Linha Tênue
11 Sob Controle.
Notas iniciais

Quinta-feira
~Kagami Taiga~
O costumeiro vento gelado do final da tarde atingiu em cheio o rosto sorridente de Kagami, assim que a porta do ginásio fora aberta por Hyuuga. Como sempre acontecia após os treinos no inverno, diversas reclamações inúteis sobre o frio foram lançadas ao ar, assim como o repetitivo barulho dos zíperes das jaquetas dos uniformes sendo fechados. Ninguém parecia muito inclinado à pegar um resfriado às vésperas do Natal.
— Pelo menos hoje não está nevando. — Kuroko comentou de forma positiva, arrancando concordâncias de todos.
Aquele fora o último dia do ano na qual a equipe da Seirin se reuniria oficialmente para praticar basquete. Fizeram uma espécie de amistoso interno durante duas horas, apenas para descontrair. O objetivo foi cumprido. Fazia um bom tempo que não se entretinham daquela forma em um treino — a prova disso eram as risadas constantes que os membros do time soltavam ao cruzar o pátio, ainda relembrando dos momentos em quadra.
— Como prometido, hoje eu e o Hyuuga pagaremos um lanche de despedida para cada um de vocês! — Riko anunciou de forma animada, ajeitando o cachecol ao redor do pescoço. Virou o rosto imediatamente para o ruivo, com os olhos estreitos: — Ouviu Bakagami? Um só! O resto você que se vire para pagar.
— Oe! — O ruivo ergueu as sobrancelhas, um pouco envergonhado. — Ok! Eu pago. — Fez um gesto de rendição, arrancando risos de todos ao seu redor. Foi obrigado a rir também, afinal, era guloso mesmo.
Kagami sentiria falta dos amigos... Do basquete... Arriscava dizer que sentiria falta até mesmo da escola. Não, da escola não. Só dos amigos e do basquete. Ponderou sozinho, andando com eles pelas ruas movimentadas do Japão. Não era como se estivesse indo embora para sempre — por Kami, ficaria fora apenas por duas semanas —, mas descobrira que ali com certeza era sua casa. Tudo o que havia de mais agradável no mundo se encontrava em Tóquio. A imagem de Daiki veio em sua mente de forma involuntária e gostosa, mas seus pensamentos foram momentaneamente interrompidos por Teppei.
— Poderíamos fazer alguns amistosos durante as férias, o que acham? — O camisa sete sugeriu, assim que saíram pelos portões da Seirin. — No inverno é bom jogar para aquecer.
— Não temos quadra coberta no inverno. — Hyuuga olhou de canto, repreendendo-o.
— Mas o que importa é nos divertirmos juntos. — Teppei sorriu, simpático como sempre, recebendo o consentimento de todo o pessoal. — Devemos nos reunir para fazer alguma coisa.
— Nós iremos, com certeza! — Izuki concordou, com um gesto de cabeça.
— Depois do Ano Novo eu topo. — O ruivo assentiu, arrancando olhares curiosos dos amigos. — Vou para Los Angeles, passar o Natal com meus pais. — Explicou com um gesto de mãos.
— Sem problemas, Kagami-kun. — Kuroko sorriu quase que imperceptivelmente. — Teremos bastante tempo até o final das férias.
— Sim! — Concordou, vendo uma baforada de fumaça branca sair pela boca.
Aquela noite estava realmente fria, ainda mais com o vento que os carros deixavam para trás ao atravessar o asfalto, mas isso não o impediria de se divertir com seus amigos. Nada impediria. Seria uma longa e agradável noite.
***
Já passava das 22h quando todos decidiram finalmente voltar para suas respectivas casas. Apesar de não nevar naquela noite, os uniformes escolares já não eram mais o suficiente para protegê-los do frio — além de que, mesmo sem matérias a estudar, no dia seguinte teriam que comparecer à escola para saber os resultados das provas finais. Do contrário, teriam ficado conversando por muito mais tempo... Estava realmente divertido.
***
— Você vai viajar quando, Kagami-kun? — Kuroko perguntou, acompanhando-o pelas calçadas movimentadas do centro.
— Sábado de manhã. — O ruivo respondeu com um bocejo, ajeitando a mochila sobre o ombro. — Mas na boa... Não queria ir. — Acrescentou, torcendo o nariz.
— Por que não? — O amigo questionou, virando minimamente o rosto para encará-lo.
— Ah... Veja bem... — Kagami parou alguns segundo para escolher as palavras, tentando evitar o nome "Daiki" no assunto. — Todas as pessoas que gosto estão aqui no Japão, e já me acostumei com o horário... Em Los Angeles é sempre a mesma coisa e no final das contas fico sozinho o tempo todo. Enfim, por isso. — Concluiu, olhando para o caminho.
— Mas e seus amigos de lá? — Kuroko perguntou, dirigindo-se à um ponto de ônibus encoberto, próximo à praça.
— Só nos encontrávamos na quadra de basquete, então acredito que poucos vão lembrar de mim. — Kagami deu de ombros, acompanhando o menor. — O Tatsuya vai estar por lá também. — O ruivo assinalou, sentando-se no banco gelado de metal. — Então provavelmente vai ser menos chato.
— Entendi. — Kuroko assentiu com a cabeça.
O silêncio surgiu e se estabeleceu por alguns minutos, entrecortado apenas pelo som dos carros passando no asfalto e pelo burburinho das pessoas alegres, discutindo sobre seus presentes e o que comeriam na ceia de Natal. Era praticamente impossível não admirar a beleza de Tóquio naquelas épocas do ano, mas a mente de Kagami encontrava-se tão afunilada em sua viagem que mal tinha tempo para isso. Apesar de tudo estar caminhando de forma incrível em sua vida, o subconsciente insistia em alertar que algo não estava certo.
— O que tanto te incomoda, Kagami-kun? — Kuroko perguntou repentinamente, observando-o atento.
— Nada! — O ruivo franziu a testa, voltando o olhar para a luva escura e quente que envolvia suas mãos. Agora ele lia pensamentos também?
— Você pode até não saber, mas te conheço melhor do que imagina.— Ele soltou uma curta risada, que foi abafada pelo barulho de uma moto de entrega, cortando o caminho por entre os carros. — Vai me contar ou prefere continuar achando que eu não sei de nada?
— Como assim? — Sobressaltou-se, olhando de canto para o amigo, com os olhos levemente arregalados.
— Kagami-kun, não te escolhi para ser minha luz a toa. — Ele disse com um ar gentil em seu semblante. — Somos amigos. Pode me contar.
— Contar o quê? — O ruivo engoliu em seco, desviando o olhar para as pessoas que passavam em sua frente. Ele só podia estar falando do Daiki, não havia outra explicação.
— Sobre o Aomine-kun. — Kuroko moveu o rosto, para chamar-lhe atenção.
Bingo.
— Ah... — Kagami viu-se completamente sem reação, sentindo seu rosto esquentar violentamente, e em uma velocidade surpreendente. — Eu... E ele... Bem...
