Notas iniciais
Olá minha gente linda, tudo bem? Que tal mais um pouquinho dessa nova e doce (nem tão doce) história??? Hahahahah... Gostaria de agradecer a todo mundo que está acompanhando! OBRIGADAA o/ Argh, sejamos sinceros, esses meus capítulos curtos realmente aborrecem, hahahaha! E esse é um bem básico, bem mais que o prólogo! Parece que falta tudo, sabe? T_T Mas vamos lá... Tendinite, morra o/ Como será o primeiro mano a mano de Aomine x Kagami? Ah sim, haverá uma montoeira de referências por aqui, é Inevitável, hahahahah! Boa leitura meus anjos!

~Aomine Daiki~

19h46min

Já estava quase escurecendo. As lâmpadas e refletores da quadra de rua inclusive já acenderam automaticamente, reconhecendo a falta da luz diurna. O quicar incessante da bola de basquete ecoava por todo o ambiente, e era ainda mais alto ainda devido ao frio — se é que aquilo tinha alguma relação.

O ar gelado do inverno entrava pelos pulmões de Aomine, causando uma leve pressão no tórax, entretanto o calor e a rivalidade do jogo o impediam de parar aquilo. Tinha que admitir, era extremamente interessante jogar basquete com Kagami Taiga. Ele era intenso no esporte e jogava bem, seu único erro era tentar superar Aomine Daiki no mano a mano... Isso ninguém era capaz. Apenas ele mesmo, claro!

— Admita que aquilo na Winter Cup foi apenas sorte! — O moreno riu de mais uma tentativa falha do ruivo, assim que a bola foi atirada para fora da quadra.

— Cala a boca, seu infeliz! — Kagami retrucou irritado, ajuntando o objeto e voltando imediatamente para o garrafão. — Outra vez! — Ele sussurrou para si mesmo, limpando o suor com a gola de sua camiseta vermelha de manga comprida.

— Desista! Você não vai passar por mim! — O moreno sorriu de canto, balançando a cabeça negativamente.

— Vou sim Aomine, nem que seja a última coisa que eu faça! — Kagami rosnou com uma expressão agressiva, avançando em sua direção com velocidade.

O ruivo tentou uma finta e emendou com um blefe, girando pela direita e mudando para a esquerda no segundo seguinte. Kagami tinha um ótimo domínio com a bola e era veloz, mas mesmo assim foi previsível — talvez pelo cansaço e pelo frio. Sem muita dificuldade, Aomine roubou a bola e arremessou assim que se livrou da marcação.

— Merda! — Kagami gritou irritado, fechando os olhos enquanto apoiava as mãos na cintura. Ele respirou fundo duas ou três vezes para se acalmar, e ao ver isso Aomine precisou se controlar para não rir. O ruivo levava aquilo muito a sério, deveria se divertir mais ao invés de se estressar. Se bem que nunca era divertido para quem perdia.

— Não chore, vou te deixar ficar com o meu Air Jordan por mais um tempo. — O moreno debochou, limpando o rosto com a camiseta escura, olhando o próprio tênis nos pés dele.

— Isso é o de menos, seu idiota! — Kagami exclamou com as enormes sobrancelhas unidas, ajuntando a bola novamente. — Mais uma vez!

— Não... Chega! — Aomine decidiu, espreguiçando-se enquanto caminhava até o local onde as mochilas estavam jogadas. — Cansei!

— Como assim "cansou"? — O ruivo estreitou os olhos, incrédulo, acompanhando-o de perto na intenção de contê-lo. — Não terminamos ainda!

— Não vou sumir do mundo, sabia? — Aomine disse com a voz arrastada e preguiçosa, sentando-se com as costas apoiadas na tela, juntando os braços atrás da cabeça. O chão estava gelado, mas agora era tarde demais para querer sair, encontrara uma posição muito confortável. — Amanhã você tenta de novo. Senta aí e cala a boca!

