Notas iniciais
Oi pessoal o/ Não, esse não vai ser o último capítulo. Estou com esse pedaço pronto há meses, mas não consegui escrever o restinho... Decidi procrastinar. Espero que ainda gostem e que não tenham esquecido o enredo da história, hasuhsusha. Boa leitura meus anjos.

05h22 — Aeroporto de Tóquio

~Aomine Daiki~

— Que. Sono. — Disse o moreno, bocejando ao passar a mão pelo rosto cansado.

O café expresso que tomara mais cedo não adiantou de nada, seus olhos ainda fechavam sozinhos.

— Quer ir para casa? — Taiga o provocou, sussurrando para que a senhora Kagami Cho, que estava concentrada em seu tablet cheio de gráficos, não ouvisse. — O voo atrasou mesmo. Então se quiser se despedir de mim já e ir dormir...

— Vai tomar no cu. — Daiki disse em voz baixa sem nem olhar pra o ruivo, ainda com o rosto coberto pelas mãos, erguendo o dedo do meio. Apenas ouviu a risada dele ao longe, mas ela também foi cortada por um bocejo longo.

Era cedo, muito cedo. Corria o risco de ser o dia em que Aomine Daiki acordara mais cedo em sua vida toda: 3h30 da manhã, para chegar no aeroporto às 4h30h, para o voo sair às 5h da porra da madrugada — e atrasar, para a alegria geral. Na verdade era tão cedo que chegava a ser tarde, e o moreno estava ali apenas para despedir-se apropriadamente do namorado, que iria passar as férias em Los Angeles.

Dane-se se eram só oito ou dez dias, se apegara a Kagami de um jeito que não sabia explicar, e com certeza esses "poucos dias" levariam o equivalente a milhões de anos para passar. Seria uma bosta ficar ali sem o ruivo, não estava mais acostumado a acordar longe dele por tanto tempo... E além de tudo, o moreno tinha um pouco de trauma das idas dele para a América. Embora fosse um passado meio longínquo e a relação de ambos tivesse se solidificado e amadurecido em um nível épico, sentia-se minimamente inseguro (para não dizer com ciúmes), já que Himuro Tatsuya estaria lá também. Sim, era ridículo, mas também era algo inevitável, mesmo que os dois nem se falassem mais.

— Tá, não aguento mais enrolar, se eu não te dizer logo eu vou explodir! — Kagami exclamou de repente, dando-lhe tapas seguidos e animados no braço. — Acho que já dá para a gente fazer seu check-in, antes que você durma e fique aqui no Japão. O nosso voo sai as 6h, viemos mais cedo só pra te enrolar.

— Hm? — O moreno tirou as mãos da frente do rosto e virou-se para ele com uma careta, estranhando a frase sem sentido e a alegria repentina. — Tá sonhando acordado, idiota?

Taiga nada disse, apenas o encarava com os caninos a mostra, parecendo um verdadeiro desvairado com olheiras aparentes e com aqueles cabelos bagunçados... No entanto a senhora Cho também estava com um largo sorriso no rosto. Aomine não estava entendendo nada do que acontecia ali. Qual era a piada?

— Bom dia a todos! — A voz familiar de Yumiko soou à poucos metros à sua direita, levando-o a virar o rosto para a mãe, que vestia seu uniforme impecável de trabalho. — Tudo bem amor? — Ela dirigiu-se à Daiki em específico agora.

— Oi mãe. Já tá na hora de ir? — O moreno franziu a testa.

Sabia que ela viria buscá-lo ali quando terminasse o expediente de trabalho no aeroporto... Mas o voo ainda não saiu. Não queria se despedir de Taiga assim, às pressas — ainda mais quando ele estava falando coisas sem nexo.

— De você ir para Los Angeles sim, bobo. Vamos lá? Ainda temos mais alguns minutinhos para fazer seu check-in. — Ela migrou a atenção do confuso Aomine para Kagami no mesmo instante, apreensiva. — Ah meu Deus. Já contaram para ele ou eu estraguei tudo?

— Mais ou menos. — Kagami Cho olhou para Daiki de forma cômica, deixando o tablet de lado pela primeira vez naquela manhã. — Acho que ele ainda não entendeu direito o que está acontecendo.

— Do que vocês estão falando? — O moreno franziu um pouco mais a testa, olhando da mãe para a cara de bobo do Taiga.

— Surpresa. — Kagami sorriu mais ainda, piscando com os dois olhos, evidentemente animado. Nem parecia que mal dormira naquela noite. — Quase morri escondendo que você vai para Los Angeles com a gente. Foram longas semanas de tortura, sabia?

— Essa viagem de férias é o seu presente de formatura amor. — Sua mãe explicou, também feliz da vida, abaixando-se para dar-lhe um beijo na bochecha. — Estamos planejando isso há um tempão já e você nem desconfiou.

