Notas iniciais
Oi meus lindinhooooooooooos! Demorei, mas cheguei. Fim de ano tudo vira uma loucura na minha vida, então estou aqui hoje por um verdadeiro milagre, sério! Vamos ao que interessa... O capítulo! Não tem muita coisa hoje, só estou soltando alguns nós que fiz no decorrer da história e tals... Já que está acabando :P Ainda estou decidindo se o próximo vai ser o último ou não. Enfim... xD Boa leitura meus anjos.

Quinta-feira – 00:18

~Aomine Daiki~

— Ei, Bakagami? — O moreno o chamou baixinho, puxando com força uma mecha ruiva de cabelo do silencioso Taiga, que apoiava as costas em seu braço enquanto assistia a reprise de uma partida clássica da NBA como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Lógico que não era.

Desde o momento em que chegara ao apartamento do ruivo naquela noite ele estava agindo estranho. Parecia um pouco incomodado com alguma coisa, meio escorregadio, falando pouco, sorrindo de forma ligeiramente forçada... Aomine não sabia dizer o que era, mas com certeza ele estava diferente. Por um momento Daiki pensou que sua presença ali começava a deixá-lo desconfortável ou que talvez Kagami estivesse enjoando de ficar tão perto assim, principalmente agora que estava fugindo para dormir ali praticamente todos os dias da semana do castigo — salvo terça-feira, quando despistara a mãe ficando em casa.

— Hm? — O ruivo perguntou distraído, virando o rosto para encará-lo após algum tempo, apoiando-se agora no encosto do sofá azul escuro.

— Vai falando. — Aomine ergueu as sobrancelhas, esperando.

— O quê? — Ele uniu as sobrancelhas, aparentando confusão.

— Não banque o idiota comigo. — Daiki achou graça da reação, dando-lhe um tapa cômico na perna dobrada no estofado. — Por que você está um cu hoje?

— Não estou um cu, idiota. Estou de boa. — Kagami sorriu de leve, devolvendo o golpe.

— Você é um péssimo mentiroso. — O moreno disse com a voz arrastada, abaixando o volume da televisão com o controle remoto ao virar-se completamente para encarar Kagami de frente. — Mas falando sério, hm, acho que a gente já cagou no pau uma vez por não conversar direito... Então... Sei lá. Pode falar se tem algo errado. — Disse com a voz baixa e embaralhada, mal se reconhecendo.

Não era de seu feitio puxar esse tipo de papo, mas a quietude de Taiga estava sendo um pouco preocupante, principalmente porque ele mal calava a boca de tanta empolgação com sua presença nos dias anteriores. A mudança foi radical demais para passar despercebida.

— Tá. Acho que você tem razão. — O ruivo engoliu em seco, em meio a um suspiro longo. — Tipo, tem duas coisas me incomodando um pouco... — Ele comentou, olhando para a televisão antes de voltar-se para Daiki, que já começava a ficar um pouco aflito, mas internamente. Jamais demonstraria insegurança, era coisa de menininha. Taiga continuou: — Só que eu não sei como dizer, porque ter essas conversas com você é algo bastante incomum e putamente estranho.

— No mínimo. Super a nossa cara. — Daiki riu nervoso, coçando a nuca para disfarçar o próprio desconforto. — Mas foda-se. Fala aí. Uma vez não vai matar ninguém.

— Tá. Hm... É que... Eu estou meio pensativo sobre amanhã. Sobre a janta com sua mãe. Isso não sai da minha cabeça desde quando você me intimou para ir. — O ruivo admitiu com pressa, mordendo os lábios. Ele tinha esse costume quando estava nervoso ou muito excitado. Agora com certeza era nervosismo. — Tipo, não sei com qual cara eu vou aparecer lá, entende? Dá aquela impressão de que só vou fazer merda e que ela não vai gostar de mim. Sei lá... Ainda mais sabendo que sou cúmplice das suas fugas noturnas. Vou dar bandeira, com certeza.

Ambos riram brevemente, mas logo Daiki continuou:

— Pare de viajar. Você vai aparecer lá em casa com essa cara de retardado e agir normalmente. Ela vai te amar. Ela gosta de gente meio lerda e tapada. — Aomine explicou com simplicidade e ironia, levando o ruivo a dar-lhe um soco no braço. — Ué? Vai dizer que você não é lerdo? — Riu.

— Vai se foder. — O ruivo repuxou um dos cantos dos lábios, balançando a cabeça enquanto revirava os olhos. — Babaca.

— Bem eu! Enfim... Pare de ficar paranoico com isso, ela é legal e vai gostar de você. Mas fala aí, qual é a outra coisa que está deixando você um cu? — O sorriso de Taiga se desfez aos poucos, conforme Aomine terminava de pronunciar a frase. Aquela sensação de esperá-lo dizer algo sério era estranhamente familiar, assim como a feição vazia dele no momento. — Eu não vou gostar, não é? — Foi a vez de o moreno fechar a expressão ao ver Taiga confirmar suas suspeitas apenas com um olhar, aquele olhar que fazia seu estômago contrair-se de ansiedade. — Desembucha. — Finalizou com um pouco de aspereza involuntária. Ah, o maldito impulso.

Se controle Daiki.

— Me deixa falar tudo antes de você pensar coisas erradas dessa vez, ok?— Taiga pediu rapidamente ao perceber sua reação, encostando a perna de ambos com cuidado. — Ok? — Perguntou novamente, aguardando o aceno positivo de Daiki antes de continuar: — É que... Esses dias atrás eu tive uma conversa meio séria com o Kuroko sobre algumas coisas e eu descobri... Quer dizer, eu suspeito que o... O Tatsuya tenha uma doença complicada, e por isso age desse jeito estranho e duvidoso comigo, e até com você. — Ele foi direto, levando Aomine a suspirar com impaciência por estarem falando daquela praga.

Só podia ser mesmo. Sempre era.

— E daí? — Resmungou, deixando bem claro o seu descontentamento. — Vai correr lá para medir a febre dele ou o quê?

— Não foi isso que quis dizer. — Kagami respondeu imediatamente, encarando o moreno de perto com cautela, mas seriedade também.

— Então pensar no seu ex está deixando você um cu comigo? — O moreno levantou as sobrancelhas ao usar um tom evidente de acusação, principalmente porque estava sentindo aquele aperto gosmento em suas entranhas.

Ciúme. O nojento ciúme.

— Não. Não é isso. Eu estava incomodado porque sabia que essa ia ser a sua reação assim que eu começasse a falar, então estava na dúvida se contava ou se fingia que nada tinha acontecido. Mas eu não sei fingir e muito menos mentir, e de qualquer forma não curto esconder as coisas de você, por isso estava num dilema e até preocupado. Então só me escuta e tenta entender, ok? — Ele pediu, buscando se justificar com racionalidade e até um toque mínimo de suavidade na voz, como se quisesse acalmá-lo com as palavras. Meio que funcionou, em partes. — Depois da conversa que tive com o Kuroko eu decidi que ligaria para a mãe do Himuro. Fiz isso mais cedo para avisar que ele podia ter esse problema, e ela acredita que pode ser mais do que uma suspeita e que iria investigar. Só isso. — Respondeu com a voz baixa, fitando as mãos próximas de ambos. — Não falo mais com o Tatsuya, até porque ele nem olha mais na minha cara. Só estava mal porque sabia que você não ia gostar.

