Linha Tênue
26 Vício.
Notas iniciais
~Kagami Taiga~
O cansaço do jogo de basquete recém-terminado ainda não o atingira, já que a adrenalina permanecia dominando a maior parte de seu corpo. O ruivo caminhava apressado pelos corredores do Centro Poliesportivo ao lado de Momoi, mas tudo ali parecia girar e se misturar com os flashes de sua mente, dando a impressão que estava em outro lugar, em outro momento. Muita coisa estava acontecendo naquele dia, como se já não tivessem ocorrido imprevistos demais nos últimos meses.
Até aquele ano nada de muito especial, intenso, preocupante ou dramático havia acontecido em sua vida... E de repente, em um único dia, as quatro coisas aconteceram ao mesmo tempo. Especial: Venceram Shutoku por muito pouco, muito pouco mesmo, e passaram para as semifinais no Interescolar. Intenso: Voltara com o cara que o fez se apaixonar de verdade, e de uma maneira intensa e louca. Preocupante: Momoi fizera o favor de abrir a boca sobre o fato de ser gay na frente do time inteiro da Seirin. Dramático: Aomine e Himuro saíram no soco e agora estavam expulsos do campeonato, provavelmente por sua causa. O que mais poderia acontecer?
— Kagamin... Me desculpa. — Momoi Satsuki se pronunciou pela primeira vez desde que saíram do vestiário, com um tom de culpa bem evidente na voz. — Eu falei sem pensar sobre vocês dois estarem juntos. Vai complicar tudo para você, não vai?
— Relaxa. Depois eu vejo isso. — Kagami apenas suspirou, fechando os olhos ao fazer um gesto de 'deixa para lá'. Lógico que não iria se irritar (externamente) com a menina, mas ela poderia ter pensado um pouco melhor antes de deixar a língua solta. Talvez tudo fosse complicar mesmo, porém era melhor deixar o assunto para mais tarde. — Vamos nos preocupar com o Daiki agora, ok?
E com o Himuro também. O ruivo completou mentalmente, virando a esquina do corredor.
Mesmo que Tatsuya não o considerasse mais um irmão, mesmo que ele o tivesse humilhado e desapontado, mesmo que ele fosse completamente diferente do rapaz que conhecera, ele ainda era seu melhor amigo de infância e sempre seria seu irmão. Não o abandonaria jamais, mesmo que Himuro merecesse ou praticamente pedisse por isso com cada uma de suas atitudes recentes.
~Himuro Tatsuya~
— Cuide com esses pontos aí na cabeça, Nigga. — O rapaz sussurrou ironicamente assim que passou na frente do moreno, acompanhado por uma furiosa treinadora e por Murasakibara, que vieram resgatá-lo da Enfermaria.
Daiki nem sequer abriu os olhos, apenas ergueu o dedo do meio em sua direção, ainda deitado na cama. Tatsuya riu da atitude, sentindo o lábio inferior doer no ato. Sabia que não estava com uma cara muito bonita. Tudo latejava em seu rosto, mas uma provocação a mais não faria mal. Não tinha medo de Aomine, e sim sentia raiva dele, de uma maneira impossível de descrever, então quanto mais o fizesse se sentir mal, melhor.
— Muro-chin, por que vocês bri-
— Quietos. Os dois. — A treinadora foi ríspida ao interromper o inocente e ingênuo Murasakibara, seguindo com passos firmes e audíveis. — Falaremos no vestiário, e não vai ser agradável, já adianto.
Himuro jurou ter ouvido Atsushi suspirar algo como 'saco' enquanto viravam a esquina de um corredor. Na verdade foi exatamente a mesma coisa que passara por sua mente ao olhar ao redor e constatar sua situação: Levara uma bela de uma surra, mentira de uma forma nojenta para ferrar com o relacionamento dos dois, não conseguira avacalhar com a cabeça e com os pensamentos de Daiki — e também já não sabia mais o motivo de tê-lo tentado —, levaria uma série de broncas e com certeza não teria Taiga de volta. Bem, na verdade não queria Taiga de volta. Foi tudo inútil. Com a expulsão do Interescolar Tatsuya não se preocupava tanto, já que o basquete estava começando a perder a magia, e logo iria embora do Japão... Mas mesmo assim, foi tudo desnecessário.
— Tatsuya? — Uma voz conhecida, repentina e ressonante fez Himuro sobressaltar-se por dentro. Era o que faltava para completar o cenário ridículo que envolvia sua vida agora.
Uma mistura de raiva, dor e arrependimento percorreu momentaneamente sua espinha, porém logo sumiu ao erguer o rosto e encarar Kagami. Ao fitar os olhos rubros, Himuro percebeu que não sobrara nada dentro de si, pelo menos nada tão intenso que fizesse seu coração bater como antes. Estava desgastado com tudo aquilo, apesar de ser a pessoa que sempre cavava o buraco em busca de mais... Como no caso da briga. Procurou aquilo por nada, e agora estava cansado, como se houvesse uma dicotomia em seu ser que o fizesse mudar de opinião de um momento para outro.
O ruivo caminhou de maneira cautelosa em sua direção, um pouco surpreso e até mesmo preocupado, mas principalmente receoso. O que ele queria agora? Perguntar se estava tudo bem? Se estava machucado? Queria brincar de irmãozinhos felizes como se nada estivesse acontecendo? Não. Não mais.
Sem esboçar reação, Himuro seguiu a treinadora e Murasakibara pelo corredor, ignorando-o sem o menor remorso... Talvez mais tarde sentiria uma pontada de dor, talvez não. Estava realmente percebendo que não sobrara muita coisa em relação à Taiga. Em relação à nada daquilo. A briga foi o suficientemente inútil para entender os fatos com clareza. Estava deixando o passado para trás, depois de tentar resgatá-lo por tanto tempo, e com tanta insistência. Não valia a pena sofrer e se doar por algo que não mudaria jamais.
— Kagamin, deixa. — A menina de cabelos rosados comentou com a voz baixa e suave, mas mesmo à distância Himuro foi capaz de ouvir. Não virou-se para olhar, como fizera Murasakibara. Não tinha nada que o interessasse ali atrás. Não mais. Era um adeus que não precisou ser verbalizado.
Chega daquilo. Enjoou.
~Kagami Taiga~
A sensação de estar fazendo algo muito errado, de estar abandonando alguém muito importante, não saía de sua consciência. Kagami continuou observando Himuro se afastar com a treinadora e um curioso Murasakibara, que não parava de olhar para trás. Ele mal sabia de tudo o que acontecia entre os dois, do motivo da briga com Aomine, do porquê daquele clima pesado que empurrava o teto contra a cabeça de Kagami... Essa era a sensação. Estava deixando Himuro para trás, e sentia-se irrevogavelmente péssimo por isso, apesar de tudo.
— Vamos. Ele não vai mais voltar. — Momoi murmurou com a voz firme, assim que aquele pequeno grupo de integrantes da Yosen sumiu no final do corredor, que parecia infinito agora.
— É. Eu sei. — O ruivo suspirou, mal focando na conversa, já que estava com a cabeça distante. Respondeu por responder, um pouco mais conformado ao ouvir a verdade vinda de outra pessoa. — Vamos. O Daiki está nos esperando. — Sorriu de canto para a menina, que assentiu e começou a caminhar.