— Eu sei. — Kuroko o tranquilizou, empurrando-o com o ombro. — Já tinha minhas suspeitas há algum tempo, mas a certeza veio no dia em que nos encontramos com Murasakibara-kun e Himuro-kun no Maji Burguer. Você mudou completamente quando o Aomine-kun chegou, e ele também estava diferente. Foi fácil ligar os pontos. — Concluiu com um sorriso mínimo.
— Mesmo? — O ruivo torceu o nariz ao sorrir sem jeito, virando o rosto para encarar o amigo.
— Vocês dois são as pessoas menos discretas do mundo. — Kuroko fez um gesto positivo com a cabeça. — As piadinhas subliminares também não eram nada sutis. Isso sem falar que seu celular vibrando durante a aula toda é bem irritante.
— Foi mal. — O ruivo riu, um pouco envergonhado, olhando novamente para as luvas. — Não achei que você soubesse.
— Gostaria que você tivesse me contado antes. — Ele comentou serenamente, olhando para o movimento na rua. — Mas sei que não é uma coisa fácil para sair falando por aí. Ainda mais considerando o orgulho de vocês dois.
— Pois é... — Kagami concordou, olhando para o amigo. — Foi mal por isso também.
— Relaxa Kagami-kun. — O menor deu-lhe outro empurrão tranquilizador com o corpo. — Agora você pode me dizer o que está te incomodando?
— Hm... Eu não sei na verdade. — O ruivo decidiu finalmente ser sincero, já que ele realmente era seu melhor amigo. — Acho que essa viagem me incomoda. Talvez porque eu... Hm... 'VouficarlongedoDaiki'. — Disse da forma mais rápida que conseguiu, olhando para todos os lados, menos para o rosto de Kuroko. — Nós não estamos juntos. Deve ser por isso.
— Posso dar um palpite? — Ele perguntou, atraindo seu olhar.
— Lógico. — Kagami agradeceu mentalmente por ter um amigo com tendências à psicologia. Foi um burro em tentar ocultar as coisas. Seria bem menos complicado se pudesse compartilhar suas paranoias com alguém realmente pensante e de confiança.
— Acredito que tem algo ligado ao Himuro-kun, e não ao Aomine-kun. — Ele foi direto e simplório.
— Por que você acha isso? — O ruivo perguntou imediatamente, franzindo a testa em um sinal de confusão e até mesmo surpresa. Kuroko era bem ardiloso.
— Costumo observar muito as pessoas, já que elas não me percebem. — Kuroko explicou, acompanhando os carros com os olhos azuis. — E o Himuro-kun me pareceu bem possessivo em relação à você, no Maji Burguer. Principalmente quando o Aomine-kun chegou. — Ele completou, virando o rosto para Kagami. — Deduzi que ele gosta de você. Deve saber disso também, não é?
— Hm... É. Pode ser. — O ruivo olhou novamente para as próprias luvas. Como ele conseguia perceber as coisas tão facilmente? Será que sua vida era tão transparente assim?
— Notei também que você se sente um pouco incomodado quando o Himuro-kun fala sobre o passado. Você tentava desviar o assunto o tempo todo. — Kuroko continuou, erguendo rapidamente as sobrancelhas. — O que me leva a crer que vocês possam ter tido alguma coisa além de amizade. Estou certo, não estou?
— Está. — Resmungou, dando-se por vencido.
— É isso que te incomoda. — Ele concluiu, observando seu rosto. — Afinal, Himuro-kun estará em Los Angeles com você.
— Também pensei que era isso, mas acho que não tem nada a ver. — Kagami comentou, incerto, virando-se para encará-lo. — Antes eu me sentia mal na presença dele, mas depois que... Bem... Depois que o Daiki apareceu, tudo melhorou. — Explicou, fazendo alguns gestos com as mãos, evidenciando seu desconforto. — E outra... Conversei com o Tatsuya na semana passada sobre o assunto. Vamos recomeçar como amigos, deixar o passado para trás. Está tudo sob controle.
— Será mesmo, Kagami-kun? — Kuroko perguntou, observando o ônibus se aproximar do ponto.
— Sim, tenho certeza que sim! — O ruivo sorriu confiante, levantando-se com o amigo. — Só vou sentir falta daquele idiota. É isso.
— É surpreendente, mas você gosta mesmo do Aomine-kun, não é? — Ele soltou um riso abafado, ajeitando a bolsa lateral sobre o ombro.
— Gosto. — Kagami admitiu, olhando para a calçada oposta, sentindo novamente o rosto esquentar.
— Ele também gosta de você, então não precisa se preocupar com isso. — Kuroko afirmou, atraindo rapidamente seu olhar surpreso. — Boa noite Kagami-kun. — Esticou o punho para o ruivo socar. O fez imediatamente. — Até amanhã.
— Até! — Sorriu de canto ao abaixar o braço, vendo-o entrar no ônibus parcialmente lotado.
Então Kuroko realmente lia seus pensamentos? Taiga ponderou sozinho, vendo o veículo se afastar. De outra forma ele jamais saberia de sua dúvida mais íntima, e de seu medo de estar sozinho nessa. Daiki era uma pessoa bem fechada e complicada de entender, — ainda mais para Kagami, que tinha a mente um pouco mais lerda que o comum —, no entanto, Kuroko era inteligente e esperto... Deve saber o que está falando.
Nesse caso Aomine já deve saber que gosto dele... Parece que sou transparente pra caralho. O ruivo pensou, um pouco mais aliviado, caminhando na direção oposta à que o ônibus tomou. Era hora de ir para casa, dormir e torcer para a noite seguinte chegar logo — Daiki dissera que faria alguma coisa para eles jantarem na sexta-feira.
Apenas o pensamento do moreno na cozinha causava um leve calafrio em Kagami, mas ele decidiu abrir esse espaço para Aomine. Pelo menos assim poderia dar um "tchau" mais apropriado antes de viajar. Quem sabe até se abrir.
Quem sabe?
***
Sexta-feira
~Aomine Daiki~
— Como assim ainda não falou para ele, Dai-chan? — Satsuki escandalizou, deixando o tamagoyaki cair de seu hachi, que já estava à caminho da boca entreaberta. — Vocês estão saindo há três semanas e ele não sabe o que você sente?
— Só não consegui falar quando ele estava acordado. — O moreno deu de ombros, terminando pacientemente sua refeição enquanto olhava para o pátio praticamente vazio da Academia Touou. Quase faltou no último dia de aula, como a maioria dos alunos, no entanto, por consideração ao almoço (horrível) que Satsuki preparou, acabou vindo para a escola. Precisava pegar o resultado das provas finais também.
— Mas hoje você vai falar, não vai? — Ela perguntou esperançosa, recuperando o alimento de dentro de sua marmita.
— Vou esperar até o dia que ele retornar de Los Angeles. — Aomine explicou, com a boca cheia. — Está decidido.
— Dai-chan, você não pode deixar o Kagamin viajar para longe sem dizer que gosta dele! — A amiga o repreendeu, dando um leve tapa na mesa, com a mão espalmada. — Já pensou em como ele deve estar inseguro? Ainda mais que você foi o primeiro...