— Oe...? — Aomine ergueu as sobrancelhas, realmente surpreso, começando a ligar os pontos ao olhar para o rosto iluminado de Taiga.

Flagrou-o mexendo em seu armário duas vezes nos últimos dias, mas ele disse que só estava pegando uma muda de roupas limpas para levar até sua casa, já que colocara as de Daiki para lavar. E Aomine notara que o carregador do seu celular sumira na noite passada, assim como sua escova de dentes (a que ficava na casa de Kagami) nessa manhã... Teve que usar a dele. E estranhara também que havia bagagem demais naquele táxi.

— Seu cretino! — Daiki foi esboçando um sorriso, mal acreditando que aquilo estava acontecendo. — Você fez minhas malas às escondidas? Ah, claro que fez!

Ele apenas confirmou com um aceno e fechou os olhos com aquele sorrisão que Daiki tanto gostava, dando-lhe um beijo discreto na bochecha.

— Ai, que bom que não estraguei tanto assim. — Yumiko murmurou aliviada. — Seu passaporte e a passagem estão comigo, já deixei tudo prontinho. As vantagens de se trabalhar em um aeroporto. — Ela piscou para a senhora Cho. — Agora vem! Não quer se atrasar para sua primeira viagem de avião, quer? — A mulher finalizou com energia, estendendo a mão para Aomine.

— Meu... Mãe, obrigado! — O moreno sorriu, ignorando a mão em sua frente para abraçá-la no meio daquele grande volume de gente que ia e vinha pelo corredor branco e enorme do aeroporto.

— Agradeça ao seu namorado também, a ideia foi dele. — Yumiko sorriu radiante, retribuindo o abraço do filho com carinho. — Mas faça isso depois, porque senão você vai se atrasar. É sério! Vem.

— Eu vou viajar. — Sorriu radiante e sonhador, afastando-se dela para olhar na direção de Kagami. Poderia esmagá-lo se quisesse. E iria. Foi uma surpresa foda demais. — Caralho Taiga...

— Meu Deus, que teimoso abobado. — A mulher arregalou os olhos com impaciência, o puxando a força por entre aquele pessoal todo. — Anda Daiki! Check-in. Agora. Depois vocês conversam. Tem a viagem inteira para isso.

Aomine estava sorrindo como um retardado durante o trajeto, sentia-se desperto como nunca. Com certeza seriam as melhores férias de sua existência, uma bela de uma porta de entrada para sua vida adulta. Estava indo para Los Angeles, para a América, passar oito ou dez dias com Kagami. Era incrível demais para ser real...

Ainda não acordara, só pode ser.

***

~Kagami Taiga~

— Ei, mas... Isso é seguro mesmo? — O moreno perguntou assim que o avião começou a se mover na pista, olhando para o ruivo com os olhos brilhantes, mas cansados. — Tipo, deve pesar toneladas... E voa.

— É seguro sim. — Kagami riu com a pergunta preocupada e boba ao mesmo tempo. — Chega uma hora que você nem lembra mais que está voando. A viagem é longa, então dormir é uma boa opção.

— Minhas pernas já estão formigando. — Ele reclamou, engolindo em seco conforme a velocidade aumentava. — Sério que a gente fica espremido assim por oito horas?

— Oito horas? — Kagami riu, dando a mão para Daiki, que aparentava estar nervoso. — São pelo menos onze.

— Onze? — O moreno fez uma careta, apertando minimamente os dedos de Taiga no mesmo momento. — Sério?

— Sim.

— Meu Deus. Vou atrofiar até chegar lá. — Ele suspirou ao dizer aquilo, fechando os olhos enquanto apoiava a cabeça no estofado. — Mas vai valer a pena, vai valer a pena...

— Vai sim, isso eu te garanto. — O ruivo riu, dando-lhe um novo aperto carinhoso na mão assim que o avião começou a decolar. — Los Angeles é incrível, e com você lá vai ser mais incrível ainda. Tem um monte de lugares que quero te mostrar, e a praia... Ah, a praia. Posso te ensinar a surfar, se quiser. — Sugeriu, animado.

— Pode ser. Se chegarmos vivos. — Ele murmurou com a voz baixa, fechando ainda mais os olhos conforme ganhavam altitude.

Aquela demonstração de medo seria o suficiente para Taiga fazer piadas por horas, semanas, meses, quem sabe até por anos.

***

Dias depois — Los Angeles — 20h08

~Himuro Tatsuya~

— A música dos créditos foi mais foda que o filme inteiro, don't you think? — Dylan questionou de uma maneira distraída, saindo do cinema lotado ao lado de Tatsuya.

For sure. — Himuro confirmou, tomando mais um gole de refrigerante, que já chegava ao fim. — Mas até que foi um terrorzinho mais ou menos. Já vi piores. Muito piores. — Ressaltou.

