Linha Tênue

18 Contradição.


Notas iniciais
Boa noite meus anjos o/ Pense no parto para conseguir postar esse capítulo hoje ainda! ARGH!!! TUDO simplesmente deu errado durante a semana, e estou desde quinta-feira com a minha maravilhosa internet me dando os canos o tempo todo :DD Haha, psicopatia mode on aqui! Mas relaxem, não descontei nesses bakas apaixonados não xD Enfim, dei um jeitinho e aqui estou! Bem... Tenho algumas coisas a dizer nas considerações finais, mas por hora vou deixar apenas o capítulo por aqui! Boa leitura meus amores *o* Nos vemos lá em baixo xD ~Saudade Hide-senpai =/

2 semanas depois — Sábado — 08h22min

~Himuro Tatsuya~

Tatsuya acordou preguiçosamente com a nesga de claridade que entrava pela janela. Parecia até sacanagem, mas o único raio de luz que iluminava o quarto atingia diretamente seus olhos, que agora ardiam bastante. Isso só acontecia porque estava dormindo do lado direito da cama, sendo que preferia o esquerdo... Mas ok. Casa do Taiga, regras do Taiga. Precisaria fazer alguns sacrifícios.

— Hm... — Resmungou, girando o corpo para o lado oposto com um grande esforço. Não foi surpresa nenhuma esbarrar-se em outro corpo ali perto, completamente rendido ao sono, ronronando como um felino inofesivo.

Kagami parecia exausto, algumas leves olheiras faziam parte de seu rosto naquela manhã. Não era para menos, afinal quem aguenta fazer uma maratona de Senhor dos Anéis — versão extendida — após jogar basquete durante a tarde inteira? Só aquele maluco viciado mesmo.

Himuro lembrava-se apenas de alguns trechos dos filmes, pois dormira na maior parte do tempo. Não era lá muito fã desses negócios épicos, com cavaleiros, espadas, árvores que andam e elfos. Preferia mesmo o sangue e o churiço clássico dos terrores, porém esses passavam à quilômetros dos gostos de Kagami. Medroso que só, jamais conseguiria dormir após assistir A Morte do Demônio, por exemplo.

No entanto, mesmo sendo um cagão de primeira, Kagami começava a melhorar nesse quesito. Himuro notou que ele agora dormia com a porta do quarto bem aberta, algo realmente inédito e surpreendente. O ruivo vivia repetindo que começara a se sentir melhor quando ela estava escancarada, pois o ar circulava e facilitava sua respiração durante a noite. Coisa de gente claustrofóbica, ou até mesmo uma frescura besta que surgiu sabe-se lá de onde. Mas novamente: Casa do Taiga, regras do Taiga. Ele mudara um pouco, precisava se adapatar à isso.

Com um suspiro calmo e ainda sonolento, Himuro aproximou-se do ruivo, que dormia com a barriga virada para cima. Não era nem um pouco difícil ficar ali apenas observando o tórax de Taiga subir e descer suavemente com a respiração, perceber as sutis piscadelas que ele dava durante o sono e sorrir com os minúsculos movimentos inconscientes que seus dedos faziam, apoiados no travesseiro. Mesmo com o porte de ogro e aquela expressão fechada ele era gentil, principalmente quando encontrava-se rendido ao sono. Parecia tão inocente e doce, mal sabia o que provocava no interior de Tatsuya.

— Taiga... — Sibilou com devoção, passando o dedo indicador com cuidado pela sobrancelhas grossas e bifurcadas, que provavelmente se desalinharam durante a noite. — Meu Taiga. — Murmurou, buscando a todo colocar credibilidade em suas palavras.

Himuro sentia-se extremamente radiante com a situação na qual se encontrava, com o fato de estarem finalmente juntos depois de tantos inconvenientes, no entanto era impossível camuflar a frustração que batia de leve em seu interior. Já estavam saindo há quase três semanas e tudo o que faziam se resumia à raros beijos, conversas jogadas fora, noites dormidas na mesma cama, mas sem um único indício de quer iriam partir para o próximo estágio de um relacionamento. Era simplesmente o mesmo do que quando tinham seus 12 anos de idade. Estagnado na inocência.

Himuro não referia-se apenas a falta do sexo em si — algo que almejava como um condenado desde a primeira noite em que dividiram o colchão —, mas esperava também uma declaração espontânea vinda de Taiga. Ele era extremamente atencioso e carinhoso consigo, não tinha nem mesmo o direito de reclamar, no entanto por algum motivo Tatsuya sentia que ele ainda olhava para trás vez ou outra, como se estivesse acorrentado ao passado. Sabia exatamente quando aconteciam os momentos de devaneio do ruivo, a expressão triste dele não deixava enganar... Ele pensava em Aomine com uma frequência bem espantosa, e isso tirava Tatsuya do sério — internamente, claro, pois por fora era um anjo compreensivo o tempo todo. Dissimulações eram um mal necessário.

O que será que Aomine Daiki significara para Taiga? Os míseros meses que os dois compartilharam foram mais importantes do que os longos anos que o ruivo passara ao seu lado? Isso era ridículo, não fazia sentido algum... Completamente ilógico!

Mas então por que Kagami ainda suspirava e resmungava o nome daquele filho da puta durante o sono?

Himuro flagrara a situação pelo menos umas duas vezes nesse período de férias em que estavam mais próximos, e não gostava nem um pouco. Mordia-se de ciúme e sentia vontade de impor-se, mas não teria direito de cobrar nada. Eram atitudes completamente involuntárias e infelizmente o domínio do subconsciente de Taiga estava muito longe de seu alcance. Teria apenas que transformá-lo com o tempo.

Prometera paciência, agora teria que ter a bendita paciência.

Aguentaria as pontas, mesmo passando raiva de vez em quando. Amava Kagami e daria um jeito nisso... Porém, ainda havia outro detalhe não menos importante: Queria muito fazer sexo. Mas como propor? Como provocar? Por onde começar? O ruivo apenas fugia de si, então tudo ficava infinitamente mais difícil.

Taiga o pedira calma, mas como ter essa calma quando dormia ao lado daquele corpo tão perfeito, que vez ou outra o abraçava com força durante a noite, de forma espontânea e inconsciente? Como ter paciência quando em sua frente estava exposta a pele daquele pescoço, praticamente implorando por uma mordida cálida? Como respirar fundo quando sentia aquele cheiro selvagem e característico de sua pele por horas seguidas?

Era foda segurar o desejo crescente que sentia por ele. Estava quase chegando ao seu próprio limite.

Apenas ao estar pensando no assunto por menos de cinco segundos, Himuro já sentia seu membro entumecer teimosamente dentro da cueca boxer, escondida pelo pijama emprestado. Perdera as contas de quantas vezes imaginara-se completamente preenchido por Taiga, quantas vezes masturbara-se chamando pelo nome do ruivo em seu quarto... Mas isso parecia tão distante, tão surreal, tão utópico. Precisaria se contentar com o que tinha por enquanto, até ele estar 'preparado'.

