Linha Tênue

11 Capítulo 10: Um domingo com a família Mellark


Notas iniciais
Boa noite ... Vou dedicar esse capitulo a duas pessoas. A DM que recomendou a fic essa semana e a Jéss que muito gentilmente se ofereceu para revisar a pontuação da fic.

Se o jantar na casa dos meus pais não foi fácil, saber que no domingo iria almoçar com a família dele quase me fez ter um ataque. Afinal, diferente dos meus pais, que não tinham o menor conhecimento do que eu tinha feito anos atrás, algo me dizia que os Mellark sabiam, e isso dificultaria muito mais nossa farsa. Ainda assim, no domingo me arrumei para ir ao encontro da família do meu “noivo”. Eu não tinha ideia de como me vestir, então optei por um vestido bege com alguns detalhes em renda, um pouco soltinho, e um cinto fininho na cintura, já que era um almoço.

Por pirraça, esperei até o porteiro interfonar para descer ao encontro do loiro, que novamente não desceu do carro. Entrei com calma, esperando que ele reclamasse outra vez do meu atraso, mas, embora seus dedos estivessem tamborilando impacientes no volante, ele nada disse quando deu partida pela rua, sem esperar que eu colocasse o cinto, como na sexta-feira. Optei por ignorá-lo também e me limitei a observar a estrada pela janela. Ele dirigiu por cerca de 30 minutos até um dos bairros mais caros da Capital, onde as casas eram realmente elegantes, e parou em frente a uma bela casa de dois andares, estilo colonial.

“Essa é a casa da minha irmã mais velha, Annie. Toda minha família veio para o almoço, não preciso dizer que espero seu melhor comportamento, não é?” Ele falou, virando-se para mim assim que estacionou o carro em uma das vagas em frente ao portão da garagem, onde outros dois carros do ano estavam estacionados.

“Não se preocupe, enganar sua família está no contrato.” Alfinetei e vi uma expressão diferente no rosto dele.

“Sim, está, e espero que você seja uma melhor atriz do que na sexta-feira com sua família.” Sem mais nenhuma palavra, ele desceu do carro e, para minha surpresa, deu a volta, abrindo a porta do passageiro para mim e estendendo a mão de forma muito educada. Aceitei sem entender no primeiro momento até que vi alguém parado na porta, nos esperando. “Não esqueça de sorrir.” Respirei fundo e coloquei meu melhor sorriso no rosto enquanto caminhava de mãos dadas com ele. Aparentemente, minha escolha de roupa foi certa, já que ele estava usando uma roupa mais casual, uma calça de sarja clara e uma dessas polos de malha moderna. “Delly.” Ele soltou a minha mão assim que nos aproximamos mais e foi abraçar a loira que estava na porta, e a mesma o abraçou com carinho.

“Você está atrasado.” O tom na voz dela era de brincadeira.

“Não vim sozinho, e você mais do que ninguém sabe como é. Vocês mulheres nunca ficam prontas na hora.” Ele estendeu a mão, e eu a peguei, tentando parecer um gesto natural. “Se lembra da Katniss, não é?”

“Claro que sim. Como eu poderia esquecer?” O olhar dela sobre mim não era nem um pouco amigável, mas tentei fingir não notar. “A rainha do Colégio Einstein.” Ela usou a mesma frase de anos atrás, mas com um tom totalmente diferente dessa vez.

“Querida, você se lembra da minha irmã Delly, não é?”

“Claro, é um prazer revê-la, Delly.” Ela sorriu ligeiramente, mas nada disse, apenas se virou para o irmão.

“Quase todos já chegaram, melhor entrarmos.” Enquanto entrávamos, soube que seria ainda mais difícil do que pensei. Por dentro, a casa era ainda mais bonita do que por fora; a decoração era realmente incrível, tudo muito sofisticado, embora nada extravagante. “Peeta e a noiva dele chegaram.” Se eu tinha qualquer dúvida sobre o noivado ser segredo, ela havia sido desfeita naquele momento, quando ninguém na sala pareceu surpreso com as palavras da loira. Peeta me conduziu primeiro aos pais dele, que se levantaram para nos cumprimentar.

“Minha mãe você se lembra, e esse é meu pai, Haymitch.”

“É um prazer conhecê-lo, Sr. Mellark, e um prazer revê-la, Sra. Mellark.” Ambos sorriram de forma educada, mas não houve o pedido para serem chamados pelo primeiro nome, como Effie tinha feito anos atrás. Na verdade, a matriarca dos Mellark, embora tenha disfarçado bem melhor que a filha, não parecia nada feliz com a minha presença ali. Haymitch, por sua vez, parecia nos observar com atenção, como se quisesse entender como havíamos chegado ali. A próxima que se aproximou foi a dona da casa; Annie era muito bonita e, embora não nos conhecêssemos ainda, obviamente ela sabia muito sobre mim. Já que, embora tenha sorrido amplamente para o irmão quando ele se aproximou, se limitou a um sorriso educado em minha direção enquanto éramos apresentadas.