— É. Eu também. — O rapaz pontuou, olhando pensativo para a praça de alimentação mais a frente. Comentou: — Hm... Acho que estou com fome...

— Como alguém acha que está com fome? — Tatsuya riu, encarando-o com um sorriso bobo, pensando pela milésima vez que ele ficava muito bonito com aquele gorro verde-escuro, mesmo que gostasse também de ver seus cabelos castanhos e bagunçados.

— Nem imagino! — Ele deu de ombros, sorrindo de volta para o rapaz. — Você está um pouco pálido Tatsuya. — Dylan comentou de repente, erguendo as sobrancelhas grossas em um sinal de preocupação camuflada. — Quer comer alguma coisa mesmo ou prefere ir para casa?

— Acho que... Bem... Na verdade estou com o estômago meio embrulhado. — Tatsuya admitiu, olhando para o chão com uma careta culpada, torcendo o nariz. — Mas não tem problema, podemos comer alguma coisa se você quiser. Ainda é cedo. — Acrescentou, voltando a encará-lo.

— Não, não. Sei que você tirou sangue hoje por causa do Lítio, então é normal se sentir assim. — Dylan comentou com um sorriso simpático, passando o braço caloroso por seu ombro, virando-os gentilmente para a saída do Shopping. — Vem, vou te levar para a sua casa. Amanhã você já vai estar bem melhor e então podemos sair de novo.

— Hm... Foi mal por isso. — Himuro suspirou com derrota, fitando o caminho apinhado de gente a sua frente. Sua vida amorosa nunca daria certo se continuasse sendo um chato doente. — Deve ser um saco sair com uma pessoa que precisa tirar sangue mensalmente para saber se o remédio está fazendo o efeito certo, não é? — Soltou a frase, olhando de canto para ele com uma intenção especulativa, conforme caminhavam.

— Nossa, é uma verdadeira tortura. Mal aguento ficar perto de alguém assim. — Ele disse com uma expressão exagerada, suspirando de forma teatral e irônica ao apertar um pouco mais seus ombros. — Só estou aqui agora porque tem uma algema invisível prendendo os nossos pulsos... Só não fala nada para ninguém, ok? It should be a secret!

Bitch. — Tatsuya riu da reação espontânea e engraçada, dando-lhe um golpe fraco na testa com a garrafa de refrigerante quase vazia, agitando o restante do gás. — Mas estou falando sério... Deve ser uma bosta.

Psiu. It's not. — Ele tapou sua boca gentilmente com a mão. — Se eu não quisesse estar com você agora, eu simplesmente não estaria. Mas eu quero.

Fine. — Tatsuya confirmou após alguns segundos de processamento, sorrindo com um pouco de timidez ao sentir um novo embrulho em seu estômago... Entretanto agora nada tinha a ver com a Coca-cola ali estacionada, e sim com suas mãos suando e seu coração simplesmente explodindo. Parecia um iniciante no ramo dos relacionamentos. —Me too. Você me faz bem, de verdade Dylan. — Comentou, sorrindo sem graça para ele. — Só não quero ser um fard-

— Blá, blá,blá. — Ele riu de sua reação, tapando sua boca novamente com uma das mãos, levando Himuro a rir também, contra a pele branca da sua palma. — Você não é um fardo. — Ele afirmou, abaixando o rosto para dar-lhe um selinho discreto nos lábios assim que saíam do Shopping. — Did you get it?

— Entendi. — Himuro sorriu como uma criança no Natal, olhando para os degraus da escada que levavam até a calçada, onde um vento do mar os atingiu em cheio. — Thanks for that... And for everything you've been doing for me.

— Tatsuya... — Dylan murmurou lentamente assim que pararam do lado da vaga onde o carro estava estacionado. — Você não deve me agradecer ou pedir desculpas por nada, douchebag. — O rapaz comentou com bom humor, parando na frente de Himuro com as mãos apoiadas carinhosamente em seus ombros. — Eu... Eu me apaixonei por você mesmo sabendo da sua bipolaridade. Não precisa ficar inseguro quanto a isso, ok? Eu gosto de você assim, e vou cuidar de você... Pelo tempo que me permitir. — Ele baixou a voz nessa hora, aparentando timidez enquanto sorria de um modo cativante, mostrando os dentes incrivelmente brancos, charmosamente desalinhados. — Vamos?

Himuro não respondeu, apenas sorriu de volta e assentiu, entrando no carro com as bochechas coradas. Parecia uma menininha. Assim que Dylan sentou-se no banco do motorista e fechou a porta, Tatsuya ficou observando-o ligar o veículo, meio abobado, meio sem reação. Descobriu naquele exato instante que era realmente um iniciante nesse campo da paixão verdadeira, por isso disse apenas o que veio em sua mente, em voz baixa.

I'm really in love with you.

