Notas iniciais
Lana-chan is back, bitches! Após voltar de um LONGO período de abstinência e aprendizado da vida, decidi terminar o que comecei e abraçar novamente os meus dois bakas preferidos que tanto me fizeram falta! E foda-se o resto xD Li toda essa história novamente para relembrar os fatos e situações (foi necessário) e aqui estou para postar o tão enrolado final (embaralhado e improvisado, apenas escrito para concluir mesmo). Espero que gostem do desfecho clichê, hehehe. Vejo vocês lá em baixo. Boa leitura meus anjos!

Los Angeles — Sábado — 19h35

~Kagami Taiga~

A fachada propositalmente antiga de tijolos à vista e o grande luminoso vermelho e branco com as escritas 'Jimmi's Pub' compunham um cenário bastante nostálgico para o Kagami — assim como o burburinho das pessoas que também esperavam na fila da entrada, o leve cheiro da fumaça de gelo seco que pairava no ar, a buzina dos carros e motos que lutavam por uma vaga no estacionamento limitado e, é claro, a música boa de cada dia. Hoje, coincidentemente, era Arctic Monkeys, para a alegria geral. O melhor cover da costa Oeste estava se apresentando.

Taiga costumava frequentar o Pub com certa frequência antes de se mudar definitivamente para o Japão. Todas as vezes que voltava à América, aquele era um ponto obrigatório de parada. O ruivo tinha um certo carinho pelo lugar, pois na época em que morava em Los Angeles os seguranças e garçons pensavam que já era de maior devido à sua aparência — e não apenas um pirralho que queria beber e sentir a adrenalina besta de quebrar as regras. Isso dava um certo orgulho para o ruivo até hoje, mesmo não sendo algo que realmente tenha contribuído ou acrescentado algo em sua vida.

Infelizmente a última vez que estivera no estabelecimento veio acompanhada de um fardo meio catastrófico, e por isso as lembranças não eram as melhores. Himuro estava em sua companhia na ocasião — obviamente com seu problema da bipolaridade ainda não diagnosticado — e tagarelara diversas coisas sem nexo sobre a vida amorosa e confusa de Taiga na época, isso sem falar que ambos beberam chopps além da conta e, como consequência, houve o maldito beijo roubado... Ou melhor, a verdadeira bomba que explodiu tudo o que construíra com Daiki (e até mesmo com Tatsuya) até então.

Mas enfim... Era um passado que já estava bem enterrado. Kagami não queria mais lembrar daquelas coisas ruins que tanto o machucaram, já que nenhum tipo de ressentimento ou raiva restou daquela época. Hoje tudo estava consertado e resolvido. Logicamente perdoara internamente o eterno irmão mais velho por todos os erros e feridas do passado, mas não sabia se ele o havia perdoado, e essa dúvida ainda era um pouquinho complicada de administrar.

Desde o dia da famosa briga do Interescolar — entre Daiki e Tatsuya, no segundo ano do ensino médio, no meio do Centro Esportivo —, Taiga não teve mais sinais de vida do irmão. As únicas e vagas notícias vieram através das conversas que tivera com a mãe dele ao telefone (e pelas mensagens loucas da Alex, claro). Nem mesmo encontrara Himuro em redes sociais ou qualquer coisa do gênero, apesar de ter procurado inúmeras vezes. Era como se ele estivesse se escondendo — ou o bloqueando para sempre, o que era mais provável. Mas pelo menos Kagami sabia, por intermédio de terceiros, que Tatsuya estava bem e que seu tratamento estava dando resultados positivos. Era o suficiente para seguir em frente.

— Bem, acho que é hoje que vou morrer. — Aomine disse de forma trágica e repentina, tirando o ruivo de seus devaneios profundos. — Se não foi no avião, vai ser ali dentro... No meio daquilo. Vai acabar meu ar. Certeza. — Ele suspirou muito fundo ao apontar para a fumaça saindo pelas janelas minúsculas e circulares que ficavam próximas ao teto do estabelecimento.

— Nah! Tem uma porta nos fundos que leva para um jardim com um deck enorme. Podemos achar uma mesa por lá fora se você quiser. Tenho certeza que a Alex não vai se importar. — Kagami tranquilizou-o, jogando o braço por cima dos ombros do moreno. — Não vai ser hoje que vou ver os efeitos de sua claustrofobia. Se não foi no avião, não vai ser aqui. — Riu, arrancando um meio sorriso sincero dele.

— Mas é hoje que você vai me ver como um otário perdido no meio da conversa entusiasmada de vocês. — Daiki comentou assim que a fila para a entrada andou um pouco.

— Vai nada. A Alex é gente boa e vai fazer você se enturmar rápido. E tem o namorado estranho que eu não conheço, então relaxa. — Kagami deu de ombros.

— Mesmo assim... Aposto que vocês vão conversar em inglês. — Ele fez uma leve careta, dando mais alguns passos para frente, com o ruivo.

— É. Talvez. — Kagami foi obrigado a admitir. — Não sei se o cara que ela tá namorando fala japonês... Mas ela sim, e eu também. E meu inglês também está bem enferrujado.

— Ok, que seja. Vou beber e ouvir música, já dá para curtir da minha maneira enquanto você curte da sua. — Daiki comentou distraidamente, tirando dinheiro do bolso assim que chegou a vez de entrarem no pub.

— Mas não beba demais. — O ruivo pediu de forma divertida, entregando os dez dólares ao segurança parrudo em troca de um carimbo nas costas de sua mão direita. — Não podemos vomitar bebida na cozinha da minha mãe de novo. Ela me deserda e perdemos o nosso futuro apartamento. — Disse ao voltar-se para o moreno.