~Kagami Taiga~

Bufando, o ruivo juntou-se à ele naquele chão úmido e frio, contra sua vontade. Estava ligeiramente irritado por não ter conseguido vencer Aomine no mano a mano, entretanto em menos de alguns minutos se conformaria e apenas sentiria mais vontade ainda de derrotá-lo na próxima. Esse era o jeito Kagami Taiga de ser! Tentaria mais uma vez, e outra e outra até alcançar seu objetivo.

O Air Jordan seria seu por mérito próprio, e não por gentileza da parte dele! Pois é... Gentileza... Isso era uma coisa que não esperava de Aomine Daiki nem em um milhão de anos.

Involuntariamente, o olhar de Taiga foi em direção ao moreno descansando ao seu lado. Ele estava encostado à grade com os olhos fechados e parecia vagar por um universo paralelo, dentro daquela cabeça vazia e preguiçosa. Kagami precisava admitir mais uma vez que, apesar de vadio, Aomine era bom no basquete, muito bom... Mas iria superá-lo, e sozinho dessa vez!

Ambos ficaram em silêncio por um longo tempo, apenas descansando e sentindo o vento frio arrepiar suas peles... Aquilo era ruim, Kagami não podia se dar ao luxo de pegar um resfriado. Sem demora, apalpou o conteúdo da mochila até encontrar o moletom azul escuro. Olhou para Aomine esperando que ele repetisse o gesto, mas ele parecia ainda viajar dentro da própria mente, alheio ao mundo.

— Vai ficar doente... — O ruivo falou discretamente enquanto vestia o moletom, como que para despertá-lo do devaneio. Não queria ser legal, apenas pretendia disputar futuras partidas com ele, e se o moreno pegasse um resfriado não teria como.

— Hm? — Ele abriu um dos olhos, e franziu a testa.

— Se você não vestir uma blusa vai ficar doente! — Kagami repetiu, pigarreando em seguida, um pouco desconfortável.

— Verdade. — Ele ergueu as sobrancelhas, como se tivesse se tocado naquele momento que estava com frio. Kagami precisou soltar uma risada nasal e incrédula ao vê-lo vestir rapidamente a jaqueta preta. Era muito desatento. — Hm... Valeu.

— Uhum... — O ruivo disse um pouco sem jeito, coçando o queixo enquanto olhava para a bola em seu colo. O silêncio estava um pouco desconfortável, se sentiu na obrigação de falar a primeira coisa que veio em sua mente. — Hm... Tá com fome?

— Ia te perguntar a mesma coisa! — Ele comentou, passando a mão na barriga inconscientemente. Virou o rosto para encará-lo. — Maji?

— Maji! — Kagami concordou após avaliá-lo por segundos, levantando-se. — Mas isso não significa que deixamos de ser rivais!

— Claro que não! — O moreno respondeu de forma debochada, jogando a mochila de forma displicente por cima do ombro. — Não misture as coisas. Basquete é basquete. O resto é o resto.

— É! — O ruivo concordou, caminhando até a saída da quadra ao lado de Aomine.

Himuro poderia ter pensado assim daquela vez... A frase surgiu involuntariamente na cabeça do ruivo, mas ele logo se repreendeu. Não era hora de pensar em Tatsuya. Na verdade nenhuma hora era hora de pensar em Tatsuya! Passado pertence ao passado. Bola pra frente!

Os dois andavam a passos lentos pela calçada. Na verdade Aomine andava a passos lentos e Kagami se obrigou a acompanhá-lo — o que era bem irritante. Como pode um cara tão rápido no basquete agir como uma lesma preguiçosa e monte no resto do tempo?

Aproximaram-se da faixa de pedestres e esperaram o sinal abrir para cruzarem a rua. Segundos pareceram eras naquele lugar! O silêncio estava extremamente desconfortável, mas fora quebrado pela voz grave de Aomine, que começou a cantarolar uma coisa qualquer. Parecia a música Radioactive, de Imagine Dragons, e isso chamou a atenção de Kagami na hora.

Bom gosto ele tem. Quem sabe fora da quadra ele agisse de forma diferente... O ruivo ponderou consigo mesmo, olhando de esguelha para o moreno, que parecia novamente alheio ao mundo enquanto pensava na melodia. Kuroko comentou uma vez que Aomine costumava ser um cara bem legal, engraçado e espontâneo, apesar de toda a enorme lista de defeitos que ele possuía.