Contradizendo-se, Himuro levou a mão até o tórax de Taiga, encoberto pela camiseta preta que constrastava com sua pele. Conseguia sentir os contornos daquele corpo com a ponta dos dedos, que teimosamente desciam e exploravam agora cada centímetro do abdôme. Tatsuya poderia continuar trilhando o caminho, invadindo a linha do sexo até finalmente chegar ... Poderia começar a provocá-lo assim, com sutis carícias... Ou quem sabe poderia acordá-lo com um boquete... Mas não. Melhor não. Faria certo dessa vez, sem atropelar as coisas, sem forçar a barra.

À contragosto, removeu a mão e procurou aninhar-se mais perto de Taiga, que por reflexo o envolveu com um dos braços, apoiando o rosto em seus cabelos escuros. O calor natural que ele liberava era tão confortante, parecia afastar todas as preocupações que Himuro remoía. Estava tudo bem, estavam juntos.

Não desapontaria Taiga dessa vez. Não o desapontaria nunca mais. Perdê-lo novamente estava completamente fora de questão. O amava demais para isso... Teria que esperar.

***

17h22min

~Kagami Taiga~

— Na boa, acho que hoje eu poderia ter comido mais. — O ruivo murmurou com uma certa tristeza, removendo o último hambúrguer de seu pacote marrom com manchas de gordura. — Fazia tempo que eu não jogava basquete. Acho que estava ficando meio fraco.

— A gente jogou a semana inteira, Taiga. — Himuro sorriu, incoformado, tomando o último gole de seu refrigerante enquanto caminhavam pelas ruas de Tóquio. — É normal você voltar a comer como um monstro agora.

— Mas mesmo assim, fiquei muito tempo parado. — O ruivo arqueou as sobrancelhas, dando uma mordida em seu lanche remanescente, que estava começando a ficar frio. — E você mais ainda, né? — Zombou, olhando de esguelha para Himuro.

— Hm... — Tatsuya fez uma careta desgostosa. — Não sou tão fanático por basquete quanto você, só isso.

— Eu vi! Não conseguiu passar por mim nenhuma vez no mano a mano. — Kagami riu de forma debochada, amassando a embalagem maior para atirar na lixeira logo à frente. — Nem dá para dizer que me ensinou a jogar quando a gente era menor.

— Você treinou mais e está melhor que eu.— O irmão suspirou, revirando os olhos. — Era isso que queria ouvir? Está feliz agora, criança mimada? — Perguntou com um falso ar sério, olhando para Kagami com as sobrancelhas arqueadas.

— Radiante! — Kagami assinalou com uma ironia enorme em sua voz, sorrindo apenas para provocar.

— Idiota. Não pense que esqueci da nossa rivalidade. — Ele disse, empurrando-o com o ombro de forma bem humorada. — Ainda tenho que te provar algumas coisas, Bro.

— Vai treinando então, porque assim não vai conseguir nem mesmo uma cesta de três pontos... Bro. — Kagami pontuou com graça, mordendo mais uma vez o hamburguer assim que jogou o papel amassado fora.

— Engraçadinho. — Tatsuya finalizou o assunto com uma cordialidade desnecessária e sarcástica.

Rindo uma última vez, Kagami desviou o olhar para o caminho em sua frente. As calçadas estavam apinhadas de gente apressada, e o motivo era um só: As aulas em breve recomeçariam e a maioria das pessoas saía para comprar materiais e uniformes na última hora. O ruivo fazia a mesma coisa todos os anos, porém acompanhara Tatsuya com pelo menos uma semana de antecedência daquela vez. O irmão era muito responsável, e de alguma forma misteriosa passava isso para o ruivo... Ou apenas insistira demais para Kagami deixar de ser preguiçoso, levantar do sofá e ir com ele? É, foi isso.

Olhando um pouco melhor ao seu redor, o ruivo percebeu que aquelas ruas se tornaram irrevogavelmente familiares. Kagami perdera a conta de quantas vezes fizera aquele mesmo etinerário em sua estadia no Japão, levando a bola de basquete em baixo dos braços. Era sempre a mesma coisa: Quadra, Maji, casa... A única diferença agora era a companhia, e isso tornava-se cada vez mais notável. Ao invés de Aomine Daiki, quem agora caminhava ao seu lado era Himuro Tatsuya. Apesar de não ser o habitual, Kagami começava a se acostumar com a presença constante do irmão, como nos velhos tempos.

Felizmente, seus caninos pontiagudos apareceram com mais frequência nas últimas semanas das férias, e justamente por causa de Tatsuya... O problema é que Aomine também continuava a visitar sua mente com certa constância. Tornava-se realmente complicado aguentar esse vício que sua cabeça criou, pois quanto mais buscava esquecer o moreno, mais lembrava dos dias que passaram juntos. Parecia piada, principalmente quando olhava para trás e recordava-se das palavras nojentas que Daiki cuspira em sua face...

Como podia sentir falta de uma mentira?

Isso sem falar que as comparações eram inevitáveis agora que estava com Tatsuya. Kagami odiava-se muito por fazer algo do gênero, sentia-se um verdadeiro lixo de ser humano, todavia era involuntário, não conseguia ingnorar a tamanha diferença das relações. Com Daiki tudo simplesmente acontecera de forma espontânea e natural, como supostamente deve ser em um relacionamento sustentado por paixão; já com Tatsuya parecia haver uma barreira no meio do caminho, algo que gritava 'Ele é seu irmão!', 'Não faça isso!', 'Não faça aquilo!', 'Ainda não, Taiga!'. Era o indício do mais puro amor fraterno.

Metera os pés pelas mãos. Simples assim.

Taiga precisava libertar-se desse dilema o quanto antes. O motivo? Sabia que deixava Tatsuya frustrado ao agir assim. Pedira paciência à ele, mas tinha conhecimento de que estava passando dos limites. Ouvia os surpiros do irmão, percebia seus olhares, notava seu desânimo vez ou outra. Sentia-se um verdadeiro bosta, principalmente ao ver o esforço de Tatsuya para fazer tudo dar certo.

Precisavam avançar nesse relacionamento que iniciaram, mas a coisa toda parecia ter empacado em certo ponto. Kagami não conseguia ir adiante, mesmo jogando todo o peso de seu corpo contra o bloqueio existente em seu coração. Não era como forçar a abertura para a Zona, afinal a porta pela qual tentava passar agora precisava abrir-se sozinha. Assim como fizera para Daiki... Naturalmente.

— Taiga, acho que vou para casa hoje. — Himuro interrompeu seus pensamentos com a voz baixa, atraindo imediatamente seu olhar.

— Ué? Por quê? — Kagami uniu as sobrancelhas, estranhando. — A gente tinha combinado...

— Eu sei, iríamos terminar de assistir a temporada de Breaking Bad. — Himuro soltou um pequeno sorriso, maneando a cabeça para a franja sair da frente de um de seus olhos. — Mas segunda-feira já começam as aulas, então não quero mais atrapalhar você com as suas coisas.

— Ah, cala a boca Tatsuya. — O ruivo soltou uma risada aliviada e descrente, dando um leve empurrão no irmão. — Sabe que não me atrapalha. Gosto de ficar com você.

— É que... Sinceramente, acho que estou te pressionando. — Himuro começou a falar, assim que viraram a esquina. O assunto estava se tornando sério, Kagami não gostava muito. Ele parecia ler seus pensamentos. — Passei praticamente todos os dias das férias na sua casa, ocupando seu espaço, te enchendo o saco, tirando sua liberdade... Sendo que você me pediu paciência, certo?