— Já te disse que não fui o primeiro. Ele teve um rolo de três longos anos, então sabe das coisas. — Aomine constatou a contragosto, olhando para os últimos grãos secos de arroz em seu pote. — E outra, o que pode acontecer em duas semanas? Nada. Nada vai mudar.
— Pare já com esse seu jeito egoísta, Aomine Daiki! — Momoi fez um gesto irritado, fechando os punhos e inflando as bochechas. — Coloque-se no lugar dele!
— Ele também não me falou nada até agora. — Constatou, erguendo as sobrancelhas. — E você parece um esquilo quando faz essa cara. — Acrescentou, debochado.
— Pare de ser indiferente! — Ela replicou, ignorando a provocação ao fitá-lo com os olhos estreitos. — Desse jeito parece que ele não é tão importante assim para você.
— Ele é e você sabe disso. — O moreno murmurou imediatamente, também semicerrando os olhos. — Por isso quero que funcione. Não vou apressar as coisas e correr o risco de cagar no pau quando tudo está dando certo. Você sabe como eu sou.
— Sei que você tem suas idiotices de tempo certo, suas crises de egocentrismo e um caminhão cheio de ideias bestas e individualistas, mas isso pode te levar a perdê-lo, sabia? — Ela apontou para seu rosto com o hachi, ameaçadoramente. — Ou você acha que é o suficiente estar com outra pessoa apenas dando um beijo aqui e outro ali, fazendo sexo o tempo todo e assistindo especiais dos X-men?
— Eu gosto assim.
— Você é um idiota! — Ela revirou os olhos. — Sinceramente, se eu estivesse no lugar do Kagamin me sentiria usada.
— Eu não estou usando ele, ok? E ele sabe disso. — Aomine bufou, fechando o pote de comida. — Eu nunca gostei de ninguém como gosto dele, e é exatamente por isso eu não sei como agir, não sei o que falar e não sei o que fazer. — Soltou um suspiro cansado, olhando para o rosto irritado da amiga. — É tudo novo para mim. Não consigo demonstrar por palavras. Mas, porra, hoje eu vou descongelar sozinho uma lasanha para nós dois, estou há semanas conversando com ele por mensagens, o vejo quase todos os dias, já disse duas vezes que sinto falta dele... Se o Taiga não percebeu que gosto dele é porque é muito burro! — Acrescentou, devolvendo o pote vazio para a amiga.
— Tudo isso que você me falou agora, você poderia simplesmente falar para ele. — Satsuki soltou um sorriso mínimo, cruzando os braços com delicadeza e apoiando-os na mesa. — Aposto que ele está apenas esperando ouvir isso da sua boca, afinal, você é uma pessoa difícil de entender, ainda mais para quem observa de fora... Até uma planária saberia disso. — Ela riu de sua própria piada. — E outra, Kagamin tem aquela cara de mal, mas ele é bem sensível. Pode ter certeza disso.
— Eu vou dizer tudo a ele, Satsuki. Quero muito fazer isso, mas no tempo certo, sem me atropelar. — Aomine respondeu pela milésima vez, juntando distraído as pontas dos próprios dedos compridos. — Eu realmente gosto dele, porém tenho medo de fazer uma merda e acabar com tudo. Você sabe muito bem como eu sou quando ajo por impulso, não é? — Perguntou, arrancando um aceno positivo da amiga. — Pela primeira vez na vida eu realmente não me importo em me envolver a sério. Eu quero muito que dê certo... Mas tudo ao seu tempo. Ele com certeza vai saber me esperar.
— Não quero te forçar, mas e se nesse seu "tempo" o Taiga descobre que ainda gosta do Himuro-kun? — Ela questionou de repente, erguendo as sobrancelhas. — Eles se conheceram na América, não é? E se por acaso ele também estiver por lá nas férias?
O moreno não encontrou uma resposta imediata. Não considerara essa possibilidade nada auspiciosa. Permaneceu olhando para os próprios dedos, sentindo uma pontada em seu estômago — a mesma pontada que sentiu ao ouvir Kagami falar sobre o Himuro pela primeira vez, a mesma que sentiu ao vê-lo ajuntar o anel com cuidado na manhã seguinte, a mesma que sentia toda vez que via o objeto balançando em seu pescoço. Ciúme. Era o mais puro e gosmento ciúme — precisou admitir para si mesmo.
— Eu me garanto. — Disse por fim, levantando os olhos para a amiga. — Eu sei que ele gosta de mim, assim como ele deve saber que gosto dele. Uma palavra a mais ou uma a menos não vai mudar nada em tão pouco tempo. — Assegurou, confiante. — Está tudo sob controle.
— Ok, Dai-chan. Ok! — Ela sorriu de canto, empilhando os dois potes de marmita. — Mas tome cuidado, ok?
— Já disse, está tudo sob controle. — Garantiu, ouvindo a melodiosa sirene da escola ecoar pelo pátio, avisando o término do horário de almoço.
— Certo, senhor "Preciso do meu Tempo". — Ela riu por fim, afagando distraidamente seus cabelos azuis ao se levantar. — Sabe que, mesmo sendo chata, estou torcendo muito por vocês, não sabe?
— Eu sei! — Aomine murmurou, pondo-se em pé também.
— Apesar de tudo, é muito legal isso que você está fazendo pelo Kagamin. — Momoi ergueu o rosto para encará-lo. — Nunca te vi assim antes... Se policiando, pensando antes de agir, cuidando antes de falar.
— Ah, Satsuki. — O moreno revirou os olhos, com preguiça, começando a andar até a entrada da escola. — Chega de falar sobre isso.
— Ok! — Ela sorriu radiante, já caminhando ao seu lado. — Hm, Dai-chan, só mais uma coisa... Você já percebeu que, mesmo saindo com garotas, você só se apaixonou por garotos?
— Tá insinuando que eu sou gay? — Aomine ergueu as sobrancelhas de forma acusatória, fitando o rosto alegre de Momoi.
— Quem sabe? — Ela fechou os olhos gentilmente, apressando o passo para evitar alguma resposta de Daiki.
— Morra! — O moreno exclamou impaciente, vendo-a se afastar. — E obrigado pelo almoço. — Finalizou, quase inaudivelmente, subindo as escadas que davam acesso à escola.
Realmente, nunca havia reparado naquilo antes. Teve que sorrir minimamente. Satsuki era uma ótima amiga, e muito observadora — as vezes até demais. Ela conseguira colocar uma pequena pulga atrás de sua orelha. Uma pulga chamada Himuro Tatsuya.
Não tenho por que me preocupar... Sei que você é meu, Taiga! Pensou confiante, dirigindo-se ao banheiro para escovar os dentes.
***
Horas depois
Daiki olhava pacientemente para as instruções contidas na grande embalagem de lasanha congelada que comprara. Ali estava bem claro que era só colocar no micro-ondas por 15 minutos, e então estaria pronta para consumo.
— Ok, não tem erro! — Suspirou fundo, abrindo a porta do eletrodoméstico.