— Ele que se foda. — O moreno fingiu indiferença, olhando para a TV, mas então se voltou para Kagami mais uma vez, rapidamente. — Se você sabia que eu não ia gostar, por que fez?

— Para tentar ajudá-lo. O problema que ele tem é bastante sério, eu não podia simplesmente virar as costas. Ele é bipolar. — Finalizou, como se tivesse dito algo completamente assustador.

— Humpf. — Daiki bufou com desinteresse, largando a cabeça no encosto do sofá ao voltar a atenção mais uma vez para o jogo que passava, mesmo que não estivesse assistindo realmente. Até onde sabia, existia muita gente bipolar andando pelas ruas com o humor atravessado e inconstante, não tinha nada de sério naquela droga.

Silêncio. Apenas os barulhos da partida e do público comemorando algum ponto marcado preencheram a sala por longos minutos. Minutos que pareceram verdadeiros séculos.

— Daiki... — Taiga o chamou em voz baixa.

— Dá pra você esquecer esse infeliz de uma vez ou tá difícil? — Aomine perguntou com a maior calma que conseguiu reunir, olhando-o de esguelha. Precisava de um caminhão de paciência para não fazer ou falar merda. Após um suspiro, continuou: — Porra Taiga, ele ajudou a cagar com o que a gente tinha ao roubar um beijo seu, ficou se achando porque namorou com você por um tempo, e agora que a gente voltou ele veio me encher de provocação besta falando que vocês tinham se comido em Los Angeles. Como é que você ainda não consegue parar de envolver esse idiota em tudo? Se ele é doente, o problema é dele. Não adianta você ficar se metendo. Não vê que só dá merda?

— Sim. Eu sei. — Kagami admitiu com um tom de culpa, olhando em seus olhos. — Sei que é foda e que atrapalha as coisas, mas ele é meu melhor amigo de infância. Tipo a Momoi e você. Se ela estivesse na merda você com certeza tentaria ajudar, mesmo se eu não gostasse, não tentaria? — O ruivo perguntou, erguendo as sobrancelhas de forma acentuada, como se esperasse a confirmação.

— Eu nunca namoraria a Momoi. Nem adianta comprar as coisas. — Resmungou com teimosia, mesmo sabendo que ele tinha um argumento quase válido.

— Você entendeu onde eu quis chegar. — O ruivo disse, ajeitando-se no sofá. — E tem outra, eu e ele nem nos falamos mais, justamente por tudo isso que você citou. E também não sinto vontade de ter ele por perto depois de tudo, só quis ajudar uma última vez... Porque ele é meu irmão.

— Irmão, claro. — Revirou os olhos em meio a um suspiro, voltando-se para a TV. Estava bem mais calmo agora, mesmo que aquela conversa tenha sido chata. — Irmão é o meu cu.

Um novo silêncio se instaurou na sala, mas o clima estava infinitamente mais leve.

— E você sabe que o maior motivo que me levou a ficar com ele foi você, não sabe? Tipo... Eu queria te esquecer de qualquer forma, e ele foi a solução que encontrei. E obviamente foi uma solução precipitada e bastante errada, que só trouxe problemas para todo mundo. — O ruivo comentou, mas Aomine não se moveu, mesmo que tivesse sentido o interior esquentar de satisfação ao ouvir aquelas palavras. — Fui o maior filho da puta do mundo com o Himuro nesse meio tempo, porque eu não conseguia me envolver direito, mal era capaz de dar um beijo sem me sentir culpado. Eu só pensava em um idiota chamado Aomine Daiki, e era esse maldito nome que eu falava algumas vezes durante o sono. Ele ouviu e me contou depois... Ou seja, eu o magoei pra caralho e fui um belo babaca, então o mínimo que eu posso fazer agora é tentar ajudar uma última vez. Mas agora acabou, não tenho mais o que fazer.

— Hm... Acho bom mesmo. — Daiki disse, tentando inutilmente esconder o ego inflado ao ouvir tudo aquilo. Sua expressão abobada denunciava tudo.

— Você sente ciúme, não sente? — O som do sorriso saiu junto com a afirmação do ruivo, levando Aomine a encará-lo novamente.

Os caninos estavam aparecendo timidamente em seu rosto, o que era um ótimo sinal. Então foi isso... Taiga só estava agindo daquele jeito estranho naquela noite porque estava preocupado com sua reação, e não porque estava morrendo de pensar naquele idiota. Era um grande alívio, Daiki precisava admitir. E sim, tinha ciúme pra caralho, mas ninguém precisava saber.

— Eu não sinto bosta nenhuma de ciúme. — Aomine mentiu com a maior cara de pau que conseguiu, levando Kagami a abrir mais ainda o sorriso. Gostava demais daquele idiota para conseguir manter a seriedade perante aquela expressão.

— Você sente sim, e faz tempo. Só não quer admitir porque é um orgulhoso e acha que vai se rebaixar. — O ruivo insistiu de forma cômica, aproximando um pouco o rosto de ambos. — Eu sei que você não tirava a corrente do meu pescoço a toa.

— Já disse que eu tirava aquela droga porque me atrapalhava quando eu queria morder você. — Daiki tentou colocar convicção em sua fala, mas não estava dando muito certo. O canto de seu lábio começou a tremer e repuxar no momento em que o ruivo apoiou a mão em sua coxa com firmeza para se aproximar mais ainda.

— Me morder... Assim? — Ele murmurou em sua orelha, descendo os lábios até seu pescoço, enterrando os dentes leve e vagarosamente em sua pele morena, sugando-a logo em seguida.

Um grunhido baixo de prazer saiu involuntariamente de sua garganta, já que aquele gesto de Taiga foi gostoso, erótico e bem inesperado, causando arrepios bastante acentuados e sugestivos em seu corpo. Daiki tinha noção de que era extremamente raro o ruivo tomar a iniciativa para o sexo — mesmo que ficasse bastante safado assim que começava com as provocações para cima dele —, então aquilo realmente foi uma surpresa agradável e deveras deliciosa. O deixaria preocupado mais vezes se o resultado fosse esse.

— Você muda de humor bem rapidinho, uh? — Sorriu de canto com satisfação, conforme Taiga intensificava as mordidas e chupões. Era gostoso demais sentir aquela dor forte e úmida em sua pele, e obviamente já percebia seu membro formigando entre as pernas.

Taiga o deixava louco com muita facilidade, muita facilidade mesmo.

— Mudo sim. — Ele respondeu de forma rápida, aproximando o lábio dos dois, para que se beijassem com vontade, como se estivessem esperando aquilo por anos.

Sem esperar muito mais, Aomine o empurrou pelo peito contra o sofá, ainda durante o beijo afoito, deitando por cima dele de uma forma confortável naquele espaço pequeno, moldando-se ao seu corpo completamente receptível. Era incrível a sincronia que tinham, como se adivinhassem os movimentos e intenções um do outro.

Tudo com aquele idiota tornava-se perfeito, mesmo após uma conversa desagradável... Que sinceramente já se transformou em um assunto esquecido. O ruivo era seu, apenas seu, era óbvio, e estava mais do que na hora de tornar esse relacionamento algo oficial. Daiki estava se enrolando com aquilo também.

