Linha Tênue

3 Capítulo 03: Uma família diferente


Notas iniciais
Boa noite... Eu deveria estar terminando os capítulos das minhas outras fics, mas quando eu entrei e vi uma recomendação eu não consegui me conter de felicidade e acabei escrevendo esse capitulo. Brigadeiro de Nutella eu realmente não esperava uma recomendação com apenas 2 capítulos, mas isso me deixou realmente feliz, esse vai para você.

A semana passou incrivelmente rápido. Na escola, nada tinha mudado. Peeta manteve sua palavra e não veio falar comigo dentro do colégio, o que era bom; afinal, se soubessem que andava falando com ele, minha reputação iria despencar. Resolvi o probleminha com Marvel rapidamente, com a ajuda do Gale, e um dia depois de falar com ele, coloquei meu plano em ação. O plano era simples e eficaz: primeiro, espalhar a pólvora e, depois, deixar o fósforo para que a nerd decidisse acender ou não.

Alguns boatos começaram aqui, outros ali, e com a ajuda de alguns garotos do time para confirmar, a reputação de Lavinia Chaney havia mudado da água para o vinho em questão de horas. Quatro garotos afirmavam ter dormido com a nerd quietinha e os comentários sobre ela estar em festas do time eram muitos, incluindo uma festa em uma república da universidade do Distrito, onde rumores indicavam que ela estava saindo com um calouro de lá. Isso fez com que a ruiva mantivesse a gravidez em absoluto sigilo. Afinal, falar algo em meio a todo aquele alvoroço seria como assumir que os boatos eram verídicos. E mesmo que ela procurasse Marvel, ele poderia negar e exigir provas da paternidade, o que demoraria meses para ser confirmado, já que no Distrito não era feito teste de DNA na gestação, isso dava a ele a chance de já estar longe, obrigando a ruiva a entrar na justiça se quisesse que ele assumisse qualquer coisa. Todos sabiam o quanto isso iria demorar a acontecer, ainda mais com os advogados competentes que os pais do loiro podiam pagar.

Minhas aulas extras estavam indo perfeitamente bem. Peeta era um excelente professor e, embora continuasse um tanto tímido e inseguro ao meu lado, conseguia me ensinar de um modo que eu entendia muito mais do que com o professor. Ele foi à minha casa todos os dias daquela semana, sem falta, e só saía quando tinha certeza de que eu tinha entendido a matéria. Prim adorou o jeito dele, que ironicamente parecia menos tímido com minha irmãzinha. O engraçado era que ele parecia travar na frente do meu pai, mesmo meu pai mal tendo notado a presença dele em nossa casa naquela semana. Mas, considerando que meu pai às vezes mal parecia notar minha presença, isso não era grande coisa.

“Você está indo muito bem, Katniss. Vai tirar 10,0 fácil na prova.” Ele comentou, guardando os livros na mochila. “Podemos marcar amanhã mais cedo, se você quiser.” Sem dúvida Peeta estava determinado a me ajudar a tirar nota máxima. “Amanhã é sábado e tudo mais; podemos estudar mais tempo.”

“Amanhã não vai dar.” Fiz cara de decepcionada. “Tenho que me reunir com as meninas da torcida. Estamos escolhendo a nova chefe das líderes de torcida e já deixei muitas coisas para Glimmer e a Fox durante essa semana.”

“Achei que isso seria escolhido no próximo ano. Quer dizer, você se formando, as meninas que ficarem precisam fazer o teste com a diretoria, não é?” Sorri, negando com a cabeça.

“Teoricamente, sim, mas quem escolhe mesmo é a chefe anterior.” No fim, a diretoria acabava sempre aceitando a escolha da equipe, e fazer essa escolha pela equipe era a minha última função como chefe das líderes de torcida. “ Além disso, temos que ensaiar para o jogo do próximo sábado. Vai ser a final.”

“Você gosta mesmo disso.”

“Eu amo isso! Eu era líder no Hawking também, sabia?” Ele parecia surpreso, mas de fato eu havia sido líder desde a escola primária e fui a mais jovem chefe da torcida do Colégio Einstein, assumindo na metade do meu primeiro ano, quando ainda era caloura, devido a uma fratura da chefe das líderes na época. “Mas podemos combinar no domingo, o que acha?”

“Bom, domingo não vai dar para eu vir.” Ele parecia realmente sem graça. “Meu pai vai precisar sair e vai usar a caminhonete, já que nosso outro carro quebrou, e moro meio longe para vir andando.”

“Entendo.” Não tinha a menor ideia de onde ele morava, mas eu precisava estudar. “Eu poderia ir à sua casa, se não for problema.”

“Claro! Não tem problema, vai ser ótimo.” Ele parecia animado ao anotar o endereço no meu caderno, com um sorriso. “É só seguir a estrada sul e você vai ver a saída fácil antes do posto de gasolina, no quilômetro 122.”

“Estarei lá depois do almoço no domingo.”

“Vou esperar.”