Com cuidado, puxou minimamente a tampa plástica — conforme o desenho mostrava —, deixando uma pequena fresta para que o calor pudesse descongelar o alimento. Nunca fizera isso antes. Colocou o recipiente em cima do prato de vidro do micro-ondas, fechou a porta e, com um novo suspiro, apertou o número 'um' e o número 'cinco' da tela, acompanhados por mais dois 'zeros' no final.
— Ligar! — Exclamou de forma aleatória, pressionando o botão verde. Instantaneamente, o aparelho começou a emitir seu chiado característico. — Qual é, posso fazer isso sozinho. É só uma lasanha. — Riu de sua própria insegurança, andando paciente até o quarto aquecido.
Sem muita pressa, Daiki olhou ao redor e constatou que seu 'covil' estava satisfatoriamente ajeitado (e bem arejado), assim como o resto da casa. Não que se preocupasse com isso, mas nas últimas semanas não estava mais conseguindo encontrar suas próprias coisas no quarto — obrigou-se a organizá-lo parcamente. E outra, Taiga não vinha até ali para admirar a decoração ou a bagunça.
— Música... — Murmurou para si mesmo, dirigindo-se imediatamente ao notebook em cima de sua escrivaninha. Não se deu ao trabalho de sentar, apenas curvou-se e começou a vasculhar suas diversas pastas de áudio. Optou pelo óbvio: Imagine Dragons. Sabia que Taiga gostava.
O som alto e repetitivo da campainha ecoou pela casa no mesmo instante que It's Time começou a tocar, fazendo o estômago de Aomine revirar-se de ansiedade. Preferiu culpar a fome, era mais fácil.
— Está quatro minutos atrasado. — Aomine murmurou com um sorriso crescente, olhando para o relógio em cima de sua escrivaninha. 19h04min.
Não precisou pensar duas vezes, simplesmente foi apressado em direção à entrada e apertou o interruptor que acenderia a luz da varanda, já pegando a chave do portão. O sorriso foi espontâneo assim que a abriu a porta e deparou-se com o ruivo do outro lado da grade. Ele olhava para todos os lugares, menos para Daiki.
Idiota orgulhoso! Pensou, vendo o sorriso surgir aos poucos nos lábios dele, conforme se aproximava. Vou sentir falta das porcarias dos seus caninos.
***
Sem querer, Daiki acertara o sabor preferido do ruivo ao comprar a lasanha no mercado. Bolonhesa. Curiosamente o mesmo que o seu, apesar de também compartilharem o bom gosto por Quatro Queijos em qualquer outro alimento. Conclusão? Jamais brigariam por comida.
— Suas habilidades culinárias me surpreendem. — Kagami ironizou de forma divertida, comendo o primeiro pedaço da sua metade da lasanha.
— É uma janta, ou não é? — Aomine ergueu as sobrancelhas, rindo. — Nunca falei que iria cozinhar de fato, só que iria fazer uma janta. — Concluiu, olhando para Kagami ao seu lado.
— É, Daiki, é. — O ruivo revirou os olhos, de boca cheia. — Pelo menos você não a queimou.
— Sou praticamente um Chef. — Aomine sorriu de forma presunçosa, fazendo um gesto esnobe com os braços. — Isso aqui é uma verdadeira obra prima. — Assegurou, colocando mais um pedaço da massa na boca.
— É muito bom mesmo. Você tem um ótimo gosto para escolher comida congelada. — O ruivo concordou com um sorriso, voltando o olhar para o próprio prato.
— Ei, como você foi nas provas? Passou de boa? — O moreno perguntou já em seguida, curioso.
— Terei que agradecer o Kuroko por todos os dias da minha vida. — Kagami riu um pouco nervoso, virando o rosto para encará-lo mais uma vez. — Se ele não tivesse me passado cola eu com certeza teria reprovado. Só fui bem em Inglês, no resto cheguei muito perto de me foder... O pior foi Matemática, com certeza. Já sei que minha mãe vai me matar. — Ele disse, erguendo as sobrancelhas, com uma expressão sofrida. — E você?
— Devo o mesmo agradecimento à Satsuki. — Aomine afirmou com um sorriso orgulhoso. Pelo menos nas colas valia a pena brincar de "James Bond" em sala de aula. — Foi por muito pouco, sério. Até em História fui meio mal, e é a matéria que mais gosto. Porém, apesar de tudo, passei, e agora estou de férias... É isso o que importa! — Sorriu, fechando os olhos ao suspirar fundo. — Consegue sentir o cheiro da liberdade?
— Não ainda. — O ruivo torceu o nariz, colocando outra garfada na boca. — Por enquanto só sinto o cheiro do Aeroporto.
— Hm, é. Você vai amanhã de manhã, não é? — Aomine sorriu de canto, camuflando seu leve desânimo ao vê-lo fazer um gesto positivo com a cabeça. — Mas pense que você vai estar em Los Angeles, idiota. Lá deve ser muito foda.
— E é, mas é sempre a mesma coisa. — Kagami maneou a cabeça, para tirar o cabelo da frente dos olhos. — Sempre fico sem ter o que fazer, apesar de existir um milhão de lugares para frequentar. Sozinho nunca tem graça. — Constatou, dando de ombros. — No verão eu posso sair para surfar, tem o basquete... Mas no inverno não. Torna-se bem chato.
— Saquei. — Daiki ergueu as sobrancelhas, sem saber como responder.
Concentrou-se em sua lasanha, assim como Kagami fez. Queria pensar em qualquer coisa, menos que ficaria duas semanas sem vê-lo. Torcia para esses dias passarem bem rápido... Poderia hibernar nesse meio tempo. Riu mentalmente, mas então cogitou a hipótese. Caralho, que ideia boa.
O silêncio se estendeu pela mesa da cozinha, cortado apenas pela música distante e pelo som dos talheres chocando com o prato. Estavam ocupados demais comendo para falar qualquer outra coisa, mas nem mesmo o silêncio se tornava desconfortável quando estava na companhia de Taiga.
Como quem não quer nada, Aomine moveu sutilmente a perna, até que os joelhos de ambos se encostassem. Sua visão periférica flagrou Taiga virando-se minimamente para fitá-lo, ele parecia um pouco surpreso. Daiki decidiu não retribuir o olhar, apenas continuou a comer, como se não fosse nada de mais. E não era... Era natural, assim como o sorriso que surgiu no rosto de Kagami em seguida.
Era ele, com certeza.
***
~Kagami Taiga~
— A porta, Taiga! — Aomine alertou-o rapidamente, assim que virou-se cama, com a voz um pouco alarmada.
— Ah... — O ruivo fez uma careta desgostosa ao lembrar-se da claustrofobia do moreno, entreabrindo novamente a porta do quarto, a qual fechara no impulso após vê-lo jogar-se na cama. — Costume. Foi mal. Esqueci. — Murmurou sem jeito, aproximando-se. Era muito burro mesmo.
— Relaxa. — Ele sorriu de forma mais confortável, deitando-se de barriga para cima, com os braços atrás da cabeça.