— Né! Não é nem bom lembrar disso. Penso nos nachos que comemos aquele dia e tal, já começa a dar embrulho... — Riu Daiki, acompanhando-o de perto enquanto analisava seu próprio carimbo, curioso.

Não foi surpresa nenhuma ver o local apinhado de gente animada assim que cruzaram o arco de tijolos que dava acesso à área de shows. Como encontraria Alex ali no meio de tantas pessoas semelhantes e agitadas, Taiga não tinha a mínima ideia, mas mesmo assim começou a andar por entre as mesas e virar o rosto para todas as direções, seguido de perto por Aomine.

Era bom voltar ali, o clima permanecia o mesmo.

— Acho que tem uma louca acenando lá atrás. — O moreno falou alguns momentos depois, em alto e bom som, próximo ao ouvido de Taiga, apontando para uma mesa ao longe, perto das escadas.

— É ela. — Kagami sorriu ao ver uma loura de óculos com armação cor-de-rosa erguendo-se na ponta dos pés enquanto fazia uma espécie de sinal para se aproximarem por entre a multidão. Alex também continuava a mesma, sempre escandalosa e expansiva, divertida.

— Mas a mesa dela está cheia de gente. — Aomine estranhou, ainda gritando para encobrir o som da banda. — E é longe da janela. Ou do deck... Ou seja lá do que for.

— É, tá cheia mesmo. — Kagami inclinou-se para os lados na intenção de ver a mesa através do mar de cabeças à sua frente, confuso. — Não conheço mais ninguém ali. — Deu de ombros, chegando perto do ouvido de Daiki para falar. — Quer ir lá pra fora achar uma mesa? Fico com você, não tem problema.

— Não, não. Acho que estou de boa por enquanto. Vamos logo! — O moreno exclamou, olhando discretamente para a porta que dava acesso à área externa antes de voltar-se para o ruivo. — Qualquer coisa vou para lá. Fica tranquilo.

— Ok. Mas me avisa se estiver passando mal, ok? — Taiga pediu, dando um selinho demorado nele antes de abrir caminho para perto de onde Alex estava, puxando-o pela mão. Ignorar os olhares estranhos já fazia parte da rotina.

De fato, havia três pessoas sentadas à mesa além da loura. Provavelmente o cara mais velho, grisalho e bastante charmoso que passava o braço pelo encosto da cadeira dela era o tal Nicholas, mas os outros dois o ruivo nunca tinha visto na vida. Pareciam até um pouco punks olhando assim, porém a pouca luz e a fumaça pairando pelo local não ajudavam muito nessas horas de identificação.

— Espera... Espera. — Daiki parou entre as pessoas, na metade do caminho, puxando Taiga para trás pela mão, com certa força.

— Quê? — Kagami franziu a testa, virando-se para encarar Aomine, um pouco preocupado com uma possível crise de claustrofobia vinda do namorado. — Está tudo bem?

— É o Franjinha lá, não é? — Daiki perguntou em voz alta, praticamente encostando o lábio em sua cartilagem ao falar. — De costas para cá.

— Capaz mesmo. — Kagami engoliu em seco, sentindo-se gelar por dentro com a possibilidade. Não fazia nem dez minutos desde que pensara em Himuro e no fato de nunca mais terem conversado... Era praticamente impossível ele ter surgido do nada ali. Coincidência pouca é bobagem. — Acho que não é. Nada a ver. — O ruivo negou em voz alta, mais para si mesmo do que para Aomine, voltando-se devagar para a direção da mesa, como se fosse ver um fantasma.

Bum. Kagami sentiu algo explodindo dentro de seu âmago assim que o rapaz em questão olhou para trás, curioso, na direção dos dois. Era Tatsuya! Com toda a certeza desse mundo era Tatsuya! O ruivo reconheceria aquele rosto há várias milhas — com ou sem a franja tapando um de seu olhos; mesmo entre a fumaça e a multidão toda.

Puta que pariu! E agora? Pensou alarmado, sentindo algo gelado escorrer dentro de si enquanto todos os sons ao seu redor pareciam ter sumido. A ansiedade foi imediata para Taiga. De fato, era como se realmente estivesse vendo um fantasma... Um fantasma diferente do que estava acostumado no passado, mas ainda assim um fantasma.

Era seu irmão ali! O irmão que ficou perdido na linha do tempo de sua vida! Não estava preparado para reencontrá-lo assim, no susto — e parece que ele também não, pois logo voltou-se para a mesa, onde a agitação era grande, pois estavam aguardando a chegada de Kagami e Aomine.

Sem pestanejar, o ruivo virou-se na direção de Daiki buscando uma espécie de ajuda inconsciente sobre o que fazer a seguir, no entanto ele seria a última pessoa no mundo que responderia isso para o ruivo, já que odiava Himuro com todas as forças, desde sempre. Aomine com certeza iria preferir voltar para casa, e Taiga não o culparia... Mas no fundo gostaria que fosse o contrário. Conversar e fazer as pazes com Tatsuya seria um bônus e tanto para essa viagem e para a nova etapa que iniciava em sua vida, porém jamais faria algo para deixar Aomine descontente.

Era melhor irem embora. Alex entenderia, com certeza.

— Anda logo, eles estão nos esperando. — O moreno disse, incentivando Taiga com um movimento de corpo, contradizendo todas as expectativas.