Como se um pedaço de si tivesse ficado para trás, o ruivo seguiu em frente. Agora estava indo para onde realmente deveria e queria estar... Com o passado prestes a minguar, infeliz ou felizmente, não sabia dizer. Sabia apenas que, depois que a poeira baixasse, aquilo não voltaria a assombrá-lo. Foi um adeus bem evidente e frio, mas não era o fim do mundo. Seu novo mundo estava mais à frente, o esperando, e tinha tudo para ser melhor que o antigo.
~Aomine Daiki~
Os passos no corredor levaram o moreno a abrir os olhos. Sabia que agora era sua vez de sair daquela porcaria de lugar que fedia a desinfetante, e que estava começando a sufocá-lo.
Quase conhecia o compasso de Momoi ao caminhar, e sabia também que Taiga estava junto. Nunca se imaginou reparando nesse tipo de futilidade, mas realmente sabia que aqueles eram os sons dos passos dos dois. Assim que a porta rangeu, o moreno sentou-se e constatou que estava certo.
— Dai-chan! — A voz preocupada de Momoi ecoou na enfermaria, assim que ela percorreu apressada a pouca distância até parar em sua frente, tapando quase todo o seu campo de visão devido à proximidade. A expressão da menina variou da aflição para o desapontamento em questão de segundos, provavelmente após ela perceber que não havia absolutamente nada de errado consigo além dos pontos acima da sobrancelha. — O que foi essa cena toda? Onde já se viu, ser expulso do campeonato por causa de uma briga infantil. Que ridículo. Você foi muito egoísta, sabia? E o resto do time, como fica? — Ela colocou a mão na cintura, finalizando a frase com veemência ao dar um passo para trás.
— Saco. — O moreno revirou os olhos, coçando o ouvido com o dedo mindinho. Aquela sessão de broncas estava apenas no começo, sabia disso. — Foi mal, beleza? Não vai se repetir. — Disse com uma fingida indiferença, levantando-se ao procurar o olhar de Taiga, que estava logo atrás da menina, ainda usando o uniforme do basquete. Ele parecia um pouco distante, mas o encarava com uma espécie de alívio, e não repreensão.
— Claro que não vai se repetir, já que você foi expulso! — Ela explodiu, irritada, arrancando sibilos de desaprovação dos enfermeiros. A menina baixou a voz ao continuar: — Se a gente não passar para as finais você pode se considerar bastante culpado. O treinador vai te matar. O Wakamatsu-kun também. Ai Dai-chan, você nunca cria jeito? — Momoi inflou as bochechas, cruzando os braços contra o peito. — Se não é uma coisa, é outra.
Kagami balançava a cabeça de um lado para o outro, lentamente, fingindo desapontamento. Ele tentava permanecer sério perante a bronca que Aomine levava, mas os cantos trêmulos de seus lábios denunciavam que não estava dando certo. Ele o zoava por dentro agora que sabia que tudo estava tranquilo, Daiki tinha certeza disso. Faria o mesmo se a situação fosse contrária.
— Anda. Vamos! Vai preparando os ouvidos, porque você ainda vai escutar um monte hoje! — Satsuki começou a caminhar em direção à porta, resmungando. — E eu aqui toda aflita pensando que você estava machucado, ou pior... Ah, fala sério! Você é todo errado, Dai-chan!
Kagami concordou com um movimento acentuado de cabeça, levando Aomine à sorrir de canto e empurrá-lo com o cotovelo. Os dois começaram a rir baixinho e lutar entre si com jogos de corpo, mas pararam assim que a menina se virou, com os olhos estreitos.
— Podem parar com a piadinha. Isso é sério! Bem sério.
— Ok, ok. — Aomine ergueu as mãos em um sinal de rendição, suspirando com culpa. — Vou arcar com as consequências, beleza? — Afirmou, sentindo realmente o remorso por seu impulso ter estragado tudo mais uma vez. Precisaria corrigir seus surtos o quanto antes, já que isso afetava muita coisa ao seu redor.
— É. Todos nós vamos arcar. — Satsuki completou, balançando a cabeça mais uma vez ao seguir pelo corredor.
Aomine sabia que ela tinha toda a razão, mas mesmo assim sentia-se mais aliviado do que culpado naquele momento. Só conseguia pensar que Taiga estava neutro, caminhando ao seu lado, de certa forma dando uma espécie de apoio naquela situação. O moreno pensara que o ruivo estaria no mínimo zangado ou indignado por ter batido no Franjinha, mas talvez ele entendesse seu lado e por isso não julgava... Ou quem sabe também achava que Himuro merecia uns sopapos. Ou estava indiferente.
Vai saber como funciona o cérebro de Kagami Taiga. Não muito bem, já que ele se apaixonou por mim. O moreno pensou com certo divertimento, virando-se para fitar o ruivo, que agora olhava para frente, sério. Ele parecia pensativo... Provavelmente se perguntando os reais motivos da briga. Contaria a verdade quando estivessem a sós, depois das broncas e dos jogos das outras escolas.
Se o moreno pudesse, simplesmente sumiria com Taiga agora, para um lugar onde apenas os dois estivessem. Precisava dele, da presença dele, só dele... Mas por enquanto estava bom o suficiente saber que o ruivo estava do seu lado, e não ao lado de Himuro Tatsuya, como antes.
***
~Kagami Taiga~
Após combinar de encontrar-se com Aomine mais tarde e deixá-lo com Momoi e os outros integrantes da Touou — para levar mais broncas merecidas devido à expulsão do campeonato —, Kagami voltou ao vestiário da Seirin, que (felizmente) estava vazio, tomou um banho rápido e colocou o agasalho limpo da escola. Estava começando a ficar com frio por usar as roupas suadas de basquete desde o final de jogo contra Shutoku. Ainda tinha algumas partidas pela frente, então não poderia dar-se ao luxo de pegar um resfriado ou qualquer outra coisa pior.
Cansado, o ruivo sentou-se em um dos bancos e apoiou-se no armário metálico, que soltou um ruído característico assim que largou a cabeça pesadamente contra uma das portas. 'Cansado' tornou-se um apelido carinhoso agora que Kagami parou quieto. Estava verdadeiramente podre.
A mente de Taiga nunca seria preparada para enfrentar tantos problemas e situações emocionais ao mesmo tempo. Naquele momento o ruivo tinha que se esforçar no Interescolar, se preocupar com a reação do time em relação à boca grande de Satsuki, precisava aprender a lidar com a vontade imensa de estar com Aomine o tempo todo, controlar-se para não pensar nos motivos que levaram os dois a brigarem mais cedo e ainda por cima tinha que dar um jeito de engolir aquela sensação ruim que se formava ao pensar que Himuro o odiava ao ponto de evitar qualquer contato visual.
— Muita coisa... Muita coisa para pensar. — Murmurou, fechando os olhos sem a menor dificuldade, deixando um longo bocejo escapar.
O ruivo não soube por quanto tempo ficou ali, sozinho, quem sabe até cochilando, no entanto depois do que pareceu uma verdadeira eternidade, ouviu a porta do vestiário bater contra a parede com certa violência. Após o sobressalto inicial, Kagami quase caiu do banco novamente ao deparar-se com Akashi Seijurou, a última pessoa que imaginava encontrar naquele dia.
— Você viu o Tetsuya? — Ele foi seco e direto, evitando qualquer evidência de simpatia, como sempre.