— O que você sente quando fica num lugar fechado? — O ruivo perguntou, ainda envergonhado, sentando-se na beirada cama. Era apenas a segunda vez que frequentava a casa de Daiki, não conseguia ser tão folgado quanto ele... Ainda mais após dar um bostaço gigante daqueles.
— Fecha lá que você vai ver. — Ele debochou com um meio sorriso, olhando-o de canto. Indicou a porta com a cabeça.
— Você é masoquista por acaso? — O ruivo revirou os olhos, dando-lhe um leve tapa na orelha. — Por que eu faria isso com você, idiota?
— Para saber. — Ele deu de ombros preguiçosamente, virando-se de lado na cama, de frente para a borda onde Kagami estava. — Mas falando sério, eu começo a me sentir sufocado. Parece que o ar vai acabar e eu vou morrer. — Aomine disse com uma naturalidade desnecessária, franzindo a testa. — Não sei explicar. É bem ruim.
— Hm... — O ruivo ergueu as sobrancelhas, olhando para a porta e então novamente para Daiki. — Você tem isso desde quando?
— Desde os quatro anos. — Ele respondeu, batendo suavemente na cama para que o ruivo deitasse ao seu lado. Kagami foi sem hesitar, ainda ouvindo-o falar. — Tipo, como já te contei uma vez, eu cresci no sítio dos meus avós. Num dia desses estava brincando de esconder com alguns amigos e fiquei preso em uma casinha de jardinagem no terreno do vizinho. — Ele continuou, envolvendo Kagami com uma das pernas, assim que o ruivo deitou-se. O sorriso foi inevitável. — Mas como era bem afastado de tudo, ninguém me encontrou. Fiquei preso lá dentro durante um dia inteiro, no escuro, com pouco ar. E foi assim. — Ele disse, torcendo o nariz de forma cômica, como se não fosse algo ruim.
— Que bosta. — O ruivo comentou, encarando-o de perto. A vontade de afagar os cabelos azuis fez seus dedos formigarem, mas não teve a coragem necessária. Simplesmente aproximou-se um pouco mais com o corpo, para que seus tórax ficassem encostados. — Achei que naquele dia que fomos ao cinema você passaria mal por ficar na sala.
— Quando tem uma saída aberta por perto não tem problemas. Só se for completamente fechado. Aí fodeu. — Aomine explicou, apoiando-se com o cotovelo no travesseiro, deitando o rosto na palma de sua mão. — Mas é difícil achar lugares assim... Geralmente elevadores, carros com as janelas fehcadas e salas pequenas. O resto é de boa. Meio que aprendi a lidar com isso.
— Entendi. — O ruivo sorriu de canto, fitando os olhos azuis acima dos seus. — Foi mal pela porta.
— Pare de ser besta. — Ele riu, dando-lhe um selinho repentino e demorado nos lábios. — E você? Do que você tem medo?
— De cachorros e espíritos. Mas principalmente de cachorros. — Kagami admitiu com um largo sorriso em seu rosto, que não tinha nada a ver com o fato de estar revelando seu trauma de infância, e sim com a pressão do beijo ainda queimando em seus lábios.
— Pff... — Daiki tentou segurar o riso, mas não conseguiu. — Sério, Taiga? — Ele começou a gargalhar exageradamente.
Kagami obrigou-se a rir também, após uma falha tentativa de permanecer sério. Aquele maldito sorriso de Daiki jamais deixaria de ser contagiante, ainda mais vendo-o tão de perto, com aquela intimidade tão grande... Mas ao mesmo tempo tão incerta.
— Eu fui mordido por um cachorro enorme, tá? — O ruivo defendeu-se de forma divertida, erguendo o pulso para ele ver a marca quase imperceptível e esbranquiçada que os dentes do animal deixaram em sua pele. — Tenho uma cicatriz aqui, ó! — Mostrou com o dedo indicador da mão livre.
— Nossa, coitadinho! — Aomine debochou, ainda rindo, ao olhar para seu braço.
— Vai se foder, seu babaca! — O ruivo o empurrou comicamente, fazendo-o rolar na cama. Só não esperava que Daiki fosse segurá-lo pela blusa, puxando-o também.
O beijo que veio a seguir foi extremamente natural, tão espontâneo quanto o primeiro que deram na vida — fruto de pura química, de uma simples troca de olhares. Taiga se sentia tão bem ali que mal conseguia explicar como um dia chegou a odiar Aomine Daiki. Em tão pouco tempo passaram de rivais à... Amantes? Não sabia como classificar seu atual status. Mas gostava... Gostava muito da forma como as coisas aconteciam com Daiki. Era ali que queria estar.
No início os lábios se moviam suavemente, ainda com sorriso brincando no rosto de ambos, mas aos poucos a intensidade foi aumentando e o tesão foi surgindo. Era sempre assim, principalmente quando o cheiro inebriante e amadeirado de Daiki invadia violentamente seu olfato; quando conseguia sentir o calor do corpo dele por debaixo das roupas inoportunas; e quando a língua quente do moreno invadia sua boca e se movia da forma mais lasciva possível. Era simplesmente ridícula a ideia de não delirar com aquilo tudo.
A boa música foi rapidamente esquecida por Kagami. Os únicos sons que preenchiam sua audição agora eram provenientes das batidas do próprio coração, acelerando a cada novo e sutil mover de lábios. A excitação era inevitável quando encontrava-se naquela situação, e as fisgadas fortes em seu baixo ventre vinham cada vez mais intensas.
A respiração de Taiga falhava a cada segundo, pois as mãos grandes e firmes de Daiki percorriam suas costas e o guiavam para cima de seu corpo quente e necessitado. O ruivo já sabia exatamente o que fazer, tinha conhecimento do que ambos precisavam e não sentia mais vergonha nenhuma ao assumir que adorava fazer sexo, ser fodido por Daiki. O queria tanto...
Agindo por puro instinto, Kagami posicionou um joelho em cada lado do quadril de Aomine, podendo assim sentir claramente a ereção de ambos encostando-se. Um leve gemido de satisfação escapou por seus lábios assim que Daiki o puxou pelas nádegas, incitando-o a se mover de forma insinuante, lenta e erótica sobre seu corpo.
Não conseguia e nem queria mais segurar o que sentia. Daiki o deixava completamente fora de controle.
— Taiga... — Ouviu o moreno sibilar seu nome assim que desceu os lábios até seu queixo pontudo e forte, depositando ali uma leve mordida. Kagami sabia que ele gostava de sentir um pouco de dor, o sorriso de satisfação em seus lábios deixava aquilo mais do que claro.
Daiki inclinou o pescoço para trás, facilitando assim as mordidas e chupões que Kagami dava em sua pele. Kagami enterrava seus caninos sem dó naquela tez morena, na intenção de marcá-lo como seu, mesmo que não fosse de fato. Os gemidos de Aomine eram sua maior satisfação, o deixavam tão excitado que quase não controlava mais sua vontade.
— Eu estou com tanto tesão Daiki... — O ruivo admitiu em um murmúrio tremido, descendo os dedos para a base da blusa de lã de Aomine, erguendo-a sem pensar muito mais.