— Não tem nada a ver. — O ruivo falou com calma, encostando o braço de ambos ao caminhar. Odiava vê-lo para baixo, ainda mais quando a culpa era exclusivamente sua. — Sempre fomos próximos, então não acho que você esteja me pressionando ou algo assim. Além do mais nós dois estamos juntos agora, então pare de colocar caraminholas na cabeça. — Pediu da forma mais verdadeira que conseguiu, atraindo o olhar acinzentado de Himuro. — Fica comigo hoje? — Perguntou, engolindo em seco no segundo seguinte.

A frase soou muito estranha e ambígua, tinha medo que ele interpretasse erroneamente. Tentou pensar em algo para camuflar a situação, mas policiou-se e deixou assim mesmo. Precisavam avançar, e logo.

— OK, eu fico. Eu acho que estou contraíndo sua paranóia com a convivência, só pode... Mas tudo bem. — Ele abriu um sorriso, já mudando de assunto. — Breaking Bad é o que temos para hoje então? Não pode ser Dexter?

— Pode, pode. — Kagami concordou, aliviado por estar tudo bem novamente. Não gostava muito do seriado, mas faria esse esforço por ele. — Assistiremos Dexter.

— Fechou! — Ele disse, animado, voltando a prestar atenção no caminho, assim como Taiga.

Para o ruivo aqueles momentos de leve tensão eram extremamente desagradáveis, ainda mais quando sabia que estava fazendo tudo errado. Não se importava nem um pouco com o fato de ter compartilhado praticamente todos os dias de suas férias com Himuro, na verdade isso o animara e o tirara de uma solidão tamanha, trazendo inúmeros sorrisos para seu rosto. Queria que ele entendesse isso, mas Himuro não tinha uma bola de cristal ou algo parecido, ainda mais quando Kagami não demonstrava direito o que sentia — mesmo sendo uma pessoa consideravelmente transparente.

Mas aí vinham os problemas da enorme proximidade. Quantas vezes será que ele o flagrara suspirando pelos cantos, pensando em Daiki? Ou ainda, quantas vezes Tatuysa tentou um beijo mais sério, porém Kagami desviava com uma desculpa qualquer? Com certeza deve ser bem desmotivador, ser cortado assim deve ser pior do que ser descartado de uma vez só. Kagami odiava-se por isso também.

Estavam juntos afinal de contas, beijos eram naturais, assim como abraços e demonstrações de afeto mais íntimas. Era só aceitar.

O ruivo não sentia-se deveras preparado para aprofundar-se tanto na relação com Tatsuya, mas nem sequer dera uma chance para que isso acontecesse... Simplesmente fugia antes de tentar. Tinha medo. O exergava como um irmão, mas não concedera a oportunidade real de vê-lo como algo mais. Seu coração não deixava, as lembranças de Daiki não deixavam.

Prometera se esforçar, porém não estava agindo de acordo. Teria que mudar isso o quanto antes, deixar o passado para lá o quanto antes, mas...

'Mas' nada. Cancelou seus pensamentos por ali mesmo, encostando nos dedos de Tatsuya discretamente com os seus. Estava na hora de sair do lugar, caminhar, avançar... Mesmo sendo extremamente difícil deixar Aomine para trás.

***

18h22min

~Aomine Daiki~

O moreno sentava-se confortavelmente nos degraus que levavam à varanda de sua casa, sentindo o vento não tão gelado atingir em cheio a face. Finalmente o inverno chegava ao fim — o que era maravilhoso —, porém ao mesmo tempo indicava que as aulas estavam se aproximando — o que era terrível.

Aomine gostaria de simplesmente não ter mais que estudar, de viver eternamente em férias. Odiava acordar cedo para assistir às aulas chatas, porém havia encontrado uma pequena luz no meio daquele contexto horripilante: No dia da compra dos materiais escolares o moreno conseguira encontrar uma edição atrasada de sua revista erótica favorita. Segurava-a em suas mãos agora, mas para seu desapontamento não havia tantas mulheres gostosas naquele mês, pelo menos nada que prendesse sua integral atenção.

Mesmo evitando, uma única coisa era capaz de ocupar seus pensamentos o tempo todo: Lógico que era Kagami Taiga.

Apesar dos apesares era notável que a situação começava a melhorar. Daiki já não suspirava tanto pelos cantos, as súbitas vontades de chorar desapareceram completamente e sua culpa já não extrapolava os limites do normal. Saía com mais frequência com os amigos (Momoi e Kise), e quem sabe agora com as voltas das aulas ocuparia melhor os espaços de sua cabeça naturalmente vazia.

Se distrair com certeza era o melhor remédio. Mas será que estava superando ou apenas se conformando com a derrota? Estava dando um tempo para si mesmo ou desistindo de Kagami de uma vez por todas?

Não sabia...

— Daiki? Ui que frio aqui fora! — A voz suave de sua mãe interrompeu o auto-questionamento, fazendo-o virar o rosto para acompanhar sua chegada. — Fiz chocolate quente. — A mulher disse, sentando-se ao seu lado no degrau da varanda, estendendo uma xícara escura.

— Você é a melhor. — O rapaz sorriu, agradecido, deixando a revista no chão de madeira para poder pegar o objeto. Tinha um vício secreto por chocolate, e quando estava quente era melhor ainda. — Valeu mãe! Você lê meus pensamentos, não?

— Uh, quem me dera conseguir entender essa sua cabecinha teimosa. — Ela soltou um muxoxo exagerado, tomando um gole de seu próprio chocolate. — Quando vai se abrir comigo, amor? Já faz um tempão que você está assim. Sei que está fugindo.

— Ah... — Aomine olhou para a grama em sua frente, um pouco desconcertado pelo assunto tão repentino. Estava realmente escapulindo há pelo menos três semanas dessa conversa com ela, e não era hoje que gostaria de mudar o fato. — Não precisa mais. Está tudo bem agora.

— Claro que está. — Ela afirmou de forma irônica, erguendo uma das sobrancelhas. — Eu te conheço melhor do que você imagina.

— É sério! — O moreno reforçou, olhando-a de canto. Encontrou uma feição completamente descrente. — Estou de boa, mãe.

— Bem, sei que temos nosso acordo e por isso não vou ficar te cobrando ou pressionando. Você me conta quando se sentir a vontade, ok? — Yumiko deu um leve tapa conformado em sua coxa. — Só que estou muito preocupada. Nunca te vi tão quieto, distante... Triste. — Yumiko comentou, arqueando as sobrancelhas. — Nem no tempo da Teiko você estava tão para baixo.

— Relaxa mãe. — O moreno riu sem um pingo de humor, tomando um longo gole de seu chocolate. Desceu queimando por sua garganta, mas não se importou, pois na verdade gostava da sensação... Levava o maldito nó embora. — Logo eu esqueço e já saio para aprontar e te dar dores de cabeça de novo. — Afirmou, sorrindo para ela.

— Conta para mim, amor. O que aconteceu? — Ela pediu uma última vez, olhando-o com uma expressão de cachorro sem dono, a mesma que fazia quando tentava convencê-la de algo. — Eu não consigo mais te ver assim sem saber de nada.