— Mesmo? — Kagami perguntou, tentando manter a calma e a compostura para não dar a entender que estava ansioso. Não queria que Daiki confundisse tudo aquilo novamente e que acabassem brigando mais uma vez por causa de Himuro. — A gente pode ir embora. Não faz mal! — Exclamou no ouvido do namorado, para que ele pensasse melhor.

— Não. Relaxa Taiga. Isso tudo já era. — Ele disse em voz alta, com um meio sorriso sincero. — Estou de boa, ok?

— Sério? — Kagami estranhou, franzindo a testa ao notar a real tranquilidade de Daiki.

— Uhum. Estamos juntos, não é? — Ele acenou positivamente com o rosto. — Anda logo.

Com um último olhar receoso, Kagami sorriu para o namorado e começou a caminhar em direção à mesa. Esperava que sua mão não estivesse suando contra a de Daiki, para que ele não confundisse nada... Mas porra, estava nervoso pra caralho. O que falaria? Como deveria agir? Deveria cumprimentar quem primeiro? Será que deveria abraçá-lo ou apenas acenar com a cabeça? Eram coisas demais dentro da cabeça de uma planária.

— Taiga! — Uma alegre Alex levantou-se e jogou os braços ao redor de seu pescoço, sem dar tempo para mais nada. — Minha criança! — Ela continuou a gritar, animada, dando-lhe um beijo estalado e desnecessariamente grudento em sua bochecha. Era o gloss. — Como você está? — Ela tapou a visão de toda a mesa, sorrindo em sua frente como se crescesse à cada palavra que pronunciava. — Senti tanta sua falta! Vem, vem, senta. Ah, oi Aomine! — Alex mal deu tempo para os dois respirarem, e já abraçou o moreno também, com um pouco mais de compostura, claro. — Ah, esse é o Nick, Nicholas, meu namorado. — Ela voltou-se para Taiga numa velocidade estrondosa ao apontar para o homem charmoso que vira de relance.

Hi! Nice to meet you, NIcholas. — Kagami o cumprimentou, fazendo força para não olhar na direção de Himuro.

— E olha quem apareceu aqui hoje também! — Alex já foi para o lado de Tatsuya, obrigando-o a levantar-se e juntar-se à rodinha apertada que formavam em frente à mesa. — Estamos nós três reunidos, como nos velhos tempos.

Agora era a hora.

Com um calma induzida, o ruivo virou-se minimamente para olhá-lo, a alguns centímetros de distância. Ele estava tão diferente. Não era apenas a franja, mas, pelo que a pouca iluminação permitia enxergar, Tatsuya estava menos pálido, com um olhar mais vivo e brilhante. Ele estava bem.

Hey dude. — Himuro o cumprimentou meio sem graça, acenando com a cabeça para Aomine logo em seguida. — Hm... Quanto tempo, não? — Ele riu um pouco, mordendo os lábios em um claro sinal de nervosismo.

— É. Um tempão. — Kagami respondeu, cuidando para não engasgar-se nas próprias palavras. Estava tão nervoso quanto.

— Ahm... So... Esse é o Dylan, meu... — Himuro fez uma pausa ao falar, inseguro, olhando para o outro rapaz que sentava-se à mesa.

Boyfriend. If he accepts, of course. — O rapaz de nome Dylan levantou e aproximou-se, sorridente, estendendo a mão para o ruivo. Era bastante bonito e confiante, passava um ar de ser gente boa também. — É um prazer conhecê-lo, finalmente. Ouvi muito sobre você.

Kagami nada respondeu, apenas aceitou o gesto do rapaz e sorriu de forma simpática em troca, notando a súbita vermelhidão de Tatsuya, logo ao seu lado. Percebeu na mesma hora que ele fitava Dylan com um brilho diferente no olhar. Quase se reconhecia ali, pois olhava para Aomine da mesma maneira. Era evidente que os dois se gostavam e tinham bastante química, e isso era ótimo, um verdadeiro alívio. Tudo parecia sob controle. Tatsuya estava comprometido, então nada de situações estranhas iriam brotar inesperadamente naquela mesa. Pelo menos não aparentemente.

— Sentem, sentem! Peçam algo para beber. — Alex exclamou após alguns segundos da primeira aparição de desconforto na rodinha de pessoas. Era óbvio que esse silêncio iria durar um pouco mais.

Com todas as forças, Kagami concentrou-se em olhar apenas na direção de Aomine e Alex, evitando completamente virar-se para a direita, onde, logo ao seu lado, sentava-se Himuro. Estava uma tensão chata ali. O ruivo podia também ver Daiki olhar constantemente da porta para seu rosto, como se insinuasse involuntariamente que gostaria de dar no pé o quanto antes. Era evidente que o moreno também procurava focar-se em tudo que não fosse Himuro Tatsuya.

So... What were we talking about? — Nicholas quebrou a quietude e continuou a conversar confortavelmente com Dylan sobre o que parecia ser a liga de Futebol Americano ou algo do gênero.

Como se fosse uma deixa (ou um suposto complô para restaurar amizades, na visão de Taiga), Alex iniciou um animado questionário sobre como estava sendo a primeira visita de Aomine a Los Angeles. Daiki mal terminava de responder e ela já o bombardeava novamente, ou começava a narrar causos antigos sobre um Kagami mais novo. Nesse caso, sobraram o ruivo e Himuro, sentados um ao lado do outro em um lugar barulhento, entre diálogos confusos em inglês e japonês, num extremo desconforto que involuntariamente os puxava direto para o passado.

— Então... — Kagami resolveu romper a linha do silêncio, olhando de canto para o 'antigo' irmão. — Cortou a franja, é?