— Não é só você, Taiga... — Aomine respondeu com a voz embargada de desejo, removendo a roupa de seu corpo, com pressa, avançando mais uma vez para a boca de Kagami assim que atirou a peça para longe.
Respondendo aos seus próprios impulsos de coragem besta, o ruivo desceu a mão até o botão da calça jeans de Aomine, amaldiçoando-o por não estar usando um simples e sexy moletom cinza, como da última vez que fora na casa dele. Seus dedos tremiam bastante — um pouco por ansiedade e o resto por puro tesão —, no entanto, depois de uma breve e cômica dificuldade, conseguiu abrir o zíper.
Ainda era bobinho, sabia disso, mas aprendera a seguir seus instintos e descobrira que no final sempre valia a pena.
Kagami sentou-se sobre as pernas de Daiki, apoiando-se em seus joelhos, e, o encarando, começou a remover os jeans, deslizando-os por suas pernas fortes. Caralho, como você pode ser tão gostoso? O ruivo pensou, inebriado, descendo automaticamente o olhar para a cueca branca, na qual já havia uma aparente mancha de pré-gozo. Seu ego inflou na hora, pois sabia que era o único motivo de ele estar molhado e duro daquele jeito. Não conteve o meio sorriso de satisfação.
Assim que a calça foi parar em qualquer canto do quarto, o ruivo tomou mais um surto de coragem e passou os dedos trêmulos por cima do membro entumecido, escondido apenas pelo fino e úmido tecido. Nunca havia encostado ali, provavelmente porque não tivera coragem, ou até mesmo por falta de oportunidade... Era sempre o moreno que tomava as rédeas, mas hoje seria diferente. Era uma despedida? Talvez. Queria fazê-lo lembrar-se de si enquanto estivesse longe.
A reação de Daiki foi a melhor possível, um misto de surpresa e tesão incontido. Foi a vez de Kagami flagrá-lo mordendo os próprios lábios — aquilo foi delicioso e apenas o incentivou a continuar, agora com mais firmeza e confiança. Conseguia sentir as veias levemente latejantes de seu pênis, conforme realizava a pressão e o movimento de vaivém com os dedos.
Percebendo o incômodo que a peça de roupa causava, Kagami deslizou a cueca para baixo, atirando-a para longe assim que o moreno movimentou-se para auxiliar a remoção. Eram ótimos parceiros na cama. O ruivo pensou, satisfeito, olhando imediatamente para o rosto Daiki. Deliciou-se com expressão que ali havia... Sabia que ele o queria com a mesma intensidade, via nos olhos azuis. Estavam embargados de desejo.
Aomine cerrou os punhos e apertou as cobertas assim que o ruivo tocou novamente em seu pênis, agora fechando os dedos sobre a carne quente, iniciando uma lenta masturbação. Com a grande quantia de pré-gozo que escorria, Kagami conseguiu lubrificá-lo melhor, facilitando assim o movimento.
— Puta que me pariu Taiga... Que gostoso. — Ele sibilou de forma sôfrega e rouca, apertando os olhos em seguida. — Vai...
Ouvir tais palavras, saindo por aqueles lábios, levou a sanidade de Kagami à ruína. O ruivo gemeu, inconsciente, mal acreditando que tinha Aomine Daiki entregue em suas mãos daquela forma deliciosa. Sentia seu próprio pênis pulsar de vontade por debaixo da tanta roupa, mas deixou o egoísmo de lado... Queria dar prazer a ele agora. E sabia que estava conseguindo.
Inclinou-se sobre o corpo nu de Daiki para beijá-lo nos lábios, ainda executando o repetitivo movimento com os dedos bem fechados sobre seu pênis. Sentia o corpo trêmulo abaixo de si, ao mesmo tempo que a língua ávida do moreno procurava espaço em sua boca e os dedos firmes apertavam seu moletom, tentando removê-lo de qualquer jeito.
Ambos precisaram sentar-se na cama para retirarem as roupas de seu tórax, já que as embolaram com a pressa. Kagami concluiu que invernos tornavam-se extremamente inconvenientes quando o assunto era sexo. As peças grossas travaram em seu queixo, arrancando risadas trêmulas e embargadas de ambos. Foi uma pequena luta até o moletom e sua camiseta juntarem-se às peças anteriores, no chão do quarto de Daiki... Mas quando elas sumiram, o moreno o puxou para seu colo, apoiando-se com as costas na cabeceira da cama — era o indício de que novamente Kagami ficaria por cima.
— Faltou isso. — Aomine murmurou de forma firme em sua orelha, elevando os dedos até a corrente com o anel de Tatsuya, removendo-a sem cerimônia e soltando-a no chão. — Não sei porque você ainda usa. — Finalizou em voz baixa, com um chupão em seu pescoço.
— Deixa isso pra lá... — Taiga arfou aleatoriamente ao sentir a dor gostosa em sua pele. Esqueceu o objeto ao encostar-se ao tórax de Daiki, enterrando os dedos em seus cabelos azuis. Mais uma onda de satisfação invadiu seu âmago... Tudo aquilo era bom demais para estar acontecendo.
Com mais um pouco de dificuldade cômica, removeram os jeans de Kagami, junto com sua cueca vermelha. O ruivo gostou demasiadamente da sensação do domínio, mas a certeza nos movimentos de Daiki o deixaram praticamente inerte... Principalmente sentindo a masturbação dupla que ele realizava com tanta destreza. Deduziu que gostava mais ainda de ser dominado... Estava com um tesão absurdo.
— Daiki... — Murmurou com a voz rouca e entrecortada, contra os lábios afoitos do moreno. Apesar de a masturbação estar deliciosa, queria muito sentir-se preenchido. Agora. Seu corpo implorava e Aomine sabia disso.
— Vem logo. Senta aqui no meu pau, Taiga. — O moreno o encarou de forma lasciva, com os lábios entreabertos e levemente inchados do beijo. Tão sexy. — Eu não aguento mais. — Ele admitiu, sorrindo de canto ao morder seu queixo com um pouco de força.
Apesar da visão turva, Kagami pôde ver a mão de Daiki tatear a cama e sumir embaixo do travesseiro, em busca do lubrificante previamente separado. Era um convencido de merda mesmo.
~Aomine Daiki~
O moreno sorriu, vendo o olhar de Taiga acompanhar sua mão, que já apanhava o lubrificante. Sabia que o ruivo viria com o 'convencido de merda' de sempre, mas não permitiu que ele dissesse nada, apenas elevou o rosto e o beijou mais uma vez, ao mesmo tempo em que passava o gel por seu pênis. Até mesmo o toque ridículo de seus próprios dedos chegava a causar arrepios... Simplesmente não aguentava o tesão gigante que Kagami Taiga o proporcionava.
Estavam tão próximos, com os tórax nus encostados, os lábios úmidos roçando sutilmente, os olhos embargados de desejo fitando um ao outro... Era uma intimidade tão boa, nunca teve isso com ninguém. Pensou de forma distraída, sentindo-se repentinamente feliz por as coisas estarem dando tão certo.