— Não. — Kagami respondeu no mesmo tom, encarando-o sem demonstrar muita reação. — Ele deve estar assistindo aos jogos com os outros. — Comentou sério, levantando-se e colocando a mochila sob o ombro direito. — Por quê? — Perguntou, erguendo uma das sobrancelhas.
Era estranho Akashi aparecer do nada, principalmente procurando por Kuroko.
— Não te interessa. — O rapaz disse, virando-se e caminhando em direção à saída. — Quando o vir avise-o que precisamos conversar sobre... Nossos assuntos. — Ele finalizou com uma calma quase assustadora, fechando a porta atrás de si.
O ruivo apenas suspirou fundo, sentindo-se mais cansado do que antes. Acabara de despertar e não teve tempo para absorver e muito menos processar esse aparecimento inesperado de Akashi... Tampouco ficaria se metendo na vida de Kuroko. Daria o recado e pronto. Era a última de suas preocupações agora.
— Vamos em frente. — Murmurou para o nada, saindo do vestiário segundos depois com certa relutância, como se deixasse para trás o seu esconderijo secreto e seguro.
O ruivo precisaria inevitavelmente encontrar o pessoal do seu time após a ‘’notícia do ano’’ que Momoi fez o favor de espalhar, mas sentia dez tipos de receio atravessando seu corpo naquele momento. Sinceramente, não sabia como os encararia dali em diante ou como retomaria o assunto para esclarecer as coisas, mas era algo que precisaria enfrentar uma hora ou outra. Não seria o bicho de sete cabeças também. Se os integrantes da Seirin fossem realmente seus amigos, entenderiam sem julgar ou criticar — exatamente como Kuroko fez.
Em seu íntimo, Kagami gostaria apenas de esbarrar mais uma vez com Aomine e sair dali o quanto antes, para irem a algum lugar onde pudessem ficar a sós... Seu apartamento talvez. Precisava disso, precisava dele, apenas dele. Não daria broncas em Daiki, tampouco encheria seu saco pela expulsão, queria apenas entender o motivo da briga e então esquecer mais esse episódio complicado.
Era movimentação demais em sua vida, Taiga não estava acostumado com tanto rebuliço. Precisava voltar o quanto antes à calmaria que tanto prezava, mas agora com Aomine ao seu lado. Apesar de que tudo começou a ficar movimentado quando o moreno entrou em sua vida. Talvez fosse sua sina.
***
Sem muita pressa, o ruivo cobriu toda a distância até o ginásio principal atravessando os corredores — que mais pareciam labirintos. Quando chegou lá, parou na ampla porta e olhou ao redor. Sua visão estava bem treinada, então não foi complicado encontrar o uniforme da Seirin em algum ponto da arquibancada, no meio de tantas cores das outras escolas.
— Ok. — Taiga engoliu em seco e começou a andar em direção à sua metafórica guilhotina. Não sabia o que esperar, sabia apenas que era realmente chato os amigos terem descoberto fatos bem escondidos de sua sexualidade dessa maneira ridícula... E na verdade nem era ‘namorado’ de Daiki, como Momoi falara. Estavam apenas... Ficando? Era uma incógnita. Sempre fora.
A cada passo que dava em direção ao time, o ruivo encontrava uma palavra para amaldiçoar a boca grande de Satsuki, porém, assim que se aproximou-se mais, todos agiram naturalmente e o saudaram com os mesmos sorrisos e reações de sempre.
— Achei que você tinha desparecido de novo. — A treinadora murmurou sem desviar o olhar da quadra, onde acontecia o jogo entre duas escolas não tão populares.
— Senta aqui. — Izuki disse, dando dois tapinhas na cadeira vaga que havia em seu lado direto. — Guardamos lugares para você e para o Kuroko, mesmo sem saber se vocês iriam voltar.
— Hm, ok. Obrigado. — O ruivo sussurrou um pouco desconfortável, sentando-se ali mesmo. — E cadê o Kuroko? — Perguntou, olhando para todos os amigos, mais em busca de algum julgamento no olhar do que qualquer outra coisa. Não encontrou nada disso, o que foi um incontestável alívio.
— Achávamos que ele estava com você. — Hyuuga comentou, virando-se para encará-lo, já que estava na fileira de bancos em frente à sua. — Ele saiu logo depois que a Momoi te sequestrou.
— Hm. Bem, não vi mais ele. — Kagami franziu a testa, confuso, lembrando-se da aparição repentina de Akashi no vestiário. Imagens idiotas e teatrais do capitão da Rakuzan matando Kuroko com uma tesoura espocaram em sua mente naquele momento, mas foram embora assim que balançou a cabeça. Tinha uma péssima impressão de Seijurou, tanto é que criava aquelas besteiras involuntariamente.
— Que saudade do tempo em que vocês não desapareciam das nossas vistas. — Riko sibilou com um sorriso ameaçador, voltando-se para o ruivo.
— Ei Kagami, alguém se machucou? — Hyuuga perguntou, não dando tempo para qualquer reação de perante a provocação da treinadora.
— Como assim? — O ruivo sobressaltou-se, já que todos viraram-se imediatamente para olhá-lo, curiosos.
— Na briga. — O capitão esclareceu, revirando os olhos.
— Ah. — Kagami engoliu em seco, encarando imediatamente a bolsa em seu colo. O assunto entrou em pauta. — O... O Himuro estava com o rosto bem inchado e estranho, e o D... E o Aomine ganhou uns pontos na sobrancelha. Nada grave, mas os dois foram expulsos do campeonato. — Deu de ombros, desviando a atenção para a quadra, onde o jogo estava completamente chato e parado.
— Mas pensem pelo lado positivo. — Koganei soltou uma risadinha, erguendo o indicador de forma sábia. — Pelo menos nossos oponentes estão desfalcados agora. Teremos mais chances de vencer o campeonato.
— Se fosse o Murasakibara sim, mas foi o Himuro quem apanhou. — Furihata apontou na hora, voltando-se para Koga. — E Touou perdeu para Yosen hoje, então... — Deixou o comentário no ar.
— É. E no final vai ser Rakuzan de qualquer jeito, então estamos mortos. — O rapaz concordou, arrancando risadas de alguns membros do time, inclusive de Kagami.
Não era apenas um alívio que o ruivo sentia naquele momento, mas também a conhecida euforia pelas partidas de basquete que ainda estavam por vir no dia seguinte... E uma bela de uma felicidade. Tinha verdadeiros amigos com quem podia contar em todos os momentos, inclusive naquele. Não havia julgamentos, não havia clima ruim ou pressão de qualquer espécie. Eles o aceitaram, mesmo sabendo que era gay.
Um problema a menos. Agora só faltava o tempo passar um pouco mais rápido para facilitar tudo. Queria ver Aomine o quanto antes.
***
18h12min
~Aomine Daiki~
Aomine não sabia se o fato de ter acordado tão cedo colaborou com a sensação de que o dia estava sendo infinito, no entanto o moreno sentia-se cansadíssimo, como se não dormisse há séculos. Não jogara uma partida de basquete sequer, mas a coletânea de repreensões que ganhara o deixaram verdadeiramente exausto e bastante mal. Pelo menos agora estava indo embora daquele ginásio, ao lado de Taiga, que era a pessoa com quem queria passar o resto do dia... Já que sua mãe com certeza o colocaria de castigo por uma semana por causa da briga e o proibiria de sair de casa — exceto para ir à escola.