— É. — Himuro respondeu, tomando um gole de sua Coca antes de virar um pouco o rosto na direção de Taiga também. — Acho que aquilo me incomodava um pouco.

— Então... Sempre pensei que era estranho. — Taiga comentou, buscando continuar o assunto a qualquer custo. Foi uma bosta. — Tipo... Não estranho, estranho, mas... Hm... Estranho porque tapava sua visão, e tal. Deveria ser ruim. — Remendou como pôde.

— Pois é. Era estranho sim. — Himuro engoliu em seco, olhando rapidinho para Dylan, que sorriu brevemente e voltou ao seu diálogo com Nicholas. — Hm... Mas você... Continua o mesmo, pelo jeito. — Tatsuya também buscou falar algo. Outra bosta.

— É. — Kagami concordou, desejando sumir. Também virou os olhos na direção de Daiki, que estava impossibilitado de se mexer devido ao papo exagerado e nitidamente controlador de Alex. Uma terceira bosta. — Vou ser bombeiro. Me inscrevi no curso. — O ruivo soltou sem pensar muito, encarando Himuro.

— Sério? — Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso. — Legal. Hm... Eu estou cursando Psicologia.

— Hm... Que massa. — O ruivo balançou a cabeça em afirmação, sentindo-se um idiota, apesar de achar realmente interessante o campo que ele seguiu. Meio que combinava. Ou estava relacionando a escolha com o fato de ele ser bipolar. Não sabia como proceder.

— Ok, isso tudo está estranho. — Tatsuya decidiu verbalizar os fatos, franzindo a testa.

— Sim. — Kagami sorriu de leve, provavelmente corando. Por sorte estava um pouco escuro ali. — Não sei o que dizer.

— Eu também não. — Himuro admitiu. — Vamos pelo clichê então. Como você está? — Ele sorriu daquele jeito de sempre.

— Bem. As coisas estão na mesma, na verdade. — O ruivo afirmou de forma rasa e automática, mas logo lembrou-se que se formara no ensino médio há poucos dias, que iria morar com Daiki em seu apartamento o quanto antes, que Kuroko e Kise assumiram um relacionamento, que Momoi foi embora para estudar e tudo o mais. Não estava nada na mesma, mas Taiga decidiu deixar para lá e continuou: — E você, como está? — Acentuou a pergunta, deixando claro onde queria chegar. Tatsuya entendeu.

— Bem melhor. Estou me tratando e tomando remédios. Lítio é o nome. Por isso a Coca, e não o chopp de trigo. — Ele ergueu o copo para ilustrar, sorrindo de canto com certo orgulho. — Nunca mais tive crises, então as coisas se ajeitaram. Finalmente.

— Que bom. Fico muito feliz com isso. — Kagami falou sinceramente, mesmo que um pouco inseguro. Não queria dizer nada indelicado que estragasse ainda mais aquilo tudo, entretanto gostaria de complementar o assunto. Nada surgiu em sua mente.

—Acho que te devo essa. — Himuro interrompeu os pensamentos confusos do ruivo, tomando mais um gole de seu refrigerante antes de continuar. — Tipo... Sei que foi você que ligou para minha mãe aquela vez. Então... Não sei o que teria acontecido... Se você não... Enfim. Obrigado, de verdade. — Ele agradeceu, relutante, mas sincero. Seus olhos diziam isso.

— Eu... É. Enfim. — O ruivo olhou meio envergonhado para a banda que tocava, sentindo o rosto esquentar. Decidiu encarar os fatos e voltou-se para Himuro, decidido. — Não precisa me agradecer. Fiz o que qualquer irmã-... Hm... O que qualquer amigo faria, então está tudo bem. — Corrigiu-se no meio da frase com pressa. Não deu muito certo.

— Kagami... — Ele murmurou, atônito com a resposta, e logo abaixou o rosto em um evidente sinal de culpa. Essa história de irmãos era longa e exaustiva para ambos, o ruivo não estava nem um pouco afim de trazer novamente à bordo. Ainda o via de forma fraterna, mas não sabia se era recíproco, então era melhor deixar quieto. Himuro continuou: — Ei... Eu preciso me desculpar. Por tudo o que fiz. Desde sempre.

— Relaxa. Não precisa não. — Taiga sorriu de forma serena, atraindo o olhar triste dele. — Passado é passado, não é? Deixa para lá. O que importa é que você está bem agora. Sem ressentimentos, de verdade.

— Certo. — Himuro retribuiu o sorriso, meio contrariado, mas conformou-se logo a seguir. Depois de um tempo ele disse: — Eu me enganei ao falar que você continua o mesmo.

— Como assim?

— Você amadureceu um monte. — Ele afirmou, satisfeito. — Fico feliz por isso Taiga. E feliz por ver que vocês dois estão bem, depois de tudo o que aconteceu. — Tatsuya apontou discretamente na direção de Aomine. — Sei que ele não vai com minha cara, mas a vida segue.

— Segue. — Kagami sorriu também, aliviado, encostando a perna na de Daiki por baixo da mesa, finalmente atraindo o olhar assustado e teatral do moreno... Provavelmente por causa de Alex e seu diálogo infinito. Qualquer um morreria.

Estava tudo bem.

