Linha Tênue

9 Capítulo 08: Um “namoro” em seis semanas


Notas iniciais
Boa Tarde... Vamos assinar o contrato?

A secretária dele realmente me ligou naquela mesma tarde, informando um horário no fim da tarde seguinte. Confesso que não estava nem um pouco animada em voltar à M.Company, mas sabia que não tinha escolha. Então, no horário combinado, entrei no prédio. Estava esperando para falar com uma das recepcionistas quando vi uma ruiva entrando, usando um terno feminino e saia com muita elegância. Ela me pareceu familiar, embora não soubesse de onde a conhecia. Observei-a passar pela catraca apenas com um toque no leitor digital e vi o segurança mais próximo cumprimentá-la com um aceno de cabeça enquanto ela se dirigia ao elevador central. Eu sempre tinha sido boa em reconhecer pessoas, mas, por mais que tentasse, não conseguia me lembrar de onde conhecia aquela mulher.

Fui tirada dos meus pensamentos quando uma das recepcionistas me chamou e, alguns minutos depois, segui em direção ao elevador central em direção à sala do presidente. Assim que as portas do elevador se abriram, vi uma jovem esperando com um sorriso largo. A secretária dele me recebeu com toda a formalidade usada nas outras vezes e me pediu para que esperasse. Dessa vez, fiquei esperando por mais dez minutos antes que ela me acompanhasse até outra das portas duplas. E, diferente das outras vezes, ela não entrou comigo, fechando a porta atrás de mim.

Assim que entrei, observei a sala vazia. Era nitidamente uma sala de reuniões, já que, bem no centro, tinha uma mesa de mogno consideravelmente grande para cerca de quinze pessoas. Em uma das paredes, havia uma TV da marca da empresa de no mínimo 75 polegadas e, assim como na sala dele, uma das paredes era de vidro, mas esta estava com a persiana parcialmente fechada. Me aproximei um pouco mais para ver a vista, quando a porta se abriu e ele entrou acompanhado da ruiva que tinha visto minutos antes. E, como se não estivesse na sala, ele caminhou em passos firmes até uma das cadeiras, puxando-a para a ruiva, que se sentou, e em seguida ele sentou na ponta da mesa.

"Katniss Everdeen, quanto tempo", a ruiva disse, me olhando atentamente, e continuei pensando em quem era ela.

"Acho que você não está reconhecendo uma das nossas testemunhas", Peeta falou sério, se recostando na cadeira. "Lavinia Chaney, ex-aluna do Colégio Einstein. Ela estudava uma série abaixo da nossa." Estava nítido que ele viu o reconhecimento em meu rosto com o nome, mas ele fez que não. Aquilo só podia ser uma piada; a nerd grávida estava ali com um sorriso cínico. "Lavinia é uma das minhas sócias e vai fazer a gentileza de ser uma das testemunhas do nosso contrato." Fiquei sem fala por um momento com a informação, mas tentei sorrir em seguida.

"É um prazer revê-la, Chaney."

"Uma pena não poder dizer o mesmo, Everdeen, mas acredito que será no mínimo divertido." Não tive tempo de perguntar o que ela queria dizer, já que, naquele momento, a porta se abriu e o mesmo advogado do dia anterior entrou acompanhado de um senhor que foi apresentado como juiz. Os dois levantaram para cumprimentá-los; Odair me cumprimentou formalmente e Peeta disse que ele seria a segunda testemunha. Sentamos à mesa e, após trocarmos algumas palavras rápidas, nos preparamos para assinar o contrato. Aparentemente, o juiz era conhecido e, por isso, estava ali.

"Aqui estão as duas cópias do contrato", o advogado colocou as duas na minha frente. "Ambas devem ser assinadas e cada um dos interessados vai ficar com uma cópia. Chaney e eu estamos aqui como testemunhas de que ambos concordam com o conteúdo estabelecido nas cláusulas do contrato e que, a partir de agora, por tempo indeterminado, será considerado válido e deve ser respeitado."