E então, sem pensar muito mais, Tatsuya ergueu uma das mãos geladas e puxou-o para mais perto pela nuca — também fria devido ao vento — entreabrindo minimamente os lábios ao encostar nos dele. Sentiu o piercing de Dylan tocar-lhe gentilmente a língua naquele momento, e isso sempre o levava a sorrir quase imperceptivelmente, fechando mais os olhos para que o nenhum detalhe daquele instante escapasse.

Estava feliz. Muito feliz. Era quase bom demais para ser verdade. Nunca sentira isso antes... Estava quase completo. Quase.

Sua vida mudara tanto nesse último ano. Ainda naquele tempo longínquo em que era uma pessoa complicada e teimosa, Tatsuya passara por uma fase horrível, principalmente no início do tratamento com o Lítio... Tremores, nervosismo, dores de cabeça, paranoias, enjoos, alucinações... E então tudo simplesmente foi embora, trazendo consigo uma melhora considerável em suas crises de mania e depressão, até que elas praticamente sumiram com o ajuste do remédio. Fora capaz de entrar para uma faculdade de Psicologia com sucesso, e agora cursava feliz da vida aquelas matérias que, em conjunto com a terapia e o grupo de apoio, o auxiliavam com a doença... E então, para melhorar tudo, se apaixonara de verdade por Dylan, que o apoiava com toda a força — assim como sua família e seus amigos, sejam eles de Los Angeles (como a louquinha da Alex) ou de Tóquio, já que Murasakibara vivia falando consigo por Skype, contando novidades e perguntando sobre sua vida.

Como Himuro pensara, estava quase completo. Quase. No fundo sentia falta apenas de uma simples coisa... Uma simples pessoa. O seu eterno irmão mais novo, o qual simplesmente lançara para fora de sua vida de forma irracional.

Esse vazio sempre ficaria ali, independente do tamanho de sua felicidade... No entanto agora tinha uma mínima chance de recuperar o que perdera, ou pelo menos parte daquilo, graças à Alex. Iriam ao Jimmi's Pub no dia seguinte tomar chopp como nos velhos tempos — no susto, porque Taiga nem fazia ideia de que Tatsuya estaria lá também, e isso poderia se tornar um problema, dependendo de como ele se sentia a respeito. Com certeza seria uma surpresa.

No fundo Himuro não tinha certeza se estava preparado para dar um passo tão grande e difícil, nem sabia se conseguiria falar com Kagami normalmente. Não estava certo de que ele o perdoaria, já que era difícil para Tatsuya perdoar a si mesmo pelas merdas que fizera.

Como bem sabia, há um linha muito tênue entre amor e ódio, entre uma mudança de comportamento, entre duas pessoas e suas formas de enxergar o mundo ao seu redor... E se agora Kagami o odiasse por tudo aquilo, mesmo já tendo o amado como um irmão? Nunca se sabe.

***

21h12min

~Aomine Daiki~

Kagami e Aomine já estavam em Los Angeles há seis dias, o que indicava que logo teriam que voltar para o Japão. Isso era quase triste. Na verdade era totalmente triste.

Na opinião de Daiki aquelas férias estavam passando rápido demais, no entanto isso só acontecia porque tudo estava sendo mais do que divertido. Já fizeram tanta coisa, foram à tantos lugares, comeram tantas porcarias, tomaram um porre, andaram inúmeras vezes à beira mar, jogaram muito basquete, conversaram como nunca, transavam na mesma intensidade... Mas ainda tinham tantos planos para L.A. Infelizmente não daria tempo de fazer metade das coisas que pretendiam.

Naqueles dias os dois passaram pouco tempo na casa dos pais de Kagami, que na concepção bucólica de Daiki era branca ao extremo, cheia de frescuras e grande demais para apenas três pessoas morarem... Na verdade parecia que apenas os empregados viviam lá de verdade (e depende o dia), porque Taiga estava no Japão e o pai dele simplesmente desaparecia no mundo dos negócios internacionais — Kagami Cho estava caminhando para o mesmo destino, já que não largava o tablet e precisava sair às pressas constantemente. Mas Daiki e Taiga não viajaram até Los Angeles para ficar trancafiados em casa, muito menos para se preocuparem com esse tipo de assunto familiar (o ruivo era relativamente bem resolvido e acostumado com isso, então não se importava com a ausência dos pais). Estavam ali para passar as férias juntos da melhor maneira possível, era isso que importava agora.

Desde o primeiro dia, ambos frequentavam a praia, geralmente no período da manhã para terem o resto do dia livre — mesmo que o fuso-horário atrapalhasse bastante o cronograma improvisado dos dois.