O ruivo tinha certeza que as coisas com Himuro não seriam como antes, nunca mais, porém não sentia um pingo sequer de ressentimento e continuava vendo-o como seu irmão mais velho — com ou sem anel no pescoço, com ou sem a reciprocidade. Kagami notou que uma coisa era fato: Nem sempre os irmãos são unidos para sempre. São ligados, independente de tudo, mas vivem de seus próprios modos, com suas próprias conquistas e em seus próprios caminhos. Por Kagami estava ótimo assim. Sentia-se feliz por estar com ele ali, apesar de não terem mais a mesma liberdade de anos atrás. O que importava era a melhora de Tatsuya. Isso mostrou-se o suficiente para o ruivo seguir em frente sem aquele peso escondido em um canto remoto de seu interior. De certa forma via que o mesmo acontecia com Himuro.

***

Conforme a noite avançava, o pessoal da mesa foi se entretendo mais. Kagami finalmente conheceu de verdade o suposto Nicholas e ouviu as histórias 'fascinantes' que Alex contava sobre suas viagens pelo mundo. Dylan também conversou bastante com o ruivo, que finalmente foi apresentado propriamente ao provável futuro namorado de Himuro. Tudo meio que começou a melhorar e os sorrisos tornavam-se cada vez mais espontâneos, inclusive com Tatsuya. No fundo a afinidade era a mesma. Até Daiki arriscou uma conversinha com Himuro sobre a falta da franja, mas foi tão breve que mal dava para ser chamada de diálogo.

Foi sim uma noite agradável, mesmo com aquele invisível peso pairando pela mesa, como uma neblina gelada e insistente irrompendo do nada.

Era quase duas da manhã quando o show das inúmeras bandas teve fim, e então todos resolveram ir embora. Saíram juntos do Pub, que ainda estava bastante lotado, tanto no lado de dentro quanto no lado de fora. Alex seguiu seu caminho com Nicholas, após se despedir demoradamente de Taiga, beijando um milhão de vezes a sua bochecha e prometendo visitas constantes ao Japão para averiguar se seu menino estava sendo bem tratado por Daiki, mesmo ela tendo certeza que sim. E então, com a partida dos mais velhos, os dois casais sobraram na calçada para deixar tudo estranho novamente, como se a moça tivesse levado embora o ponto de equilíbrio da noite.

So, see you arroud, guys. — Dylan pronunciou-se primeiro e apertou a mão de Taiga e de Aomine, passando então o braço por cima dos ombros de Tatsuya.

— Hm, pois é... Até mais então. Foi legal ver vocês. — Himuro se despediu em japonês, acenando com a cabeça para os dois, demorando-se ao encarar Taiga. — A gente se fala. Bom retorno ao Japão.

— Claro. Obrigado e até a próxima. — O ruivo sorriu, vendo-os se afastar após apertar a mão de ambos.

Resoluto, Kagami virou-se para seguir caminho com Daiki, na direção oposta, de mãos dadas. Estava prestes a perguntar se Aomine se sentia bem quando foi interrompido por Himuro, que o chamou de longe, em voz alta:

— Hey, Taiga!

—...? — O ruivo virou-se, assim como Aomine, que tinha as sobrancelhas erguidas.

Dylan esperava encostado em um carro — provavelmente o dele, já que era mais velho —, porém Tatsuya caminhava rápido e decidido em sua direção. Taiga estranhou, mas ficou internamente feliz por ele ter voltado para dizer qualquer coisa. Era como se realmente estivesse faltando algo.

— Hey... — Ele murmurou, um pouco ofegante pela corrida ao se aproximar. — Preciso falar com você. — Himuro apressou-se em falar. — Eu... Eu preciso! — Ele reforçou, fitando os olhos do ruivo com uma intensidade conhecida, porém inofensiva. Lembrava muito aqueles dias de criança, na opinião do ruivo. — É rápido. Eu juro. — Dessa vez ele se dirigiu a Daiki, como se pedisse permissão. Taiga fez o mesmo.

— Hm... — O moreno ponderou por longos segundos, cerrando os olhos minimamente para Tatsuya, vislumbrando rapidamente o carro de Dylan mais a frente. Só então virou-se para o ruivo e deu um sorriso meio esquisito que tinha tudo para ser algo compreensivo, apesar do ciúme nitidamente estampado em seus olhos azul-escuros. — Vou na frente Taiga, você me alcança logo?

Kagami não acreditou por alguns instantes, por isso permaneceu em um breve silêncio. E então, agradecido, não se conteve em assentir positivamente e dar um selinho demorado e cheio de significados em Daiki, um sinal de que ele não precisava se preocupar e muito menos ter receios. Tudo estava bem, voltariam para o Japão e morariam juntos em breve. O amava muito, ele sabia disso. Jamais faria nada para magoá-lo, e tinha convicção de que Himuro pensava o mesmo em relação à Dylan. Seria diferente dessa vez. Totalmente diferente.

Assim que Aomine se afastou, após despedir-se mais uma vez de Himuro (vagamente, claro) e dar um último selinho demorado e territorialista em Kagami, os dois antigos irmãos apenas ficaram se encarando, sem sair do lugar. Ao fundo, o ruivo viu Dylan entrar no carro, como que para esperar.

Seja lá o que fosse, seria agora.

— Então... Queria ser breve com você... — Himuro riu um pouco, passando a mão para bagunçar o cabelo curto. — Eu tinha tanta coisa para falar, só que agora sumiu tudo.

— Acho que sei como é. — O ruivo sorriu em troca, coçando a nuca, um pouco perdido. — Mas... Hm... Fico feliz sabendo que você ainda queria me dizer alguma coisa. — Sentiu-se um idiota com a frase, mas foi a única coisa que conseguiu dizer.