Meu sábado acabou sendo completamente corrido. Treinamos boa parte da tarde e confesso que avaliar as meninas estava sendo difícil; nenhuma parecia boa o bastante para assumir meu lugar. Nenhuma tinha minha determinação ou minha postura firme, eram todas submissas e isso era inaceitável para a posição de líder da equipe. Isso acabou me tirando do sério e arruinou meu humor.

“Nenhuma serve; são todas fracas, vão acabar com a equipe.” Comentei mais tarde, com Gale, embora fosse nítido que ele não estava prestando atenção no que estava falando.

“Você vai achar alguém.” Senti os beijos do moreno descendo pelo meu pescoço, mas não conseguia parar de pensar em tudo que tinha que fazer na próxima semana. “Agora deixa essas meninas para lá e se concentra na gente.” Senti a mão dele ir em direção ao zíper da minha calça e suspirei alto.

“Gale, eu não estou no clima.” O empurrei para o lado, sem o menor cuidado.

“Você está brincando, não é?”

“Não, minha cabeça está cheia demais.” Revirei os olhos involuntariamente, Gale às vezes me tirava do sério também.

“Katniss, você sabe há quanto tempo a gente não fica junto? Você só sabe ficar com aquele nerd estudando. Eu estou a um passo de arrebentar aquele cara.”

“Você não vai tocar nele! Tenho que passar de ano, sabe disso, não é como se tivesse escolha.” Justifiquei e o vi amarrar a cara. “E não é como se você não estivesse transando por aí.”

“Sabe que com você é diferente, que elas não têm importância e que basta uma palavra sua para que eu seja só seu.”

“Eu sei.” De fato, sabia, mas eu não queria ele só para mim, na verdade, não me importava muito com isso. Em um futuro, quem sabe, mas não tinha interesse em namorar sério agora. E sabia que ele não estava pronto, as meninas estavam o tempo todo atrás dele e Gale gostava da atenção, ele gostava da conquista, engatar em um namoro só levaria a mágoa e traição. Sem contar que ele não era bom em controlar o ciúme, já era complicado amenizar os dados que desse temperamento quando não tínhamos nada sério, assumindo um relacionamento só ficaria mais difícil. Levantei, ajeitando minha roupa. “Sábado, depois do jogo, vamos dar uma festa particular para comemorar.”

“Eu vou cobrar, morena.”

“Pode cobrar com juros.” Beijei seus lábios rapidamente e saí da casa dele em seguida.

Domingo, logo após o almoço, peguei meus livros e fui até a casa do loiro, que realmente não era perto. Levava uns vinte minutos para chegar ao ponto da estrada que ele havia falado. Assim que entrei em uma estradinha de terra, não demorei a avistar uma casa simples de dois andares com uma varanda bem antiquada. Ao lado da casa havia um velho celeiro e, pela cerca, não duvidei que fosse habitado. A caixa do correio indicava que estava no lugar certo, já que podia ler perfeitamente o sobrenome Mellark pintado nela. Chegava a ser brega. Estacionei em frente à casa, meio sem saber exatamente o que fazer, e foi nesse momento que avistei Peeta saindo pela porta e vindo em minha direção, com um sorriso largo no rosto.

“Que bom que você veio.” Ele abriu a porta do carro e logo pegou minha mochila, me lembrando um pouco os calouros do time que faziam isso a mando do Gale, embora estivesse nítido que ele fazia isso por educação, não por obrigação.

“É claro que eu vim, não perderia uma aula sua por nada.” Brinquei e vi que ele corou ligeiramente.

“Vamos entrar, está um sol terrível aqui fora.” Comentou, me guiando até o interior da casa. Entramos em uma sala simples, mas organizada. Dois sofás de tecido branco e uma poltrona no mesmo tecido formavam um círculo em uma mesa de centro de madeira. Havia uma estante com uma TV e um rádio, além de alguns livros. As janelas eram grandes e pude ver alguns retratos na parede. Ia perguntar quem eram quando uma mulher loira de olhos verde-mar entrou na sala com um sorriso largo.

“Ah, Katniss, essa é a minha mãe, Effie. Mãe, essa é a Katniss Everdeen, que estuda comigo.”

“Que bom, enfim conhecê-la, Katniss.” estendi a mão, mas ela me surpreendeu vindo me abraçar e confesso que fiquei sem reação, não estava acostumada a abraços.

“É um prazer conhecê-la, Sra. Mellark.” Usei meu tom mais simpático tentando disfarçar minha falta de reação ao contato.

“Pode me chamar de Effie, sinta-se em casa, querida, é um prazer ter você aqui.” Ela se virou para o filho por um momento. “Delly já voltou?”

“Ainda não, mas ela disse que não ia longe.”

“Certo, se precisarem de qualquer coisa, estou na cozinha.” Ela sorriu e nos deixou sozinhos novamente.

“Sua mãe é muito simpática.” Comentei e vi que ele sorriu. “Ela é sim, uma das melhores pessoas que conheço.” “É você quando pequeno?” Perguntei, apontando para uma foto onde um garoto loirinho, com no máximo sete anos, estava sentado no que parecia uma casa na árvore ao lado de duas meninas. Uma devia ter uns dez anos, com os cabelos castanhos até a cintura e olhos verde-mar, a outra parecia ter a mesma idade que o garotinho, os cabelos também eram loiros, embora em um tom mais escuro, e seus olhos eram castanhos.