Daiki não via o litoral há um bom tempo. Tinha vagas lembranças de viagens com sua mãe, em contrapartida recordava-se claramente dos treinamentos de basquete infernais de verão da Teiko, e até mesmo da Touou... No entanto a verdadeira diversão aconteceu apenas ali, naquelas praias incríveis de Los Angeles, com as calçadas ladeadas por palmeiras verdes e gigantes. Sem obrigações ou horários, apenas lazer, e o melhor de tudo, ao lado de Kagami Taiga... De seu Bakagami, o cara por quem era irrevogavelmente apaixonado.

Ir a praia era realmente bom e as expectativas eram melhores ainda, porém, infelizmente, Aomine não conseguiu aprender a surfar, já que na maioria dos dias as ondas simplesmente resolveram sumir do mar. Mesmo levando a prancha vermelha com listras brancas todas as vezes, ambos tiveram que desistir dessa empreitada para aproveitarem a água morna e calma de outra forma, trocando risadas, brincadeiras e principalmente conversando. Era incrível como o assunto nunca acabava entre os dois, ficavam ali por horas, até os dedos enrugarem... E até Kagami realmente se queimar por causa do sol, ficando vermelhinho e com as sardas mais aparentes ainda em suas costas e em seu rosto. Era um charme que poucos notavam, mas que Aomine admirava de todos os ângulos possíveis.

Não houve surf, mas o skate foi a descoberta de um novo hobby para Daiki. Até manobras o moreno já sabia fazer — as simples, claro. Taiga era um ótimo professor e um ótimo skatista também, descendo e subindo por aquelas rampas íngremes e abauladas com uma maestria invejável considerando seus estabanados 1,90m de altura — apesar dos tombos... Mas Aomine também saíra com o cotovelo ralado e com um incômodo grande no pulso esquerdo após ter caído de mal jeito. Nada preocupante, nem lembrava daquilo no dia seguinte.

Apesar de as manhãs e tardes serem bem aproveitadas, a noite era o horário que ambos mais gostavam de sair. Todos os dias eles jantavam em lugares diferentes e movimentados, com decorações que variavam do bizarro ao incrível. O local que mais apreciaram foi um restaurante mexicano todo ambientado chamado Los Aztecas, no qual tiveram a brilhante ideia de fazer a disputa de quem conseguia comer a refeição mais apimentada. Não se sabe quem ganhou ao certo já que ambos devoraram a mesma quantia de pratos, porém depois precisaram tomar algumas cervejas no barzinho ao lado para tirar o calor da boca e do corpo inteiro.

Essa deixa os levou à outra competição, mas uma completamente besta e inconsequente: Quem ficava bêbado antes.

Mesmo não tendo idade para isso, os dois experimentaram e misturaram várias coisas naquela mesma noite: Tequila, drinks atraentes e coloridos — e que até pegavam fogo —, doses e muito mais. Taiga perdeu a competição já no início, pois demonstrou ser extremamente fraco para bebida, porém quem ficou mal e enjoado de verdade foi Aomine, que acabou vomitando burritos com vinho no meio do piso da cozinha branca assim que chegaram na casa da mãe de Taiga... Às 4 da madrugada. Em meio a risadas silenciosas e gestos ridículos, ambos limparam parcamente aquela sujeira utilizando guardanapos. Lógico que não ficou cintilando da maneira que haviam imaginado, porém só acordaram perto das 16h do outro dia para receber a bronca das empregadas e da desgostosa Kagami Cho, que chegou para a janta e os pegou morrendo de dor de cabeça em frente à televisão. Por sorte Daiki não entendia muito de inglês, então se sentiu menos culpado.

Porém, tirando os momentos ruins de ressaca que no final das contas renderiam ótimas histórias, o ápice da viagem até o momento foi o sexto e atual dia, pelo menos era o que Daiki achava. Ali pode conhecer a Los Angeles de Taiga.

Naquela manhã saíram bem cedo para tomar café em uma casa de panquecas chamada iHop. Era incrível como Kagami sabia a localização de todos os restaurantes e cafés daquele bendita cidade... Mas não podia negar que ele tinha um ótimo gosto. Tudo no iHop era saboroso demais, por mais simples que fosse. Degustaram um belo breakfast com aquele gostinho tradicional americano de torradas, ovos e bacon, e com panquecas cheias de cobertura para finalizar.

Logo depois foram dar uma volta pela cidade... Uma volta que levou praticamente o dia inteiro e que não foi o suficiente para Daiki conhecer nem mesmo 10% de Los Angeles.

Já imaginando essas estatísticas, Taiga decidiu mostrar os lugares que conhecia e costumava frequentar quando era menor, inclusive a escola onde estudou no Fundamental, a quadra na qual aprendeu a jogar basquete e o cantinho perto da praia onde se escondia para pensar na vida... E então fizeram uma verdadeira aventura por aquelas ruas movimentadas para ver de perto o tão reverenciado Staples Center — o ginásio de basquete mais foda de todos os tempos, onde geralmente aconteciam os jogos dos Lakers na NBA. Apenas olhar para aquela construção gigantesca envolta pela cidade mais incrível dos Estados Unidos foi o suficiente para Daiki sorrir como um bobo por um longo tempo.