“E esse é o marido da Annie, Finnick Odair. Ele que está cuidando de toda a papelada do nosso casamento.” Fiquei sem reação ao ver o advogado que tinha sido testemunha do contrato se aproximar e nos cumprimentar.

“É um prazer conhecê-la, sinta-se à vontade.” Ele disse, passando o braço ao redor da cintura da esposa.

“Ele é seu cunhado?” Disse baixinho enquanto íamos nos sentar junto com os demais.

“Acredito que sim, já que acabei de apresentá-lo a você.”

“Ele sabe, ele...”

“Ele é muito profissional e confio nele, então limite-se a interagir com as pessoas.”

Durante os próximos minutos, mantivemos conversas variadas. Estava claro que ao redor da família Peeta era outra pessoa: sorriso fácil e íntimo de todos. Eu, por outro lado, estava completamente perdida em meio a todos eles; era uma estranha e nitidamente não era bem-vinda.

“Padrinho.” Um garoto loiro entrou em disparada pela sala em direção ao loiro, que se levantou e o pegou facilmente.

“Ei, garoto, quanto tempo.”

“Duas semanas e meia. Você não vai acreditar, eu consegui a minha faixa amarela...”

“Alexandre.” Vi o garoto fazer uma cara de culpado e me virei para ver a dona da voz; então, Lavinia Chaney entrou pela porta como se já fosse de casa. “É essa a educação que eu te ensinei?” Repreendeu, e ele meneou a cabeça, ainda no colo do loiro. “Então, por favor, seja educado.” Ele concordou com a cabeça e, de maneira educada, foi até Effie e Haymitch, primeiro cumprimentando-os com um abraço, antes de fazer o mesmo com os demais, enquanto a ruiva fazia o mesmo, deixando-nos por último.

“Precisava dessa bronca?” Peeta perguntou quando ela o cumprimentou com um beijo no rosto.

“Por você, ele não teria nenhum modo, não é?” Ele riu.

“Sou um padrinho legal.”

“Eu sei que é.” Ela se virou para mim. “Katniss, que bom vê-la aqui.” Sabia que ela estava fingindo para os demais e entrei no joguinho.

“É bom vê-la também, Lavinia.” Nesse momento, o garoto se aproximou de nós.

“Alex, essa é a minha noiva, Katniss.” Peeta nos apresentou, e ele, de forma educada, estendeu a mão sorrindo, um sorriso ligeiramente conhecido que vi várias vezes ao longo dos anos que estudei com Marvel.

“Prazer, Alexandre Victor Chaney, mas pode me chamar de Alex.”

“É um prazer, Alex.” Sorri e notei que ele não falou o sobrenome do pai.

“Agora eu posso contar para o padrinho sobre a minha faixa nova, mãe?”

“Pode.” Vi ela sorrir para o filho, e ele logo começou a contar sobre como havia mudado de faixa no karatê.

Na meia hora seguinte, observei como Chaney parecia interagir bem com todos os presentes. Effie, particularmente, parecia ter um carinho especial pela ruiva e pelo filho da mesma.

“Então aquele é o filho do Marvel.” Comentei baixinho, me aproximando da ruiva, que estava se servindo de alguma bebida no bar, um pouco mais afastada dos demais. “Devo dizer que ele até que se parece com o pai, sabia?” Vi quando ela revirou os olhos e continuou o que estava fazendo, me ignorando. “Mas é claro que você sabe disso, não é mesmo? Olhar para ele e ver tanto do Marvel não deve ser nada fácil. Confesso que eu não gostaria de estar no seu lugar. Aliás, ele conhece o pai?” Ela me olhou nos olhos pela primeira vez desde que me aproximei, e pude ver um olhar raivoso por trás do sorriso forçado.

“Não ouse citar esse nome perto do meu filho, entendeu?”

“Ou vai fazer o quê? Não me diga que o garoto não conhece o próprio pai?”

“Escute bem, Everdeen, eu não sou mais aquela garota que você espalhou boatos falsos pelo colégio.” Então ela realmente sabia que tinha sido eu. “Eu sei que você é do tipo covarde, mas não tente mexer com meu filho.” Ela saiu em direção ao garoto, sem nem olhar para trás. Sorri; seria, no mínimo, divertido mexer naquela história antiga. Talvez Marvel pudesse vir me fazer uma visita em breve

Notei quando Peeta se aproximou, pegando uma taça e preparando rapidamente um Martini, estendendo-o para mim.

“Se eu fosse você, tirava esse sorrisinho do rosto.” Ele estendeu o braço e, assim que aceitei, começou a caminhar em direção a uma porta de vidro fechada que levava para o jardim.

“Não posso mais sorrir?”

“Claro que pode, querida.” A ironia dele estava visível novamente. “Mas ouse chegar perto do meu afilhado para fazer qualquer coisa que o magoe, e eu juro que você vai desejar ter me deixado denunciar seu pai.”