— É. Acho que sempre vou ter algo a falar. — Tatsuya deu de ombros, ansioso. — Afinal...Ainda somos... Irmãos, não é?

Aquilo deixou Kagami um pouco atônito, realmente surpreso. Lembrava-se claramente das vezes que Himuro simplesmente tentou 'apagar' a irmandade que existia entre os dois, seja arrancando a corrente do pescoço de ambos ou falando coisas estúpidas e afiadas. Tudo bem que aquelas atitudes eram consequências da bipolaridade e tudo o que ela envolvia, mas doeu muito na época. No entanto, independente disso, o sentimento do ruivo nunca mudara. Já o perdoara há muito tempo, então aquela frase só dava motivos para abrir um leve sorriso.

— Claro que somos. Sempre vamos ser. — Disse por fim, bastante alegre por dentro.

Aquela foi a deixa, o gatilho para que o monólogo tremido e repentino de Tatsuya iniciasse.

— Eu... Nossa... Nem sei como dizer. É tanta coisa... — Ele riu, respirando fundo e fazendo uma longa pausa antes de continuar. — Bem... Eu... Eu fui tão filho da puta com você por causa disso tudo... Inventei tantas merdas, criei mentiras para eu mesmo acreditar, te ofendi demais, me enfiei em uma briga besta com o Aomine... Me sinto tão mal por isso. Por tudo! Por tudo mesmo! — Himuro falou as coisas sem nexo, com pressa, como se quisesse soltar tudo de uma vez. Ele decididamente queria. — E foram infinitas merdas que fiz. E tudo porque... Eu queria te forçar a ficar comigo. E... Não era certo, eu sabia que não era, mas... Teimosia, sabe? Orgulho besta. Medo. Problema mental. Sei lá! Parecia alguém na minha cabeça me dizendo o que fazer. Achava que você me pertencia. Sei lá, não sei exatamente o que passava pela minha cabeça! Mas era tão... Doentio!— Ele apenas acelerava, gesticulando, sem tomar ar. Parecia nem se dar conta, estava apenas extravasando. — Tipo, eu confundi tudo o tempo todo... Nossa... Eu lembro que na época você me disse que também havia confundido amor de irmãos com outro tipo de amor ao se envolver com o Aomine, mas eu só te mandei a merda, porque não era o que eu queria... Eu não entendia. Fui estúpido tantas vezes por causa disso. — Himuro riu, nervoso, quase chorando. — Eu estava tão errado ao ter feito aquilo tudo com você. Nossa... E depois disso tudo você ainda avisou a minha mãe sobre o fato de eu talvez estar doente e tal... Eu... Eu não merecia, não depois de tudo o que fiz com você. Com você e com o Aomine também... Porque... Cara, por favor, me desculpa. Te judiei desde criança e não fazia a mínima ideia do quanto isso te anulava por dentro. — E então as lágrimas realmente começaram a rolar pelo rosto de Himuro. Taiga por sua vez, sentia os olhos arderem conforme o estômago apertava e a boca secava... Mas Tatsuya não parava: — Eu acho que fiquei com isso tudo entalado na minha garganta por muito tempo. Mas... Quando eu estava mal, no meio das minhas crises ruins, parecia tão certo ser cruel com você. Só que agora eu sei que fui um cretino dos piores. Manipulei você, menti um monte, inventei coisas, te forcei a fazer o que eu queria, insisti em roubar seus beijos desde sempre... Cara... Sei que fui um monstro, mas... Eu não controlava. Entende? Não era algo que eu podia... Controlar... — Só então ele realmente desabou, por mais que estivesse sorrindo de nervosismo. Ou talvez de alívio por externalizar tudo aquilo. — Eu... Eu... Eu amo você Taiga! De verdade. Você vai ser meu eterno irmão. Vou entender se você não me perdoar de verdade por todas as merdas que fiz, por ter jogado os anéis fora, por ter te machucado... Mas... Você vai ser sempre meu irmão mais novo, não importa a situação!

Taiga não precisava ter ouvido absolutamente nada. Já sabia que nada daquilo era culpa de Himuro, pelo menos não voluntariamente. Entendia mil vezes. Ele não o devia desculpas, simplesmente tinha um problema. Acima de qualquer coisa eram irmãos! Sentia isso desde o começo, sabia desde quando eram crianças que eram irmãos e que no fim sempre ficariam bem, independente de qualquer coisa, qualquer briga, qualquer rivalidade, qualquer situação. Se houve um milhão de momentos péssimos e conturbados na linha do tempo dos dois, existiram também um milhão de momentos bons e recheados de companheirismo. Ser irmão é isso: É bater de frente o tempo todo e no final sempre ficar tudo ok! Perdoar sem realmente precisar dizer que perdoa! É um amor incondicional, puro. Inocente. Como era para ter sido desde o começo.

— Porra Tatsuya... — Murmurou com pouca voz, aproximando-se. Não sabia o que dizer, apesar dos barulhos intensos e constantes em sua mente.

Kagami sentiu seu interior inundar de um calor maravilhoso ao ver um Himuro diferente em sua frente, genuinamente arrependido e curado. Sentia-se da mesma forma, porém, acima de qualquer coisa, sentia-se radiante por estarem ali, restaurando a irmandade há tempos perdida, mas que lá no fundo jamais sumira. Ela estava apenas camuflada por confusões de adolescentes, hoje adultos, maduros e cientes de seus erros. OK, foram confusões pesadas que saíram do controle, mas que no final das contas acabaram ficando no passado... Agora com uma certeza absoluta!