Gostava demais de Kagami Taiga, ao ponto de deixar o orgulho completamente de lado e até mesmo de sentir ciúmes e admitir que o amava. Era um grande avanço para o grande Aomine Individualista Daiki, o senhor do seu próprio universo paralelo e egoísta, o orgulhoso mor incapaz de se apaixonar por alguém que não satisfizesse sua lista de requisitos. Taiga foi um verdadeiro achado, já que aquela lista era praticamente uma desculpa inventada para não precisar se envolver com as pessoas. Aquele idiota sobrancelhudo conseguiu contornar até as próprias invenções da mente de Daiki.

Era ele, com certeza. Ele tinha 'aquilo'. Ele tinha seu coração.

O moreno não tinha um motivo sequer para deixar a aliança estacionada por mais uma semana em sua mochila. Estava mais do que certo sobre sua decisão. Era agora ou agora... Sem essa de nunca. Chega de procrastinar.

— Taiga... — O chamou sem tomar ar, ainda com os lábios úmidos juntos, sentindo as mãos dele apertarem suas costas com força por debaixo da camiseta. — Quernamorarcomigo? — Balbuciou contra a boca dele.

— Quê? — Ele arregalou os olhos, encarando-o com uma nítida surpresa ao parar tudo o que estava fazendo e soltar toda a tensão de seu corpo no sofá.

— É. — O moreno sorriu de forma tímida, mas convicta, fitando o rosto corado do ruivo logo abaixo de si.

— Como assim? — Ele riu incrédulo, franzindo rapidamente as sobrancelhas bifurcadas.

— Como assim, 'como assim'? — Daiki indignou-se de repente, revirando os olhos ao apoiar-se em seu braço, no sofá. — Namorar, idiota. Tipo o que a gente faz, mas com alianças de compromisso e essas coisas melosas.

— Eu sei o que é um namoro, idiota. — Taiga sorriu. — Só não estava... Esperando isso de você.

— Ué? Por que não? — Aomine ergueu uma das sobrancelhas, intrigado.

— Porque você mal admite que sente ciúmes... É um orgulhoso, convencido de merda e tal. — Taiga riu, mostrando os caninos. — Foi bem inesperado.

— Eu não sinto ciúmes, mas quero namorar. Simples assim. Nada de inesperado, só incomum. Então sinta-se honrado. — O moreno semicerrou os olhos de forma cômica, forçando o ruivo a cair do sofá com um movimento de pernas.

Taiga agarrou-se em seu braço no último segundo e o puxou junto para o chão, surpreendendo-o antes mesmo que pudesse debochar da queda do ruivo. Após uma breve lutinha infantil movida por risadas, golpes leves, mordidas e cócegas, ambos acabaram no tapete, ofegantes, se encarando com uma intensidade e cumplicidade mais do que evidentes.

— E aí retardado, tô esperando. Vai namorar comigo ou não vai? — O moreno perguntou com autoridade, mesmo que estivesse por baixo, olhando para o ruivo que segurava seus braços com força acima de sua cabeça, como se o estivesse rendendo.

— Hm. Acho que sim. Vou sim. — Taiga sorriu radiante, deslizando um pouco mais o corpo para que pudesse sentar-se logo acima de sua virilha, provocando Daiki com movimentos quase imperceptíveis de vai e vem com o quadril.

— Acho bom. Não ia aceitar um ‘não’ como resposta. — Aomine murmurou satisfeito, mas com a voz sôfrega, saindo do aperto de sua mão e sentando-se no tapete, apoiando as costas no sofá para que pudesse beijar novamente Kagami, com ele ainda posicionado de forma insinuante sobre seu membro.

— Quanto romantismo da nossa parte. — Taiga debochou com a voz em uma mistura de empolgação e desejo, dando-lhe uma mordida leve no lábio inferior.

— Sim. Romantismo total. Bem a nossa cara. — Daiki concordou com um meio sorriso dificultado, fechando os olhos. — Te entrego a aliança depois... Porque agora eu quero comer você inteirinho, Taiga. — Murmurou com luxúria, avançando para um novo beijo enquanto sentia o ruivo ainda esfregar levemente o corpo sobre o seu.

Estava muito gostoso e quente daquela forma, Daiki era capaz até de sentir o pré-gozo sair de seu membro. Ambos queriam o sexo que simulavam com tanto gosto e com o mínimo de pudor, mas Taiga parou abruptamente alguns segundos depois.

— Aliança? — Uma nova incredulidade pairou em seu olhar assim que ele afastou o rosto. — Você está falando sério mesmo sobre namorar firme?

— Caralho Taiga. Você realmente achou que eu estava brincando? — Daiki foi obrigado a revirar os olhos pela milésima vez naquela noite e dar-lhe um tapa forte no braço como punição por ter parado tudo.

— Não que você estivesse brincando... — Ele disse, arqueando as sobrancelhas com um sorriso enorme ao esfregar a pele avermelhada pela marca de dedos do moreno. Sua expressão mudou um pouco, para algo mais suave. Ele sequer revidou o golpe. — Só não achei que... A gente ia chegar nesse ponto de namorar sério, com alianças, assumindo para as pessoas. — Kagami sorriu de leve agora, meio incrédulo, meio tímido. Era uma feição engraçada se for analisar toda a sua estrutura de brutamontes. Uma coisa não condizia com a outra.

— Na verdade estou para te pedir em namoro desde o dia em que você voltou de Los Angeles. Estava pensando nisso faz tempo, já que com você as coisas foram diferentes. Que se fodam os outros, não ligo. — Daiki admitiu com relutância, olhando nos olhos rubros em sua frente, realmente próximos e transparentes. — Só que eu fiquei tempo demais quieto... E então você... Né.

— É. — Ele desviou o olhar rapidamente ao entender onde estava querendo chegar, mas voltou-se radiante, segundos depois. — Mas enfim, isso foi mais do que inesperado, sério.

— Ah, foi nada, só queria oficializar que você é meu, para que nenhum idiota fique roubando seus beijos. Agora cala boca e vem aqui, porque sei que você também está louquinho pra me dar. — Aomine sorriu de forma safada e extremamente satisfeita, puxando o ruivo pela nuca para mais um beijo úmido e urgente.

Estava sendo bem torturante senti-lo logo acima de seu membro duro, ainda mais esfregando-se com seu corpo quente e necessitado. Depois poderiam conversar o quanto quisessem. Taiga concordou com seus pensamentos na mesma hora, com o sorriso brincando em seus lábios durante o beijo lento que compartilhavam.

Ele estava feliz com a situação e com o pedido de namoro repentino e nada romântico. Na verdade Aomine também estava. Era evidente que aquilo era algo que ambos queriam, que ambos sentiam, mas eram orgulhosos demais para admitir ou falar o tempo todo... Teoricamente nem precisavam ficar dizendo coisas bonitinhas para terem noção do sentimento que existia ali. Esse era o jeito deles.

Agora tudo estava resolvido. Ou melhor, quase resolvido. Ficaria perfeito após comemorarem com uma sessão dupla de sexo. A primeira no tapete da sala, com Kagami por cima, e a segunda na cama, com ele de quatro logo abaixo de si.

***

Sexta-feira — 4h42min

~Kagami Taiga~

Piscando com frequência, o ruivo observava o moreno dormir logo ao seu lado na cama, iluminado pela luz fraca da televisão que deixara ligada na sala, com o volume baixo.

Sustentando aquela expressão relaxada, refletida em um sorriso discreto e uma respiração leve, Daiki nem parecia um convencido que falava duas merdas para cada cinco palavras que escapavam de sua boca. Taiga sabia que no fundo começara a gostar dele justamente por causa dessas atitudes bestas, mas ao mesmo tempo seguras e firmes, que davam a ele um ar decidido. Aomine tinha um jeito único de ser. Babaca, mas único...