O advogado me estendeu uma caneta e acabei fitando os papéis por um momento. Eu sabia que assinar aquilo mudaria minha vida; eu estava assinando algo que me prenderia a um homem que não tinha nenhum motivo para me querer bem, um homem que eu havia feito de bobo anos atrás e, acima de tudo, que poderia destruir minha família com um estalar de dedos. E, embora eu tivesse pensado muito nos últimos dias, eu não tinha certeza se era mesmo a atitude certa a tomar. Olhei para o homem na ponta da mesa e não vi nada em sua expressão. Peguei a caneta e assinei de forma legível as duas cópias, tentando mostrar indiferença, mesmo sabendo que ele havia notado minha insegurança. Assim que o advogado passou os documentos para o loiro, ele pegou uma caneta no paletó e assinou rapidamente, sem hesitar, mal olhando para os papéis. Chaney assinou em seguida com calma, como se estivesse gostando daquele momento. Odair, assim como o Mellark, foi rápido, e o juiz, por sua vez, não demorou em formalizar os papéis. Após alguns minutos, Peeta estava se despedindo formalmente do mesmo, que saiu acompanhado pelo advogado.

"Vejo você mais tarde", a ruiva se despediu dele com um beijo no rosto. "Até outra hora, Everdeen." Ela saiu da sala sem nem ao menos esperar por uma resposta.

"E agora?" Perguntei, tentando mostrar indiferença.

"Agora que tudo está formalizado, esperamos um tempo antes de nos casar."

"E a empresa do meu pai?"

"Eu vou assinar os papéis de compra das ações do Heavensbee na hora certa, não se preocupe. Você pode aproveitar esses dias para começar a me introduzir à sua família."

"Introduzir você?”

"Se você prefere anunciar o casamento de uma vez, não é problema meu, contanto que eles não desconfiem de nada e acreditem que você está se casando por me amar."

"Isso é ridículo."

"Está no contrato. Ninguém que não estava nessa sala há alguns minutos pode saber, então apenas esteja preparada para anunciar nosso casamento em alguns dias." Ele se levantou. "Eu entro em contato com você." Indicou a porta e me levantei, pegando minha pasta com o contrato assinado, e saí sem olhar na direção dele novamente. Se havia algo que os últimos dias tinham feito, era me fazer sentir raiva só de olhar para o loiro.

Nos dias seguintes à assinatura do contrato, não tive nenhuma notícia do Mellark e confesso que estranhei. Ainda assim, comentei com meus pais que estava saindo com alguém e deixei subentendido que era algo sério, mas, como era de se esperar, nenhum deles quis saber mais sobre meu suposto namorado. Minha mãe achou que era apenas mais um cara com quem eu estava saindo e meu pai estava preocupado com a situação da empresa ou, pelo menos, era o que eu queria pensar que fosse, embora ele nunca tenha se importado muito com quem eu saísse ou não. Prim foi a única que perguntou, então acabei inventando uma história para ela de que havia reencontrado um colega do colégio e que estávamos saindo. Ironicamente, ela se lembrou dele e ficou feliz por eu estar saindo com alguém, já que, desde o fim do meu noivado com Gale, não falei sobre nenhum outro homem para qualquer um deles.

Seis semanas depois, eu estava começando a ficar inquieta por não saber como andavam as coisas em relação à empresa. Segundo meu pai, Heavensbee ainda não tinha vendido sua parte, mas estava determinado a vender, mesmo com todos os protestos do meu pai. Aparentemente, a "amizade" de anos não estava influenciando em nada naquele momento. E eu estava começando a achar que o Mellark estava fazendo algum tipo de joguinho psicológico comigo, me deixando no escuro. Ele não me ligou ou mandou qualquer recado e eu não quis parecer desesperada; afinal, dois podiam jogar aquele jogo.

"Entrega para a Srta. Everdeen." Fui pega de surpresa quando um entregador bateu na porta do meu escritório com um arranjo de rosas vermelhas, nada simples, com cerca de trinta rosas em um vaso de vidro decorado. Eu nunca tinha recebido qualquer entrega no escritório e isso, sem sombra de dúvida, chamou a atenção de todos.

"Obrigada." Agradeci, recebendo o arranjo e o colocando em cima da minha mesa. Peguei o cartão e, para minha surpresa, no mesmo havia apenas um número de telefone celular. Não foi preciso pensar muito para imaginar de quem era o número, então me limitei a ligar para o mesmo com um sorriso. Admito que o arranjo era lindo e delicado e não lembrava em nada o que ele havia levado à minha casa anos atrás, quando supostamente foi me buscar para a festa. Não consegui conter o sorriso; afinal, como eu imaginei, não era um negócio apenas, ele ainda sentia algo por mim e obviamente, queria me conquistar. Em meio a joguinhos psicológicos e contratos, eu ainda tinha o coração dele e isso, sem sombra de dúvida, era uma vantagem.