— Esquece isso tudo, ok? Você não me deve desculpas porque... Hm... Todos erramos, e eu não sou nenhum santo nessa história. Éramos apenas crianças sem juízo ou experiência. Então... Eu... — Foi a vez de Kagami tremer, segurando a toa o choro iminente ao puxar Himuro para um abraço apertado e forte. — I love you, brother! Forever! — Aquilo já dizia tudo.

Forever Taiga... Over anything! — Ele sussurrou contra sua jaqueta, entre um sorriso e uma lágrima de alívio.

O ruivo tinha certeza que centenas de pessoas passaram pelos dois naquela calçada, os encaram, julgaram e até riram; no entanto tinha certeza também que ninguém jamais entenderia o quanto o ruivo apreciava o alivio e a felicidade por estar finalmente ali com seu irmão mais velho... Teoricamente pela 'primeira vez'.

Aquele abraço fraterno e repleto de significados estava sendo o selo real da irmandade de ambos, ao contrário daquele anel ou do beijo inocente que deram há anos atrás, na quadra de basquetebol, quando ainda eram crianças bobas. Hoje sim era de verdade, real, autêntico. Não precisavam de um objeto para provar o afeto e a emoção que passava entre os dois ali, assim como não era o basquete ou qualquer outro motivo que iria destruir aquele vínculo.

Agora sim Kagami tinha certeza de que tudo ficaria bem. O laço que selavam com lágrimas era forte e jamais se perderia novamente... Jamais. Poderia desabar o chão, poderiam estar a meio mundo de distância, poderiam se ver uma vez a cada dez mil anos, no entanto o amor entre os dois permaneceria intacto para sempre. Essa sim era a maior certeza que compartilhavam com aquele abraço. Um verdadeiro abraço de irmãos.

Agora sim, tudo estava bem. Poderia seguir tranquilo com sua vida, sem pendências, sem pesos, sem remorso. Tudo estava bem. Em todos os sentidos, tudo estava bem, de verdade...

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Quase um ano depois — Tóquio — 12h23min

~Aomine Daiki~

O moreno sabia que Kagami ainda sentia o estômago embrulhado, apesar de tudo já ter se resolvido há pelo menos uma hora atrás. Era um reflexo tardio do nervosismo exacerbado que acordara com ambos naquela manhã e os acompanhara até o Batalhão dos Bombeiros de Tóquio. O ruivo mal conseguira comer no café, já que esperava pelo resultado dos exames de admissão por muito tempo — meses na verdade. E o mais engraçado era que, mesmo agora, a ansiedade dele passava diretamente para o moreno, por mais que tudo já estivesse ok.

— Eu sabia que você ia passar. Pode ficar de boa já. — Daiki disse pela milésima vez, assim que subiam as escadas até o apartamento 34, no oitavo andar. O apartamento que ambos compartilhavam há seis meses já.

— Mas... Foi quase um ano de curso. E se eu não tivesse passado? A gente estaria fodido. Teríamos que esperar mais um ano para eu refazer o teste. — Kagami riu de canto, ainda inquieto, olhando para o moreno com as sobrancelhas arqueadas. — Mal começamos a morar juntos e a gente já ia morrer de fome se eu não entrasse. O dinheiro que a gente tem guardado não ia durar pra sempre.

— Menos Baka, bem menos. A gente daria um jeito. Não estou desempregado, retardado. — Aomine resmungou, olhando rapidamente para o celular em seu bolso. Estava na hora de mandar o 'sinal'. Já chegavam ao oitavo andar. — Hm... Você... — Distraiu-se, digitando as escondidas enquanto o ruivo olhava para os pés de ambos, perdido em seus pensamentos aliviados.

Aomine Daiki: Chegamos.

— Que foi? — O ruivo estranhou, olhando para o moreno com uma expressão desconfiada ao vê-lo digitando secretamente.

— É só a Satsuki me enchendo o saco. Parece que vai vir para a cidade semana que vem. — Mentiu, olhando para o apartamento logo a frente ao guardar o aparelho no bolso. — Em qual lugar você ficou mesmo? — Disfarçou, já pegando a chave no bolso do jeans.

— Terceiro! — Kagami disse animado pela enésima vez, esquecendo-se da mensagem e de todo o resto. Ele estava feliz demais, e isso era ótimo. — Acredita que de quarenta e oito candidatos eu fiquei em terceiro? — O ruivo riu sozinho, observando Daiki abrir a porta com calma. — Eu, a planária humana da Seirin, fiquei em terceiro. Vou ser um bombeiro foda pra caralho!

— Claro que vai. — O moreno mal ouvia.

Aomine estava tão animado com o que iria acontecer em seguida que não podia segurar... Nem acreditava que teve a brilhante ideia de fazer algo assim para o ruivo. Era engraçado, porque se olhasse para trás, para o seu passado, veria um Aomine Daiki orgulhoso, egoísta e individualista, incapaz até mesmo de admitir para si mesmo que se apaixonara, quem dirá algo 'piegas' do gênero! Hoje não... Hoje via-se feliz, morando com o cara que amava, aprendia e construía uma vida . E o melhor de tudo, estava muito massa acordar olhando para a cara rabugenta de Taiga dia após dia!

Faria qualquer coisa para vê-lo com os caninos a mostra... Inclusive abrir a porta do apartamento e...

— PARABÉNS KAGAMI!!! — Gritos de vários amigos de ambos preencheram o corredor do prédio e a sala de estar do apartamento.

O ruivo apenas arregalou os olhos e ficou estupefato, praticamente pálido. Todo o pessoal da antiga Seirin estava ali, Kise com Kuroko, Momoi, até Midorima e Takao... Entre outros não menos importantes.