Enfim, Taiga nunca fez questão de saber ou tentar descobrir como funcionava a mente estúpida de Aomine Daiki, mas não precisava ser antipático com o moreno apenas por ele ser ele. Além de que odiava o silêncio...

— Gosta de Imagine Dragons? — Kagami perguntou com a voz baixa, enquanto olhava para um poste na rua, como se fosse algo muito interessante.

— Ahn... Conheci há pouco tempo. — O moreno estranhou a pergunta, olhando-o de esguelha. — Mas sim, gosto. — Aomine esperou alguns instantes para continuar. — Você gosta?

— Sim! — O ruivo concordou, olhando agora para o sinal vermelho dos pedestres. — É uma das minhas bandas preferidas, na verdade.

— Hm... — Ele murmurou, em meio a um pigarro, assim que o sinal abriu. — Gosto de Arctic Monkeys também. Já ouviu?

Um diálogo entre eles ainda era estranho e ligeiramente forçado, mas não parecia algo impossível, já que pelo menos os seus gostos musicais batiam.

***

— Hm... O que mais você faz nessa sua vida além do basquete? — Kagami perguntou distraidamente para puxar assunto, mordendo seu hambúrguer como se não houvesse amanhã. Adorava o molho que eles faziam no Maji Burguer!

— Durmo! — Ele respondeu com a boca cheia, dando de ombros. — Leio revistas, assisto, jogo videogame, finjo que estudo... Só!

— Uau. Que interessante! — O ruivo disse de forma irônica, revirando os olhos enquanto mastigava.

— E você? — Ele perguntou com um movimento de cabeça, ignorando a leve provocação. Aquilo foi mais irritante do que seria se ele tivesse replicado.

— Exatamente o que você faz, mas cozinho também! — Kagami respondeu.

— Nossa! Muito mais interessante! — Ele disse de forma sarcástica, erguendo o polegar. — Impressionante!

— Claro que é! Cozinhar de verdade é uma arte para poucos! — O ruivo disse, estreitando os olhos ao sentir a carga de ironia na frase dele também. Era um idiota, provavelmente não sabia fritar um ovo sequer. — Mas a maior parte do tempo livre eu fico assistindo NBA.

— Você tem o canal da NBA ou vê pela internet? — Aomine parou de mastigar para encará-lo, avaliando-o.

— Canal! — Respondeu, prestando atenção no queijo derretido que caía por debaixo do pão. Não poderia perder nada daquele alimento divino.

— Deve ser bom para passar o tempo. — Aomine comentou, encostando-se a cadeira de forma preguiçosa. Até a aura dele era preguiçosa. — Geralmente a programação da TV é um saco!

— Admito que é bem legal. — O ruivo falou de forma distraída enquanto colocava o último pedaço do hambúrguer na boca. — Mas a verdade é que quando se fica muito tempo sozinho as coisas se tornam um pouco entediantes. Principalmente quando os Lakers estão uma merda...

— Ah, nem me fale nos Lakers, estou quase abandonando! — Ele resmungou de repente, com a voz irritada, pegando mais um hambúrguer de sua pilha. — Essa temporada deles está virada em lixo!

— Você...

— Sim, acompanho esses idiotas perdendo jogo após jogo! — O moreno bufou, concentrado na embalagem.

— Somos dois então! — O ruivo disse. — Tenho vontade de chutar a TV quando assisto.

— Eu não tenho o canal, mas vejo os resultados no site e alguns lances no YouTube. — Aomine deu de ombros, preparando-se para dar a primeira mordida. — Já é o suficiente para irritar, mas admito que gostaria de acompanhar melhor.

— Hm... Você... — Kagami começou a falar, mas a razão milagrosamente o fez desistir do convite besta que pensou em propor. Por mais que o moreno também torcesse para os Lakers e pudesse assistir os jogos em sua casa, ele ainda era Aomine Daiki. Não eram amigos!

— Hm? — Ele esperou, encarando-o enquanto mastigava a comida.

— Quem você acha que vai ser campeão esse ano? — Desconversou, franzindo rapidamente a testa, confuso com sua própria atitude. Se perguntava de onde veio aquela ideia de jerico.