— Ah mãe, você já sabe. Eu só me apaixonei pelo Taiga e acabei frustrado. — O moreno resmungou, sem defesas, olhando para o líquido expesso e escuro em sua xícara. — O problema é que o perdi por pura idiotice, e agora só estou triste. — Completou, erguendo as sobrancelhas ao encará-la.

— Isso eu já imaginava. As entrelinhas eu consigo ler. — Ela sorriu de canto, com pesar, apoiando o rosto em seu ombro. — Só estou preocupada com o seu estado, amor.

— Já estou me sentindo bem. Tipo, conformado. — Afirmou, sorrindo da melhor forma possível. Não sabia até que ponto aquelas palavras eram verdadeiras. — No começo foi realmente ruim, mas agora que entendi as coisas eu estou de boa.

— E esses olhos marejados? — Ela zombou ao mover o rosto, forçando Aomine a fazer uma careta cansada. Sabia que ela estava exagerando.

— Sou forte como você e não soltei uma única lágrima, ok? — O moreno disse com seriedade, e até mesmo com um certo orgulho de si mesmo. Acima de tudo era um Aomine, e os Aomine não se deixavam abater por qualquer coisa... Mesmo que naquele caso não fosse 'qualquer coisa'.

— Não? — Yumiko estranhou, franzindo o cenho. — Por que não, Daiki?

— Seria apenas uma demonstração de fraqueza, certo? — Daiki deu de ombros, não entendendo a reação confusa da mãe. — Chorar não resolve nada, vou continuar incapaz de voltar no tempo. Acho meio desnecessário. Pelo menos assim estou com o orgulho em pé mais uma vez. — Concluiu, com um meio sorriso desanimado.

— Ai Daiki! Você é tão parecido comigo que até chego a me assustar. — Ela o olhou, preocupada, acariciando seus cabelos azuis. O toque era bom, relaxante. — Chorar não é uma fraqueza. Claro, não muda as coisas, mas é uma libertação necessária, principalmente em situações como essa.

— Bem, no meu caso não precisou. — Aomine tomou mais um gole de seu chocolate quente, na intenção de finalizar o assunto por ali mesmo. Já chegaram longe demais com a conversa, estavam invadindo sua zona de conforto.Ou seria de desconforto? — Estou bem assim. Logo volto ao normal, prometo.

— Vou te contar um segredo, Daiki. — Yumiko começou a falar, abraçando as prórpias pernas em uma tentativa vã de se proteger do vento. — Eu pensei exatamente a mesma coisa quando seu pai me contou a verdade sobre a outra família que ele tinha. De quê adianta chorar? Só vai mostrar que sou uma fraca, que não consigo me virar, que não tenho mais orgulho... Só que eu estava errada e aprendi isso da pior forma possível. Aprendi com a dor. — Yumiko continuou, atraindo instantaneamente o seu olhar. — Eu estava completamente perdida. Tudo melhorou quando me isolei e deixei tudo sair de dentro de mim: A raiva, a angústia, os medos... Me senti infinitamente mais forte quando chorei, pois consegui me libertar daquele dilema e encontrei uma solução para seguir adiante.

— São situações diferentes. — O moreno franziu a testa, apoiando a xícara em sua coxa, sentindo aquela região aquecer instantaneamente. Era confortante, constrastava com o frio de sua pele naquele momento.

— Não tanto. — Ela ergueu as sobrancelhas, de forma sábia. — Ambos perdemos pessoas por quem nos apaixonamos e acabamos um pouco perdidos. Certo?

— Mas ainda assim não se compara. — O moreno resmungou com a voz arrastada, olhando-a de canto. — Quantos anos você passou ao lado do meu pai? Eu fiquei só dois meses e pouquinho com o Taiga. Não foi tanto tempo assim.

— Bem, mas esses 'dois meses e pouquinho' foram o suficiente para você querer ficar ao lado dele para sempre, não é? — Ela perguntou, movendo-se logo em seguida para retirar algo do bolso de seu jeans. Aomine congelou quando viu as alianças que comprara aparecerem na palma da mão de Yumiko. Aquilo o pegara de surpresa. — Encontrei no chão do corredor há algum tempo e guardei para você. Acho que já está na hora de eu te devolver.

— Não... Não preciso mais disso. — Aomine balbuciou enquanto desviava rapidamente o olhar para a grama. E lá vinha a dor mais uma vez, acompanhada do comum embrulho no estômago. — Achei que você tinha jogado isso fora.

— Claro que não. — Ela disse com calma, estendendo o punho fechado com as alianças, dando um leve soquinho em sua mão livre, para que as recebesse. — Isso te pertence. Guarde. Você pode usar ainda.

— Acho que é tarde demais. — Murmurou com um tom descrente, sentindo os pequenos objetos gelados tocarem sua pele. Fitou-os por longos segundos antes de continuar. — Ele já encontrou outra pessoa, mãe. — Contou com a voz baixa, incapaz de esconder a tristeza.

— Daiki, eu aposto que é passageiro. Ninguém supera uma frustração tão rápido assim, seria extremamente contraditório. — Ela sorriu de canto, levantando-se ao apoiar a mão em seu ombro com carinho. — Além do mais, você também andou por aí com algumas meninas, não é? É a mesma situação. Apenas uma camuflagem.

— Saí apenas com uma garota. — O moreno murmurou, desconfortável, acompanhando o trajeto da mulher com o olhar. — Mas é bem diferente.

— Não deve ser tão diferente assim. — Ela balançou a cabeça, teimosa, fitando-o por cima do ombro assim que parou no batente da porta. — Vocês são duas crianças magoadas e orgulhosas fugindo uma da outra, então é normal buscarem outro porto seguro.

— Não sei... Pode até ser. — O moreno admitiu, franzindo a testa. Existiam outros detalhes imprecindíveis na história que ela não conhecia. — Porém eu acho que não tem mais volta.

— Amor, não fique remoendo isso agora. Apenas se abra para si mesmo antes de fazer qualquer coisa. E guarde as alianças. — Ela pontuou, apontando para sua mão com um gesto de cabeça. — Essa história de 'tarde demais' não existe. Não quando o sentimento das duas partes é verdadeiro.

— Você quer que eu tenha esperanças? — O moreno perguntou, incrédulo, apertando os objetos contra a palma da mão. — Mãe, você não tem noção da merda que fiz. Eu o perdi por ter agido sem pensar. — Foi obrigado a confessar, pelo menos parcial e relutantemente. Era sempre complicado abrir suas fraquezas, mesmo que para sua mãe.

— Não vou te forçar a me contar... Mas independente do que for, acredito que vocês dois precisam conversar a respeito. No fundo você sabe disso. — Yumiko assinalou com um olhar compreensivo, entrando na casa para fugir do frio. — Porém, antes de qualquer coisa deixe seu orgulho de lado e converse consigo mesmo, Daiki. Você vai descobrir sozinho se vale a pena ou não tentar. E permita-se chorar... Não é uma fraqueza, bem pelo contrário. — Com mais um sorriso afetuoso, ela se afastou, dando o espaço que Aomine sempre precisava.

Após soltar um suspiro repleto de cansaço e dúvidas, o moreno tomou um último gole de seu chocolate quente, que já não estava mais tão quente assim. Com certa relutância abriu a palma da outra mão, fitando as alianças prateadas mais uma vez. Eram a prova física de que Kagami Taiga foi a única pessoa no mundo capaz de mexer de verdade consigo.