“Sou eu sim. Minha mãe adora fotos.” Ele apontou para outra estante na outra ponta da sala, que não tinha visto ainda, com várias fotos, e pude ver as três crianças em várias delas. Em algumas, era possível reconhecer Peeta facilmente, já que eram mais recentes. “Minhas irmãs são mais fotogênicas que eu.” Brincou, e embora a imagem do garotinho nas fotos fosse de uma criança aparentemente desajeitada, era o que muitos poderiam chamar de fofo.

“Você tem uma irmã gêmea?” Perguntei, notando que ele e a loira pareciam ter a mesma idade.

“Ele até que queria, mas não somos gêmeos.” Olhei para a dona da voz e pude reconhecer a loira ao lado dele em uma foto recente, parada na porta da sala. “Sou Delly, irmã, não gêmea do bonitinho aqui.” Ela bagunçou o cabelo do irmão. “Você deve ser a Katniss, a rainha do colégio Einstein.” Confirmei com a cabeça e sorri, eu nunca neguei meu reinado.

“Delly!” O loiro olhou para ela com certa repreensão.

“Sou, é um prazer conhecer você. Você não é do Einstein, é?” Embora não soubesse o nome de cada estudante, era ótima em reconhecer fisionomias e nunca tinha visto a loira pelos corredores do colégio.

“Não estudo no Newton.” O Colégio Newton era a instituição pública do Distrito 12 e recebia praticamente todos os alunos que não frequentavam colégios particulares, com exceção daqueles que estudavam em casa. “Não sou tão inteligente para conseguir uma bolsa no Einstein.” Ela não parecia chateada com isso.

“Mas é claro que você é inteligente.” A Sra. Mellark disse, voltando à sala. “Criei filhos brilhantes.” Comentou, sorrindo para a filha e beijando o rosto dela com carinho. “Os três são incrivelmente inteligentes. Além do mais, você só não conseguiu a bolsa por uma porcentagem mínima, mas mesmo estudando no Newton conseguiu uma bolsa para Gates, assim como o Peeta.”

“Mãe.” A loira parecia sem graça, assim como o irmão.

“Vocês conseguiram uma bolsa de estudos na Gates?!” – O Instituto de Tecnologia Gates era uma das melhores universidades de Panem, localizada no Distrito 3. Tinha um número limitado de bolsas de estudo, assim como a Panem University, na Capital. Porém, diferente das outras instituições, tinha um nível de exigência muito mais alto, aceitando apenas os melhores candidatos. Eu não havia nem tentado uma vaga, já que eles não ofereciam bolsas para atletas e líderes.

“Conseguimos, Peeta sempre me ajuda com os estudos, o que é uma sorte, ele é ótimo em várias matérias.” Vi o loiro corar levemente. “Agora acho melhor deixarmos os dois estudarem, não é, mamãe?”

“Claro, vou precisar da sua ajuda na cozinha.” As duas saíram, nos deixando novamente sozinhos.

“Desculpa, minha mãe está realmente animada com a bolsa de estudos.” Ele jogou duas almofadas no chão, indicou a mesa de centro com a mão e se sentou em seguida, por mais que nunca tivesse feito algo assim, me sentei na outra almofada.

“Não é para menos, é uma ótima universidade. Pessoas de diversas partes do mundo tentam entrar.” Ele concordou, abrindo um dos livros. “Mas se você e Delly não são gêmeos, quantos meses vocês têm de diferença?” Perguntei, mudando de assunto.

“Dois.” Olhei sem entender e ele riu. “Sou adotado.”

“Me desculpa, não sabia.”

“Sem problemas, não é nenhum segredo.” Ele realmente não parecia se importar. “E se tem algo que Effie Mellark sempre demonstrou é que meu sangue não importa, eles me acolheram, escolheram me amar, simples assim, e eu nunca senti diferença entre Delly, Annie e eu.”

“Annie é sua outra irmã?”

“É, ela tem vinte e um anos e está cursando Direito na Ocean, no Distrito 4, acho que você iria gostar de conhecê-la, todos gostam. Ela é a pessoa mais doce desse mundo, puxou minha mãe.”

Havia admiração na voz dele ao falar sobre a família e, por um momento, senti um pouco de inveja, mas logo afastei essa ideia da minha cabeça. Peeta Mellark nunca seria alguém invejável para mim; ninguém era.

Notas finais
Sei que não esta sendo fácil aguentar a Katniss e e que vocês querem mata-la, mas a primeira fase vai ser curta e já esta quase no fim. Sim já esta quase no fim porque o enredo mesmo acontece na segunda fase que alias estou muito ansiosa para começar a escrever. Então o que vocês acharam dos Mellark??? Eu os adoro e acho todos muito fofos. Espero que vocês tenham gostado. Beijos.