— E então, como está sendo o seu dia? — O ruivo o olhou com uma espécie de compaixão irônica assim que seguiam pelas ruas úmidas de Tóquio, em direção à estação de metro mais próxima.
— Tirando os quarenta e dois tipos diferentes de broncas que levei, os dois pontos na minha cabeça e a minha expulsão do campeonato por causa de uma briga com um idiota, foi um dia maravilhoso. — Daiki sorriu ao ver os caninos de Taiga aparecerem pelos cantos dos lábios.
— Vai me contar o que aconteceu ou quer deixar para outra hora? — O ruivo questionou com receio, assim que pararam na borda de uma faixa de pedestres, aguardando pelo sinal verde.
— Ah, melhor eu falar já. Quero esquecer essa bosta. — Aomine deu de ombros, olhando para as pessoas que aguardavam no lado oposto da rua, escolhendo as palavras em sua mente. — Então... Aquele seu suposto irmãocomeçou a me falar umas merdas que sabia sobre você. Tipo... Coisas que eu não sei, entende? — Perguntou, olhando de esguelha pra Taiga, assim que atravessavam a rua até a outra calçada.
— Como assim? — Taiga demonstrou confusão, virando o rosto imediatamente.
— Ah, tipo a tatuagem que você quer fazer nas costas, sobre você tomar café sem açúcar, ter mania de escovar os dentes e tal. Ele ficou jogando na minha cara essas coisas que eu não tive tempo de descobrir. — Aomine explicou em meio a um suspiro, colocando as mãos nos bolsos da calça. — Até aí eu até estava de boa, mas então... Ele falou que quando vocês estavam em Los Angeles agora no final do ano... Tipo... Vocês dois...
— Nós dois o quê? — Kagami perguntou pausadamente, com uma expressão bastante séria, percebendo a relutância de Daiki.
— Ele falou que eu tinha que ser muito corno para aceitar voltar com você, já que vocês dois foderam em Los Angeles enquanto eu estava aqui te esperando. — O moreno falou com calma, olhando para Taiga em busca de alguma reação adversa.
— Quê!? — Ele exclamou repentinamente, parando de andar no meio da calçada, verdadeiramente horrorizado.
— Foi o que ele me disse. — Aomine disse, também parando para encarar o ruivo. — Admito que quase acreditei porque eu estava muito irritado, mas sei que você não mentiria sobre isso, então dei um soco na cara dele. — Finalizou, sorrindo de canto ao olhar para o próprio punho fechado, onde os nós de seus dedos continuavam doloridos e até um pouco esfolados... Notara isso apenas agora.
— Puta que me pariu. — Taiga pareceu não ouvir a última parte, estava completamente indignado. — Isso nuncaaconteceu! Nem em Los Angeles e nem aqui. A gente nunca fez nada.
Taiga e Himuro nunca foderam? É isso?
— Nem agora, quando vocês estavam juntos? — Aomine perguntou rapidamente com certa surpresa. Foi uma frase extremamente gostosa de ouvir, mas precisava ter certeza que não entendera errado.
— Não! A gente nunca fez bosta nenhuma. — O ruivo continuou com uma expressão fechada, balançando a cabeça negativamente, ainda distante. — Caralho, que estranho. Por que ele mentiu assim? — Ele suspirou, olhando para os lados, tentando se acalmar.
— Pois é, não sei. Mas logo imaginei que ele estava tentando me jogar contra você para foder com tudo. — Daiki sentiu-se ligeiramente feliz, apoiando a mão no ombro de Taiga para que recomeçassem a andar. — E foi isso. Bati nele porque fiquei puto, e não me arrependo de ter sido expulso por isso, apesar das consequências. Ele é um cretino de merda que mereceu.
— É. — O ruivo ainda parecia desconcentrado, olhando para a calçada enquanto caminhava. — Caralho. Essa eu não esperava. Sério. — Ele murmurou, ainda balançando a cabeça. Parecia bastante decepcionado agora. — O que ele ganhou com isso?
— Socos. — Aomine afirmou com a voz arrastada, descendo a mão pelas costas de Taiga para que ele se acalmasse.
— É. — Kagami soltou uma risada nasal sem muito humor, voltando-se para Aomine com uma expressão neutra. — Mas acredito que... Ele se tornou passado agora, de vez. Estou mais certo disso do que nunca... Então, vamos enterrar isso também, junto com as outras coisas?
— Certo. — O moreno sorriu de canto, desviando o olhar para o chão. Não se sentia constrangido há muito tempo, todavia, por algum motivo idiota, a feição leve de Taiga o deixou sem jeito naquela hora.
— Ok. — Kagami murmurou, assim que viraram a esquina que daria na estação de metro. Após alguns segundos de silêncio, ele perguntou com mais animação na voz: — Hm, quer comer pizza lá em casa então?
— Quero sim. — Aomine aceitou imediatamente o convite, percebendo que estava com uma fome descomunal e uma vontade mais descomunal ainda de ficar a sós com Kagami Taiga. — Acho que preciso pagar uma pizza inteira dessa vez, não é?
— Precisa. — O ruivo riu, aproximando-se um pouco enquanto caminhavam, para que os braços se encostassem. — A última eu paguei sozinho.
— Eu lembro. — Daiki sorriu, voltando-se para encarar Taiga, que também o fitava, sorrindo agora.
De repente todo o cansaço foi embora, assim como o peso das broncas e todas as coisas ruins que acumulara naquele dia. Estava com o cara que amava, e sim, amava, não havia mais dúvidas disso. O passado complicado estava ficando para trás dessa vez, com certeza.
***
— Acho que vou tomar um banho. Você pede? — Kagami perguntou enquanto deixava a chave no aparador azul ao lado da porta. Esse foi um costume que aparentemente não sumiu.
— Só de quatro queijos, né? — O moreno perguntou, andando tranquilamente até o sofá, deixando a mochila e a jaqueta pelo caminho, como sempre. Sentia-se muito a vontade no apartamento de Taiga, era como se nada daquilo tivesse mudado, como se o tempo não tivesse passado.
— Ah, com certeza, só quatro queijos. — Kagami sorriu radiante, reforçando a afirmação com um gesto acentuado de cabeça assim que Aomine largou-se no estofado.
— Que foi, idiota? — O moreno perguntou confuso, rindo da reação exagerada perante a escolha do sabor de uma pizza.
— Você não estraga a magia dos queijos. — Kagami balançou a cabeça, fazendo um sinal de ‘deixa para lá’ com as mãos antes de mudar de assunto: — O telefone está ali em cima da mesinha, e o endereço daqui está anotado ali também. Você sabe, fica a vontade. Mas sem pornô. — O ruivo disse usando um falso tom mandão, apontando para a televisão com um gesto de cabeça.
— Hm, é, já sei, só posso ir ao canal 69. — Aomine fez um careta fingida, agitando no ar os três controles que antes estavam no sofá. Ainda lembrava qual deles ligava a TV, qual mudava para a emissora americana e qual trocava os canais.
— Exatamente. — O ruivo sorriu de canto, coçando a nuca ao sorrir sem graça. — Hm. Vou lá então. Pode abrir a janela também, se precisar.
— Ok. — Aomine sorriu, sem desviar o olhar de Kagami, que continuou parado em frente à entrada para o corredor, também o encarando.