Ok, o ruivo estava apenas tentando buscar justificativas plausíveis, quando na verdade nem sabia por que diabos se apaixonara por Aomine Daiki. Simplesmente se apaixonara. Talvez devido ao clima intenso e agressivo que ele exalava no basquete... Talvez pela forma como ele o incentivara na Winter Cup... Ou até mesmo pela maneira com que ele falava das cigarras que voltavam no verão... Ou através do susto que ele levara ao rasgar a revista de mulher pelada na loja de Conveniência ao ser flagrado por Taiga... Ou com o primeiro ‘quase beijo’ que deram ao brigaram pelo controle remoto, vendo pornô gay acidentalmente... Ou devido ao próprio beijo que deram no corredor... Ah, vai saber. Ele o completava apenas por ser ele.

— É, por ser um idiota... — Resmungou com um sorriso faceiro, recuperando as cobertas que o moreno roubara de si durante a madrugada.

Após transarem duas vezes naquela noite, a reação corporal esperada de Taiga seria o cansaço e o sono profundo — exatamente como no caso de Daiki naquele exato instante (e em todos os outros instantes em que ele dormia, claro) —, mas logo o celular do moreno despertaria, então Kagami já se acostumara a acordar espontaneamente.

Ao olhar no visor iluminado do aparelho, constatou que ainda levaria uns quinze minutos para a música "Shots" ecoar pelo quarto, acordando qualquer ser vivo em um raio de quilômetros. Sorriu mais uma vez com os pensamentos bestas. Na verdade estava sorrindo muito mais que o comum.

Estava feliz. Simples assim.

Se fosse para descrever as coisas que sentia no momento, Kagami não encontraria palavras o suficiente. Estava contente pra caralho e putamente surpreso com o fato de estar usando uma aliança em seu dedo anelar da mão direita, assim como Aomine. Era realmente surreal estarem namorando firme. Apesar de ser uma situação quase previsível se for analisar profundamente a forma como conviviam nos últimos dias, ali naquele relacionamento peculiar o pedido contava muito, era uma verdadeira prova de que não estavam se enrolando ou se escondendo do mundo. Tornava-se infinitamente melhor do que um milhão de cheeseburgueres com refrigerante e batata frita após uma partida fodida de basquete.

Kagami riu sozinho da comparação, fazendo com que Aomine resmungasse e virasse para o outro lado da cama, ficando com as costas voltadas para si. Repreendendo-se mentalmente por tê-lo incomodado, Taiga o abraçou, aproximando o rosto de sua nuca quente. Ainda tinha quinze minutos para dormir, então deveria aproveitar enquanto Daiki estava ali. Odiava quando o moreno ia para casa... Tudo ficava quieto, entediante e vazio demais.

Sinceramente, desejava que o castigo dele durasse para sempre, para que ele fugisse até ali todas as noites. Um novo sorriso surgiu em seus lábios. A dormência em sua bochecha quase chegava a ser enjoativa... Não. Na verdade era boa demais.

Agora nem parecia que existiram mil tipos de problemas de todas as dimensões em sua vida pacata e resumida ao basquete... Ou que odiara Aomine Daiki ao ponto de mandá-lo ao inferno há alguns meses... Ou ainda, nem parecia que existira um dia em que o moreno não correspondeu aos seus sentimentos confusos. Aquele alívio era quase utópico, mas não... Agora a felicidade era real. Finalmente Kagami poderia relaxar, pois nada mais os atrapalharia. Himuro estava em boas mãos, o contratempo com o basquete se resolveria na Winter Cup, Kuroko estava feliz com Kise — o que era ótimo, já que tinha um ciúme besta com o fato de o loiro já ter namorado Daiki —, e não sentia mais pesos na consciência.

— Para de rir... Bakagami. — O moreno grunhiu de repente, dando-lhe um chute na canela.

— Cala a boca e dorme, Ahomine. — Kagami esfregou os dedos em sua nuca morena em uma tentativa bruta de carinho, levando-o a se mover na cama confortavelmente na cama. — Você só tem mais quinze minutos.

— Nah... — Daiki sibilou, voltando a cochilar, mesmo com aquele suspiro indignado. Era um idiota mesmo. Um namorado idiota.

E novamente o sorriso brotou em seu rosto.

***

Sexta-feira – 12h01min

~Aomine Daiki~

— Oe, Satsuki. Você vai continuar me ignorando? — O moreno resmungou para Momoi, que seguia propositalmente apressada pelo corredor, sempre dois passos a sua frente.

— Vou. — Ela respondeu de forma seca, virando a esquina para descer as escadas que davam acesso ao refeitório da Academia Touou. — E você vai continuar me seguindo como um idiota? — A menina devolveu a pergunta, sem sequer olhar para trás.

— Vou. — Daiki deu de ombros, conformado, olhando para a aliança uma vez mais antes de colocar as mãos no bolso em busca de alguns yenes para comprar o almoço.

O moreno não podia deixar de notar que objeto metálico irritava um pouco sua pele. Incomodava da mesma maneira que um pedaço de carne preso na fenda dos dentes de trás, com o qual não se acostumaria se não removesse o quanto antes. Porém, aquele caso era mil vezes melhor do qualquer resto de comida na boca. Foi uma comparação extremamente injusta e nada romântica. Bem a sua cara.

Na verdade aquela aliança era um lembrete de que deixara o individualista Aomine Daiki para trás... Um lembrete de que estava apaixonado de verdade ao ponto de abandonar seu orgulho... Um lembrete de que Taiga era seu, apenas seu, e foda-se o mundo, fodam-se os tabus, fodam-se os sebosos doentes de franja. Nada podia detê-los agora.

Mas se tinha algo que podia deter o moreno, era o mau-humor de Satsuki.

— Já pedi desculpas. — Daiki bufou olhando para os fios rosados do cabelo da menina, que parara impaciente na fila da cantina.

— Não é o suficiente. — Ela respondeu, seca, ainda sem olhar para trás.

— E o que eu preciso fazer então, sarna? — Deu o braço a torcer pela primeira vez desde a briga com Himuro, já que realmente estava sendo irritante a menina ficar tão afastada. Ela era sua melhor amiga, querendo ou não.

Em silêncio de evidente incredulidade, ela virou minimamente o rosto, fitando-o de esguelha.

— Hm... — Momoi ponderou, apoiando os dedos finos no queixo. — Você precisa tentar dar um jeito de participar da Winter Cup, vai treinar conosco todos os dias, sorrir mais e parar de ser um impulsivo idiota que estraga tudo o tempo todo. — Ela enumerou sem mudar a expressão séria. — É. É isso. São os meus requisitos. Agora é com você. — A menina voltou-se para a fila, ficando de costas para Aomine mais uma vez.

Após analisar por alguns segundos e considerar aquele acordo mais do que injusto — já que com certeza não estava inclinado a treinar todos os dias —, Daiki suspirou fundo. Não havia outra escolha. A verdade é que Momoi fazia falta, mesmo que fosse uma garota irritante pra cacete quando queria... Mas sinceramente, não havia algo mais irritante na menina do que aquela manifestação de indiferença. Aomine teria que se esforçar um pouco, já que realmente estragara tudo para o time e consequentemente para a amizade de séculos que tinham.

