais calmo. “Você precisa crescer e ver as coisas como uma adulta, coisa que nem seu pai está fazendo, porque estão acostumados a pensar que são donos da razão. Estou agindo como qualquer empresário que sabe minimamente o que está fazendo, então vir aqui espernear ou tentar usar o contrato não vai mudar o fato de que não vejo motivo nenhum para deixar essa empresa aberta ou investir um centavo que seja nela. Agora eu preciso trabalhar” ele apontou para porta sem rodeios, sem levantar ou pensar no que pensariam ao me ver saindo sozinha.

Eu precisava encontrar uma solução, salvar a empresa e reverter a situação. Precisava mudar o jogo.

Notas finais
É isso! Espero que tenham gostado. Quero agradecer de coração a todos que continuam aqui. Cada comentário maravilhoso que recebo me motiva a seguir em frente, mesmo depois de tanto tempo e com toda a insegurança em voltar a escrever , que é a algo que sempre amei fazer. Vocês são realmente incríveis. Não vou marcar uma data para o próximo capitulo, mas prometo que não vou demorar a voltar. Uma ótima semana a todos!