O silêncio gritou muito alto naquele momento.
Uma sensação muito boa se espalhava pelo corpo de Daiki, como se estivesse mais uma vez usufruindo dos efeitos de sua droga favorita, da qual ficara em abstinência por um longo tempo. Taiga o fazia se sentir muito bem, apenas por estar ali perto. Ainda era um pouco estranho para Aomine sentir e pensar em todas essas coisas que os relacionamentos envolviam, mas gostava bastante das consequências que elas traziam.
Era muito sortudo por ter recuperado alguém que lançara para longe de sua vida em um ato impulsivo e explosivo. Agora estava tendo sua milagrosa segunda chance, e aproveitaria ela da melhor forma possível, para que tudo desse certo dali para frente, até sabe-se lá quando. Foda-se se eram homens, se eram rivais no basquete, se odiavam-se no passado... Foda-se tudo isso. Hoje poderia afirmar que amava Kagami Taiga de uma maneira louca e verdadeira, afinal, havia uma linha muito tênue entre o amor e o ódio.
Sem pensar ou esperar muito mais, o moreno levantou-se e caminhou na direção do ruivo, que já parecia estar aguardando essa reação. O beijo que veio em seguida aconteceu de uma maneira completamente espontânea, sedenta e bastante urgente, como na primeira vez, logo ali no corredor do prédio em que estavam.
Aomine fechou os olhos e sentiu a textura dos lábios de Taiga fazendo uma pressão gostosa contra os seus próprios, ao mesmo tempo em que as línguas quentes se encontravam. Com aquele toque, cada pedaço do seu corpo parecia regenerar-se, como se o ruivo lhe devolvesse a vida. Era estranho pensar dessa forma, até porque aquele não era o melhor momento para pensar, e sim apenas sentir... E a sensação era indescritível. Amava o beijo de Kagami, se encaixava perfeitamente com a sua boca. Ele era o melhor, era o seu verdadeiro vício.
Não tinha como não se entregar ao calor do momento, principalmente ao sentir o ruivo puxá-lo pela camiseta, trazendo-o para mais perto, até que pudesse friccioná-lo contra a parede do corredor iluminado apenas pela luz da cozinha. A calma e o autocontrole esvaiam-se conforme Kagami pressionava suas costas com os dedos, levando uma das mãos em direção a sua nuca.
Não havia porra nenhuma de calma ou autocontrole ali.
Não estavam enganando ninguém durante aquele beijo. Queria Kagami por inteiro, e ele também o queria, já que o apertava com força contra seu próprio corpo. Era possível sentir a ereção do ruivo crescer contra a sua, e aquilo era sublime. Como sentiu falta.
— Taiga... — Daiki gemeu em um sussurro rouco, sentindo os lábios do ruivo descerem até seu queixo, mordendo-o suave e lentamente.
Aomine inclinou a cabeça para trás em um pedido silencioso para que o ruivo continuasse com aquela tortura gostosa em seu pescoço. Essa atitude estava acabando consigo. Seu membro já intumescido pulsou um pouco mais ao perceber que Taiga o tinha em suas mãos, ele dominava a situação por completo, o puxando contra o próprio corpo enquanto ainda mordiscava e sugava sua pele de uma maneira deliciosa.
— Eu quero tanto você... — Murmurou de forma involuntária e quase suplicante para o ruivo, que afastou os lábios levemente inchados e úmidos de seu pescoço para que pudessem se olhar de frente.
Ok, será que falei isso rápido demais? Aomine pensou com receio, voltando imediatamente a atenção para o ruivo, já esperando um 'vamos com calma, do zero'. Felizmente, nada disso aconteceu.
— Eu amo você. — Kagami disse baixinho, um pouco ofegante, com os olhos rubros em uma mistura de desejo, cautela e paixão, há poucos centímetros dos seus.
Aquilo foi tão incrível e intenso que deixou o moreno sem uma reação momentânea, tanto é que entreabriu os lábios, um pouco surpreso. Jamais esperou ouvir aquela frase, não depois de tudo o que fizera para ele no passado, no entanto ela foi pronunciada de uma maneira extremamente sincera e carregada de sentimentos. Tudo pareceu incendiar em seu interior no mesmo instante, e isso não tinha nada a ver com o tesão que o consumia.
— Eu também amo você. — Disse da forma mais firme e sincera que foi capaz, envolvendo-o pelo tronco e puxando-o contra si. Hoje não tinha mais medo de admitir e verbalizar... Era libertador falar a verdade, depois de guardá-la dentro de si por tanto tempo.
Aomine sorriu de canto ao ver os caninos surgindo timidamente por entre os lábios de Taiga. Adorava aquilo, pois deixava o rosto dele brilhante e bastante vivo, mesmo que ainda houvesse uma chama de desejo bem intensa em seus olhos rubros. Sim, estava virando uma menininha por reparar nessas coisas, mas era natural. Fazer o quê?
Sem dizer mais nada, Kagami aproximou-se novamente e o beijou de forma lenta e gostosa, ao mesmo tempo em que o puxava novamente pela camiseta e andava de costas pelo corredor, com passos lentos. Mesmo com os olhos fechados, Aomine sabia onde estavam indo, e essa atitude dominante de Taiga o estava deixando louco, totalmente entregue a situação. Um dia ele ainda iria matá-lo de tanto tesão. Kagami Taiga era seu vício, desde a primeira vez.
~Kagami Taiga~
Eram tantas sensações misturando-se em seu corpo: Uma alegria imensurável por ter ouvido Aomine dizer que o amava também, um tesão incontrolável que não parava de causar aquelas fisgadas gostosas e insistentes na virilha, uma pontada de imprudência por estar trazendo o moreno para sua cama antes de uma semifinal de campeonato, e uma enorme quantia de adrenalina por estar dominando a situação até aquele ponto. Poderia explodir naquele exato instante.
Um arrepio forte percorreu sua coluna e direcionou-se ao seu pênis assim que sentiu os dedos de Daiki subindo com força por suas costas, levando junto a camiseta da Seirin que usava naquele momento. Afastaram o rosto brevemente para que pudessem retirar a roupa inoportuna, e, ao encarar o moreno, Kagami percebeu que tinha algo diferente em sua expressão excitada, assim como na situação inteira... Mas era algo muito melhor, mais intenso. Não era apenas atração, como no início.
Aproveitando a deixa, o ruivo também removeu a camiseta de Daiki com certa pressa assim que chegaram cambaleantes até a beirada da cama, lançando-a para qualquer canto do quarto. Era algo bem nostálgico e bom.
Era impossível não perder-se ao olhá-lo assim, sem camisa, iluminado parcamente pela meia luz que vinha da cozinha. O moreno tinha um tórax perfeito, e seu cheiro forte era inebriante, viciante, completamente afrodisíaco. Não conseguindo conter os impulsos de seu próprio corpo, Kagami traçou uma linha reta com as unhas no troco de Aomine, descendo pelo abdome e aproximando-se do cós de sua cueca de forma insinuante. Isso o fez gemer baixinho contra seus lábios, assim que começaram a se beijar novamente. Aquele som era erótico ao extremo, e a situação inteira estava deixando o ruivo cada vez mais molhado, querendo tudo o que tiveram um dia... Queria ser fodido novamente, sentir-se preenchido por inteiro, arranhado, mordido, apertado. Queria tudo, agora. Já fazia tanto tempo desde a última vez...