“Isso é uma ameaça?” Perguntei no mesmo tom baixo que ele estava usando.

“Um aviso. E só para constar, tente trazer aquele imbecil para a vida dele e assista de camarote seu amigo se dar muito mal.”

“É o pai dele, não é? O garoto tem o direito de conhecê-lo.” Pelo olhar dele, tive certeza de que estava brincando com fogo.

“Não, ele não é o pai dele. Quaid não foi homem suficiente para assumir as responsabilidades naquela época, então ele é apenas um idiota que ‘doou’ esperma. Alex não precisou dele até agora e nem vai precisar, entendeu?”

Não tive tempo para responder, já que vieram anunciar que o almoço seria servido. Nos reunimos na mesa de jantar para um almoço muito bem preparado, com uma variedade considerável de opções, e, após a sobremesa, nos reunimos na sala novamente. Diferente da minha família, que provavelmente teria se separado após a refeição e cada um ido fazer alguma coisa, os Mellark se mantiveram no mesmo cômodo em um clima familiar, e me limitei a observar as conversas.

“Então, para quando estão pensando em marcar o casamento?” A mãe dele perguntou de repente.

“Estávamos pensando em casar antes do verão, mãe.”

“Bom, vai ficar um pouco em cima do casamento da Delly, mas acho que podemos ajeitar tudo.”

“Na verdade, estávamos pensando mais nesse verão.” Eu quase engasguei com o suco que estava tomando, mas tentei disfarçar; por sorte, todas as atenções estavam voltadas para mãe e filho.

“Como assim, nesse verão? Filho, estamos no fim de março!”

“Dois meses é bastante tempo, mãe.” Ele parecia tranquilo. “Vai ser coisa simples, não é, querida?” Confirmei com a cabeça, tentando parecer que aquela informação não era nova pra mim. “Além do mais, faço questão de me casar antes da Delly; não é certo deixar minha irmã mais nova se casar antes de mim.”

“Você não parecia preocupado com isso há alguns meses, quando Thresh me pediu em casamento.”

“Eu não tinha reencontrado a Katniss.” Ele sorriu para mim, e se eu não soubesse que era tudo fingimento, teria acreditado naquele sorriso.

“Peeta, nunca vamos conseguir marcar seu casamento assim tão rápido. Quando fomos marcar a data do casamento da sua irmã, o dia mais próximo na igreja daqui era para o início do ano que vem, e isso faz dois meses, querido. Organizar toda a papelada leva tempo e tem o curso de noivos. É impossível vocês se casarem em dois meses.”

“Não vamos nos casar no religioso, mãe.” Ele disse com calma, e vi quando ela lentamente olhou em nossa direção; todos na sala fizeram silêncio.

“Como não? Não me diga que pretende ir durante a semana no cartório e pronto.”

“Estávamos pensando em uma cerimônia civil apenas. Claro que vamos dar uma festa para familiares e amigos, e podemos fazer a cerimônia civil para todos os convidados. Mãe, não vai ser uma ida ao cartório; eu já até pedi para o Finn verificar a documentação necessária para mim.” Vi que Finnick desviou o olhar quando a sogra olhou em sua direção.

“Por que tanta pressa, filho? Por um acaso ela pretende fugir? Ela está grávida?” Acabei realmente engasgando com o suco naquele momento.

“Não, mãe, ela não está grávida.”

“Annie se casou na igreja, Delly vai se casar na igreja também, então por que você vai fazer diferente?”

“Mãe, você sabe que ando sempre ocupado, e ano que vem vai ser o ano da Delly. Não é justo roubar esse momento dela, que, aliás, vai precisar se afastar um pouco da empresa para cuidar do casamento.” Era como se ele tivesse pensado em tudo. “Eu seria um péssimo irmão mais velho se tirasse isso dela, então, eu me casando agora, a senhora vai ter quase um ano para pensar só no casamento da sua caçula, como estava planejado antes.”

“Os três têm o mesmo direito, Peeta, sabe disso. Gosto que os três tenham tudo que merecem igualmente. Eu posso ajudar com os dois casamentos e fazer com que ambos sejam perfeitos, e seu pai pode ajudar você na empresa, sem contar que Annie e Lavinia também estão lá.”

“Eu sei, mãe, e amo você por isso, mas não precisa se preocupar com um grande casamento para mim. Eu realmente não me importo, e Katniss também não.” Ela não parecia convencida, mas acabou aceitando após um pouco mais de diálogo.

Era como se ele estivesse pronto para qualquer argumento que ela pudesse usar, como se tivesse se preparado para aquele momento. Estava cada vez mais claro que Peeta estava jogando, e eu precisava urgentemente saber que jogo era esse ou acabaria tendo problemas.

Notas finais
É isso, o loiro não quer perder tempo e vai casar em um período bem curto . Sou só eu que acho que o Finn esta em uma situação no minimo delicada? Eu não queria estar na pele dele kkk Espero que vocês tenham gostado . Beijos.