Após mais uma longa caminhada, lanches e trocas de ônibus, os dois decidiram fazer a parada final no famoso Píer de Santa Mônica. Era impossível não se encantar com aquela vista da praia. A imagem da roda gigante colorida e de todo o parque de diversões refletia no mar, assim como o céu alaranjado com poucas nuvens do final da tarde. Era uma paisagem linda e bem familiar — principalmente após Daiki ter jogado GTA V e passeado por toda a "Los Santos".

Como já gastaram praticamente todo o dinheiro separado para a viagem — presente das famílias, lógico —, decidiram comer qualquer coisinha em uma panificadora a beira mar e sentar ali perto para descansarem antes de voltar para casa — que era bem longe. No entanto a conversa foi se tornando tão envolvente e fácil que escureceu e ambos ainda estavam ali, juntos, perto do Píer.

— Ia ser massa a gente foder aqui, não acha? — Aomine perguntou com um ar relaxado, olhando para o mar em sua frente enquanto estava praticamente jogado no banquinho.

— Você só pensa em foder? — Kagami perguntou com bom humor, comendo seu oitavo e último Donuts enquanto apoiava a perna esquerda em cima das coxas de Daiki, totalmente folgado. Provavelmente estava pegando seus vírus com a convivência.

— Penso em foder na mesma frequência em que você pensa em comer. — O moreno riu, olhando para ele por alguns instantes antes de voltar-se para a praia iluminada pela lua e pelos brinquedos do parque. — Mas falando sério, foder no mar deve ser bem interessante. Não acha?

— Areia, sal, xixi de baleia e milhões de tipos mutantes de bactérias marinhas entrando onde não devem? — Kagami ergueu as sobrancelhas, com a boca cheia. — Ah, isso deve ser muito interessante... E letal. — Acrescentou de um jeito sombrio.

— Fresco. — Aomine riu, dando-lhe um tapinha na aba do boné amarelo e roxo dos Lakers quando passou o braço por cima de seus ombros, largando mais ainda o peso sobre o banquinho.

Aliás, Daiki nunca imaginou ver Taiga usando um boné virado para trás. Foi uma leve surpresa. Ficava bastante engraçado, já que escondia o cabelo ruivo rebelde e deixava sua testa a mostra. Quase nunca via a testa de Kagami, apenas quando ele usava gel ou dormia... No entanto Aomine nunca estava acordado para vê-lo dormindo, e ele usou gel em apenas uma ocasião na vida toda — a formatura —, pelo que sabia.

— Mas deve ser bom foder na água. — Taiga disse, pensativo. — Na verdade deve ser muito bom foder na água. — Acenou positivamente com um sorriso sacana, provavelmente imaginando a cena ao olhar para o longe. — Talvez numa piscina então. — Considerou, voltando-se para Aomine. — Lá em casa tem uma.

— Ah, em uma piscina cheia de cloro, insetos mortos, micose e bactérias entrando onde não devem? — Daiki decidiu participar do jogo nojentinho dele, avaliando sua reação adversa com graça. — Acho que não deve ser menos letal que xixi de baleia.

— Ok. A gente faz na cama ou no chuveiro que tudo fica bem. — Kagami riu, amassando a embalagem branca de papel com a logo da panificadora que ficava do outro lado da rua, mirando a bolinha em uma lixeira ali perto. Lógico que ele acertou, mesmo com o vento forte que vinha do mar.

— É. Opções higiênicas não faltam. — Aomine sorriu em meio a um suspiro, olhando de canto para Kagami, que agora estava com os olhos fechados para sentir a brisa bater em seu rosto.

— Uhum. — Ele murmurou sem se mover.

— Ei, é amanhã que vamos jantar com sua amiga que esqueci o nome? — Aomine perguntou confuso com os dias, sentindo preguiça apenas de imaginar-se levantando da cama assim que deitasse nela. Estava cansado ao extremo de tanto caminhar.

— Uhum. Alex. E com o namorado misterioso dela também. — Taiga respondeu distraidamente.

— Por que misterioso? — Estranhou, franzindo a testa.

— Eles se conheceram pela internet, então depois de um tempo ele apareceu do nada e a levou para viajar. Ela odeia quando falo que ele é misterioso. É bobeira nossa. — O ruivo deu de ombros.

— Hm... — Daiki resmungou com desinteresse, juntando-se a ele ao fechar os olhos com preguiça.

E então apenas o barulho do mar e o burburinho que vinha do Píer e das ruas encheram seus ouvidos, dando as mãos para a sensação relaxante daquela brisa salgada batendo em seu rosto aquecido pelo sol da tarde. Era uma situação realmente agradável. Daiki poderia morar tranquilamente em Los Angeles — mesmo que seu inglês fosse uma bosta.