Daiki sempre fora muito individualista, dificilmente abria mão de seu egocentrismo exacerbado, entretanto em pouquíssimo tempo chegara ao ponto de se apaixonar verdadeiramente por Kagami Taiga e doar-se internamente à ele. Chegava a ser assustadora a proporção da mudança que ocorrera em sua vida desde então, e o mais engraçado era perceber que permitira essas modificações sem pestanejar. O motivo era simples... Tudo com o ruivo sempre fora incrível, intenso e único. Ele possuía aquilo. Ele era a pessoa perfeita, sua versão ruiva.

— Merda. — O moreno praguejou, apertando os anéis em suas mãos enquanto mordia os lábios em um sinal de nervosismo. — Como eu fui te perder, Bakagami?

E novamente o ciclo de pensamentos iguais retornava à sua mente, na mesma velocidade em que o remorso o estapeava a face mais uma vez. Parecia uma espécie de vício masoquista. Até então Daiki estava certo de que finalmente superava os acontecimentos e as verdades que admitira para si mesmo, porém bastou um pequeno puxão no fio para que o nó fraco se desfizesse.

À quem estava enganando? Queria a todo o custo manter Taiga ao seu lado, apesar de isso ser um pouco utópico agora. O perdera para si mesmo, não teria como mudar isso, no entanto ainda poderia tentar reparar seus erros. Não o deixaria ir tão facilmente... Não era de seu feitio desistir de coisas realmente importantes, mesmo sendo um vadio egoísta de primeira.

A conclusão era simples: Precisava dele para que tudo caminhasse da forma certa. Estava aprendendo isso na marra — com a dor, como sua mãe dissera. Odiava admitir que sozinho não chegaria a lugar nenhum, porém era a mais pura verdade. Taiga tornara-se seu porto seguro... Mas agora Daiki estava afundando, e muito longe de alcançar o cais.

***

20h57min

~Kagami Taiga~

Uma das vantagens de ter Himuro como companhia era o fato de ele não comer tanto. Dessa forma sempre sobrava pelo menos duas ou três fatias de pizza para Taiga alimentar sua incomparável gula, e era na comida que estava sua atenção naquele momento.

Cada mastigada era sagrada para o ruivo, e justamente por isso não pôde deixar de reparar que os sabores se misturaram. Infelizmente o que era para ser o maravilhoso composto de quatro queijos acabou com o gosto inconfundível de marguerita — preferência de Tatsuya. Claro, tudo era comida e sairia pelo mesmo lugar no final das contas, porém a magia do queijo fora quebrada sem dó e nem piedade.

Seria mais fácil se tivessem gostos mais parecidos, no entanto isso era apenas um detalhe ao qual poderia se acostumar.

Em paralelo à janta, os dois estavam assistindo... Ou melhor, parcialmente assistindo. Taiga não era lá muito fã do seriado Dexter, mas Himuro parecia estar se divertindo bastante com os episódios, pelo menos seus olhos estavam fixados na tela.

Era sangue e psicopatia demais para a cabeça do ruivo suportar, tanto é que acabara pegando no sono depois de comer e encontrar uma posição confortável no sofá, ainda mais no escuro da sala. Sabia que o irmão não se importaria... A menos acabasse falando alguma merda enquanto dormia.

Esse era seu grande medo. Soltar o nome de Daiki durante o sono não seria nada auspicioso, ainda mais quando sonhava com ele o tempo todo.

***

Domingo — 02h28min

~Himuro Tatsuya~

Seus olhos acinzentados começavam a arder consideravelmente, afinal quase assistira a segunda temporada inteira de Dexter naquela noite, e com as luzes da sala apagadas. Sabia que fazia mal para a visão, mas sua concentração aumentava no escuro... Ao contrário da de Taiga, claro. Não foi surpresa nenhuma ele adormecer logo após jantarem, mas como irritar-se com o fato quando ele repousava com o rosto apoiado em seu colo?

Piscando com um pouco mais de frequência, Himuro desviou o olhar da televisão para analisar a feição de Kagami. A meia luz da tela ligada permitia a visão de apenas alguns contornos de seu rosto, mas esses eram os mais perfeitos. Taiga era tão lindo. As sobrancelhas esquisitas, os traços retos e fortes, os lábios minimamente entreabertos... Perfeito.

Tatsuya poderia satisfazer seu ego durante a madrugada inteira apenas observando os movimentos sonolentos do ruivo em seu colo, porém ele ficaria com um torcicolo naquela posição. Era melhor que deitassem na cama... Quem sabe poderia tentar se aproximar um pouco mais dele naquela noite. A vontade era grande.

— Taiga? — Himuro chamou sua atenção, mergulhando os dedos suavemente por entre os cabelos ruivos e macios, mas que jamais assumiam uma única forma. — Acorda... — Sibilou, dando um suave cutucão em sua bochecha.

— Hm... — Taiga resmungou em protesto, movendo o corpo preguiçosamente. Não tardou a abrir os olhos com uma lentidão exagerada, fitando os de Tatsuya. — Oi. — Ele sorriu timidamente.

— Oi! — Himuro repondeu da mesma forma, afastando algumas mechas ruivas de sua testa. Teria que aproveitar enquanto ele não se dava conta de que estava dormindo em seu colo, pois levantaria no segundo seguinte. Era sempre assim. Ele era receoso demais com tudo. Arisco.

— Acho que d-dormi. — Ele bocejou, piscando mais duas vezes antes de espreguiçar-se.

— Acha? — Tatsuya questionou, com uma risada descrente. Era impossível não compará-lo à um felino, ainda mais despertando daquela forma.

— Acho! — Ele soltou um breve riso sonolento, sentando-se imediatamente no sofá após perceber a situação ao ser redor. Como previsto. — Ah, Foi mal por... Usar seu colo como travesseiro. — Ele resmungou, apoiando as costas no estofado, mexendo o pescoço.

— Não precisa se desculpar por isso, retardado. Estamos juntos, esqueceu? — Tatsuya riu, dando-lhe um peteleco na bochecha. — Não me venha com suas paranóias agora.

— Hm... Ok. — Ele fez uma careta engraçada, sorrindo. — Pode continuar assistindo. Não quero atrapalhar sua série.

— Não. — Himuro murmurou com cuidado, virando-se para fitá-lo de frente. Daria um passo a mais naquele momento, mesmo que fosse arriscado. — Eu quero te beijar, Taiga...

Tatsuya não esperou resposta, apenas vislumbrou a expressão atônita de Kagami por meio segundo antes de fechar os olhos e tocar seus lábios com suavidade. A primeira reação era a mesma de sempre, supresa e relutância, no entanto Kagami não tardou à corresponder o gesto, com calma. Só que Himuro não queria calma hoje... Queria Taiga para si, queria entregar-se a ele de corpo e alma, queria amá-lo como era para ser.

Sem conseguir conter-se, Himuro entreabriu e moveu os lábios contra os de Taiga, incitando-o ao mesmo. Era um beijo bom e inocente, porém essa leveza já não era mais o suficiente... Não queria apenas um toque gentil, queria sentir-se desejado por ele, sentir-se único. Ou melhor, queria ser único para Taiga, e faria isso à qualquer custo.