— Sinceramente? — Ele suspirou, parando para pensar enquanto girava o copo entre os dedos, concentrando ali o seu olhar. — Acho que Chicago Bulls ou os Spurs.

— É, também acho! — Kagami concordou, sorrindo de canto com a resposta. — A final vai ser entre eles, com certeza!

— Vai! — O moreno afirmou com um movimento de cabeça, mordendo seu pão e falando com a boca cheia em seguida: — Queria que os Bulls fossem os campeões. Eles tem uma forma interessante de jogar.

— Sim, tem mesmo...

A conversa começava a fluir e Kagami estranhou esse pequeno fato. Kuroko até tinha certa razão, Aomine Daiki sabia abrir a boca para falar sobre algo que prestasse — apesar de sua enorme lista de defeitos.

***

21h28min

— Espera. Deixa eu entender. Você gosta de caçar cigarras? — Kagami riu, olhando incrédulo e surpreso para o moreno, que caminhava ao seu lado sustentando um ar suprerior. Mal sabia o quão ridículo ficou na mente de Taiga assim que o ruivo o imaginou catando bichinhos no meio do mato.

Estavam conversando há um longo tempo sobre todos os tipos de idiotices possíveis, sempre mantendo aquela habitual dose de provocações para não perder o costume. Nesse meio tempo o ruivo deduziu que ele não era um cara tão chato ou ruim quanto imaginava... Mas ainda assim era vadio e arrogante ao extremo.

— Sim, cigarras e pequenos insetos! — Ele disse com um sorriso orgulhoso, como se fosse profissional no ramo. — Duvido que você consiga pegar qualquer um deles. Deve ter nojo, no mínimo!

— Isso é um desafio? — O ruivo perguntou, estreitando os olhos.

— Pode vir a ser! — Aomine disse, encarando-o. — Caço cigarras desde criança, cresci no meio do mato. Tem certeza que vai arriscar, Taiga?

— Claro que sim! Só porque não sou um colono como você, não significa que eu tenha nojo de cigarras! — O ruivo disse com um tom divertido. Só então percebeu uma coisa... — E quem te deu permissão para me chamar de Taiga? Não somos amigos.

— É bem mais fácil do que "Ka-ga-mi". — Ele disse com indiferença. — Dá menos preguiça.

— Ok, Daiki! — O ruivo estreitou os olhos, com um meio sorriso. — Será de igual para igual então.

— Como quiser! — Ele disse, mas assumiu um tom debochado de repente. — Ei, mudou de assunto por quê? Já correu do desafio?

— Não corri de nada! — Kagami se irritou, fechando os punhos e olhando para os lados em busca de um mato qualquer onde pudesse encontrar mais cigarras que Aomine. — Vamos fazer essa bosta agora!

— Meu Deus, Taiga! — Aomine riu. Mas riu de verdade! O ruivo nunca tinha visto aquilo, quase se assustou. Porém, a risada dele fez Kagami sorrir de leve também... Era tipo, contagiante? — As cigarras só voltam no verão. Estamos no inverno, seu burro!

— Claro... Como se eu fosse um expert em cigarras! — O ruivo desconversou, arrumando a mochila sobre o ombro em um sinal de impaciência. — No verão vou enfiar milhares delas no seu cu então.

— Sim, claro que vai! — Ele ironizou, ainda rindo. Virou o rosto para fitar o ruivo e disse: — Tenho que admitir que você é legal quando quer, Taiga! Meio burro e convencido, mas é legal.

— Você que é o cara mais convencido da face da Terra! — Kagami estreitou os olhos, virando a esquina e já avistando seu prédio no final do quarteirão. — Eu poderia começar a citar sua lista de defeitos aqui, agora. Só terminaríamos no fim dos tempos!

— Não mie, Taiga. Sou apenas sincero quando afirmo que sou foda nas coisas. — Disse de forma convicta, sorrindo de canto enquanto olhava de esguelha para Kagami. — E além do mais, é você que quer me superar em tudo... Sou seu ídolo, não sou?