— Ei... Como vai ser daqui pra frente? — Taiga perguntou com a voz pausada e baixa, longos minutos depois.

— Como assim? — Aomine voltou a fitá-lo, franzindo a testa.

— Sei lá. As coisas mudaram, não é? — O ruivo riu, o encarando agora. — Sem escola, menos basquete, novas obrigações, trabalho... Vida adulta. Como a gente fica nisso tudo?

— Estava me perguntando isso desde a formatura. — Aomine largou a mão restante distraidamente na coxa de Taiga, suspirando. — Tudo vai ser meio diferente, mas a gente vai continuar como está. Juntos. — Daiki disse, simplificando. — Não vai?

— Vai sim. — Kagami sorriu de canto, apoiando a cabeça no braço que o moreno esticava por cima do banco. — Eu...Te falei que ganhei o apartamento dos meus pais?

— O apartamento onde você mora? — Aomine ergueu as sobrancelhas, nitidamente surpreso. — Eles deram para você?

— Uhum. Em agosto entra no meu nome, quando eu fizer 18 anos. — Taiga confirmou, sorrindo. — Eles me deram também um dinheiro para que eu me vire até pegar o trabalho fixo nos bombeiros.

— Porra, que foda! — Daiki sorriu, bastante feliz pelo ruivo. — Então eles finalmente pararam de te encher o saco com aquela coisa de você fazer faculdade e não sei mais o quê?

— Finalmente. — O ruivo disse, aliviado. — Mas essa mudança me assusta um pouco, sabe? Parece tão simples, me dá aquela sensação de: "It's a trap". — Riu sozinho.

— Claro que é. É uma cilada pura. — Aomine afirmou, sorrindo de canto. — Olha ao redor. Que adulto gosta de trabalhar ou viver em uma rotina para sempre?

— É. — O ruivo suspirou, torcendo o nariz. Depois de uma longa pausa, continuou: — Eu... Andei pensando em outra coisa também... — Kagami mordeu os lábios, desviando o olhar para o mar no mesmo instante. Esse sinal indicava que ele estava nervoso.

— No quê? — Daiki perguntou com interesse, franzindo a testa.

— Você comentou na viagem que sua mãe arranjou um namorado ou eu sonhei com isso? — Taiga perguntou com dúvida, voltando a encará-lo, mas ainda puxando o canto dos lábios discretamente com os caninos.

— Ela arranjou. Nem lembrava que tinha te contado, já que não gosto de pensar muito no assunto. — O moreno suspirou com um exagero proposital, balançando a mão com um 'deixa para lá'. — Não depois de ter ouvido eles em uma manhã dessas, quando a mãe voltou do trabalho... Argh. Ela deve ter achado que eu estava dormindo. — Fechou os olhos com desgosto, restaurando a cena traumática em sua mente. — Meu Deus, que merda.

— É, foi exatamente isso que você me contou, agora sei que não estou viajando. — Kagami riu da reação, voltando a olhar para o mar. — Enfim, eu já tinha pensado nisso antes, mas depois que você falou da sua mãe eu imaginei que, bem... Se você... Não quer... Sei lá... Virmorarcomigo. — Ele disse tão rápido que Aomine mal teve a audácia de pensar que entendeu, apenas o encarou e esperou ele repetir, com o coração na mão.

— Como é?

— Quer dizer... — Taiga pigarreou, sério, olhando para todos os cantos da praia e do trapiche, menos para o rosto de Daiki. — Você praticamente já vive no meu apartamento, né? Tipo, suas roupas estão lá, escova de dentes, essas coisas. Hm, sei lá. Só pensei que... Agora era uma boa. — Ele riu sozinho, balançando a cabeça, bastante embaraçado.

— Você quer que eu vá morar com você? — Aomine engoliu em seco, movendo o rosto para atrair a atenção de Kagami, finalmente. — Sério? — Exclamou com a voz um pouco esganiçada, sentindo o estômago formigar.

— É. Se você quiser. — O ruivo deu de ombros, sorrindo de forma tímida ao encará-lo. — Mas relaxa... Foi só uma ideia.

— Eu vou! — Daiki afirmou na mesma hora, sem pensar muito mais. Sentiu apenas aquele formigamento tornar-se um calor intenso, e era um calor muito bom, que começou a correr junto com seu sangue. Estava animado, muito animado. — Quer dizer... A minha mãe pode ter mais privacidade, e como você disse, eu... Eu praticamente já vivo lá no teu apartamento. Né? — Deu de ombros, com uma timidez disfarçada. — Acho que... Como vamos começar a trabalhar e tudo o mais, podemos nos virar. — Murmurou, brincando com os cordões do próprio calção para esconder o fervor e o sorriso bobo que estava brincando em seus lábios. — Faz sentido, não faz?