— Ok. Posso fazer isso esse ano. — Respondeu em voz baixa, para que ninguém mais ouvisse além dela.

— Jura? — Momoi questionou em voz alta, virando-se para encará-lo devidamente pela primeira vez em uma semana inteira.

— Tenho escolha? — Deu de ombros desgostoso, mas internamente contente por ver o rosto iluminado da amiga.

— Ah, Dai-chan! — Ela sorriu radiante, controlando-se para não abraçá-lo ali no meio de tanta gente. Um completo oposto da atitude fechada dela há alguns minutos. Isso sim era um ser bipolar. — Você é um errado, mas senti tanto a sua falta.

— Hm... — Olhou para o lado, buscando disfarçar sua expressão. Jamais admitiria o mesmo.

— Mas sério, você pisou feio na bola ao ter brigado bem no dia do campeonato por causa de uma bobeira. Todo o time sofreu as consequências da sua atitude, e o treinador quase desistiu de nós. — Momoi voltou a ficar séria, dando um passo para frente na fila que andara. — Sei que o Himuro-kun deve ter irritado muito você, mas cadê sua maturidade recém adquirida?

— Tá, tá. Sei que fiz merda. Já ouvi bastante sobre isso nessa semana, podemos pular essa parte? — Murmurou com cansaço, olhando discretamente para a aliança no dedo, dentro do bolso da calça. Por um momento curto, Daiki buscou controlar os impulsos ao vislumbrar de relance o objeto. Uma atitude besta, mas que funcionou, pois o assunto chato encerrou ali mesmo.

— Tudo bem. Sua mãe já me falou que você estava arrependido. Eu só queria ouvir a sua versão. — Momoi explicou, sorrindo com uma nesga de compreensão. — Ah, e essa semana o Tetsu-kun me contou que o Himuro-kun pode estar doente, então é compreensível que ele tenha te provocado após o término com Kagamin.

— Ele não é doente, só é um idiota que não admite que perdeu.

— Não Dai-chan. Bipolaridade é algo bem sério. — Ela ergueu as sobrancelhas, como que para contradizê-lo. — Ele pode fazer vários tipos de besteira por achar-se superior à tudo e todos, mas quando fica depressivo pode não conseguir sair da cama e até mesmo ter alucinações. É bem sério.

— Não quero falar sobre ele, beleza? — Buscou ignorar as coisas que ela dizia, já que não ligava mesmo. Não gostava daquele seboso, e isso jamais mudaria, independente do tipo de problema que ele possa vir a ter. Se era sério ou não, dane-se, só queria ver ele resolvendo suas crises bem longe de sua vida e principalmente longe de Taiga.

— Tudo bem. — Momoi sorriu, novamente compreensiva, virando-se para comprar o lanche na cantina quando chegou a sua vez.

Assim que escolheram o almoço improvisado, ambos foram para uma das mesas do pátio e sentaram-se ali para comer. Daiki precisava admitir que era bem melhor almoçar com ela do que comer sozinho no terraço, por mais que o local fosse sua segunda casa... Ou a terceira, já que agora tinha o apartamento de Taiga como segundo lugar preferido no mundo.

— Dai-chan! — Ela exclamou repentinamente, arregalando os olhos ao fitar sua mão ao redor do lanche. — Você pediu... O Kagamin? Meu Deus, você pediu o Kagamin em namoro! — Momoi apontou para a aliança de um jeito escandaloso, com a voz alta e esganiçada. — Me conta como foi! — Ela pediu quase berrando, radiante e com os olhos faiscando.

— Porra, cala essa boca Satsuki! — Falou entre dentes com certa vergonha, olhando para os lados com uma vontade imensa de sumir o quanto antes. — As pessoas estão olhando pra cá.

— Ah, desculpe. — Momoi corou, também olhando para os lados de forma constrangida, porém ainda bastante agitada. Abaixando o tom de voz, ela continuou: — Me conta tudo Dai-chan! Estou tão orgulhosa de você. Quando? Como? Onde? Fala logo! — Ela o apressou, movendo freneticamente as mãos.

— Hm... — Suspirou na intenção de adquirir paciência, dando uma mordida em seu lanche antes de começar a falar. — Ontem. Na casa do Taiga. Pedi quando a gente estava assistindo basquete, e ele aceitou de boa. — Encurtou os fatos. Ela não precisava saber que isso aconteceu quando estavam quase fodendo no sofá, após uma leve discussão sobre o estado de saúde do Franjinha.

— Hã? — Ela ergueu uma das sobrancelhas. — Só isso?

— É. O que você esperava? — Perguntou, tão intrigado quanto ela.

— Sei lá, um pouco de romantismo, uma janta especial, algumas flores ou um chocolate.

— Hm, claro. — Daiki foi obrigado a rir um pouco do que ela disse. — Você sinceramente consegue me ver fazendo algo assim?

— É. Realmente não consigo. — Ela foi obrigada a concordar, soltando uma risadinha. — Mas você comprou alianças e as entregou, e isso é um avanço gigante para você.

— É, pode ser. — Assentiu com a cabeça.

Daiki sabia que era realmente um grande passo, já que deixava a maior parte do orgulho para trás. E agora que analisava bem, tudo aconteceu sem a pressa e afobação que tanto tinha medo no passado, e ao mesmo tempo sem a lerdeza com a qual estava habituado. Foi perfeito, mesmo com o afastamento doloroso e complicado que tiveram. No entanto, olhando pelo lado positivo, aquele tempo longe de Kagami foi bom para ambos amadurecerem bastante, e também foi a certeza absoluta de que Taiga era importantíssimo para si. O amava. Ainda era um pouco difícil usar a palavra, mas sim, tinha certeza que o amava.

— Ele ficou feliz quando você pediu? — Momoi perguntou, nitidamente ansiosa, esperando por mais detalhes que sinceramente não existiam.

Daiki ponderou por alguns milésimos de segundo. Poderia responder da seguinte forma: "Sim, bem feliz. Ele até topou ficar de quatro para mim na cama, mesmo depois de a gente já ter fodido na sala sem usar lubrificante. E ele não parava de rir durante a madrugada, o que era bem irritante, porque ficava me acordando. Mas claro, supostamente nada disso poderia ter acontecido porque eu estou de castigo, no entanto fugi todas as noites para dormir na casa dele. Mas enfim, ele ficou feliz sim.".

Mudou de ideia na hora.

— Sei lá, acho que sim. — Daiki respondeu rapidamente, comendo um pouco mais de seu lanche.

— Seus detalhes e seu romantismo me impressionam. — Ela suspirou com desapontamento, também dando uma mordida em seu pãozinho.

— Imagino. — O moreno sorriu internamente, imaginando a reação horrorizada da menina se contasse os verdadeiros e gostosos detalhes. — Mas e você com a magrela, já se resolveram? — Mudou de assunto para evitar constrangimentos ou insistências.

— Ah, eu acho que desisti. — Ela levantou o olhar conformado para Aomine. — Acho que só estava empolgada por causa da rivalidade no Interescolar, então acabei confundindo as coisas. Não iria dar certo, sabe.

— Ué? — Estranhou infinitamente, unindo as sobrancelhas. — Sério?

— É. — Ela deu de ombros, sorrindo fracamente. — Quando fui falar dos meus sentimentos para a Riko-chan eu simplesmente não consegui, porque acho que eles não existiam de verdade. Eu estava afobada com o basquete e confundi tudo. Enfim, somos só amigas agora... Vamos até marcar alguns amistosos entre os times.

