Linha Tênue

8 Capítulo 07: Um contrato de casamento


Notas iniciais
Boa tarde... Bom sei que disse que não ia demorar para postar, mas houve alguns imprevistos nos últimos dias, a primeira semana foi para que eu atualiza-se outra fic que estava sem atualizar a um tempo, mas nos últimos dias tive alguns problemas pessoais e não tive tempo ou cabeça para chegar perto do pc só quinta a noite que voltei a escrever alguma coisa. Explicações dadas vamos para o capitulo.

Durante os dois dias que seguiram meu encontro com o Mellark, eu analisei cada um dos documentos que tinha em mãos e, a cada vez mais, me desesperava com o que descobria. Meu pai havia entrado em uma bola de neve que foi ficando cada vez pior, e o que tinha começado com algo pequeno se tornou um rombo na empresa que foi, de fato, responsável pela quase falência da mesma. Eu não entendia muito sobre direito empresarial e não quis procurar um advogado para mostrar os documentos, com medo de que ele fosse a público com os papéis. Então, tive que fazer muitas pesquisas, e a cada uma delas me deixava mais desesperada. Pelo que analisei, papai poderia pegar de cinco a dez anos de prisão, sem contar que perderíamos todos os bens. E, para completar, meu nome estava em alguns projetos no período em que estagiei na empresa — projetos falsos que só serviram para retirada de dinheiro da empresa. Isso me deixava em uma posição delicada, já que provavelmente estaria no meio do processo que, sem sombra de dúvida, ganharia grande repercussão, já que o nome do presidente de uma grande empresa estava envolvido.

E, por mais que odiasse admitir, Mellark estava certo. Se ele levasse isso adiante, minha vida mudaria completamente, e não só a minha, mas a da minha família também. Prim estava no último ano do colégio e isso afetaria não apenas o seu presente, mas também o seu futuro, já que não teríamos como pagar a faculdade de medicina que ela pretendia fazer. Tão pouco ela conseguiria uma bolsa com o escândalo que cairia sobre o sobrenome Everdeen, sem contar minha mãe, que iria pirar em perder tudo. Ela nunca tinha trabalhado e sempre levou uma vida de rainha.

Quando o dia da reunião chegou, ainda não sabia o que fazer. Minha vontade era de não ir e esperar o resultado, mas eu sabia que não poderia. Afinal, se ele denunciasse meu pai, seria um caos, e não estava disposta a testa-lo, não ainda. A verdade é que eu estava perdida. Então, sem muitas opções, segui para encontrá-lo na hora marcada com uma decisão tomada. Iria dar a volta por cima e achar uma brecha nessa loucura de casamento. Peeta Mellark iria se arrepender de me pedir em casamento; afinal, eu não cairia nesse papo de negócios. Eu sabia que, no fundo, ele ainda era completamente apaixonado por mim. Afinal, o que mais o faria armar tudo isso?

Entrei confiante no prédio e me dirigi à portaria, onde, após me identificar, recebi um crachá de visitante como da outra vez. Dessa vez, porém, acabei prestando uma maior atenção nos detalhes. Tudo naquele prédio era elegante; até mesmo onde parecia um ambiente simples, era possível ver a qualidade dos móveis. Assim que o elevador parou no andar da presidência, saí o mais confiante possível em direção à mesa da secretária.

“Boa tarde, tenho uma reunião com o Sr. Mellark”, informei, mantendo uma postura séria.

“Sente-se, por favor. Em breve ele irá recebê-la, Srta. Everdeen”, ela sorriu enquanto me sentei em um dos sofás de couro preto para esperar. Aparentemente, além da sala dele, havia mais duas salas no andar. Observei as pinturas em uma das paredes; eram obras de arte realmente interessantes e deixavam o ambiente com muito bom gosto. Se minha mãe estivesse ali, com certeza iria se interessar em saber mais sobre o artista, já que adorava arte. “O Sr. Mellark irá recebê-la agora”, ela me informou alguns minutos depois, se levantando e me guiando até as portas duplas da sala dele. Assim que entrei, pude avistá-lo. Dessa vez ele não estava de pé como há três dias; estava sentado na sua cadeira, tão impecável como da outra vez, lendo alguns documentos e nem ao menos olhou na minha direção quando entrei. Em uma das duas cadeiras em frente à mesa dele estava um homem loiro que não conhecia.