Percebia a respiração de Kagami acelerar, principalmente quando elevou as mãos até sua nuca, enterrando os dedos em seus cabelos. Era mais do que evidente que o ruivo estava tenso, mas em breve se acostumaria com a sensação e com a situação em si. Sem pensar muito mais, Himuro inseriu a língua em sua boca, sentindo mais uma vez o gosto doce, único e quente que ele tinha. Era tão bom e viciante... Poderia morrer assim.

Seu toque até foi correspondido após alguns segundos, mas não durou muito tempo.

— Tatsuya... — Kagami murmurou com relutância, afastando-se minimamente para encará-lo. Isso também não era novidade, porém não aconteceria mais... Não depois daquela noite.

— Deixa eu cuidar de você, Taiga. — Himuro pediu com carinho, passando os dedos finos pela bochecha aquecida de Taiga. — Permita que eu entre aqui... — Sussurrou, deslizando a mão até o lado esquerdo do peito do ruivo, pousando os dedos em cima de seu coração.

Ele engoliu em seco, mordiscando o lábio inferior ao dirigir o olhar para o próprio peito. Himuro percebeu que o coração de Kagami começava a palpitar com mais velocidade, o motivo era a mais pura ansiedade. Em breve aqueles batimentos acelerariam pelo mesmo motivo que os seus: Por paixão, amor, desejo. Tinha certeza disso.

— Por que você tem tanto receio de se abrir para mim? — Tatsuya perguntou com um mínimo e proposital vitimismo, dando-lhe um selinho demorado e suave nos lábios.

— Não é receio. Só... Só tenho medo de errar com você, de atropelar tudo e acabar misturando as coisas. — Ele murmurou, confuso, elevando novamente o olhar para encará-lo. — Eu não quero te magoar Tatsuya, por isso pedi paciência. Só que assim eu já estou te magoando, não é? — Ele perguntou com pesar, afastando a franja que cobria o rosto de Tatsuya. — Estou fazendo tudo errado já no começo.

— Não Taiga. — Himuro sorriu da forma mais verdadeira que conseguiu, aproximando-se do ruivo. Testa com testa, nariz com nariz. — Você não está. Sei que precisa do seu tempo, e vou respeitar isso. Como disse mais cedo, não quero te pressionar, só quero te sentir próximo à mim.

— Eu... Eu quero permitir isso. — Kagami suspirou, mordendo novamente os lábios em um sinal de nervosismo. — Eu juro que quero, Tatsuya... Você é tão importante para mim. Quero que as coisas voltem a ser como antes.

— Sei que deve ser difícil pra você deixar tudo para trás e recomeçar comigo, afinal nós dois tomamos um rumo diferente e nos encontramos apenas agora. Estamos diferentes, passamos por situações diferentes. — Himuro comentou com uma falsa compreensão, removendo os fios vermelhos de cabelo que o invadiam a testa. — Mas você não está sozinho nisso. Eu disse que estaria aqui para te ajudar e realmente vou. Quero só te ver sorrir, como antes.

— Eu... — Kagami engoliu em seco, olhando ao redor em busca de palavras.

— Eu te amo. — Himuro completou a frase à sua própria maneira, atraindo a atenção do ruivo mais uma vez. — Me dá uma chance de te provar isso Taiga, sem receios, sem medos. Sei que posso te fazer feliz.

— Eu sei que sim. — Kagami sorriu de canto, mesmo que ainda fosse perceptível uma leve dúvida em seus olhos. Ele era contraditório, mas verdadeiro. — Você sempre foi meu porto seguro, isso não mudaria agora. Certo?

— Então deixa eu cuidar de você a partir de agora, da forma que deve ser? — Tatsuya perguntou em um sussurro, dando-lhe outro selinho.

— Deixo. — O ruivo afirmou após alguns segundos, devolvendo o gesto com outro beijo. Era uma entrega, que foi aceita com prontidão pelos lábios de Himuro.

Kagami realmente precisava de sua paciência... Mas como conseguiria se conter? Era tão complicado quando ele passava os dedos trêmulos pela sua nuca, quando as línguas se encontravam, quando o cheiro selvagem daquela pele invadia violentamente o seu olfato, quando conseguia sentir o calor do corpo de Taiga tão próximo e atraente... Era impossível se controlar.

Kagami não fazia a mínima ideia do caos que provocava em si, mesmo sendo possuidor de uma inocência incomparável. Mas logo iria descobrir que a malícia também poderia existir entre 'irmãos'... Mostraria a ele.

***

~Kagami Taiga~

O ruivo não sabia se o que estava fazendo naquele momento era realmente o certo. Tentava convencer-se de que sim, mesmo quando um alarme interno soava em alerta, avisando justamente o contrário, pedindo para esperar um pouco mais.

O âmago de Kagami pressentia que não era capaz de dar um passo tão grande naquele relacionamento lento que trilhava com Himuro, mas mesmo assim permanecia lutando contra isso, teimoso e irresponsável. Sabia que não adiantava adiar algo inevitável... Deixaria que o irmão cuidasse de si, como ele pedira. Queria vê-lo sorrindo, e não suspirando pelos cantos, frustrado com a forma vagarosa que caminhavam.

Doaria-se a ele para vê-lo feliz, tinha certeza de que a sua própria felicidade seria uma consequência disso.

Os dois ainda estavam no sofá da sala ouvindo os burburinhos de Dexter ao fundo, porém agora a atenção de Tatsuya estava bem distante da televisão. Ele sentava-se em seu colo e o envolvia com os braços, prensando-o com força contra o encosto do estofado durante o beijo longo que compartilhavam. Era bom, não tinha como negar, e Himuro sabia exatamente o que estava fazendo.

Em meio à tanta novidade e surpresa (sim, muita surpresa), Kagami sentia-se quente e até mesmo excitado, principalmente quando o irmão ondulava o corpo sobre o seu membro, que à essa altura já estava quase ereto. Taiga não teria sangue frio para negar os fatos: Queria muito o que ele estava quase cedendo. Sabia exatamente o que Tatsuya almejava, pois fazia o mesmo quando estava com Aomine... Percebia na urgência de seu corpo, na intensidade insinuante de seus movimentos, nos leves gemidos que ele soltava contra sua boca durante o beijo... Mas haviam as travas no interior de Kagami, as malditas correntes que o puxavam para trás.

Estava bem complicado para Taiga. Era seu instinto contra sua razão, e ambos ainda duelavam com sua emoção. Ao mesmo tempo em que seu corpo buscava o sexo, Kagami não conseguiria fazê-lo por saber que quem estava ali em seu colo era seu irmão. E além de tudo isso havia os teimosos sentimentos que nutria por Daiki, e era isso o que mais pesava.

Ficaria louco dessa forma.

— Close your eyes... Taiga... — Himuro sibilou com os lábios úmidos e entreabertos, afastando o rosto para que se encarassem de perto.

O ruivo fitou a expressão excitada e excitante de Tatsuya por entre os fios da franja escura, segurando a respiração por alguns segundos antes de obedecer e entregar-se ao confortável escuro que suas pálpebras cediam. Tornava-se muito mais fácil assim, precisava admitir.