— O quê? — Foi a vez de Kagami rir alto, olhando incrédulo para o outro. Ele era prepotente demais!

— Ah, pode admitir Taiga! Você deve me idolatrar secretamente. — Ele ampliou o sorriso, girando e equilibrando a bola na ponta do dedo indicador. — Não vou ficar bravo se você falar, e nem vou achar estranho... Prometo! Vai em frente!

— Pff... Vai se foder Daiki! — Kagami respondeu de forma cômica e irritada ao mesmo tempo, cutucando a bola com força para que ela caísse. — Você é só um metido!

— Um dia você vai admitir isso para si mesmo! — Aomine afirmou de forma confiante, quicando a bola que rolou de seu dedo. Mudou de assunto: — Mas e você, o que gosta de fazer além do basquete?

— Surfar... — O ruivo deu de ombros tentando pensar em mais alguma coisa, parando de andar quando chegaram na escadaria de seu prédio. — Hm, eu moro aqui.

— Teu cu que você surfa! — O moreno exclamou e o encarou incrédulo, subindo alguns degraus da escada e sentando-se ali mesmo. O ruivo estranhou a atitude inesperada, mas o acompanhou e sentou-se ao lado dele. Se ele queria conversar mais, então iriam conversar mais...

— Morei por anos em Los Angeles, então surfo desde pequeno. — Kagami respondeu todo orgulhoso. Era sua vez de ser um pouco convencido.

— Isso é uma coisa legal, sempre quis aprender. — Aomine respondeu com a voz arrastada de sempre, olhando para a rua pouco movimentada em sua frente. — Morar lá deve ser bom, não é? Basquete direto da fonte, praia...

— Ah, sim! — Kagami confirmou, lembrando-se dos últimos anos em Los Angeles... E involuntariamente de seu irmão. Seu sorriso se desfez aos poucos com aquilo.

Himuro Tatsuya estava voltando em sua mente com frequência demais para seu gosto. Não é como se ainda sentisse algo por ele, mas tudo poderia ter sido tão diferente se Tatsuya não tivesse ficado estranho, exagerado e frio do nada... Será que estariam juntos até hoje?

— Tá viajando aí, Taiga? — Aomine perguntou, empurrando-o com força para que escorregasse em alguns degraus na escada.

— Ai, seu filho da puta! — O ruivo reclamou em voz alta, sentindo uma incômoda dor no traseiro quando voltava emburrado ao degrau certo. — Você é um babaca!

O moreno ria de forma debochada, e Kagami fez-se de durão para não rir também. O sorriso de Aomine era extremamente raro, mas quando aparecia era bem legal... Até levou seus pensamentos embora, o que era bom.

Assim que sentou-se novamente, Kagami deu um tapa na orelha do moreno, pois ele estava confiado demais com a situação. Não eram realmente amigos para ele fazer aquelas brincadeiras... Só estavam tendo um diálogo amigável pela primeira vez na vida.

— Te fiz uma pergunta, seu mala! — Ele disse com a voz arrastada e divertida, devolvendo o tapa no braço de Kagami.

— Não ouvi... Foi mal! — O ruivo falou, roubando a bola da mão dele. Começou a girá-la em seu próprio colo, apenas para poder sentir a textura do couro em seus dedos.

— Você é um idiota. — Ele soltou uma última risada nasal, cruzando os braços para apoiar os cotovelos nos joelhos. — Perguntei se a gente vai jogar amanhã.

— Claro que vai! — Kagami respondeu prontamente, sentindo a habitual coceira na mão. Era sempre assim quando se tratava de basquete, amava o esporte com todas as forças. — Vou passar por você amanhã.

— Só que não! — Aomine completou a frase, sorrindo de canto com aquele jeito característico e arrogante. — Você ainda é monte demais para conseguir isso.

— Vou te fazer engolir essas palavras, Daiki! — Kagami assegurou confiante, arremessando a bola para cima repetidas vezes.

— Pff, claro que vai! — Ele debochou, roubando a bola no ar com apenas uma mão. — Viu só, você é monte!

— Só que não! — Kagami riu irônico, recuperando a bola antes que Aomine percebesse. — Estamos em pé de igualdade.