Mal escondendo a urgência em senti-lo, Kagami deixou-se cair na cama, trazendo o moreno para cima de si com um puxão no cós do jeans. Não sabia muito bem como fazer agora, ou como pedir pelo sexo, mas Daiki pareceu entender muito bem a sua vontade assim que deslizavam pelo colchão, esfregando-se um no outro conforme se ajeitavam naquele espaço. A necessidade de Aomine era a mesma, a expressão em seu rosto falava por si só.
Intuitivamente, o ruivo abriu mais as pernas para o moreno se acomodar melhor entre elas. Apenas a simplicidade do ato levou Kagami a gemer contra os lábios sedentos de Daiki, que pressionavam os seus em um beijo delicioso e quente. O gosto dele era seu vício, despertava alguma coisa louca e pervertida dentro de si, não havia outra explicação para suas atitudes quase desesperadas e sem um pingo de vergonha... Costumava ser tão bobinho, mas hoje sabia exatamente o que queria.
— Ah... — Taiga gemeu ao sentir o moreno ondular o corpo contra o seu de forma sugestiva, ao mesmo tempo em que mordia sua orelha com certa força. Era tão gostoso e natural. — Caralho, Daiki... — O chamou com a voz sôfrega, passando a unha em suas costas sem medo de deixar marcas naquela pele morena. Ele era seu, finalmente, então poderia fazer o que bem entendesse.
O ruivo queria tanto o que estava por vir, quase conseguia restaurar a sensação de ser preenchido, a dor e o prazer se misturando em seu interior, apenas com as investidas simuladas e eróticas de Daiki.
— Porra Taiga, não morde os lábios assim. Você sabe que eu não aguento... — Ele murmurou em seu ouvido de maneira provocativa, passando a língua ali logo em seguida, enquanto ainda esfregava seu membro contra o de Kagami, repetidas vezes.
— Então me fode agora, porque eu também não aguento... — Kagami pediu sem o menor pudor, descendo os dedos novamente até o cós da calça dele, abrindo o botão e deslizando o zíper de forma desordenada. Não se reconhecia direito, parecia alucinado, como se Daiki o deixasse embriagado. Ele era sua droga favorita.
— Caralho... — O moreno soltou uma risada trêmula ao constatar a pressa do ruivo. Era a mesma que ele próprio sentia, mas parecia estar contendo-se até aquele momento.
Os olhares afoitos de ambos se encontraram no momento em que Daiki resolveu ajudá-lo a tirar o restante das roupas. Aquilo parecia tortura, e nem estava demorando tanto assim para acontecer. Primeiro removeram o jeans e a cueca de Daiki com certa dificuldade, e então a calça de uniforme de Taiga, atirando-os para a borda da cama com a maior rapidez possível.
— Senti sua falta. — Aomine sorriu de forma safada, debruçando-se contra seus lábios e descendo os dedos suavemente pelo corpo febril de Kagami, fazendo-o arfar conforme as fisgadas em seu ventre se intensificavam.
— Eu também senti a sua. — Taiga admitiu em meio a um gemido, sentindo a mão de Daiki retirar suavemente a grande quantia de pré-gozo que gotejava de seu pênis. — Ah... — Precisou apertar as cobertas com as duas mãos e erguer o rosto para presenciar a cena após o rápido contato.
Daiki lambeu a ponta dos dedos lubrificados e inclinou-se novamente para beijar Kagami, permitindo ao ruivo que sentisse o seu próprio gosto. Foi um gesto tão erótico e inesperado que quase o deixou Taiga sem ar, ainda mais vendo o moreno assim, sem roupas e de pau duro, ajoelhado entre suas pernas. Ele parecia mais gostoso do que nunca, e isso apenas o excitava mais.
— Você é meu, Daiki. — Kagami afirmou com convicção e prazer, descendo mais uma vez as mãos pelas costas do moreno, puxando-o contra si. Não queria que ele se distanciasse, nunca mais.
— E você é meu, Taiga. — Ele afirmou com a mesma certeza, afastando um pouco mais as pernas de Kagami com o quadril, para que pudesse se encaixar entre elas mais uma vez, roçando provocantemente seu pênis contra o corpo do ruivo.
Sem esperar muito mais, Aomine lubrificou novamente os dedos com o contínuo pré-gozo que escorria pelo pênis de Kagami e inseriu o indicador em sua entrada, com uma lentidão proposital. A dor inicial estava lá, mas o momento era tão sublime e o prazer era tão maior que Kagami mal ligava para o incômodo. Estava completamente relaxado. Tudo se tornava gostoso demais ao olhar para frente e ver que quem estava ali era Daiki.
— Caralho Taiga, você está tão apertado... — O moreno murmurou com prazer, mordendo os lábios enquanto olhava para os próprios dedos, que sumiam e reapareciam vagarosamente de dentro do ruivo. — Ah, que delícia. — Deixou-se gemer, fechando os olhos brevemente, ao acelerar o movimento das mãos.
Kagami não conseguiu falar nada, estava em êxtase, apenas fechou os olhos e tentou segurar os incontidos gemidos na garganta, abrindo mais as pernas para que o contato fosse mais fundo. Estava morrendo de tesão, e senti-lo o invadir com os dedos era gostoso demais, porém queria que Daiki o fodesse, agora, mesmo que seu corpo não estivesse mais tão acostumado com aquilo.
— Eu quero que você me foda, Daiki. — Pediu com uma libertinagem desconhecida e bastante urgente, encarando os olhos azuis em sua frente. Sabia que ele queria o mesmo, só não sabia de onde vinha a coragem para falar aquelas coisas. — Agora...
— Se você continuar assim, eu vou gozar antes da hora. — O moreno riu com a voz embargada e trêmula, removendo os dedos de seu interior no mesmo instante.
Aomine não perdeu tempo, simplesmente inclinou-se para beijar a boca de Kagami enquanto posicionava seu pênis no contra a entrada do ruivo, provocando-o por alguns segundos. A penetração ocorreu de forma lenta e fácil, já que Daiki estava bastante molhado, e mesmo que Taiga sentisse aquele incômodo inicial, sabia que logo se acostumaria... Estava em estado de nirvana, viajando demais para se importar com a dor agora.
— Ah... Caralho... — Rosnou com prazer contra os lábios de Daiki, apertando a pele das costas dele assim seu membro se aproximava do fundo. Era delirante, mesmo com a dor da penetração. Poderia desmaiar com aquela sensação. — Que gostoso! — O ruivo gemeu, enrijecendo o corpo assim que Aomine tocara sutilmente sua próstata. – Vai Daiki... Assim!
— Calma... Vai ser bem devagar. — Aomine sussurrou em um meio sorriso satisfeito, movendo os quadris para frente e para trás com uma lentidão torturante e com sutis reboladas, também vagarosas. — Deixa eu sentir você por inteiro.
Aquilo deixou Taiga levemente constrangido e abobado por menos de meio segundo, pois logo olhou para baixo, para o membro de Daiki entrando e saindo lenta e deliciosamente de seu próprio corpo. Era bom demais, o fazia querer gritar e arranhar as costas de Aomine sem medo... Sentira tanta falta daquilo, daquela intimidade, daquele contato, daquele tesão... Não aguentaria esperar mais nem um dia, foda-se o 'começar do zero' ou o 'ir com calma'. Aomine o deixava fora de si, e talvez isso era o que mais amava nele... Já que o moreno despertara novamente em si um Kagami Taiga que estava sendo apagado com o passar dos dias.