— Faz. — O ruivo mostrou os caninos, também olhando para o além. — E... Sei lá. Acho que a gente consegue.

— Sim. Acho que sim. — Daiki confirmou, olhando os olhos rubros em seu frente, um pouco agitado demais. — É sério mesmo?

— Uhum. — Kagami também virou-se para encará-lo, nitidamente contente. — É.

Daiki não tinha mais o que dizer, simplesmente sorriu como um retardado encarando o ruivo — que tinha a mesma expressão em seu rosto. Aomine sabia apenas que estava feliz, bastante surpreso também, mas principalmente feliz. Sinceramente nunca havia considerado essa hipótese antes, mas a abraçou com todas as forças agora que ouviu as palavras saírem da boca dele. Não que fosse maduro o suficiente para assumir tanta responsabilidade, mas via a possibilidade de dar certo... Porque era Taiga, e quando o contexto envolvia Taiga, faria o que fosse necessário para dar certo.

— Eu estou feliz. — Kagami disse rapidamente, olhando para Aomine. — Com você.

— Eu também. — Daiki confirmou com um sorriso de canto, aproximando o rosto para dar-lhe um selinho demorado e carinhoso. — Sabe que... Te amo, né?

— Também te amo. Pra caralho. — Kagami sorriu, dando-lhe mais um beijo, agora mais profundo e intenso, sem se importar com as pessoas ao redor.

Mesmo depois de tanto tempo juntos, Aomine ainda sentia seu coração batendo mais apressado em momentos como esses, assim como suas mãos suando um pouquinho ao tocar a nuca quente do ruivo e sua mente nublada pelo gosto da boca de Taiga... Queria isso para sempre, e sabia que teria. Não deixaria o ruivo ir embora jamais. Nunca mais.

***

Los Angeles — Sábado — 19h

~Himuro Tatsuya~

A muito custo Himuro olhava para todos os cantos, menos para a porta de entrada do Jimmi's Pub. O rapaz tentava envolver-se na conversa animada sobre a temporada de futebol americano que Dylan travava com o 'Misterioso' Nicholas, buscava bebericar seu refrigerante com uma demora proposital — já que com o Lítio não podia tomar bebida alcoólica —, e inclusive tentava ouvir aquele cover chato de Arctic Monkeys para que o tempo passasse mais rápido. Não adiantava. Nada adiantava. Sabia que poderia vomitar de ansiedade há qualquer instante, já que dentro de poucos minutos Kagami Taiga surgiria por entre o arco de tijolos à vista, logo à sua esquerda, e descobriria que Alex o convidara para um reencontro inesperado. Seria uma surpresa para ele.

— Está nervoso? — A loira disse com um sorrisinho debochado.

— Nossa, como você é perceptiva. — Himuro ironizou, revirando os olhos. Nicholas e Dylan nem prestavam atenção no breve diálogo.

— É engraçado ver você ansioso para ver o Taiga. — Ela ignorou sua brincadeira, tomando um curto gole de seu drink vermelho e laranja. — No passado era bem o contrário. Ele quase se mijava ao saber que você iria aparecer.

— Hm... Eu lembro. — Tatsuya sorriu com a lembrança, afastando-as logo em seguida ao engolir em seco. — Mas agora as coisas mudaram.

— É, estou vendo. Quem está se mijando é você. — Alex riu um pouco alto, chamando atenção dos outros dois.

— Idiota. — Tatsuya tomou mais um gole de seu refrigerante para disfarçar seu próprio desconforto.

— Já disse que não preciso ficar nervoso. — Dylan disse, passando o braço por cima de seus ombros, como se lesse suas atitudes.

— Claro que não precisa. — Alex deu-lhe um tapinha cômico no topo da cabeça. — É do Taiga que estamos falando. Ele tem um coração mole, mesmo com aquela cara de mau. É mais do que óbvio que ele vai te perdoar.

— Vocês não entendem. — Himuro balançou a cabeça, um pouco descrente. — Eu fiz muita merda.

— Já ouvimos essa parte milhões de vezes. — Dylan pontuou, erguendo suas grossas sobrancelhas como que para incentivá-lo a pensar positivamente. — Vai dar certo, ok? Vocês são irmãos acima de tudo.

Himuro apenas suspirou ao encará-lo por alguns segundos, e por fim acabou sorrindo, completamente desarmado. Dylan conhecia a história toda, contara a ele, por isso torcia para que estivesse certo em suas conclusões.

Notas finais
Vou deixar por aqui o capítulo, meio incabado... Só para vocês lembrarem que a fic existe. Estou resolvendo muitos problemas de saúde e profissionais, então assim que possível eu volto com o desfecho, hehehehe. Beijo meu povo, obrigada por tudo, amo vocês seus porqueirinhas. Beijo enooooooooorme da Lana-chan! ;****************************************************