— Você acha que estamos! — Aomine riu de forma prepotente, desistindo de roubar a bola com uma expressão preguiçosa. Voltou a apoiar os braços nos joelhos em meio a um bocejo. — Vou precisar chutar sua bunda quantas vezes ainda para provar?

— Humpf, cala a boca seu bosta! — Kagami resmungou, sentando-se melhor nos degraus gelados enquanto girava distraidamente a bola entre os dedos. — Não se ache muito!

Antes que percebesse, Aomine se moveu rápido e roubou o objeto de suas mãos mais uma vez. O ruivo ferveu de raiva por dentro, mas teve que sorrir ao ouvir aquela risada estranha soando novamente ao seu lado. Que droga de Aomine Daiki era aquele que sabia dar risada? Só via ele com cara de cu!

— Você é bobinho demais Taiga. — Ele debochou, girando a bola em cima de seu indicador. — Mas pode deixar, amanhã vou te ensinar a jogar basquete de verdade.

— Você não vai conseguir jogar basquete cheirando o chão, Daiki! — Kagami riu de canto, apoiando os braços nas coxas, apenas observando-o manusear a bola.

— E nem você! — Ele disse, olhando-o de canto. — Desse jeito vou precisar pegar o meu Air Jordan de volta.

— O tênis é meu agora! — O ruivo disse de forma determinada, olhando para o calçado. — Vou te vencer e provar que mereço.

— É, claro que vai... — Aomine lançou um meio sorriso irônico, devolvendo a bola para Kagami.

O ruivo começou a pensar que estava sendo realmente conveniente jogar essas horas fora com Aomine... Não que tenha se sentido grato por ele ter ficado, mas do contrário teria subido para o oitavo andar e ficaria sozinho encarando as paredes novamente até conseguir dormir.

***

Já era quase meia noite quando o ruivo finalmente se deu conta do horário e despediu-se de Aomine. Estava com muito sono e no dia seguinte não acordaria tão facilmente, no entanto a conversa se tornara tão interessante e fácil que Kagami nem viu a hora passar.

Nem para o frio estava ligando enquanto discutiam sobre basquete, NBA, Lakers, música, modelos peitudas, filmes e matérias chatas na escola... Mas agora estava quase congelando e seus pés nunca esquentariam na cama. Detalhes...

Na opinião de Taiga, Aomine seria para sempre um cara idiota, prepotente e arrogante, porém mostrou-se ser legal e engraçado em vários momentos... Isso sem falar que ele tinha praticamente os mesmos gostos que o ruivo, principalmente se tratando de músicas e filmes. Eram bem parecidos, não importa de que ângulo olhasse! Não se arrependeu de ficar horas conversando com Daiki. Foi fácil.

Cantarolando Radioactive, o ruivo deixou a chave da casa no aparador ao lado da porta e jogou a bolsa no sofá sem cerimônia alguma. Como de costume, acendeu todas as luzes do apartamento e dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho quente... Por baixo do moletom provavelmente estava fedendo a suor, mesmo tendo se entupido de desodorante após o jogo.

Enquanto cruzava o corredor, apalpou o bolso e pegou o celular, como de costume, para ver o horário. Para sua surpresa havia duas mensagem de algumas horas atrás. Não tinha olhado para o aparelho desde as 17h? Onde estava com a cabeça?

A primeira era de Kuroko:

"Boa noite Kagami-kun. Não esqueça de trazer meu caderno de matemática amanhã, por favor!"

O ruivo nem lembrava que pegara algum caderno emprestado, mas guardou aquilo em mente para procurar depois do banho. Quando foi ler a segunda mensagem parou no caminho, um pouco surpreso com o remetente.

"Taiga, vai fazer alguma coisa hoje a noite?"

— O que você está querendo, Tatsuya? — Perguntou ao aparelho em sua mão, levando inconscientemente os dedos até o anel que mantinha pendurado na corrente em seu pescoço. Releu a mensagem duas vezes, mas decidiu não responder. Já era tarde para isso e não queria estragar o dia que se tornou tão agradável de repente.