“Precisa de algo, senhor?”

“Não, Cecelia. Obrigado.” Ela saiu, fechando a porta em seguida. Assim que a porta fechou, ele começou a falar. “Este é um dos meus advogados, Finnick Odair.” O advogado se levantou e estendeu a mão para me cumprimentar, e acabei aceitando, um pouco surpresa. O que um advogado estava fazendo ali, afinal?

“Sente-se, Everdeen. Não vai querer tratar de negócios em pé.” Sentei relutante na cadeira ao lado do advogado.

“Por que o advogado?” Perguntei, querendo entender aonde ele queria chegar.

“Acredito que o fato de você estar aqui quer dizer que aceitou minha proposta, ou pelo menos quer fingir que ainda está pensando e veio saber mais sobre ela. Afinal, se não fosse aceitar, não viria até aqui, não é mesmo?” Ele olhou para mim pela primeira vez naquele dia.

“De certa forma, sim.” Não ia dar o braço a torcer. “Eu quero saber mais sobre a sua proposta.”

“Então é para isso que Odair está aqui. Ele será responsável por toda a papelada do nosso acordo e vai explicar tudo que você precisa saber, tirando qualquer dúvida que possa ter antes de assinar.” Ele se recostou na cadeira com naturalidade, me observando com atenção.

“Assinar? Achei que você iria esquecer o que meu pai fez e, em troca, me casaria com você. Nos casamos, você me dá os documentos originais e pronto.” Ele sorriu um sorriso cínico que odiei de imediato.

“Você realmente achou que seria assim tão simples, Katniss? Acha mesmo que cheguei até aqui com tamanha bondade e inocência?” Talvez o garoto que conheci anos atrás sim, mas estava ficando claro que aquele homem na minha frente não tinha nada daquele jovem. “Finnick, explique à Srta. Everdeen como funcionam as coisas, por favor.”

“Foi redigido um contrato com algumas cláusulas para ser assinado antes do casamento. Nesse contrato consta o que o Sr. Mellark espera da Srta.” Ele me estendeu algumas folhas. “Esse contrato vai ser assinado pelas duas partes e duas testemunhas e será reconhecido por um juiz, tornando-o válido, embora seja absolutamente sigiloso e não deva vir a público em nenhuma circunstância, como determina a cláusula 1.2 do mesmo.” Olhei um tanto perdida para o papel. “Haverá uma cópia para cada uma das partes envolvidas e sugiro que a senhorita leia atentamente cada um dos itens desse documento antes de assiná-lo.”

“Como fica a situação do meu pai?” Perguntei diretamente para o loiro que me observava, mas não foi ele que me respondeu.

“O Sr. Mellark vai manter os documentos que provam os atos do Sr. Phillip Everdeen em sigilo, não trazendo a público enquanto o contrato for respeitado. Assim, poderá fazer a denúncia contra ele caso ocorra quebra do contrato.”

“Quebra do contrato?” Olhei mais uma vez o papel, lendo por cima.

“Exato. Qualquer cláusula destinada à senhorita que seja descumprida leva à quebra imediata do contrato, dando total direito ao Sr. Mellark de apresentar os documentos à Justiça, iniciando um processo contra o Sr. Phillip Everdeen.”

“Por quanto tempo esse contrato seria válido?”

“O contrato é vigente por tempo indeterminado.”

“Você me quer presa a você por tempo indeterminado?” Olhei para ele sem acreditar.

“Presa seria uma palavra forte. Você sempre pode pedir o divórcio. Obviamente que, nesse caso, eu terei a liberdade de dar início a um processo terrível contra seu pai e você, aliás.”

“E quando isso acaba sem que você destrua publicamente a minha família?”

“Quando eu cansar de você ou achar outra pessoa, alguém que mereça ser minha esposa de verdade. Então eu mesmo peço o divórcio e você está livre para voltar para sua vida.” Comecei a ler mais atentamente os papéis.

Havia várias cláusulas no documento, começando por uma cláusula de sigilo absoluto, incluindo familiares de ambas as partes, sobre o contrato em questão, onde eu me dispunha a ser a esposa perfeita, sem escândalos na mídia, sendo esposa em tempo integral, sem traição, entre outras pequenas coisas que não dei muita importância.

“O que significa essa cláusula 9.0?” Perguntei assim que comecei a lê-la indignada.