— Nunca vou te entender.

— Pois é. Acho que você é o único gay na nossa relação Daiki, desculpe desapontá-lo. — Satsuki fez a piadinha, levando Aomine a estreitar os olhos na hora. — Vai dizer que não é gay? — Ela perguntou de forma acusadora ao olhar para sua aliança, antes que Daiki pudesse se manifestar.

— Bi. Sou bi. — Respondeu com constrangimento, olhando para os arredores da escola.

— Você é um orgulhoso, isso sim. — Ela riu, esticando o braço para bagunçar as mechas azuis e curtinhas de seu cabelo, levando-o a sorrir em concordância interna. Certos traços jamais o abandonariam. — Ah, falando nisso, soube do Kise-kun e do Tetsu-kun?

— Não. Eles...? Não... — Murmurou surpreso, sorrindo como quem já havia deduzido as coisas, mas que não estava acreditando sem ouvir com detalhes.

— Sim. O Kise-kun conseguiu! — Ela sorriu radiante, batendo palminhas. — O Tetsu-kun me contou ontem mesmo. Eles ficaram juntos no Interescolar ainda, acredita?

— Caramba, finalmente. — Daiki sorriu um pouco mais, realmente feliz pelos dois. Ouvira muito da fossa melequenta de Kise em relação aos cortes de Kuroko para ficar indiferente com aquilo.

— Viu, você não é o único gay do nosso grupo. Existem vários, então já pode ficar aliviado. —Momoi soltou novamente a piadinha, mas logo fingiu seriedade. — Ah, desculpe. Você é bi.

— Vai se foder. — Ergueu o dedo do meio para ela, lançando-lhe um pedaço de pão em seguida, levando-a a gargalhar. Aquela era a segunda melhor risada do mundo.

Tudo parecia estar se resolvendo agora, finalmente.

Pela primeira vez na vida Aomine Daiki poderia afirmar que estava completo. Tinha amigos, tinha sua mãe, tinha o basquete — parcialmente —, deixara de lado aquele sentimento pesado que o orgulho lhe fazia sentir... E tinha Taiga como a cereja do bolo. Apesar de não gostar de cereja. Então Taiga era tipo sua comida preferida, um verdadeiro hambúrguer teryaki.

Nossa, sou muito romântico. Zombou de seus pensamentos, sorrindo para a aliança que ainda parecia um tumor brotando em seu dedo. Logo se acostumaria, com certeza. Se conseguira se acostumar com a ideia de dividir sua vida com um cara, por que não se acostumaria com o objeto que simbolizava isso? Seria fichinha.

***

Sexta-feira — 19h28min

~Kagami Taiga~

A última vez que o ruivo esteve parado na frente das grades brancas daquele portão passou extremamente longe de ser uma situação agradável — poderia inclusive ser classificada como o pior momento de sua vida até então. Foi o dia do apocalipse.

Se quisesse, Kagami quase era capaz de lembrar as palavras exatas que saíram da boca de Aomine, quebrando-o em dez mil pedaços diferentes que simplesmente sumiram no ar... Mas que agora encontravam-se novamente em seu devido lugar, recompostos e muito bem colados um no outro. Toda aquela indiferença fria de Daiki era uma mentira descarada, uma proteção para seu próprio orgulho e um passado longínquo. Era só olhar para a aliança que estava ao redor de seu dedo anelar para confirmar que tudo estava bem agora, muito bem... Melhor do que o esperado.

Estavam namorando, caralho!

Dessa vez o ruivo não sentia remorsos, medo ou qualquer outra coisa ruim ao esperar Daiki do lado de fora, sentia apenas uma vontade imensa de estar com ele — e um frio na barriga irrevogável com a expectativa de conhecer sua... Sogra? Sim, sua sogra.

Quando na vida se imaginou vendo a mãe de Aomine Daiki como sua sogra?

Após sorrir com estranhamento perante o pensamento e secar as mãos suadas pelo nervosismo em sua calça jeans clara, Taiga apertou o botão da campainha ao lado do portão. Um barulho característico e estridente ecoou instantaneamente dentro da casa rodeada por pedrinhas acinzentadas e bonsais que precisavam ser aparados urgentemente.

A luz da varanda acendeu no mesmo momento em que a porta da casa de Daiki foi aberta, revelando um moreno fingindo seriedade apenas para não dar o braço a torcer, já que ele jamais admitiria que sentia-se feliz por Taiga estar ali. Na verdade o ruivo tinha o mesmo pensamento e disfarçava olhando para o próprio All Star vermelho, que contrastava com a cor escura da calçada. Eram dois idiotas orgulhosos, e isso nunca mudaria.

— Oi Bakagami. — Ele o cumprimentou casualmente, destrancando o portão e o abrindo, fazendo com que a dobradiça rangesse.

— Oi Aho. — Taiga sorriu de canto, reparando no cheiro de shampoo se misturando com o perfume que ele usava. Era o melhor aroma, a melhor combinação, e o vento leve foi totalmente parceiro ao trazer aquilo diretamente para seu rosto.

— Vai entrar hoje, ou a gente vai brigar de novo e se separar para sempre? — Ele arriscou a piadinha de humor negro, erguendo as sobrancelhas de forma cômica.

— Babaca. — Taiga sorriu de canto, atingindo-lhe com um soco fraco no peito ao dar um passo para dentro do terreno. — Agora a gente ri, né?

— Melhor do que remoer, não acha? — Ele deu de ombros, divertido.

— Certeza. — Kagami concordou, observando-o trancar o portão com uma paciência digna de monges tibetanos. Daiki era lerdo demais em certos momentos, sequer parecia o às do time de basquete da Touou.

— A minha mãe fez curry para você. — Ele comentou ao virar-se e rodear os ombros de Kagami com o braço. — Ah, não diga a ela que você sabe cozinhar melhor, ou ela vai te odiar para o resto da vida.

— Não sou indelicado como você. — O ruivo afirmou, sentindo-se ser puxado por Daiki pelo caminho de pedrinhas.

— Não, mas você é tapado. — Ele simplificou. — A chance de falar algo desnecessário é enorme.

— Vai cagar. — Kagami riu com um pouco de inconformismo, dando-lhe outro soco leve, no estômago dessa vez.

— Pegou o costume de me socar, é? Você não deveria fazer isso com seus ídolos, sabia? — Daiki sorriu com provocação, bagunçando ainda mais os cabelos já bastante rebeldes de Taiga.

— Morra. — O ruivo riu e empurrou-o para longe de forma cômica ao ajeitar as mechas.

— Primeiro as damas, Taiga. — Ele murmurou, apontando para a porta assim que subiram os poucos degraus que levavam à varanda.

Mostrando-lhe o dedo do meio, o ruivo suspirou fundo e entrou na casa, deixando o All Star no degrau mais baixo do hall. Para sua surpresa, tudo estava impecavelmente limpo e organizado na sala, nem parecia a mesma casa que visitara há alguns meses.

Um cheiro ligeiramente salgado e picante vinha da cozinha, e estava ótimo, porém o barulho de colheres e panelas fez com que seu estômago embrulhasse e a fome simplesmente sumisse. A mãe de Daiki com certeza estava lá. Essa era sua próxima batalha.