Em meio a seus devaneios perdidos, Daiki pôde perceber o corpo do ruivo elevar-se minimamente, mas sem desviar o olhar rubro um instante sequer. Ele era simplesmente a pessoa mais foda com quem já esteve na cama... E fora dela também.
— Ah... — Aomine sibilou sutilmente, sentindo-o posicionar seu pênis com os dedos trêmulos e então sentar vagarosamente sobre o mesmo. — Taiga... — Obrigou-se a gemer em voz baixa, fechando os olhos assim que a cabeça de seu membro entrou de uma vez só naquele interior tão quente.
Sem conseguir mais raciocinar de forma clara, Aomine o abraçou com força pelo tórax e encostou o rosto de ambos, sentindo a respiração pesada de Taiga acariciar sua pele quente e febril. Só Kagami e ele importavam agora, qualquer outro detalhe era praticamente insignificante. A música, o frio, a viagem, a escola, o basquete, o filho da puta de franja... Tudo sumiu de sua mente.
Ao mesmo tempo em que sentia o calor delicioso do interior de Taiga esmagando aos poucos seu membro, Aomine conseguiu perceber a primeira lágrima do ruivo colidir com sua bochecha. Era sempre assim, mas ele era durão, nunca dava o braço a torcer, jamais demonstrava a dor... Afinal, conhecia o prazer imenso que viria em seguida. E que nunca demorava à chegar.
— Ah, Daiki! — O ruivo soltou um gemido incontido e sôfrego contra seus lábios, mordendo-os em seguida com um pouco de força. Gostava da dor. — É tão bom... — O sussurro embargado perdeu-se dentro da boca de Aomine assim que o ruivo deslizou com o corpo até o final, arranhando a pele morena de forma deliciosa.
— Sim... É muito bom. — Daiki concordou plenamente em um murmúrio, abrindo os olhos para encarar os orbes vermelhos à poucos centímetros dos seus. — Você é tão apertado Taiga... — Sibilou provocantemente, deslizando os dedos com força pela extensão das costas quentes, apertando-o contra si.
— E você tem um pau muito gostoso. — Kagami sorriu de canto, um pouco tímido, subindo minimamente com o corpo e então descendo mais uma vez, com força, estocando sua própria próstata.
— Caralho Taiga... — O moreno gemeu de satisfação e surpresa ao mesmo tempo, sentindo que pelo menos dois minutos da duração do sexo esvaíram-se ao ouvir aquela frase. Como ele podia ser tão sexy?
Kagami não disse mais nada, apenas beijou os lábios de Daiki com pressa e elevou mais uma vez o corpo, liberando o moreno daquele aperto tão confortável e torturante ao mesmo tempo. Não tardou a descer novamente, com a mesma vontade de antes, esmagando-o mais uma vez. Taiga repetiu o movimento mais quatro, cinco, seis, sete vezes, mexendo sutil e deliciosamente o quadril a cada descida.
Os gemidos tornaram-se praticamente inevitáveis conforme ambos se acostumavam com aquele ritmo cadenciado e urgente que o ruivo impôs. O sexo com Taiga era extremamente lascivo... O faziam tão bem que suas vidas pareciam depender daquilo.
Sem conseguir mais aguentar de tanto tesão, o moreno o envolveu com os braços e começou a auxiliar no movimento, puxando-o para baixo todas as vezes que o ruivo erguia o corpo. Dessa forma conseguia penetrá-lo muito melhor, mais fundo, principalmente quando empurrava seu quadril para cima. Estava tão gostoso daquela maneira, se não cuidasse iria gozar antes da hora. Hoje isso seria muito fácil de acontecer...
— Mais, Daiki... — O ruivo rosnou roucamente, atirando a cabeça para trás ao mover o corpo com mais firmeza, cada vez mais confiante. — Mais fundo.
— Taiga! Você é tão gostoso. — Daiki obrigou-se a morder os lábios ao admirá-lo soltar-se daquela forma, puxando-o para baixo uma última vez. — Eu quero te foder agora...
Sem esperar qualquer reação do ruivo, Aomine o empurrou-o pelo peito com ambas as mãos, forçando-o a deitar na cama. Sem perder tempo, tomou-lhe a boca em mais um beijo necessitado, posicionando-se entre suas pernas entreabertas.
A segunda penetração ocorreu de forma mais fácil e rápida, porém não menos gostosa. Poderia simplesmente morrer ali, desfrutando de todas as sensações indescritíveis que apenas aquele cara conseguiu causar em seu corpo até hoje. Taiga não era do tipo frágil, e isso era a melhor parte, era o que Aomine mais gostava quando transavam. Sentia um tesão imensurável pelo homem em sua frente. Ele era foda! Ele era seu!
Daiki não continha mais os gemidos de prazer. Juntou-se a Taiga, preenchendo o quarto com sua voz e com o barulho repetitivo dos corpos úmidos do suor se chocando. Logo iria gozar, mas sabia que o ruivo também não iria longe. Ele já manifestava os sinais do orgasmo.
Aproveitando a deixa, o moreno o puxou pelo quadril com força, enquanto estocava com a mesma intensidade, beirando quase a violência... Era disso que Taiga gostava. Podia ver as juntas esbranquiçadas de suas mãos, apertando as cobertas; os olhos revirando de prazer; os gemidos incontidos escaparem tão naturalmente pelos lábios entreabertos e trêmulos.
— Daiki, eu vou gozar! — Ele rosnou de forma rouca, fechando os olhos com força. — Fode assim...
— Eu também... — O moreno mordeu os lábios, sem mudar seu ritmo. — Vou gozar. — Foi o que conseguiu dizer, segurando-se para ele chegar ao orgasmo primeiro, só então removeria-se de seu interior. Não iria aguentar muito tempo se continuasse assim.
— Goza dentro... — Ele pediu com a voz falha e embargada, masturbando-se assim que os primeiros espasmos atingiram seu corpo. Quando Aomine viu os primeiros jatos de sêmen do ruivo atingiram seu corpo, desabou também.
Orgasmo é um sinônimo de perfeição.
— Ah. — Limitou-se a gritar uma única vez, inclinando-se para morder com força o pescoço de Kagami. O calor e os arrepios atingiam cada mínimo pedaço de seu corpo, partindo exatamente de seu membro latejante. O gozo jorrava e batia no interior de Kagami, preenchendo-o e causando uma pressão deliciosa em seu próprio pênis. — Taiga... — Sussurrou em seu ouvido, segundos depois, cerrando os olhos com força ao sentir os últimos espasmos.
"Eu gosto de você". As palavras não saíram, então optou pelo silêncio. Não adiantava forçar a barra para ambos.
Satisfeito, o moreno apenas apoiou a cabeça na curva do pescoço de Kagami, recuperando-se aos poucos da deliciosa sensação que acabara de usufruir. Soltou um mínimo sorriso ao perceber os braços trêmulos de Taiga envolverem seu corpo em algo parecido com um abraço desajeitado. Poderia ficar ali por um longo tempo, até dormir se quisesse. Seria uma forma de não deixá-lo ir para casa... Quem sabe assim ele perderia o voo e ficasse no Japão. Brincou sozinho com seus pensamentos utópicos.