“Significa que você abre mão de qualquer herdeiro que venha a ter durante o casamento, sendo que estará determinado no acordo pré-nupcial que irão assinar após o contrato. Esse sendo um documento legal válido que será utilizado, se preciso, em um possível divórcio.”

“Como! Você disse que isso era um negócio.” Ele não pareceu se abalar com meu tom de voz. “Não vou dormir com você, Mellark!”

“E é um negócio, Everdeen. E você não irá encontrar nada que obrigue você a dormir comigo. Mas eu não sei quanto tempo vamos ficar casados; em algum momento posso querer um filho e, se eu entrar em um processo de adoção, você, como minha mulher, estará ligada ao processo. Independente de como eu venha a ter um filho enquanto estivermos casados, não vou correr o risco de você tirá-lo de mim.”

“Isso é ridículo, essa cláusula não faz o menor sentido.”

“O seguro morreu de velho e eu gosto de cobrir todas as possibilidades.”

“Acordo pré-nupcial? Sério isso?” O advogado me entregou outros papéis.

“Você realmente achou que eu me casaria com você sem um acordo pré-nupcial?” Ele meneou a cabeça. “Você tem ideia de quanto está estipulado meu patrimônio atualmente?” Aparentemente, era muito, mas eu não tinha a menor ideia do quanto. “Imagino que não, mas acredite, não pretendo deixar nem 1% para você quando isso acabar.”

Olhei o acordo e vi que ele determinava que nossa união seria em completa separação de bens e que, em caso de divórcio, eu não obteria absolutamente nada. Assim como, em caso de óbito, eu não herdaria nada. No acordo, eu também abria mão da guarda de qualquer filho que pudéssemos ter, concedendo a guarda unilateral a ele sem contestação.

“A senhorita tem alguma dúvida?” O advogado perguntou gentilmente.

“Eu não sei, eu acho que preciso de um tempo para pensar.” Precisava de tempo. Precisava analisar bem aquele contrato. Havia cláusulas demais para se ler com atenção em tão pouco tempo, ainda mais com os dois me olhando.

“Você teve três dias para pensar, Everdeen. Como eu disse antes, meu tempo é valioso e não vou perdê-lo com a sua indecisão. Ou você está disposta a assinar ou não, simples.”

“Algumas coisas deveriam ser mudadas aqui. Tenho direito de mudar algumas cláusulas.”

“Não, não há nada a ser mudado. É o que vou oferecer. Você aceita se quiser; nada vai ser mudado nesse contrato.” Ele olhou o relógio no pulso rapidamente. “Você tem três minutos para me dar sua resposta. Tenho uma reunião importante em cinco. Se aceitar, Finnick vai providenciar para que tudo seja assinado o mais breve possível. Se não aceitar, ele já sai daqui para iniciar o processo contra seu pai.” Olhei para ele sem acreditar; eu estava completamente sem saída. O advogado, sentado ao meu lado, manteve sua atenção na janela, enquanto o loiro mantinha seu olhar sobre mim. “Seu tempo acabou. O que me diz?”

“Eu aceito.” As palavras saíram com serragem, passando pela garganta.

“Ótimo.” Ele se levantou, abotoando os botões do terno. “Finnick, providencie as cópias do contrato e marque para amanhã um horário com o juiz para formalizarmos isso.” Eles apertaram as mãos e, com um aceno de cabeça, ele nos deixou a sós. “Amanhã você vem para formalizarmos tudo. Minha secretária vai ligar informando o horário. Resolva qualquer caso que possa ter com algum namoradinho, porque a partir de amanhã você será oficialmente minha namorada.”

“Você pensou em tudo, não é?”

“Obviamente. Agora eu tenho uma reunião.” Ele apontou a porta e não tive escolha a não ser sair, desejando que tudo aquilo fosse algum tipo de brincadeira sem graça, como a que fiz anos atrás, tendo ele como protagonista.

Notas finais
É isso, acho que a Katniss não esperava que fosse algo serio com contrato e tudo. Sei que a ideia do casamento surpreendeu muita gente e que no primeiro momento não agradou muito, mas eu tenho alguns planos que acredito que deixarão a relação deles interessante. Ainda não sei quantos POV do Peeta vou fazer mais terá pelo menos mais um em algum ponto da fic. Espero que tenham gostado. Beijos.