Seu corpo queria demais o sexo que Tatsuya fornecia e almejava, mas sua mente repudiava tal ato com todas as forças. Himuro era seu irmão mais velho, porém agora agia como um amante quente e decidido. Parecia uma situação tão forçada, no entanto Kagami sentia-se curioso para ver onde aquilo tudo iria acabar. Eram muitas contradições, não sabia ao que ceder.

Estava cometendo o pecado da luxúria, sabia que depois não haveria perdão. O que fazer?

— Let me take care of you... Bro. — Tatsuya sussurrou eroticamente em seu ouvido, mordendo o lóbulo sensível enquanto deslizava os dedos hábeis por seu tórax. O misto de toques causava arrepios que desciam diretamente para o meio de suas pernas, onde o sangue começava a bombar com mais força agora. — You'll not regret, I swear.

Será que não iria se arrepender? Foi o que Taiga pensou, inclinando o rosto para possibilitar os movimentos da boca de Tatsuya em seu pescoço. Ele iniciou uma série de mordidas cálidas em sua pele, ainda descendo os dedos em direção ao seu membro parcialmente intumescido. Kagami elevava o corpo para o toque finalmente acontecer, mas...

Mas... Sempre havia um 'mas'.

— Calma, Tatsuya. — Kagami pediu com a voz rouca e lenta, abraçando-o com força para que ele parasse o movimento, ao mesmo tempo em que relaxava o corpo tenso.

— Não vou fazer nada que você não queira. — Ele disse em voz baixa, continuando com o gesto, abrindo o botão de seu jeans com calma. — É só você pedir que eu paro.

— I don't know... — Foi o que o ruivo conseguiu dizer, engolindo em seco ao sentir os dedos de Tatsuya roçarem em seu pênis enquanto ele descia o zíper, agora ajoelhado em sua frente.

Novos arrepios gostosos cruzaram seu corpo com o toque, fazendo-o esquecer momentaneamente os problemas e as contradições que circulavam sua mente. Taiga tentou simplesmente esvaziá-la e deixar fluir... Não sabia se depois viria o arrependimento, mas por enquanto estava bom.

— Ah... — Foi obrigado a soltar um leve gemido ao sentir os dedos tocarem seu pênis, acariciando-o com mais vontade por cima da cueca. Era bom, claro que era.

Com os olhos fechados era praticamente impossível não lembrar-se de Daiki, da forma como ele conduzia o sexo e o preparava tão bem. Taiga sempre perdera-se em seu próprio desejo ao ter o moreno entre suas pernas, isso sem falar que a entrega era imediata... Sempre faziam um sexo tão gostoso e sincronizado, sentiria falta. Era cruel lembrar disso agora, quase ridículo, triste e humilhante, mas era tão fácil pensar que poderia ser Aomine o tocando agora...

Cara, no que eu estou pensando... O ruivo abriu os olhos com nojo de si mesmo, acompanhando agora os movimentos de Tatsuya. Ele iniciava uma masturbação por cima do tecido fino, encarando-o com uma expressão bem insinuante e sem pudor algum. Parecia errado, tudo aquilo parecia invertido demais.

— Tatsuya... — O ruivo mordeu os lábios, fechando os olhos mais uma vez. — I don't know... — Gemeu, ao sentí-lo intensificar o gesto. Não podia negar que estava gostoso, mas...

Mas a porra da contradição aparecia mais uma vez.

— Espera. — Pediu com certa urgência, mordendo os lábios ao tocar os ombros de Tatsuya no escuro, incitando-o a parar de se mover.

Quando abriu os olhos, Kagami percebeu que fez uma grande cagada. Acabara por frustrá-lo mais ainda, tinha certeza.

— Você não quer? — Ele perguntou em um tom baixo, arqueando as sobrancelhas, um pouco incrédulo e confuso.

— Eu quero. — O ruivo murmurou verdadeiramente, elevando os polegares para acariciar suas bochechas minimanete coradas. — Quero sim, muito... Mas acho que ainda não estou... Hm, pronto. — Taiga não encontrou uma palavra melhor. Era óbvio que estava pronto, encontrava-se satisfatoriamente duro, mas seu psicológico não parecia satisfeito... Era isso que não estava pronto.

— Hm. — Ele engoliu em seco, um pouco perdido, olhando para os lados enquanto mordiscava o canto dos lábios.

— Tatsuya, vem aqui comigo. — Kagami pediu com a voz trêmula, induzindo-o a sentar em seu colo mais uma vez. — Desculpa. — Murmurou, abraçando-o com força, como que para confortá-lo. Acabara de fazer uma grande bosta, a pior do mundo. — Eu sou um belo de um idiota. Me desculpa.

— Tudo bem Taiga. — Ele murmurou contra seu ombro, retribuindo o abraço da mesma forma. — Eu disse que não faria nada que você não quisesse.

— Não. — Kagami cerrou os olhos, sentindo-se infinatemente culpado. — Não é como se eu não quisesse, porque eu realmente quero. Você sabe que eu estou com muita vontade, mas... Eu sei lá... Eu...

— Ei, retardado, relaxa. — Tatsuya riu, ajeitando-se em seu colo para encará-lo de frente. — Eu entendi. — Ele sorriu, aliviando minimamente o peso no interior de Taiga naquele momento. — Não quero te forçar, e nem te pressionar. Deve ser bom para nós dois, e só vai ser assim na hora certa.

— Eu não quero que você fique triste ou frustrado comigo, mas sei que estou fazendo uma cagada atrás da out-

— Psiu. — Tatsuya pousou os dois polegares em seu lábio, acariciando seu rosto com os dedos restantes. Era tão bom... — Não precisa se explicar. Só fica aqui perto de mim. — Ele pediu com carinho, subindo as mãos para sua nuca, puxando Kagami contra seu próprio corpo. — Eu te amo, seu idiota. — Himuro riu brevemente em sua orelha, apoiando os lábios em seu pescoço já em seguida. — Vou te esperar para sempre se for preciso. Só me abraça com força agora.

— Tatsuya. — Kagami murmurou, puxando-o para si com carinho, com o verdadeiro amor fraterno que nutria por ele. — Sério, me desculpa por tudo.

— Está tudo bem. — Ele sussurrou, dando um leve beijo em sua pele. — Só deixa eu te sentir bem perto de mim, como a gente está agora.

O ruivo não encontrou mais nenhuma palavra, apenas apoiou a cabeça na curva do pescoço de Tatsuya e ali ficou. Sabia que não estava sendo nem de longe o melhor parceiro para Himuro. Agia como um irmão para ele, pois era exatamente assim que o via. Esse era seu maior medo, não conseguir evoluir nesse ponto, não conseguir se apaixonar ou sequer retribuir os sentimentos da forma que Tatsuya merecia. Estava acontecendo.

Quando sentavam-se naquela posição, Taiga era capaz ouvir o coração do irmão pulsando contra seu próprio peito, assim como sabia que ele sentia o seus batimentos. Eram tão unidos, desde sempre... Por que simplesmente não conseguia se entregar à ele? Tinha mais de milhões de motivos para deixar tudo para trás e seguir de mãos dadas com Himuro, com a pessoa que o protegeria e o amaria sem cobranças. Ele o aceitara de volta sem sequer pestanejar, mesmo sabendo de seus medos e fantasmas... Por que o coração tinha que ser tão teimoso? Por que não conseguia dar uma chance para esses novos sentimentos?