— O Taiga chegou! — O moreno anunciou com a voz exageradamente alta, passando pelo ruivo assim que fechou a porta da entrada e tirou os tênis também. — Vem... Ela não vai te morder. Eu acho. — Murmurou para Kagami com um meio sorriso, assim que seguia de meias pelo corredor em direção ao cheiro bom de comida.

— Ei... Qual o nome dela mesmo? Daiki? Daiki! — Taiga apressou-se em perguntar para o moreno em um sibilo, mas ele já estava longe demais para ouvir. Ou o ignorou de propósito. Sim, com certeza foi de propósito. — Seu pau no cu. — Suspirou indignado, caminhando até lá com certa relutância, adentrando a cozinha após alguns segundos de concentração.

— Ah meu Deus, vou me sentir uma verdadeira anã no meio de vocês dois. Olha a altura desse menino!

Essa foi a primeira frase que ouviu da mulher bonita e morena com o avental manchado de molho. Com toda a certeza do mundo era a mãe de Daiki. Ao contrário dos dois, ela era bastante delicada e baixinha. Possuía cabelos azuis lisos que batiam em seus ombros e era dona de um sorriso bem cativante, mesmo quando as linhas de expressão discretamente severas cortassem sua testa. Daiki era a cópia masculina da mulher, foi a mais simples dedução de Taiga.

— Hm... Boa noite. — O ruivo balbuciou em meio a um projeto de sorriso, nitidamente nervoso e sem reação. Ela foi espontânea demais, o que levou Kagami à travar no ato.

— Ele é tímido mãe, comece de novo isso. Volte lá para o corredor Taiga. — Daiki ironizou, dando um tapa nas costas do ruivo para deixá-lo mais confortável. Não funcionou.

— Tímido? Então ele não sabe que já flagrei vocês dois pelados na cama? — Ela sorriu de canto ao sussurrar aquilo para o moreno, levando o ruivo a ruborizar violentamente.

Quê!? Não era como se não tivesse escutado o que ela acabara de dizer! Mas quando isso aconteceu? O ruivo começou a repassar rapidamente todas as situações em que esteve pelado na casa de Daiki, sentindo a respiração tornar-se entrecortada.

— A gente não- — O moreno começou com cansaço na voz, mas foi interrompido.

— Já sei, já sei. Vocês não estavam pelados. — Ela revirou os olhos, voltando-se com uma feição simpática para o ruivo. — Me desculpe a loucura. Estou tão nervosa quanto você, acredite. É a primeira vez que o Daiki traz um namorado de verdade para me apresentar oficialmente. — Ela soltou uma risadinha engraçada, fazendo um gesto rápido ao limpar as mãos no avental. — Sou Aomine Yumiko. — A mulher realizou uma breve reverência, que Taiga imitou logo em seguida. — Seja bem-vindo à nossa casa mais uma vez, Kagami-kun. É um prazer conhecê-lo.

— Obrigado. O prazer é meu. — O ruivo disse com a voz clara, apesar de estar tremendo por dentro como uma vara verde, sem falar no constrangimento de nível épico que congelava suas pernas.

Kagami sempre fora péssimo em se relacionar com o sexo oposto, mas a situação apenas amplificou-se agora, quando se tratava de sua suposta sogra — dizendo que já o viu pelado na cama de Daiki. Vergonha era pouco para descrever o quão ridículo estava se sentindo. Gostaria de ser um pepino naquele momento, apenas para não precisar encará-la.

— O Daiki me falou muito bem de você. O tempo todo, para ser sincera. — Ela disse com um toque de humor na voz, passando a mão pelo braço do filho. — Ele sofreu bastante quando vocês dois brigaram, por isso tenho certeza que você deve ser especial. Para conseguir amolecer o coração do meu bebê orgulhoso precisa ser muito especial. Ele até chorou, acredita?

— Mãe! — O moreno a repreendeu com vergonha, olhando para Kagami no mesmo instante com mais vergonha ainda. — Eu nem chorei.

— Ah, é mesmo? — Aomine Yumiko sorriu da de uma maneira bem provocativa e irônica. — Tem certeza que não?

De repente Kagami começou a gostar muito dela, muito mesmo, inclusive esqueceu-se do constrangimento anterior, pois a cara de tacho de Daiki foi impagável. Controlou-se para não sorrir demais com a situação... Era praticamente impossível, já que além de ser uma cena engraçada, seu ego inflara absurdamente.

— Ta rindo do quê, idiota? — Daiki resmungou para Kagami.

— Bem, talvez da sua ingenuidade ao entregar a aliança para ele justamente nos dias em que te proibi de sair de casa. Que misterioso isso, não? — A mulher voltou-se para a panela, mexendo seu conteúdo com um sorriso acusatório brincando nos lábios. — Até parece que você andou fugindo de casa durante o castigo, não é Daiki?

Ambos congelaram no ato. Kagami já estava sem muita ação simplesmente por estar ali, no entanto depois de Aomine Yumiko praticamente jogar na cara de ambos que sabia das escapulidas de Daiki, o ruivo realmente desejou ser um pepino naquela cozinha, apenas para passar despercebido.

— Ou você acha que me contornou, amor? — Ela voltou o olhar para Daiki. — Acha que não te conheço?

— Eu... É que... — O moreno começou a balbuciar totalmente sem jeito, aproximando-se lentamente de Kagami, como se estivesse esperando um ataque a qualquer instante.

— Tudo bem Daiki, não estou brava. E também não posso te forçar a ficar trancado em casa. Não adianta. — Aomine Yumiko voltou a cuidar da panela com bom humor, curiosamente. — Eu faria o mesmo no seu lugar, então não te culpo tanto assim. Mas não se acostume. Já confisquei suas revistas até o final do próximo mês. Seu video-game também. — Ela olhou para Kagami antes que o moreno pudesse protestar. — Não sou sempre boazinha com o Daiki não. Mas dessa vez eu dou um desconto, já que ele fica um doce quando você está por perto. Geralmente ele é bem chatinho e mau-humorado.

— Mãe!

— Estou mentindo? — Ela ergueu as sobrancelhas para o moreno, sorrindo ao ver que Kagami também ria da situação. — Vão, se sumam, sei que querem ficar sozinhos. — A mulher fez um gesto engraçado com as mãos. — Quando eu terminar aqui eu chamo vocês. Fique a vontade Kagami-kun. — Yumiko sorriu mais uma vez, de maneira cativante.

— Muito obrigado. — Agradeceu com uma nova reverência, sendo puxado por Daiki no meio do gesto. — Oe... — Reclamou assim que cambaleara pelo corredor, quase levando um tombo.

— Não ligue para as coisas que ela diz. Ela é um pesadelo quando quer. — O moreno fechou os olhos, amargurado, caminhando em direção ao seu quarto. Kagami lembrava exatamente onde era.

— É nada. Gostei bastante dela. — Taiga sorriu assim que entraram no cômodo, que curiosamente estava organizado e repleto do cheiro gostoso de Daiki. Chegava a ser nostálgico voltar ali, mesmo que não fizesse tanto tempo assim desde a última vez. Quase nada mudara, apenas alguns pôsteres de mulheres nuas foram substituídos por outros mais vergonhosos ainda, as revistas de fato não estavam mais lá e a colcha que decorava a cama era verde ao invés de azul. — Ela é bem sincera e espontânea. — Concluiu a frase, sentando-se no colchão sem muita cerimônia, olhando ao redor para relembrar os outros detalhes.