Ao ouvir um suspiro longo e calmo de Taiga, Aomine elevou um pouco o corpo e o encarou, removendo-se vagarosamente de seu interior já em seguida. Ambos riram quando o gozo escorreu por entre as pernas, até atingir o lençol e as cobertas.
— Acho que sujamos a cama. — O ruivo debochou, mostrando os caninos.
— Não faz mal, já estou acostumado com isso. — Aomine deu de ombros, soltando uma leve risada ao olhar para a colcha. — Não foi a primeira vez que aconteceu comigo.
— Hm. — Taiga murmurou com a voz baixa, desviando brevemente o olhar.
Aomine só se deu conta do bostaço que saiu de sua boca quando viu o sorriso de Taiga se desfazendo aos poucos. O moreno alarmou-se na hora, entretanto não soube como reverter a situação — nunca havia passado por isso antes.
Se referira às suas próprias punhetas, e não à outras pessoas com quem transara... Ele levou para o lado errado, com certeza. Droga. Daiki estava se sentindo culpado, mas as palavras não vieram, não sabia como desfazer a situação embaraçosa.
— Hm, não sabia que você também gostava de Justin Timberlake. — O ruivo murmurou, sem jeito, olhando para o computador, de onde vinha a música What Goes Arround. Com certeza ele procurou desviar o assunto.
— Eu gosto. — Aomine pigarreou, deitando-se ao lado de Kagami na cama, apoiando-se em seu braço para encará-lo. — Desde sempre na verdade.
— É legal. — Taiga assentiu, virando-se para a borda oposta da cama, perdendo ali alguns segundos. Provavelmente estava em busca de suas roupas.
— Ei... Bakagami. — Daiki o chamou, um pouco sem jeito, puxando-o suavemente pelo braço. Taiga o encarou no ato. Pelo menos agora havia um pequeno sorriso em seu rosto.
— Hm? — Ele questionou, virando-se completamente para o moreno, já vestindo a cueca vermelha.
Aomine não soube o que dizer, então simplesmente curvou-se para beijá-lo. Não era como se tivesse feito uma cagada de verdade, mas queria pedir desculpas pela infeliz escolha de palavras através daquele simples toque de lábios. O gesto foi correspondido na hora, para seu alívio.
Um pouco surpreso, o moreno arrepiou-se quando sentiu os dedos de Kagami roçarem de leve sua bochecha, ao ponto de causar um agradável comichão. Aomine afastou os lábios com suavidade e então o encarou por longos segundos... Uma falha tentativa de ler os pensamentos através daqueles olhos vermelhos, tão raros.
Eu sou seu Taiga, você sabe disso, não é? Perguntou mentalmente à ele, ainda sentindo os dedos alisarem sua pele... Até a mão dele parar e repousar mais uma vez na cama.
— Daiki... — Ele começou a falar, mantendo o semblante sério. — Por que minha corrente te incomoda tanto?
— Ah... Ela atrapalha quando eu vou morder seu pescoço. — Aomine deu de ombros, sorrindo de forma forçada. Lógico que era mentira, mas jamais admitiria o real motivo. — Lá vem você com essa viagem de ciúmes de novo? — Perguntou em tom brincalhão, cutucando-lhe a bochecha com o indicador.
— Gostaria que não fosse viagem. — Ele admitiu com a voz baixa, dando-lhe um selinho rápido. Daiki congelou na hora, sentindo o estômago revirar. — Está frio, melhor a gente colocar a roupa. Não podemos nos resfriar. — Kagami mudou de assunto com um sorriso natural, voltando a atenção para a borda da cama. — Podemos jogar videogame depois? Fiquei empacado naquela fase de Assassin's Creed, e hoje tenho certeza que vou passar.
— Claro. — O moreno murmurou em concordância, sentindo um pequeno aperto em seu tórax. Algo não estava certo.
***
— Quando você volta? — Aomine questionou, virando-se para olhá-lo assim que chegaram ao portão de sua casa.
— Logo depois do Ano Novo. — Ele murmurou, pensativo. — Acho que pelo dia três. Te aviso por WhatsApp.
— Claro. — Daiki sorriu, olhando distraído para o molho de chaves em suas mãos. — Está frio, né?
— Bastante. — Kagami concordou, olhando para o céu. — Espero que não neve agora que estou indo para casa.
— Não quer mesmo dormir aqui? — Aomine perguntou pela segunda vez naquela noite, destrancando o portão à contragosto. Já sabia a resposta, mas não custava tentar.
— Não posso. — Ele murmurou, nitidamente desanimado. — O táxi chega lá no prédio às 6h da manhã. Não vai dar tempo.
— Entendi. — Daiki assentiu, forçando um meio sorriso ao encará-lo. — Então... Até mais, Taiga. — Disse, vendo-o sair sem pressa alguma até a calçada.
— Até! — Kagami sorriu, encarando-o. — Hm... Se comporte. — Riu debochado.
— Você também, idiota! — O moreno sorriu, aproximando-se para dar um selinho em seus lábios.
O simples juntar de lábios virou um beijo metaforicamente barulhento — daqueles que passam milhões de sentimentos, mas sem emitir um ruído sequer. Sem pensar muito, o moreno acariciou sutilmente o rosto gelado de Kagami com a ponta dos dedos, da mesma forma que ele fizera anteriormente. Se não conseguia falar naquele momento, queria que Taiga soubesse o quanto era importante através de suas atitudes.
Quando afastaram-se, viu os olhos rubros a poucos centímetros dos seus e sentiu-se mais tranquilo. Tudo parecia estar sob controle. Em duas semanas Kagami voltaria, e então as coisas finalmente aconteceriam da forma certa. Faria dar certo!
***
~Kagami Taiga~
O ruivo não sabia exatamente o que pensar enquanto voltava para seu apartamento, abraçando o corpo devido ao frio. Tivera uma noite incrível, mas ao mesmo tempo sentiu-se estranho em algumas situações... Seu estômago parecia um pouco embrulhado, mas o ruivo sabia que não tinha nada a ver com a lasanha descongelada.
Gostava tanto de Daiki que poderia explodir só de olhar para aquele rosto... Mas a incerteza da reciprocidade o travava e o impedia de se abrir ou dar um passo a mais no relacionamento incerto que tinham. Não conseguia entender o que ele pensava, não sabia o que ele sentia por si... Daiki era tão ambíguo. E por que diabos ele não falava nada?
— Chega... — Suspirou para si mesmo, já sentindo a cabeça latejar um pouco. — Quando eu voltar de Los Angeles vou resolver isso.
Dane-se se estava sozinho nessa... A agonia começava a incomodar de verdade. Queria que Daiki soubesse de tudo o que sentia, só assim as coisas ficariam sob controle.
Taiga intimamente desejava que os dias passassem mais rápido dali para frente, mas a monotonia de L.A. não permitiria isso. Nem mesmo com Tatsuya por lá...
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