Kagami suspirou fundo, sorvendo aquele aroma inconfundível de hortelã que a pele de Tatsuya soltava. Era ótimo, tão confortante e nostálgico, mas por algum motivo Taiga queria apenas respirar aquele cheiro amadeirado e forte da pele de Daiki. Sentia uma puta falta do moreno e não conseguia caminhar porque ainda olhava para trás, porque estava acorrentado e assustado com a decepção que tivera. Esse era o problema... Amava Aomine Daiki. Simples assim.

De repente a vontade de chorar se fez presente, algo que não acontecia há algumas semanas. Kagami tinha conhecimento de que não estava sendo nem a metade do que Tatsuya merecia, não conseguia retribuir da mesma forma... No entanto seu nó na garganta se formava principalmente por não ter sido o suficiente para Daiki, por ter errado em algum momento e não ter conseguido despertar um único sentimento verdadeiro nele. Era tão estúpido assim?

O ruivo não sabia porque tudo dava errado quando se envolvia com alguém. Desapontava todo mundo, mas principalmente a si mesmo. Era burro demais, infantil, ingênuo, burro... Precisava amadurecer e mostrar-se um homem de verdade, e não um garotinho que mal sabia se virar sozinho.

— Taiga... — Himuro o chamou, acariciando seu rosto ao mover-se para encará-lo. — Não fica assim, ok?

Era como se ele lesse seus pensamentos, pressentisse sua tristeza. Sempre foi dessa maneira. Ele era seu porto seguro, mesmo que fraterno.

— Eu sou um idiota Tatsuya. — O ruivo afirmou para o irmão, piscando e permitindo que a primeira lágrima escapasse por seus olhos vermelhos.

— Não, você não é! — Ele sorriu de canto, enxugando o líquido que deslizava por sua bochecha. — Quer dizer, só as vezes. Mas na minoria delas, eu juro.

— Retardado. — Kagami obrigou-se a sorrir, fungando e limpando os olhos.

— Não me apaixonaria se você fosse idiota. — Himuro assegurou, repuxando o lábio em um sorriso culpado. — Eu que peço desculpas por ter forçado você à isso.

— Você não forçou. — Taiga foi rápido em responder, encarando o único olho acinzentado que escapava por entre a franja densa e escura. — Eu queria fazer... E juro que ainda quero. — Corrigiu-se, pigarreando. — Vou me esforçar por você, já te disse isso.

— Sei que vai. — Tatsuya sorriu, encostando a ponta dos narizes. — Mas não se preocupe com isso agora. Apenas sorria para mim que tudo vai ficar bem.

O ruivo abriu um meio sorriso forçado, torcendo um pouco o nariz ao realizar o gesto. Recebeu em troca um selinho carinhoso de Himuro, que acabou se tornando um novo beijo, porém sem nenhuma segunda intenção... Apenas carinho e afeição. Era isso que Taiga precisava agora, mesmo sendo o energúmeno boçal da história toda.

Merecia o prêmio de Trouxa do Ano por suas atitudes, mas a partir daquele momento decidira assumir uma nova postura... Faria Tatsuya feliz!

O ruivo sinceramente sentia falta do tempo em que suas únicas preocupações se resumiam ao basquete e às aulas (bem secundárias). No fundo sua mãe tinha razão, era novo demais para se envolver com alguém, porém agora assumira uma nova e gigante responsabilidade — que estava sentada em seu colo, o envolvendo em seus braços... Cuidaria de Tatsuya, da mesma forma que ele cuidava de si.

Quanto a Daiki... Bem, o tempo daria um jeito nisso, já que seu coração por si só não era capaz. Ele era teimoso e contraditório: Amava e odiava, desprezava e sentia falta. Kagami teria que dar um jeito de neutralizar isso o mais rápido possível, precisava esquecer o cara que roubou tudo o que tinha — coração, corpo e alma... Precisava deixar Aomine Daiki para trás, por mais difícil que fosse.

Estava cansado de frustrar as pessoas ao seu redor. Estava cansado de frustrar a si mesmo...

Notas finais
Well... Well... Machados apontados para mim? Ou não? Heheheheh, espero que hoje não xD Vim com muito amor postar isso aqui para vocês, fiz até milagres com internet, subornos e tudo o mais... Top Secret, mas aqui estou por vocês xD Hehehehe! Nhaaa, uma das minhas partes preferidas... Escolho a dedo durante a semana inteira, AS MÚSICAS *o* Hoje é uma para cada baka: ~ Ahomine Daiki) You, The Pretty Reckless (Taylor, casa comigo sua linda): https://www.youtube.com/watch?v=eUMwFaXTM3s // Tradução: http://www.vagalume.com.br/the-pretty-reckless/you-traducao.html ~ Bakagami Taiga) The Heart Wants What it Wants, Selena Gomez (Acho a música melosa demais, então peguei outra versão um pouco mais a 'minha cara', ok? Ok!): https://www.youtube.com/watch?v=bppLRCcof0A // Tradução: http://letras.mus.br/selena-gomez/heart-wants-what-it-wants/traducao.html ~ Himuro Tatsuya) Kiss Me, Ed Sheeren (uh, essa é linda e conheci na cagada): https://www.youtube.com/watch?v=1BwEC_1YekM // Tradução: http://www.vagalume.com.br/ed-sheeran/kiss-me-traducao.html Bem, minha gente. Meus avisos paroquiais se iniciam... Acima de qualquer coisa eu quero AGRADECER DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO por vocês estarem lendo minha história! Para quem não sabe, estou passando por algumas situações complicadas na minha vida pessoal, com saúde, com tempo, com estresses, com internet, com pessoas e tudo o mais... Devido à essas intempéries eu cogitei a desistência da escrita... Está bem complicado conciliar tudo o que tenho para fazer. É... Briguem comigo! Eu deixo!!! Mas foi só eu pensar um pouquinho (e receber algumas broncas de pessoas lindas da minha vida) para perceber minha fraqueza besta xD Então jamais abrirei mão de algo que gosto tanto, de pessoas tão especiais quanto vocês, e de toda essa magia que envolve uma simples fanficton. AMO DE CORAÇÃO escrever, acordar e ver um comentário novo, receber um favorito a mais ou até mesmo notar um nível massa de visualizações ~sim anônimos, amo vocês também~ xD Cara, isso tudo dá um ânimo tremendo *o* Muitas pessoas já abandonaram essa história pelo rumo que ela tomou, e sei que várias outras ficam me difamando e dando coices pelas costas por motivos parecidos (muito digno, lógico, mil pontos para vocês)... Por isso agradeço em dobro à quem ainda acredita no meu plot e está firme e forte comigo! Mesmo querendo me dar uma machadada no meio da testa, hehehehehehe! OBRIGADA MEUS AMORES!!! Só peço um pouco de paciência... Sei que estou deixando a desejar com a resposta dos comentários e isso me incomoda de forma inimaginável. Me perdoem... Mas eu estou me desdobrando em dois para conseguir postar com uma frequência considerável! Os comentários serão respondidos o quanto antes... I swear!!! Vocês são infinitamente importantes para mim e me ajudam muito, por isso tenham meu eterno OBRIGADA *o* Bem... É isso xD Beijão enooooooooooooorme da Lana-chan e mais uma vez 'muito obrigada'!!! ;********************************************************