~Aomine Daiki~
Vagarosamente o moreno foi aumentando as estocadas, mas sem acelerar muito, apenas intensificando o suficiente para tocar-lhe a próstata sete, oito, nove vezes seguidas... Torturante, mas delicioso. Simplesmente inebriava-se com a sensação de fazê-lo gemer daquela forma, por isso movia-se lentamente. Estava bom demais para querer acelerar e acabar com aquilo tudo.
Após um tempo, Aomine foi obrigado a fechar os olhos e morder os lábios. O sexo estava tão bom daquela maneira, conseguia senti-lo tão bem, centímetro por centímetro, principalmente quando Taiga começava a se mover de encontro com sua virilha, contendo os gemidos roucos em sua garganta. Ele o encarava de uma maneira quase suplicante, pedindo por mais com os olhos em chamas.
— Harder... — Taiga sibilou a palavra em inglês de forma desconexa, fechando os olhos e mordendo os lábios com força enquanto o puxava pelas costas. — Mais Daiki... Me fode com força. — Ele pediu com certa autoridade, abrindo um pouco mais as pernas.
Aquilo decididamente foi o fim da sanidade de Aomine.
— Taiga... — O moreno murmurou com desejo, acelerando gradualmente o movimento dos quadris. A verdade é que também não estava aguentando mais aquela lentidão, apesar de estar uma delícia.
Com movimentos cadenciados e quase violentos, o moreno puxava Kagami contra seu próprio membro, dando a ele exatamente o que ele gostava. Os gemidos roucos de ambos se misturavam com o barulho dos corpos de chocando, e aquilo tornava tudo erótico e quente demais. Era possível sentir o calor emanando do corpo de Taiga, que se movia no mesmo compasso do de Daiki, mas fazendo força contrária, para que fosse mais fundo ainda. Ele era extremamente safado, mesmo com aquele jeito inocente que apresentava o tempo todo.
— Que gostoso... — Daiki foi obrigado a rosnar repentinamente contra os lábios inchados de Taiga, sentindo a pressão em seu pênis aumentar consideravelmente. Sabia que o ruivo fazia aquilo por querer, e se a intenção era deixar Aomine prestes a gozar, ele estava conseguindo com maestria. — Não vou durar assim... — Murmurou com urgência, mordendo o lábio inferior de Kagami com certa força. — Taiga, assim eu vou gozar! — Avisou, acelerando mais os movimentos, já sentindo a pressão forte se formar logo abaixo do ventre.
— Então goza Dai-ki... — Kagami pediu com a voz descompassada e ofegante, inclinando o pescoço para trás enquanto descia as mãos pelos braços de Aomine, apertando-os com força.
Apenas quando o ruivo rosnou, Daiki percebeu que ele chegara ao orgasmo antes de si. Simplesmente amava a expressão satisfeita e erótica que ele fazia, o grito rouco e entrecortado que ele dava, a forma como ele atirava a cabeça para trás e mordia os lábios enquanto o gozo saía de seu pênis, atingindo o abdome, o queixo e até mesmo os lábios do moreno. Seu gosto era doce e bastante forte... Aquilo foi o fim, e o fez gozar também, muito antes da hora.
— Caralho! — O moreno sibilou, enterrando o rosto na curva do pescoço de Taiga enquanto seu líquido jorrava, preenchendo-o e causando uma leve pressão no interior de Kagami. — Ah! — Gemeu de forma contida ao sentir as descargas elétricas percorrendo todas as células de seu corpo, em um orgasmo realmente forte. Estava gostoso demais, diferente das outras vezes... Muito melhor.
Taiga era o melhor. Sempre seria. Foi o que pensou, apertando-o com força contra si por longos segundos.
A risada rápida e nasal do ruivo o trouxe de volta à maravilhosa realidade. Com um suspiro satisfeito, o moreno ergueu novamente o rosto e encarou Kagami, que ainda estava logo abaixo de si. Tinha plena noção de que não era muito bom com as palavras, então não sabia exatamente o que fazer ou o que dizer agora. O 'eu te amo' anterior foi completamente sincero, mas não era tão fácil assim falar o tempo todo. Ainda tinha muito o que aprender em relação à relacionamentos.
— Moral da história: A gente não começou do zero. — Kagami manifestou-se primeiro, balançando negativamente o rosto suado e feliz. — Nem aqui e nem na puta que pariu.
— Não. — Aomine riu abertamente da reação cômica e simples do ruivo, novamente feliz por ele ser tão parecido consigo. Não precisavam de palavras bonitinhas depois do sexo, como mandava a tradição. Apenas os sorrisos eram mais do que o suficiente. — Ok, vou sair. Preparado? — O moreno avisou com um toque de humor, removendo-se lentamente do interior de Taiga assim que ele acenou positivamente com a cabeça.
A situação era nostálgica, já que uma grande quantia de gozo sujou a cama e provocou uma risada nervosa de ambos.
— Relaxa, não vou falar que estou acostumado com minha cama suja de porra. — Taiga disse de forma humorada, levando Aomine a dar-lhe um leve tapa na testa.
— Idiota. — Daiki murmurou com um certo constrangimento, encarando-o pelo canto dos olhos assim que deitou ao seu lado, mas mantendo os corpos juntos. — Foi mal por aquilo, sério.
— Relaxa, estou de boa com isso agora. Foi só uma piada idiota. Sério. — Kagami disse, afastando os cabelos úmidos e vermelhos da testa ao virar-se para encarar Aomine de frente, com os rostos realmente próximos.
Os dois ficaram se encarando por um longo tempo, Daiki sustentando seu meio sorriso sacana e Taiga mostrando os caninos pelo canto dos lábios. Novamente não precisaram de palavras para traduzir o que acontecia em seu interior. Estava mais do que claro que eram um casal, que gostavam demais um do outro e que isso não mudaria tão facilmente... Não depois de tudo o que passaram para chegar até aquele ponto.
O beijo lento e carinhoso que veio em seguida deixou isso mais claro ainda.
***
21h02
O barulho do celular vibrando foi facilmente ignorado nas primeiras duas vezes, porém depois de um tempo aquilo parecia um inseto irritante voando logo acima da orelha de Daiki. Tornou-se impossível dormir com o ruído chato e contínuo.
— Saco... — Aomine sibilou quase inaudivelmente em meio a um bocejo, ao abrir os olhos e deparar-se com as mechas ruivas e cheirosas do cabelo de Taiga roçando em seus cílios.
A situação o fez sorrir de imediato, mesmo que tivesse acabado de acordar com mau-humor. Estava abraçando Kagami pelas costas, com as pernas entrelaçadas confortavelmente entre as dele. O ruivo pegara no sono logo após o sexo gostoso que fizeram, e não demorou muito para se aconchegar perto de si, levando Aomine ao sono também.
Era realmente um cara muito sortudo por ter conseguido uma segunda chance... E tudo indicava que a intimidade que existia entre dois apenas cresceu depois desse tempo de afastamento, o que era bom demais para ser verdade.
Bom demais até o celular voltar a vibrar, tirando-o de seus devaneios satisfeitos.