"Mellark." A voz dele estava séria ao atender, um tom totalmente profissional.

"Recebi as rosas, embora não entenda o que significa isso, já que você disse que era apenas um negócio." Tentei não demonstrar qualquer sinal de sarcasmo na voz, mas falhei nitidamente. Aquelas rosas eram uma pequena vitória em semanas no escuro.

"E é." Ele fez uma pausa antes de continuar. "Nesse exato momento, todos no seu escritório estão imaginando quem mandou as flores. Eles provavelmente estão pensando que não é nenhum casinho, já que a entrega foi no seu local de trabalho. Então logo todos vão estar comentando sobre seu suposto namorado."

"Então você mandou um arranjo de rosas para o meu local de trabalho apenas para que começassem a especular quem estou namorando?" Aquilo só podia ser uma piada.

"Exatamente. Por que, Everdeen, você pensou que estava interessado em algo além do que propus a você?"

"Não." Neguei rapidamente. "Apenas achei estranho a entrega depois dessas semanas em silêncio absoluto."

"Sou um homem realmente ocupado, não costumo perder tempo com coisas desnecessárias."

"Mas teve tempo hoje para me mandar rosas vermelhas."

"Rosas vermelhas, interessante. Achei que Lavinia fosse mais criativa na escolha, mas não vou reclamar; o clichê sempre funciona."

"Lavinia? Então não foi você?"

"Tenho coisas mais importantes para fazer, Everdeen. De qualquer forma, temos que dar seguimento ao nosso acordo. Marque um jantar com a sua família na próxima sexta-feira para anunciarmos nosso noivado."

"Sexta-feira? E como assim anunciar o noivado?"

"Estamos namorando há seis semanas. Acho que é o suficiente para seguirmos adiante."

"Nem ao menos nos vimos durante esses dias, Mellark.”

"As pessoas não sabem disso, e como disse, é um negócio. Não vou sair por aí com você em encontros desnecessários. Sexta-feira, Everdeen." Sem mais nenhuma palavra, ele desligou o telefone, me deixando totalmente perdida em relação a tudo aquilo.

Olhei as rosas na minha frente por um tempo, sem saber ao certo se ele estava ou não dizendo a verdade. Não tinha ideia de onde estava me metendo ou o que ele queria; era mais fácil pensar que era apenas uma obsessão do passado, pensar que ele me queria ao lado dele por ainda me amar e não saber como me conquistar, não depois do que fiz. Talvez ele estivesse apenas se fazendo de indiferente.

"Vejo que o amor está no ar." Flavius comentou, entrando na minha sala sem bater.

"Está sim." Sorri, tentando parecer sincera. Flavius era o tipo de pessoa que espalha notícia mais rápido do que fogo em pólvora e não me surpreendi com a presença dele ali.

"Posso saber quem mandou? Não me diga que é aquele seu ex-noivo. Como é mesmo o nome dele?"

"Não é ele, Gale e eu acabamos. Você sabe disso."

"Poderia ser uma recaída. Vocês sempre foram complicados."

"Não, ele é passado agora."

"Então quem é o cara novo?" Ele sentou na cadeira em frente à minha mesa, animado. "Onde se conheceram, já saíram? Quanto tempo faz?" Mellark queria que a notícia se espalhasse; pois bem, ela iria se espalhar.

"O nome dele é Peeta. Estudamos juntos no colégio e nos reencontramos. Começamos a sair e agora estamos namorando a algumas semanas."

"Peeta, que nome diferente. Ele é bonito? Conte-me tudo. Onde ele trabalha?"

"Sim, ele é bonito." Não era uma mentira, afinal, os anos fizeram bem a ele. "Ele é presidente da M.Company. Agora você pode me deixar trabalhar?"

"O presidente da M.Company! Você está brincando?”

"Não, agora dá licença que tenho que trabalhar." Ele tentou dizer mais alguma coisa, mas eu o cortei. "Tchau, Flavius."

Observei ele sair da minha sala e tive certeza de que, em menos de meia hora, todo o escritório saberia que Peeta e eu estávamos namorando e me odiei por isso.

Notas finais
É isso, nosso loiro anda tão frio quanto um iceberg e no próximo capitulo vai encarar os sogros. O que vocês acharam do retorno da Lavinia? Espero que tenham gostado do capitulo, no próximo vamos ver como os pais da Katniss vão reagir ao saber que a filha vai se casar. Ótimo final de semana. Beijos.