— Louca. — Daiki simplificou, fechando a porta às suas costas e abrindo a janela no instante seguinte, ao cruzar rapidamente a extensão do quarto.

— Você chorou mesmo? — Kagami perguntou em meio à um sorriso, olhando-o atentamente para pescar todos os detalhes. Geralmente ele não admitia coisas do gênero, então quando se fazia de durão tinha o costume de juntar um pouco mais as sobrancelhas, o que era uma resposta positiva automática.

— E daí? Só você pode? — Ele franziu a testa, como se tivesse se sentido desafiado. Para surpresa de Taiga, ele estava admitindo. — Eu também estava mal quando a gente brigou, ok?

— Que bonitinho. — O ruivo zombou, afinando a voz, mesmo que se sentisse bastante aquecido por dentro depois daquela revelação.

— Vai se foder, cretino! — Aomine sorriu com a provocação, avançando até a cama para derrubar Kagami no colchão.

A lutinha que iniciaram foi a deixa para que pudessem se beijar, finalmente. Em meio a tapas cômicos e puxões de roupa, os lábios de ambos, repuxados em um sorriso, roçavam constantemente. A sintonia e companheirismo que tinham eram irrevogavelmente fortes, talvez por pensarem de forma muito parecida até mesmo nos momentos infantis.

Ofegantes após alguns segundos, os dois deitaram espaçosamente na cama, ainda rindo da recém terminada 'briga' sem vencedores.

— Ah, e não pense que esqueci a nossa aposta dos Lakers e dos Bulls. — Kagami falou repentinamente, vendo de relance o cartaz dos times na escrivaninha de Daiki.

— Ah, já faz tempo. Isso não conta mais né? — Aomine murmurou com uma careta, olhando para o ruivo ao apoiar-se com o braço no colchão.

— Conta sim. — Taiga foi incisivo, levantando as sobrancelhas. — Conta. Sim. — Insistiu perante a expressão de Daiki.

— Tá, é justo. Fala aí, o que vai ser. — O moreno desabou novamente na cama simulando derrota, mas ainda encarando Taiga.

— Venho pensando nisso há algum tempo já. — Taiga sorriu meio tímido, voltando o olhar para as imperfeições no teto de madeira. — Quero trocar.

— Trocar o que? — O moreno paralisou, sibilando rapidamente.

— Quero ficar por cima. — O ruivo tentou explicar da forma menos constrangedora possível, ainda evitando contato visual.

— Você está gastando sua aposta para me comer? — Ele franziu a testa, como se estivesse duvidando.

— Estou. — O ruivo confirmou com convicção, finalmente encarando Daiki. — Estou querendo faz tempo, então acho válido.

— E eu acho você um idiota. — Ele sorriu, balançando o rosto. — Poderia ser mais criativo, não acha?

— Como assim? — O ruivo virou-se de frente para ele na cama, confuso.

— Não precisava gastar a aposta para me comer. Era só pedir, idiota. — O moreno revirou os olhos, dando um tapinha cômico na testa do ruivo. — Até porque eu jamais iria fazer isso sem que você pedisse. — Ele constatou com um sorriso.

— Você está me dizendo que iria dar para mim se eu simplesmente pedisse? — O ruivo o encarou incrédulo, estreitando os olhos. — O orgulhoso Aomine Daiki não iria negar ser comido? Não me faça rir, idiota. — Foi a vez de Taiga sorrir. Ele só podia estar tirando com a sua cara.

— Sou orgulhoso o suficiente para não pedir isso há você. Mas como foi o contrário, não tenho motivos para negar. — Ele deu de ombros, colocando as mãos atrás da cabeça. — É bom. Só não é o meu habitual. E na boa, é legal trocar de vez em quando. Saudável. Sei lá.

— Você já deu? — Kagami murmurou com surpresa, estranhando a tranquilidade dele ao falar do assunto.

— Já. Admito que prefiro mil vezes comer, mas já dei sim. Poucas vezes. — Aomine o olhou com um meio sorriso. — Tá de preconceito, Bakagami? Lembre-se que te comi várias vezes essa semana, duas só ontem.

— Não é preconceito, idiota. — O ruivo sorriu, sentindo-se um pouco quente com aquela conversa toda. — Só não esperava isso de você.

— Tem muita coisa que você não espera de mim, não é? — Ele sorriu de canto, encarando o ruivo de esguelha. — Tipo isso... — Daiki murmurou, entrelaçando os dedos de ambos, apoiados no colchão quente. — Ou isso... — Ele aproximou o rosto, dando-lhe um beijo carinhoso na bochecha, para então dar-lhe um selinho nos lábios. — Sei que não sou uma menininha romântica, mas também não sou um monstro do orgulho. Já fui, mas com você eu me desarmo, porque as coisas são diferentes. Até chorei por você, idiota. — Ele riu com certo constrangimento, levando Kagami a sorrir, meio abobado com as atitudes que acabara de presenciar. — Bem, olhando agora, talvez eu tenha chorado porque você jogou meu Air Jordan no lixo. — Aomine inseriu a piada para quebrar o clima.

— Eu não tive coragem de jogar. — Kagami admitiu, aproximando um pouco o rosto de ambos, na cama. Estava bom demais assim. — Sei lá... Não consegui. Era como se eu fosse jogar você para fora da minha vida, por mais que você já estivesse bem longe, então... Foda-se. Tá lá em casa, guardadinho.

— Você nunca me desaponta. — Aomine sorriu radiante. — Até porque o tênis nem é seu por direito. Você não me venceu no mano a mano ainda.

— Pff, coitado. Amanhã posso fazer você cheirar a quadra do Maji facilmente. — Kagami assegurou, sentindo a ansiedade do basquete cortar sua espinha. — Topa?

— Com certeza. — Daiki estreitou os olhos, aceitando o desafio. — Prepare essa bunda aí Taiga, porque eu não vou só comê-la, eu vou chutá-la com força também.

— Nem um e nem o outro, porque quem vai comer e chutar a sua bunda sou eu! — O ruivo assegurou, avançando para beijar o moreno nos lábios, minutos antes de Aomine Yumiko os chamarem para jantar... Justo agora que estava quase ficando excitado.

Tudo bem, teriam a noite inteira. O final de semana inteiro. A vida inteira? Vai saber...

Notas finais
Fim... Desse capítulo, hehehehe. Mais algumas coisas resolvidas... E logo estamos chegando ao fim. Lemon KagaAo? Quem quer, quem não quer? Hehehehehe... Mas gente, cadê o Himuro nisso tudo? Enfimmmmm... Vejam nos próximos (ou próximo) capítulo de... Linha Tênue! Hehehehehe. Vídeo de agradecimento e comentários do capítulo anterior: https://www.youtube.com/watch?v=Nn6JfU5akkc Músicas do capítulo... Ehr... É bem aleatória porque não me preparei... Então aqui vai uma diferente, de uma banda que particularmente AMOOOOOO, com um vocalista maravilhoso... E sim, é em alemão! Niemand - Oomph!: https://www.youtube.com/watch?v=HKtm5BqJkE0 (o clipe não tem nada a ver, acho meio podre, mas a letra é linda linda: https://goo.gl/pTpZn7) Por hoje é só pessoas lindas do meu Brasil! Cartinhas quase prontas. Amo vocês. MUITO. INTENSAMENTE! Beijão enoooooooooooooorme da Lana-chan e obrigada por tudo! ;****************************************************