— Ai... — Murmurou com um suspiro desgostoso, desvencilhando-se lentamente de Kagami para não acordá-lo. Ele precisava descansar bastante, para que na manhã seguinte conseguisse se esforçar 100% nas partidas finais do Interescolar.
Com uma preguiça sobre-humana, o moreno girou o corpo e viu a luz do seu celular transparecer através do tecido da calça jeans. Com certeza era sua mãe prestes a dar-lhe outra bronca devido a expulsão do campeonato. Ela o colocaria de castigo naquela semana, sem sobra de dúvidas.
Assim que esticou o máximo que pôde do braço pela beirada da cama, Aomine apanhou o aparelho no bolso de sua calça e realmente constatou que a dona Aomine Yumiko estava irritada, já que havia cinco ligações perdidas além da que acontecia naquele exato instante. Olhando de esguelha para o adormecido Taiga, o moreno engoliu em seco e aceitou a ligação.
— Oi, mãe. — Sussurrou com cautela, para que não acordasse o ruivo às suas costas.
— Já. Para. Casa. — Yumiko disse em um tom calmo e compassado, o que indicava perigo iminente.
— Mãe... — O moreno começou a protestar, sentindo um frio na barriga. Estava fodido.
— Sei que você está na casa do seu namorado, sei que está matando a saudades e todo o resto, mas deveria ter pensado nisso antes de sair brigando com as pessoas, e antes de ser expulso por isso. — Ela manteve o tom natural e paciente de voz, levando o moreno a se arrepiar. Após alguns segundos de silêncio, ela continuou de um jeito um pouco mais severo: — Se despeça dele e avise que semana que vem vocês voltam a conversar. Te quero aqui antes de eu sair para o trabalho, e estou falando bem sério. Uma hora Daiki, te vejo em uma hora.
— Tá. — O moreno suspirou, sem encontrar defesas ou formas de virar a situação. Sabia que pisara na bola, mesmo não se arrependendo dos socos que dera no Franjinha. — Até depois. — Despediu-se, mas ela já havia desligado.
Com desânimo, largou o celular em cima da calça e suspirou fundo. Queria pelo menos ficar um pouco mais com Kagami, talvez até pedir a pizza para então dormirem juntos até o outro dia... Mas não seria possível. Não hoje.
— Merda... — Suspirou baixinho, virando-se novamente para abraçar Kagami pelas costas. Estava tão bom até agora, não queria sair dali tão cedo.
— Acho que estou destinado a ouvir suas mãe te dando broncas por telefone. — O ruivo murmurou com bom humor, bocejando logo em seguida.
— É. — O moreno sorriu de canto, observando-o virar-se em sua direção. Estavam tão a vontade um com o outro...
— Mas tudo bem, vai lá. — O ruivo o encorajou, piscando com frequência devido ao sono. — Não quero que a situação piore para o seu lado. Acho que você já recebeu broncas demais por hoje, então não precisa de uma a mais por ter chegado atrasado em casa.
— Relaxa, ainda tenho mais ou menos uma meia hora para ficar aqui com você. — Aomine disse, aproximando-se um pouco mais para dar-lhe um selinho nos lábios. Essa era uma grande vantagem da intimidade que descobrira ainda ter com o ruivo. Ele era seu, agora definitivamente.
— Hm... Então... Você quer comer alguma coisa antes de ir? — Ele perguntou com um meio sorriso sem graça, segundos depois de ser surpreendido, passando a mão nos cabelos ruivos.
— Preciso mesmo dizer o que eu quero comer? — Daiki não conseguiu disfarçar a safadeza na voz, mesmo que estivesse brincando. Com certeza não daria tempo de transar mais uma vez com Kagami, então preferia aproveitar os minutos com ele do jeito que fosse possível.
— Pizza? — Kagami entrou na ironia, também sorrindo de uma maneira bem sacana agora. Ele estava diferente, parecia mais maduro, mais safado, mais decidido.
— É, de quatro queijos. — O moreno manteve a provocação, sentindo as pernas de Taiga entrelaçarem-se novamente com as suas.
Ele o estava provocando... E estava dando maravilhosamente certo. Seu pênis já começava a formigar, o que era um problema. Um problema gostoso, mas ainda assim um problema.
— Será que meia hora é pouco tempo para a pizza ficar pronta? — Kagami murmurou contra seus lábios, aproximando mais ainda o tórax de ambos.
— Ah, aposto que é sim. — Daiki disse com um meio sorriso, avançando lentamente para a boca do ruivo, puxando-o para cima de seu corpo, que já pedia por mais.
Levara quarenta mil broncas naquele dia... O que seria uma a mais por chegar alguns minutinhos atrasado? Não fazia mal. Era por uma ótima e deliciosa causa. Precisava sustentar o seu vício só mais um pouquinho, já que a abstinência de uma semana o faria chegar próximo à morte, com toda a certeza. Taiga era sua droga favorita, a melhor delas.
***
22h20min
~Kuroko Tetsuya~
O celular vibrou logo abaixo de seu travesseiro, fazendo o rapaz despertar no mesmo instante. Ao olhar no relógio digital em cima do criado mudo, Kuroko constatou que era bem cedo ainda, tinha deitado há menos de meia hora e acabara adormecendo antes do comum. O dia fora cansativo... E o outro dia seria mais ainda.
Com preguiça, o rapaz pegou o celular e desbloqueou a tela, logo acima de seus olhos. Alguém conversara consigo por Whats App. Para seu alívio (e mínimo desapontamento também, já que esperava outra pessoa), era Kagami.
Kagami Taiga: Oi Kuroko. Você sumiu mais cedo, está tudo tranquilo?
Com um meio sorriso perante a preocupação do amigo, o rapaz começou a digitar, iniciando assim um diálogo entre os dois.
Kuroko Tetsuya: Tudo sim, só precisei sair mais cedo.
Kagami Taiga: Ok. É que o Akashi estava te procurando, e depois ninguém mais viu você. E como ele é estranho, fiquei meio pensativo.
Kuroko Tetsyta: Tudo bem. Falei com o Akashi antes de sair. O Kise estava comigo, então não aconteceu nada.
Kagami Taiga: Hm?
Kuroko Tetsuya: Amanhã te explico direito. Como foi com o pessoal, depois do que a Momoi disse?
Kagami Taiga: Tranquilo. Ninguém reagiu mal.
Kuroko Tetsuya: Eu sabia. Eles são boas pessoas, jamais te julgariam.
Kagami Taiga: É.
Kuroko Tetsuya: E você, está tudo bem?
Kagami Taiga: Sim. Tudo ótimo para falar a verdade.
Kuroko Tetsuya: Já entendi. E a briga?
Kagami Taiga: Eles foram expulsos. Amanhã te conto tudo, pode ser?
Kuroko Tetsuya: Claro. Boa noite Kagami-kun.
Kagami Taiga: Boa noite Kuroko.
Devolvendo o celular ao seu lugar de origem, Kuroko fechou os olhos lembrando-se do que acontecera mais cedo, com Akashi. Era passado, tornara-se passado na marra. A única coisa em que fazia sentido pensar agora era o cheiro de baunilha de Kise, que ficara grudado em sua roupa... Isso o ajudava a dormir, ainda mais após ter desfrutado dessa fragrância por horas seguidas naquele dia. Aquilo com certeza tornaria-se seu vício dali para frente.
...
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