No fundo, Kagami tinha medo de voltar a interagir com Tatsuya, mesmo depois de já terem feito as pazes... Se conhecia o suficiente para saber que era bem capaz de confundir tudo novamente. Era muito monte nesses aspectos afetivos.

Há dois anos o ruivo decidiu que não queria mais envolver-se daquela forma peculiar com Himuro, mas a chance de isso acontecer naturalmente era bem grande, já que ainda sentia uma pontada de sentimento pelo irmão. Não queria mais saber daquilo! A única coisa que almejava agora era seguir em frente com sua vida, mas estava um pouco complicado. Vinha tentando faz tempo...

***

~Himuro Tatsuya~

— Taiga... — O rapaz suspirou no escuro, deitado em sua própria cama. Olhava pela milésima vez a tela clara do celular em suas mãos, esperando a mensagem que não veio. — Você vai me ignorar mesmo?

Tatsuya sabia que havia magoado Kagami há dois anos, quando tiveram a maldita briga que misturava basquete, irmandade e sentimentos. Se ao menos tivesse separado as coisas... Se arrependia tanto de ter agido como um estúpido!

Himuro não precisou pensar tanto para saber que estava errado na época, no entanto engoliu o orgulho tarde demais. Taiga já havia se mudado para o Japão quando foi procurá-lo... O rapaz guardou o arrependimento dentro de si por um bom tempo, até finalmente ter a oportunidade de voltar ao Japão também. Se tivesse sorte o reencontraria.

E foi o que aconteceu.

Himuro sentiu o coração bater muito forte no exato instante que viu Kagami, no pequeno campeonato de basquete de rua, pouco antes da Winter Cup. Até sabia que iria encontrá-lo em algum momento, mas não ali, tão de repente, no susto. Soube disfarçar majestosamente sua euforia — virara especialista em esconder os sentimentos com o passar do tempo!

Depois de disputarem o jogo na Winter Cup, voltaram a se encontrar e então tentaram acertar as diferenças do passado. Como resultado, decidiram estabelecer um laço amigável na intenção de seguir com a cabeça erguida, como irmãos... Entretanto não foi bem assim para Himuro. Até concordou, mas não queria apenas um laço amigável com Taiga. Sempre gostou dele.

— Eu errei feio com você, não? — Sorriu pesaroso para o ar, tocando o anel preso na corrente de seu pescoço. — A gente poderia estar juntos agora...

Naquele momento a única coisa que almejava era ter Kagami Taiga ao seu lado novamente. E teria! Céus, como queria abraçá-lo, beijá-lo, fazer tudo o que deixaram de fazer nesses anos. Ele crescera tanto, amadurecera, estava tão bonito e seu basquete se tornara surpreendente... Sem falar em sua forte personalidade. Nem parecia o garoto assustado e inexperiente que babava sorvete de flocos. Himuro riu com a lembrança.

Dessa vez abriria o jogo de verdade antes de confundi-lo novamente! Ambos eram jovens demais para entender as coisas na época, principalmente Taiga... Himuro fora tão imaturo ao não perceber aquilo à tempo! Fez merda, muita merda! Mas agora ganharia novamente o coração de Kagami e juntos superariam o passado conturbado e confuso que tiveram... Era o que esperava! Faria qualquer coisa para isso acontecer.

— Boa noite, Taiga! — Murmurou, acariciando o anel em seu pescoço pela última vez, fechando os olhos logo em seguida.

...

Notas finais
Ugh, esse Himuro também sofreu, tadinho =/ Eram tão crianças na época... Tatsuya quer voltar a ter aquele relacionamento, mas Kagami está lutando para seguir em frente e superar! O que será disso tudo? Cinco letrinhas: T-R-E-T-A! Ou melhor... D-a-i-k-i! Hahahahaha! Nosso negão delícia apareceu aqui *o* Hahahahaha! Sei que foi um capítulo susse, mas mesmo assim espero que tenham gostado xD A música de hoje... Nada menos nada mais do que RADIOACTIVE - Imagine Dragons: https://www.youtube.com/watch?v=iO_WxYC34eM Um beijão meus anjos, vejo vocês no próximo capítulo o/ ;**************************************************