Demorou alguns segundos para que ele se situasse e sorrisse para o moreno. Aomine imaginou que isso poderia acontecer. Kagami estava tão preocupado com os exames do Batalhão que esquecera completamente do seu próprio aniversário. Daiki também não fez questão de lembrá-lo o tempo todo, pois assim a 'festa surpresa' clichê que preparara (90% de créditos para Satsuki, Kuroko e Kise, claro) teria mais efeito... Principalmente após o ruivo passar no teste dos Bombeiros que tanto ocupava sua mente. Um bônus duplo de felicidade.

— Seu cretino. — Ele riu como um abobado, olhando para Daiki e para os demais presentes, bastante animados e felizes com sua reação realmente surpresa. — Eu não acredito.

— Eu também não acredito que você esqueceu a merda do seu aniversário. — O moreno deu-lhe um breve selinho, largando a chave no aparador azul ao lado da porta. — Parabéns Bakagami. Eu te amo. — O abraçou com carinho.

— Também te amo, Ahomine. — Ele sorriu mais ainda, não sabendo o que fazer além de retribuir o gesto com intensidade... Até que todos vieram em sua direção e começaram a felicitá-lo, roubando toda a atenção o ruivo.

E, como Daiki suspeitava, os caninos do ruivo escaparam facilmente pelo canto dos lábios... Assim como na noite em que ele 'fizera as pazes' com Himuro Franjinha Tatsuya e o alcançara pelas ruas de Los Angeles meia hora depois; assim como no dia em que realmente começaram a morar juntos no apartamento; como no dia em que Daiki começou a trabalhar para a Polícia; como na semana anterior, após Daiki ter topado trocar de posição na cama... Assim como em uma infinidade de situações simples que compartilhavam diariamente.

Tudo estava bem. Melhor impossível! Aomine sinceramente não conseguia imaginar sua vida de outra maneira hoje... Tudo os levava até aquele momento: Os dois morando juntos, cercados de pessoas incríveis, fazendo o que gostavam, jogando basquete sempre que possível, e, o mais importante de tudo, amando um ao outro de um jeito incondicional e compreensivo. Estavam felizes, por mais bizarro que o casal fosse no início da história.

A evolução foi tremenda até chegarem ao ponto onde chegaram. Mas não parava por aí. Cada dia aprendiam um pouco mais um com o outro. Nem tudo eram flores, claro, mas isso apenas acrescentava na maturidade que adquiriam juntos. E agora estavam aí... Iniciando uma vida que já havia sido decidida lá no Ensino Médio, na primeira Winter Cup. Sinceramente, não teria como ser diferente.

Sorrindo da mesma forma que Kagami, Aomine juntou-se aos amigos para felicitar o cara que roubou seu coração, corpo e alma. O único cara que rompeu a linha tênue que separava os sentimentos do orgulho de Daiki. Seu Bakagami. O cara que tinha 'aquilo'.

...

Notas finais
Heh... Fim ^^ E é isso que acontece ao escrever o final quase oito meses depois do capítulo anterior! Admito que a vibe para com essa história já não era mais a mesma, porém espero que tenham gostado de qualquer forma xD Foi simples, previsível, mas de coração mesmo! Não deixaria essa história inacabada, jamais!!! Ela tem muito significado interno para mim :D Como não pode faltar nas fics da Lana, a música final para Kagami e Himuro, escolhida a dedo desde o início... Hey Brother - Avicii: https://www.youtube.com/watch?v=YxIiPLVR6NA (É TAMBÉM UMA HOMENAGEM A MINHA LINDA HIDE-SENPAI, que sempre esteve presente e me aguentou firme e forte... Até mesmo quando eu não estava lá. Te amo muito minha Hide!!!) Então meu amores... Quero agradecer a todos os que sempre estiveram aqui comigo, aos que entraram na minha vida no meio do caminho e aos que ainda vão ler minhas viagens quando eu não estiver mais por aqui. E lá vem textão... Hehehehe xD A vida é uma caixinha de surpresas, certo? Não imaginei que estaria aqui no feriado 'terminando' Linha Tênue. Admito que nunca parei de escrever (não prometo nada, mas já tenho seis capítulos concluídos de uma próxima fic), mas admito também que não esperava voltar aqui para terminar essa história. Como eu disse, a vibe muda, o clima das fics mudam, o contexto muda! Mas não deixaria as pessoas que me seguem na mão. Sei que foi um final 'xôxo' se comparar ao resto da história, mas foi o que meu coração focado em outro plot conseguiu produzir em respeito a todos vocês. Então, OBRIGADA MESMOOOOOOOOOOOOOOO a todos que leram e aos que ainda vão ler! Apesar de minha ausência gigante, nunca os esqueci, povo lindo xD Minha vida mudou bastante desde a última vez que estive por aqui, em TODOS os sentidos imagináveis... Mas o meu love por AoKaga e pela escrita nunca minguou... E acredito que nunca mais vai! Se era para ter acontecido, o momento passou e eles sobreviveram xD Não foram apenas uma fase e whatever... Estamos firmes para o que der e vier, o resto é resto! A vida segue e eu continuo amando vocês, a escrita e esses dois bakas lindos do meu coração! Vejo vocês pro aí pessoal, seja no Nyah!, no Social Spirit, onde me amam, onde me odeiam, onde quer que seja! Estarei lá /o/ Beijão enoooooooooooooooooooooooooooooooorme da Lana-chan e até a próxima!!!!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!